Review | Ys IX: Monstrum Nox

Review | Ys IX: Monstrum Nox

18/07/2021 1 Por Gabriel

Desenvolvedora: Nihon Falcom
Publicadora: NIS America
Data de lançamento: 6 de Julho, 2021
Preço: R$ 305,95
Formato: Físico e Digital

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela NIS America.

Ys IX: Monstrum Nox é o mais novo título na franquia Ys, que embora ainda não tão bem reconhecida no ocidente, é uma série bastante clássica desenvolvida pela Nihon Falcom. Seus primeiros jogos datam do fim da década de 80 para computadores — NEC PC-8801, Sharp X1, MSX2, Sharp X68000  —  e suas sequência marcaram presenças em diversos consoles de sua época, contando também com relançamentos através de bundles. Apesar dos diversos consoles que abrigam os jogos e o sucesso relativo da série, muitos dos títulos mais antigos de Ys estão presos no Japão de forma oficial até hoje.

Desde às origens da série, Ys foi um dos percussores do que seria o que conhecemos hoje como Action-RPG (RPG de Ação), com um combate frenético e livre contra inimigos, lembrando de certa forma as primeiras obras da franquia The Legend of Zelda. Mas as semelhanças entre eles não param por ai, ambos contam com grandes e complexas dungeons com muitos desafios que precisam de itens chaves para serem resolvidos. No entanto, enquanto The Legend of Zelda seguiu um caminho action-adventure com resolução de quebra-cabeças com o passar do tempo, Ys se estabeleceu de vez no gênero de Action-RPG que ele mesmo “criou”.

Em resumo, Ys é um perfeito e denso exemplo de action-RPG, o que irei entrar em mais detalhes mais a frente. A franquia é conhecida pelas suas longas e bem construídas dungeons, por ter o mesmo protagonista — Adol Christin — em todos os seus jogos numerados, pela sua trilha sonora épica e memorável, e obviamente pelos elementos de Action-RPG.   

A era moderna


Acho de importante a apresentação dos novos títulos para o entendimento completo do que esse jogo faz, por isso darei uma breve introdução, mas não se preocupem pois a experiência é rica e completa mesmo para um marinheiro de primeira viagem. Apenas para uma análise mais aprofundada seria necessário revisitar brevemente estes títulos de Ys.

Desde 2009, Ys entrou na era moderna com Ys Seven, originalmente exclusivo para PSP mas que eventualmente recebeu uma versão em HD para PC. Ys Seven possui visuais no estilo anime (dentro do que era possível no portátil da Sony), um mundo vasto com muitas missões principais e side-quests, um elenco de personagens marcantes e com bastante carisma, dungeons ainda mais ambiciosas e modernas — que até hoje se mantém atuais e desafiadoras, além de serem mais coesas e profundamente relacionadas com a história. Os fãs tiveram que esperar quase uma década para receberem um novo título, ou seja, de 2009 até 2016, tivemos que nos contentar apenas com ports e remasterizações, sendo neste meio tempo Ys: Memories Of Celceta chegou ao PS Vita (2012) sendo um spin-off canônico dentro do universo de Ys também protagonizado por Adol Christin.

Seu oitavo capítulo, Ys VIII: Lacrimosa of  DANA, enfim chega em 2016 como um exclusivo do PS Vita antes de chegar ao PlayStation 4 em 2017, seguindo por versões de Nintendo Switch e PC em 2018. O título em questão é muito similar ao que iremos abrodar nesta review, já que o motor gráfico usado em Lacrimosa of DANA é apenas uma versão aprimorada da usada neste. A experiência que Ys VIII traz é uma ousada aventura que se dá através de um naufrágio no qual você deve se agrupar com os sobreviventes e descobrir os mistérios de uma ilha abandona. Conforme a exploração avança novos segredos vão sendo revelados e a história do jogo se enriquece como um todo. Aqui, Adol divide o protagonismo com Dana, uma mulher misteriosa que passa a aparecer em seus sonhos.

