Review | Dandy Ace

Review | Dandy Ace

29/09/2021 0 Por Thomas Mertens

Desenvolvedora: Mad Mimic
Publicadora: NEOWIZ
Data de lançamento: 28 de setembro, 2021
Preço: R$29,99 ou USD$ 19,99
Formato: Digital 

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela NEOWIZ.

Nem todo mágico revela seus truques, talvez seja porque nem todos eles são truques… O roguelike 100% brasileiro, Dandy Ace já está disponível nos consoles (Nintendo Switch, Xbox), e já tem sido uma excelente experiência para mim e fãs do gênero. Antes de mais nada, tenham em mente que eu não joguei HADES (mas quero muito), e sim, eles são dois jogos muito similares, mas isso não prejudica nem um nem outro. Sem mais delongas, vamos a análise dessa obra de arte!

O mundo do Show Business não é para amadores

Vamos começar pelo prólogo, ok? Colocar a toalha na mesa para vocês entenderem o contexto, super simples, mas dá uma graça extra aos desenrolares do jogo. Começamos com Lele, o Ilusionista de Olhos Verdes, autoproclamado o melhor dos mágicos, mas que por razões misteriosas, ele vem decaindo em popularidade. Talvez seja por seus truques serem sem graça, ou por ser muito bom em fazer crianças chorarem… Não, com certeza é por culpa da nova estrela em ascensão, Dandy Ace! Sempre com suas roupas fabulosas e truques novos e criativos, usurpou o lugar merecido de Lele! Como vingança, ele faz um contrato com um espelho mágico, que em troca de sua alma, aprisiona Ace e suas assistentes num mundo eterno, O Palácio que Sempre Muda, e nosso objetivo é tirá-lo dali.

Agora que entra a parte de gameplay. Para escapar, precisamos usar das nossas cartas mágicas, afinal, um bom mágico sempre tem um baralho consigo. Cada carta têm seu poder específico, podendo combina-las para novos poderes. Falemos isso mais tarde, pois duas beldades merecem nossa atenção! Todo ilusionista sempre têm lindas assistentes de palco que nos ajudam nos truques, e aqui não é diferente. Jolly Jolly e Jenny Jenny, irmãs simpáticas que nos permitirão gastar recursos coletados no jogo para melhorias que nos ajudam a progredir. Podemos visita-las uma vez após cada cenário que sobrevivermos, e é bom que faça, pois se morrermos, recomeçamos do início perdendo tudo que coletamos até aqui.

Cartas e mais cartas

Existe uma quantidade absurda de cartas no jogo, mais de mil combinações, cada um com seus efeitos próprios, divididas em níveis (quanto mais alto, mais forte) e cores: rosas são de ataque, azuis para movimentação, e amarelo para Controle de multidão (Crowd Control CC). Podemos equipar 4 cartas principais, uma em cada botão ABXY, com um slot extra para aprimoramentos em cada uma. Isso mesmo, cada carta têm 2 efeitos, um como principal, e outro como suporte, seja aumentar o poder de ataque ou adicionar buffs e debuffs. Acredite, isso muda totalmente sua abordagem no jogo, então quando receber alguma carta nova, pare por um tempinho e pense na sua build, leia os efeitos com calma, teste o que acontece antes de seguir em frente, pois às vezes, não terá volta. 

Agora, como conseguir cartas? Além das lojinhas que aparecem eventualmente (lembrando que o mapa é aleatório), podemos encontrar baús, e os minions podem derrubar algumas também. Claro que depende bastante da sua sorte, pode ser que derrubem um bônus contra inimigos atordoados, mas você não tenha nada que atordoe… Ou mesmo que o próximo cenário tenha inimigos onde aquilo não vai ser nada útil. Repito que parar e pensar é importante aqui.

Um pouco mais pra frente, depois de muitas e muitas tentativas, encontramos Ninf, um malandro coelho contrabandista, que pode melhorar suas cartas para você. Isso é algo bastante importante e útil. Conforme o nível das cartas sobe, o impacto delas também melhora demais. Se estamos com uma build boa que não queremos nos desfazer tão cedo, é algo bom de se considerar.

Cheio de Personalidade(s)

Todos os diálogos, embora tenham sido claramente escritos para falantes de inglês, são poucas as coisa que quando traduzidas tenham se perdido ou ficado esquisitas, afinal, o jogo todo é brasiliro, certo? Isso na verdade traz uma aproximação enorme com o jogador local, especialmente pela atuação. A voz de deboche de Jolly Jolly se contrapondo a Jenny Jenny toda animada, o ser cheio de si que é Ace, e especialmente o tagarela egocêntrico, mas que admira e inveja o protagonista, Lele foi um trabalho brilhante. 

Quem da voz a eles na versão dublada são Youtubers e Influencers:

  • LJoga – Dandy Ace
  • VinieMattos – Lele
  • Gabi Cattuzzo – Jolly Jolly
  • Maethe – Jenny Jenny
  • Patife – Nnif
  • BRKsEdu – Axolangelo e Severino (chefões)
  • Kalera – Scissorella (chefão)

Ainda sobre a construção, falando um pouquinho dos cenários e qualidade gráfica, destaco toda a ambientação. Cada área têm seu tema, como galerias de arte, salão de festas, jardim etc, e os elementos utilizados podem até interferir no nosso modo de jogar. Por exemplo, o jardim têm vinhas com espinhos, então podemos caminhar por ali, mas custará alguns pontos de vida, já no salão de festa, temos mais espaço pra nos mover, mas ao mesmo tempo os inimigos também, e por aí vai. Como é tudo aleatório, precisamos estar preparados para tudo. E abusar dos teletransportes é uma boa ideia também, podemos deixar recursos pra trás e voltar para buscá-los antes de sair da área, tendo certeza que estamos levando o melhor possível para frente.

Builds!

Dentre todas as opções, a build que eu mais gostei de usar é do estilo Hit and Run. Equipando cartas de ataque a distância com efeitos passivos de dano por segundo (veneno, queimaduras e praga), segui a filosofia de “melhor um covarde vivo do que um corajoso morto”. Mas, completamente oposto do que eu esperava, minha segunda opção já é algo muito mais ofensivo, focado no combate a curta distância, com apenas uma carta de ataque (punho do titã), e lotado de funções de CC, incremento de dano e mobilidade agressiva, “a melhor defesa é um ataque mais forte”. Eventualmente eu avançava sem sequer ser atingido, pois os minions morriam antes de conseguirem tomar atitude, ou estavam sobre debuffs consideráveis. 

Nem sempre poderemos escolher, são nos oferecidas cartas aleatórias. Ao mesmo tempo que queremos coisas mais fortes, a quantidade aumenta, o que diminui a chance individual de cada carta spawnar, mas isso te força a sempre inventar algo novo, e até mudar sua build no meio de uma run da água pro vinho, e isso até dar certo. As 8 cartas equipadas são intercambiáveis a qualquer momento, então pensar naquilo como uma gaveta não é ruim. Sacrificar um slot de aprimoramento para poder ter acesso a um poder diferente não é ruim.

O parágrafo para reclamar

Não costumo usar esse parágrafo, mas algumas críticas acabam sendo pontuais, e não quis misturar com o resto do texto. Dandy ace, embora seja muito bem executado, deixa a desejar em alguns poucos pontos:

  • Hit boxes mal definidas: muitas vezes eu tinha certeza de que estava bem posicionado, e ia desviar da bola de fogo sem problemas, ou que ia contornar o obstáculo com facilidade, mas não era o que acontecia. Colisões que não deveriam acontecer poderiam ser mais polidas.
  • Sensação de progressão prejudicada: sim, eu sei que o objetivo é morrer, desbloquear mais itens, pra aos poucos ter resultados melhores. Mas como nosso baralho é resetado a cada run e as cartas são aleatórias, a cada vez parece que estamos realmente começando o jogo do 0 totalmente, e não senti tanta influência dos extras obtidos ao longo do tempo.

Grand Finale!

Em suma, Dandy ace me surpreendeu bastante. Realmente é um jogo muito divertido e eu me vejo voltando aqui com certeza. Além disso, temos mais dificuldades para tentar vencer. Eu não sou exatamente ótimo jogador, então o normal já foi bem desafiante. Mas e você vai tentar a sorte?

Se você gosta desse estilo e quer pagar uma bagatela (sério gente, 30 reais a versão brasileira, no Switch, é quase de graça, enquanto a versão americana é 20 dólares), e quer mostrar seu apoio e admiração para a equipe da Mad Mimic, recomendo sim dar a chance, não irá se arrepender. No mínimo cativante e convidativo, Dandy Ace facilmente entra para os grandes nomes do gênero rogue e diverte por horas e horas, sem precisar ficar muito tempo jogando de uma vez, o pacing de cada área é bem amigável.

Prós:

  • Carismático e convidativo
  • Não é pesado de jogar
  • Muitas opções para todos os gostos
  • Dificuldade bem medida
  • Enorme variedade de inimigos

Contras:

  • Hitbox complicada
  • Aleatório até demais

Nota Final:

9

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