[Artigo] Censura nos jogos atuais

Recentemente houve vários casos de censura em jogos de PS4. O presidente da Sony deu uma declaração sobre esses casos alegando que o objetivo era proteger as crianças de algo que possa ser desagradável e também que não possam ter problemas em algum país.

O mais curioso desse caso é o fato das censuras só ocorrerem em jogos com conteúdo de teor sexual. É inegável que existem conteúdos que não são apropriados para menores mas ao meu ver esses casos não estão relacionados aos possíveis conteúdos desagradáveis para crianças. Toda a questão envolvendo censura e classificação de idade em jogos são assuntos muito delicados e por isso devem ser tratados de forma seria.

Mas antes de abordamos o assunto, deveríamos ver se essas censuras nos jogos atuais são realmente necessárias. (Fotos abaixo)

Sistema de Classificação Indicativa

Assim como nos filmes, os jogos também possuem o seu sistema de classificação, e isso foi algo muito importante para que os jogos fossem levados mais a sério, pois ainda existe uma boa parte da população que vê videogames como algo feito para crianças e esse sistema existe justamente para mostrar que não é bem assim.

O sistema foi fundado em 1994 no Estados Unidos por imposição do governo, isso aconteceu dois anos depois do lançamento do primeiro Mortal kombat e de Night Trap, dois jogos que eram muito citados em audiências sobre os conteúdos nocivos nos jogos. Howard Lincoln (Presidente da Nintendo of America) e Bill White (Presidente da SEGA USA) discordavam nesse assunto, com o presidente da SEGA tendo a postura mais liberal.

Mesmo com os lideres das duas empresas discordando sobre a liberação de certos conteúdos, acabaram se unindo junto da Acclaim Entertainment e a Electronic Arts onde fundaram o sistema que hoje e conhecido como ESRB (Entertainment Software Rating Board). Esse sistema foi muito importante porque com ele as censuras não seriam mais tão necessárias, afinal, o produto final não seria obrigatoriamente destinado a crianças.

Censura e Nintendo

A Nintendo costuma ter uma postura de fazer jogos não tão pesados e isso atrelou a ela uma reputação de empresa mais infantil. Embora de certo modo seja verdade que seus principais jogos sejam voltados pra uma estética mais infantil e tenha em seu histórico ações contra conteúdos mais pesados, isso não reflete em seu estado atual. Como já foi dito, a Nintendo foi contra o que era mostrado em Mortal Kombat e Nigth Trap e censurou muitos de seus próprios jogos, prática que continua até hoje, mas com ela dando mais liberdade para as empresas que querem lançar jogos em seus consoles.

Durante o período do Wii, o console que teve a reputação de ser infantil/console do vovô pela comunidade Gamer, recebeu uma série de jogos que depois seriam lançados em um pacote chamado Welcome to Violence. Nele estavam inclusos MadWorld, um jogo cujo o objetivo e matar os inimigos da maneira mais cruel possível para conseguir mais pontos num Realty Show, jogo que foi alvo de muitas controvérsias inclusive sendo banido na Alemanha. The House of The Dead: Overkill a continuação da serie de jogos que se iniciou nos arcades onde tinha o titulo de “jogo mais profano da historia” pela sua quantidade de palavrões – em 3 horas de jogo foram contabilizados de 190 palavrões. O jogo recebeu convenções para PS4 e para PC no formato de The Typing of the Dead: Overkill, contendo uma nova jogabilidade onde o jogador deve digitar textos cheios de humor
negro que aparecem na tela para matar os zumbis. Em ambos os casos a Nintendo não interferiu em seus desenvolvimentos ou lançamentos. No caso de MadWorld, os seus representantes apoiaram o lançamento alegando que o console era para todas as idades e que o jogo teria o sistema de classificação e só poderia ser vendido para maiores de idade.

Violência VS Pornografia

Durante toda a historia das polêmicas envolvendo videogames, a maioria dos casos se tratava da violência até por ter acontecido grandes incidentes como o de Columbine onde era possível associar os jogos ao ato e, até mesmo aqui no Brasil houve incidentes assim. Até agora a maioria das polêmicas têm sido pela violência, mas pelo que parece ela ficou menos nociva com o passar dos anos, e atualmente os casos de censura que têm tido mais impacto são as que possuem conteúdo sexual ou quase sexual…

Desde os tempos do grandioso Atari 2600 existiam jogos pornográficos mas naquela época eram tidos como mito pelo cuidado das lojas em esconde-los das crianças, então as polêmicas eram em menores escalas. Com a necessidade de um jogo ter de ser licenciado pela dona dos consoles, esses tipos jogos ficaram extremamente escassos principalmente no ocidente, onde parece haver uma maior preocupação com esse tipo de conteúdo, uma preocupação que parecer ser maior que com a violência. Na declaração dada pelo presidente da Sony em relação à censura ele menciona que essa política tem como um dos objetivos proteger as crianças mas não ouve nenhuma censura por violência em Mortal Kombat 11, o que evidencia que o argumento de proteger as crianças é uma mentira, afinal assassinatos extremamente violentos são muito mais nocivos de ver que corpos humanos com pouca roupa.

