Review | Garden Story

Review | Garden Story

01/09/2021 0 Por Molan

Desenvolvedora: Picogram
Publicadora: Rose City Games
Data de lançamento: 11 de agosto, 2021
Preço: R$ 101,95
Formato: Digital

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Rose City Games Island Games.

Já imaginou o que aconteceria se jogassem The Legend of Zelda e Stardew Valley em um liquidificador? O resultado seria nada menos que algo próximo a Garden Story. Desenvolvido pelo estúdio Picogram, o título é uma agradável salada de frutas aos moldes da lendária série da Nintendo com diversos elementos de jogos de fazendinha; visão isométrica, visual retrô bem trabalhado e ótimas trilhas sonoras que transformam qualquer jogatina em uma sessão de relaxamento.

Além de contar com inúmeras missões secundárias, cidades encantadoras e personagens carismáticos que, à primeira vista, parecem muito promissores e interessantes. Entretanto, apesar de aparentar possuir muito potencial, bastam alguns poucos minutos de jogatina para perceber que o propósito do game se confunde entre um clone de Zelda e um simulador de vida, do tipo que obriga o jogador a fazer atividades mundanas repetitivamente. Isso pode frustrar quem procura uma experiência com mais ação similar às aventuras de Link.

Aliado a isso, alguns pontuais problemas técnicos, como carregamentos demorados e até ocasionais travamentos, ofuscam o charme que o game apresenta em sua estética e premissa. Em outras palavras, por trás de uma bela aparência, Garden Story não passa de um jogo mediano que, apesar de seus tropeços, ainda pode ser um bom game e entenda o porquê ao longo do texto a seguir.

Restaurando o ecossistema da podridão

Garden Story se passa em The Grove, um mundo criado por uma árvore cheia de mana. O poder mágico contido ali é tão poderoso que quaisquer frutas, vegetais e até mesmo animais que vivam ao seu redor se tornarão seres conscientes. Infelizmente, a podridão começou a intoxicar a árvore e, lentamente, a enfraqueceu. À medida que a decadência aumentava, os recursos tornavam-se escassos e as comunidades começaram a sobreviver por conta própria. O outrora próspero e restrito ecossistema entrou em colapso.

A podridão causou muitos danos em The Grove, mas o maior impacto é que não há novas frutas ou vegetais crescendo. Isso significa que toda a floresta pode desaparecer sem uma nova geração para cuidar dela a tempo. Concord, o nosso protagonista, é uma uva jardineira com apenas uma responsabilidade: cuidar do jardim de infância, esperado que algum dia brotem novos frutos. 

Um dia, o chefe da aldeia, faz um pedido para o nosso herói: torar-se o novo guardião, partir para ajudar outras aldeias e salvar o ecossistema que encontra-se ameaçado. Agora, seu trabalho é ajudar os habitantes locais a cumprir seus pedidos e protegê-los do apodrecimento que se aproxima. Após iniciar a sua jornada, Concord descobrirá como unir as cidades distantes enquanto encontra o seu lugar no mundo.

Um herói quebra galho

A aventura se inicia com um modesto medidor de vida e uma barra de vigor ainda menor, que se desgasta com movimentos básicos, como rolar e atacar. No verdadeiro estilo Zelda, complete as masmorras resolvendo enigmas e derrotando os chefes que as acompanham. A história avança a cada nova cidade, aumentando as suas barras de vida e resistência. 

Um dos principais problemas com a progressão no início é que enquanto sua saúde e resistência são baixas, o combate é muito mais arriscado, em especial as lutas contra os primeiros chefes. Embora você conte com uma garrafa recarregável de água que pode curar um pouco da sua vida, ainda é bem possível falhar algumas vezes. Este problema permanece mesmo após fortalecer o seu personagem, pois grande parte da ação do jogo torna-se uma tarefa árdua a cada nova fase.

Em contrapartida, Garden Story ainda é um simulador de vidas que requer atenção para atividades banais além da aventura principal, como consertar cercas e coletar itens para seus vizinhos. O game conta com uma mecânica de tempo para completar tarefas. Sempre que acordam de manhã, os jogadores podem passar algum tempo ajudando os habitantes locais ou progredindo na missão principal. Ambas as opções oferecem uma experiência única; desde desbloquear novos itens, até aprender novas habilidades. 

Para auxiliar o jogador a progredir com a aldeia, há um quadro de avisos da comunidade. Pode haver até três objetivos por dia, e os tipos de problemas que você deverá enfrentar incluem combates, manutenções e coleta de itens, às vezes será necessário exterminar a podridão em certas áreas das missões de combates, já as coletas de itens exigirá que você encontre recursos valiosos. As tarefas de manutenção são geralmente as mais fáceis, porque exigem apenas que você atinja certos objetos com as ferramentas certas.

Como mencionei anteriormente, no início todas essas tarefas são interessantes e potencialmente divertidas. Principalmente porque os personagens não jogáveis são bastante desenvolvidos e mostram bastante personalidade nos diálogos. Porém não demora muito para esse tipo de trabalho tornar-se cansativo e isso pode ter um impacto muito negativo para os fãs de Zelda que esperam uma aventura direto ao ponto, como a maioria dos títulos da série.

Por outro lado, as masmorras adicionam um pouco de variedade ao ritmo do gameplay, por finalmente colocar o jogador na aventura que o título se propõe a ser. Apesar disso, todos os estágios ainda envolvem apenas derrotar inimigos ou resolver quebra-cabeças similares, como aqueles clássicos de empurrar caixas ou blocos em lugares específicos. Talvez a maior decepção seja o sistema de combate enfadonho e o padrão de ataque dos inimigos, que é bem simples e sem graça; resultando em lutas que se resumem a dar uns golpes sem graça e não ser atingido.

Já que tocamos nessa ferida, que provavelmente é o maior ponto negativo do jogo, é bom mencionar que há diversas armas desbloqueáveis nas masmorras e lojas das cidades. No entanto, a maioria delas são desbalanceadas ou não compensam. O problema dos demais equipamentos alternativos é que ou eles são muito fortes, mas com velocidade incapaz de ser bem aproveitável ou outro tipo de desbalanceamento, obrigando o jogador a prosseguir com as poucas armas que são viáveis — resultando em lutas repetitivas contra inimigos com nenhuma inteligência artificial.

Visualmente atraente, mas a que custo?

A música e o estilo artístico são obviamente os maiores pontos fortes do jogo. Os efeitos visuais são uma o supra sumo de qualquer entusiasta de pixel art. A trilha sonora agradável cria um ambiente relaxante para explorar as cidades e as áreas selvagens de The Grove. Apesar disso, estranhamente é bem comum notar quedas de quadros por segundo durante a jogatina. Geralmente esse problema ocorre em áreas fora dos vilarejos, onde há mais objetos e inimigos na tela.

Os problemas de otimização no Switch podem ser percebidos também nas nas telas de carregamento, que estranhamente demoram mais do que o comum para serem processadas ou no pior dos casos, ocorrem problemas do jogo simplesmente travar durante um carregamento e será necessário fechar o aplicativo para continuar a jogatina.

Garden Story pode causar uma ótima primeira impressão, mas bastam poucos minutos para perceber que estamos diante de um jogo mediano. Apesar de oferecer lindos visuais e um acabamento de alto nível, a jogabilidade é pouco inspirada e rapidamente se torna repetitiva. Os problemas de performance no Switch são apenas a cereja do bolo de decepções que há por dentro de uma linda cobertura de pixel art.

Prós:

  • Visual vibrante e bem detalhado;
  • Trilha sonora agradável;
  • Personagens e diálogos carismáticos;
  • Jogabilidade intuitiva.

Contras:

  • Torna-se cansativo muito rápido;
  • Sistema de combate sem graça;
  • Progressão da história pouco inspirada;
  • Missões secundárias repetitivas;
  • Problemas de otimização no Switch.

Nota Final

6.5

Molan
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