Como Ys Seven me introduziu a série


Agora que estabeleci a franquia para aqueles sem conhecimento prévio, acho importante falar da minha história com ela antes de prosseguir com Ys IX: Monstrum Nox. Ys Seven foi o primeiro título com que tive contato, e foi através dele que me apaixonei pela franquia e pude expandir meu conhecimento com alguns jogos anteriores. Sua estrutura, embora bastante linear, é de exploração, por um país totalmente novo com cidades completamente diferentes umas das outras, e um cuidadoso trabalho em ilustrar a cultura e o povo bem como as crenças e mitos daquele reino.

Por conta dessa riqueza e diversidade dos detalhes que transformavam uma aventura que poderia parecer, em um primeiro momento, muito simples em algo altamente imersivo, tive uma experiência o Ys VIII: Lacrimosa of DANA.

Por se tratar de uma ilha deserta, embora a história do jogo seja extremamente bem escrita e de fácil engajamento, eu não me sentia compelido de maneira nenhuma a explorar os lugares da ilha, sentia que uma falta palpável de incentivo no sentido narrativo para progredir na trama, e embora o jogo tenha sido bem recebido pela critica, senti falta da alma vibrante que Ys Seven anterior tinha.

Por isso não pude deixar de vibrar e comemorar quando soube que Ys IX: Monstrum Nox se passaria majoritariamente dentro de uma cidade, e comecei a pensar como a questão cultural dela seria explorada na nova entrada da franquia, e é por aqui que começamos para valer nossa analise.

Ys IX e sua identidade


A partir do primeiro olhar para esse novo continente, as diferenças são palpáveis. Em contraste com os últimos jogos a palheta de cores do jogo é mais acinzentada, dando um tom mais frio e menos acolhedor ao jogador. O jogo que costuma ter grandes e vividas planícies te coloca diante de um muro literal e ao mesmo tempo metafórico, aonde para entrar na nova cidade, você é obrigado a passar por uma revista com os guardas do Reino. Nesse encontro com os guardas você é reconhecido como Adol Christin, renomado o Aventureiro, como costuma se auto intitular e por isso levado sob custódia para interrogação como suspeito.

Uma vez interrogado, você é preso sob suspeitas de diversos crimes, e é ai que a genialidade de Ys IX começa a se mostrar. Enquanto conversa com a interrogadora, ela faz questão de apontar, como é estranho que toda vez que você chegue em um lugar novo se envolve com armas lendárias e magias antigas, mas que no fim de suas aventuras sempre perde esses itens e tudo desaparece, quase como se você estivesse contrabandeando. Também cita como Adol participou de um número incomum de naufrágios quase como se fosse um sabotador. Eu realmente me deliciei sobre a piada metalinguística e comentário sobre o gênero feito nessa cena.

Logo depois, a primeira cena de ação do jogo é sua fuga da prisão, que só é possível graças a um amigo que fez durante sua estádia, e dessa forma nos é dado da forma mais simples a grande temática que rege a obra: se de certa forma, tudo nesse jogo gira em torno de prisões físicas e simbólicas, o tema da obra é a liberdade que essas nos privam, e como ela sempre é forjada através dos laços.

Ao fim da fuga, a verdadeira história começa: você se vê encurralado em certo ponto, até que uma figura misteriosa, uma mulher com uma asa negra, que mais tarde será conhecida como Aprilis, aparece e te atinge com um projétil encantado, concedendo poderes incríveis derivados de uma poderosa transformação, e assim Adol se transforma em Crimson King, um dos temíveis Monstrums.

A maldição


Após receber a maldição, Adol é forçado a batalhar contra uma horda de demônios ao lado de outros com poderes semelhantes aos seus, os chamados Monstrums, todos igualmente amaldiçoados e, embora guerreiros incríveis, são obrigados a participar dessas periódicas batalhas contra um tipo de demônios, que são chamados de Lemures, para defender a cidade, além de que não podem sair dela, pois são impedidos por barreiras mágicas. Ys IX: Monstrum Nox, trabalha de maneira curiosa e diferente a questão da Party para os padrões da franquia, ao invés de lançar Adol e um de seus companheiros em uma aventura e angariar simpatizantes durante o caminho, ou andarilhos com o mesmo objetivo, dessa vez Adol é o ultimo a chegar, e todos os outros Monstrums já estão na cidade.

Após o confronto, Aprilis continua se recusando a dar mais informações sobre a maldição para Adol, e ele descobre que todos os outros Monstrums estão em uma situação parecida com a dele, eles não sabem como se livrar daquilo, ou porque lutam, mas são obrigados a continuar, já que além de não poderem sair da cidade, sua movimentação dentro da mesma é debilitada por barreiras menores que somem uma a uma quando derrotam essas hordas.

Grimwald Nox


Esse é o nome dado as lutas contra os Lemures, elas funcionam em uma espécie de dimensão que se sobrepõe a nossa, mas só os Monstrums tem acesso e podem ver os Lemures em geral. As batalhas de Grimwald Nox vem em 3 tipos diferentes:

  • O primeiro e mais simples, são pequenos pontos pela cidade que te levam a uma batalha curta com sua equipe atual contra um numero reduzido de demônios, elas servem para juntar pontos Nox. Ao chegar a 100, uma vez por capitulo, você irá invocar um portal maior que conterá o segundo ou terceiro tipo de luta, e uma vez vencido, você irá liberar uma nova área da cidade.

  • O segundo tipo é muito parecido com as batalhas para defender a vila dos náufragos do jogo anterior. Elas se organizam em hordas de inimigos e você tendo que defender um cristal de luz chamado Sphene, obtendo sucesso, no fim das Hordas Aprilis, irá juntar o podar do Sphene e expurgar os Lemures e aquela entrada de Grimwald Nox.

  • No terceiro modo, ao invés de defender, você terá que atacar diversas lacrimas, cristais que condensam energia negativa que estarão espalhados pela cidade. Nesse modo você não é obrigado a derrotar todos os Lemures, mas quanto mais o tempo passa, mais deles se unem e mais difícil fica permanecer vivo, no entanto, você tem um limite de tempo, logo precisa balancear entre exterminar os Lemures e ignora-los enquanto destróis as Lacrimas.

A maior diferença do segundo e terceiro tipo de batalha para o primeiro, é que nos dois últimos você terá como aliados todos os 7 Monstrums, além de suporte de alguns NPCS do jogo, já no primeiro modo fica restrito apenas a equipe ativa comum do jogo que pode ser constituída de no máximo 3 personagens.

Monstrums


Ao decorrer do jogo, os Monstrums que aparecem normalmente durante a batalha de Grimwald Nox vão se juntando a você, cada um dos primeiros capítulos do jogo tem foco em um deles, e no fim do próprio capitulo em geral eles se juntam a você.

Ys é uma franquia que historicamente aposta mais no carisma de seus personagens e não na profundidade, por isso, mais uma vez esse jogo se mostra uma aposta ousada, cada capítulo trabalha bem a personalidade e história de um deles, os temas são interessantes e, embora de maneira simples, o jogo flerta com conceitos densos, como luta de classe e desigualdade social, procura pela identidade dentro da sociedade, traumas emocionais derivados da pobreza, e os reflexos sociais de um sistema autoritário falho.

Todas essas ideias se reforçam, quando você associa a descoberta feita logo nos primeiros capítulos: os Lemures são criados e alimentados pelos sentimentos negativos das pessoas da cidade de Balduq. Além do enriquecimento da história e do aliado conquistado para o grupo, um novo Monstrum no time significa um novo “Dom”.

A benção na maldição


Cada um dos Monstrums recebe um dom que facilita a exploração da cidade e das masmorras do jogo. O Crimson King, primeiro personagens que controlamos, o alter ego Monstrum do próprio Adol, possuia Crimson Line, uma habilidade que permite a ele se locomover quase instantaneamente para pontos demarcados no seu ponto de visão. Outras habilidades dos Monstrums como escalar e planar são adquiridas quando o portador de tal dom se juntar ao grupo concedendo sua habilidade a todos.

Essa interação só reforça a idéia de liberdade através dos laços, já que a cada Monstrum que Adol se torna amigo, ele passa a se tornar capaz de visitar mais lugares e se mover mais livremente pela cidade, além de ser capaz de quebrar mais pequenas barreiras a cada capitulo, que tem o fim simbolizado pelo nascimento dessas amizades.

Além dos aliados de batalha, Adol, como em suas aventuras anteriores, angaria ajuda e admiração dos cidadãos de bom coração da região, e após criar conexões na fase inicial do jogo, o grupo estabelece uma base que fica em um bar, dando abrigo e reunindo tanto os próprios Monstrums que são mal vistos pela sociedade, como fugitivos da prisão como o próprio protagonista. Lembrando que os Monstrums possuem uma espécie de transformação para batalhar, e podem voltar ao normal para passarem despercebidos em locais públicos.

A prisão de Balduq


Os fugitivos da prisão são, em esmagadora maioria, salvos por você em situações anteriores já que a masmorra suprema desse jogo é a Prisão de Balduq, que inclusive é ligada a maioria das masmorras menores, é a maior prisão do continente de Gilia, que faz com que Balduq seja conhecida como a cidade prisão.

A prisão foi criada em cima de uma fortaleza abandonada, por isso contém diversas passagens secretas e abandonadas, desconhecidas, intransponíveis e aterrorizantes até para os próprios cavaleiros que cuidam de lá. Muitas vezes infestadas de monstros de todos os tipos o que torna a fuga da prisão quase impossível… a menos que você seja um dos ilustres Monstrums.

Constantemente os segredos e a história rumam para a prisão de Balduq como centro de tudo, um local de corrupção de mistérios que vão sendo aos poucos revelados pela história, e em paralelo, muitas vezes você terá que resgatar prisioneiros que foram presos injustamente, o que tem se tornado uma prática aparentemente comum no reino, assim como Adol foi vitima, cidadãos comuns são levados para interrogação e nunca mais retornam.

Bar Dandelion


Esse é o nome escolhido por Adol e seus aliados para o bar refugio, e ele é um local extremamente útil, nele você pode cozinhar receitas aprendidas por um custo bem menor que seria comprá-las, pode reparar armas, pode pegar as side quests que o jogo oferece, que inclusive frequentemente te garantem novos companheiros, entre várias outras tarefas.

Uma função muito bem pensada e digna de elogios é que um dos Npcs sirva apenas para buscar compras para você, de inicio me pareceu um pouco bobo, mas com o tempo fui entendendo que esse jogo possui dezenas de lojas diferentes que oferecem uma variedade diferentes mas de igual valor dependendo das suas necessidades, como uma verdadeira capital faria, chega um momento que fica difícil até de memorizar todas, e por isso esse NPC acaba sendo de extrema utilidade, pois nele você pode fazer diretamente as compras de basicamente todas as lojas da cidade. Quanto mais aliados você tem mais diálogos e funções tem no bar, tornando ele cada vez mais um lar.

Masmorras


Se por um lado, o bar é seu lar e o local mais acolhedor do jogo, o lugar mais hostil são as masmorras, frequentemente ligadas a prisão, e apesar de se localizarem todas dentro dos limites da cidade, conseguem se diversificar com facilidade entre si, de subsolos abandonados, esgotos, ruínas antigas entre outros cenários, o jogo se esforça em conceito, visual e clima para tornar as dungeons do jogo únicas, como já é típico da franquia.

Enquanto normalmente o jogo aposta em itens lendários adquiridos durante a aventura que podem te dar acesso a novas áreas, criando além de uma variedade criativa a ser usadas em puzzles , uma frequente necessidade de backtracking (o ato de voltar pelo caminho que veio, nesse caso agora acessando as novas áreas que sem o novo item seria impossível) da forma mais suave e bem feita possível. Aqui quem faz essa função são os próprios dons dos Monstrums, que permitem resolver os desafios mentais de maneira mais livre e intuitiva já que estão constantemente presentes na exploração. Fica menos obvio o momento de empregar o uso deles, além de dar mais liberdade de movimentação para o personagem e mais liberdade da produção para esconder os itens.

Os caminhos e formatos da masmorra são extremamente bem pensados e prazerosos de serem explorados, e embora exijam certa atenção do jogador, não chegam a serem difíceis. Considero o nível da exploração bastante apropriado, com desafios periódicos e estímulos constantes, mas sem se tornarem frustrantes aos novos jogadores.

As masmorras também são aonde a trilha sonora mais brilha, com suas músicas épicas e frenéticas ao mesmo tempo que colocam a franquia em outro patamar nesse quesito, acima da enorme maioria dos RPG’S que já joguei, um fato muito atencioso da equipe é que por você sempre voltar aos cenários iniciais da cidade aonde o Bar se situa, a música muda após alguns capítulos para garantir que não irá se tornar cansativa para o jogar.  

Por fim cada experiência de masmorra é totalmente única, e é o momento mais divertido de ação do jogo, a exploração também é muito boa, mas como a cidade acaba sendo maior, é consequentemente um pouco mais rica.

Batalhas


Comecei a analise citando que Ys é uma experiência densa e refinada que é responsável em parte pela criação do genero de RPG de ação no passado e nesse quesito ele não deve em nada pro seus antepassados.

O combate é frenético mas sem perder o sentido de maneira alguma, os dons, principalmente o teleporte do Adol que pode ser usado em inimigos, se integram aos movimentos possíveis dos personagens dando fluidez às movimentações, além de que todos os Monstrums possuem a capacidade de pular duas vezes ao invés de uma como nós jogos anteriores.

Como já é característico da franquia, existe um botão de esquiva e caso ela seja performada no tempo perfeito irá ativar o estado de “Flash Move” aonde o personagem fica inalvejavel e tem seus golpes fortalecidos. Também existe um botão de guarda, que só funciona para parear um ataque com o tempo perfeito e caso seja ativado corretamente, irá ativar o modo “Flash Guard” que garantirá que todos os ataques seguintes serão acertos críticos.

O jogo conta com um sistema de 4 skills que podem ser equipadas — o jogador pode desbloquear uma enorme variedades de habilidades durante a aventura, mas só poderá equipar 4 por vez, uma em cada botão de ação. Além delas, você irá encher uma barra extra causando dano a inimigos, quando ela estiver acima da metade você poderá se transformar em uma versão mais poderosa do seu personagem, que além de aumentar o alcance dos ataques, aumenta seu dano e velocidade, e oferecendo uma habilidade suprema.

As habilidades supremas são habilidades extremamente poderosas inerentes de cada personagem, a quantidade de barra cheia não influencia no seu potencial, e por isso o ideal seria se manter transformado o máximo possivel e ativar a habilidade no fim do tempo.

Além disso, os personagens contam com seus combos básicos no ar ou chão, e tendo, em vista que você consegue ficar um grande período no ar utilizando o teleporte no inimigo, pulo duplo e a habilidade e planar, isso é bastante importante para o combate, ainda mais porque alguns inimigos são difíceis de atingir em solo.

Além de tudo isso, o jogo traz seus sistemas padrão, o de tipo de dano e o de “Break”. Os tipos de Dano do jogo são impacto, perfuração e corte, como em muitos jogos do gênero. Cada monstro do jogo em geral, tem um tipo a qual resiste, um a qual é neutro e um para qual é fraco, e a sacada é que cada um dos personagens da Party possui apenas um desses três tipos, por isso se deve tomar cuidado principalmente em batalhas contra chefes.

O sistema de break por sua vez é simbolizado por uma barra abaixo da barra de vida dos inimigos, ela enche conforme o inimigo apanha e quando ela quebra, o inimigo fica vulnerável, além de tomar dano de qualquer tipo de arma. O inimigo também libera muito mais mana se estiver nesse estado, alguns chefes precisam entrar nesse estado para poderem tomar dano na barra de vida real, etc. Então é uma mecânica bem explorada.

Chefes e inimigos


Os inimigos padrão do jogo não são tão diferentes do normal, animais e criaturas fantasiosas que nasceram e sobreviveram nos locais aonde os humanos não estavam olhando. O mesmo não pode ser dito dos Lemures , já que as criaturas de aparência demoníaca são bem característicos desse jogo.

Enquanto na maior parte do tempo os Lemures são mais poderosos que os inimigos normais, causando problemas mais facilmente, os chefes se provam o oposto, os inimigos supremos de dungeons que normalmente são uma derivação clara dos monstros comuns são extremamente poderosos enquanto os chefes das grandes batalhas de Grimwald Nox são mais fáceis de derrotar.

Em parte, isso se deve ao fato de que o dobro de personagens está lutando em Grimwald Nox, e embora você possa selecionar entre os três personagens equipados livremente durante o combate, todos os personagens batem simultaneamente (3 normalmente, 7 em Grimwald Nox) independente de qual você está usando.

Mas parte dessa disparidade também se deve a atenção aos detalhes absurda dos desenvolvedores que te força a usar os dons dos Monstrums durante as lutas contra bosses, tornando essa mecânica muito profunda, já que ela é usada ao todo para Puzzles, para exploração do mundo, para combates simples, e para situações obrigatórias para os chefes. Além disso a dificuldade é muito bem balanceada para o jogador já que o jogo disponibiliza 6 dificuldades diferentes que vão do jogador mais casual ao mais “hardcore”.

Ys IX: Monstrum Nox é obrigatório para fãs action-RPG

Embora o jogo seja praticamente perfeito, seria injusto deixar de falar que ele tem quedas de fps no Nintendo Switch. Elas não são muito frequentes, mas existem, e acontecem mais na exploração da cidade quando uma pedaço enorme da cidade está rendenizado do que em batalhas, o que é bom.

Os conflitos políticos do mundo da obra e como isso afeta diretamente seu povo a tornam de fácil conversação e bastante atual, trabalhando a ansiedade do povo e a demonização dos Monstrums, que tenta isentar as suas responsabilidades colocando a culpa das atrocidades cometidas nas figuras que se destacam na cidade. Tudo isso culmina na situação precária da cidade de Balduq que só se mantém viva e alegre graças a seu povo.

Os NPC’s sempre dispostos a te ajudar e com utilidades reais para sua aventuram criam um sentimento acolhedor, as áreas da cidade que você desbloqueia conforme reúne aliados e vence barreiras são cada vez mais amáveis se distanciando cada vez mais do muro frio visto no inicio da aventura.

Ys IX: Monstrum Nox é cheio de idéias temáticas muito bem amarradas e aplicada a jogabilidade e a história, esse jogo é com certeza o melhor JRPG que tive a chance de jogar no Nintendo Switch até agora e é com certeza uma compra obrigatória para os fãs do gênero.  

Prós:

  • Trilha sonora impecável
  • Profundidade e atenção aos detalhes na história, tema e personagens do jogo
  • Combate extremamente fluido e denso.

Contras:

  • Quedas de FPS periodicas.

Nota final:

9,8

Gabriel
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