Politicamente correto VS Publico

Nos dias de hoje o politicamente correto está bem forte e essas censuras são a prova disso. As censuras por si só já gerariam certa polêmica por parte do publico mas os níveis dessa nova leva chega a ser risível, sendo evidente que essas censuras são feitas para agradar uma parcela da população que muitas vezes nem chega a consumir o produto.

Os produtores têm a noção de que seu público não são as pessoas que acham seu conteúdo nocivo mas acabam sendo impedidos de lançar seu produto final como querem por causa de pessoas que não são seu publico alvo. Uma solução encontrada para evitar polêmicas foi adotada no jogo Dead or Alive 6, onde a personagem Kasumi, que originalmente possui uma roupa parecida com a da May da serie The King of Fighters tem como roupa principal uma que cobre quase o corpo todo. Isso deixou muito fãs da serie com raiva por acabar descaracterizando a personagem. É evidente que qualquer fã iria achar a postura da empresa estranha visto que a mesma se preocupa em desenvolver uma física realista para os seios das personagens e as coloca para lutar de biquíni, então como fazer uma mudança que tiraria algo que já é uma das característica da série sem irritar os consumidores?

Esconder parece ser a melhor saída. As roupas clássicas e biquínis ainda estão no jogo mas não foram apresentadas como destaque nos trailers. Algo assim foi adotado no inicio do Street Fighter 5, onde foram implementadas regras sobre as roupas usadas pelas personagens para os torneio devido as transmissões pela internet. Com essa nova regra a personagens Cammy e R.Mika foram proibidas de usarem as roupas originais, sendo que estas ainda existem dentro do jogo, mas não podendo ser usadas em alguns eventos. Isto basicamente é uma postura de “se o olhos não vêem o coração não sente”, esse tipo de coisa consegue agradar os dois lados e não atrapalha muito os desenvolvedores mas infelizmente a Sony não parece muito adepta dessa postura.

Desenvolvedores sem liberdade

Toda essa nova política de censura que foi implementada pela Sony apareceu de forma repentina por causa do movimento #MeToo, sem nem um tipo de critério claro como já foi afirmado por um de seus funcionários e isso causa sérios problemas para os desenvolvedores que muitas vezes nem sabem se estão fazendo algo errado.

Além de perderem a liberdade criativa os desenvolvedores acabam perdendo dinheiro por ter que fazer modificações em seus jogos. Em uma entrevista feita pelo The Wall Street Journal desenvolvedores informaram que eram elogiados e incentivados a fazer conteúdos sexualmente explícitos. Essa mudança de postura da Sony foi algo muito radical e repentino e totalmente prejudicial para as desenvolvedoras que um dia já foram elogiadas e hoje em dia segundo os entrevistados não recebem mais atenção e ainda são aconselhados a procurar outros consoles para desenvolverem seus jogos caso queiram produzir jogos com material sexualizado.

A Microsoft não se pronunciou sobre uma possível política de regulamentação em seus jogos e a Nintendo informou que apenas irá exigir que os desenvolvedores consigam uma classificação
indicativa pelas autoridades reguladoras nacionais.

A terra sem lei conhecida como PC

Dado as limitações que as empresas criadoras dos consoles podem exercer sobre os desenvolvedores uma plataforma se destaca por poder ter qualquer tipo de jogo lançado, e essa plataforma seria o computador. Essa poderia ser a terra dos sonhos para os desenvolvedores, e como a maioria dos jogos censurados pela Sony têm sido japoneses, os computadores poderiam ser uma ótima saída pros desenvolvedores.

Uma desenvolvedora chamada Illusion Soft lança jogos eróticos para computador desde 1997, embora seus lançamentos em maioria sejam exclusivos do Japão por meio de um bloqueio de região presente nos jogos para não enfrentarem problemas e polêmicas no ocidente devido a alguns jogos lidarem com temas muito pesados como estupro, incesto e pedofilia. A desenvolvedora só lançou dois jogos no ocidente de forma oficial, um deles inclusive estando disponível na Steam em uma versão censurada.

A Steam tinha até ano passado uma postura de censurar jogos com sexo explícito. Mesmo assim,ainda eram lançados jogos do gênero, só que com uma censura que poderia ser removida com um patch feito pelos próprios desenvolvedores e disponibilizado por eles mesmos, então mesmo que a plataforma de download tenha regras mais conservadoras, elas podem facilmente ser burladas nos computadores.

Impacto

Com essa nova postura adotada pela Sony de censura e descaso com os desenvolvedores que já foram até aconselhados a desenvolver para outros consoles, há a possibilidade de migração para outras plataformas, sendo uma grande chance para a Microsoft firmar o Xbox One ou seu futuro sucessor no mercado japonês, ainda mais se levarmos em conta que a sua presença no Japão como fabricante de consoles é quase invisível, chegando a ser vendido como um aparelho de Blu-ray que pode rodar Minecraft. A Nintendo também pode ter uma melhora pela perda desses jogos em outras plataformas, mas não seria algo tão impactante quanto para o Xbox One, visto que a popularidade já presente do Nintendo Switch por la já o tornou o console mais vendido da atualidade.

Entrevista dos desenvolvedores

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *