Review | Spelunky

Review | Spelunky

10/09/2021 0 Por Pablo Camargo

Desenvolvedora: Mossmouth
Publicadora: Mossmouth
Data de lançamento: 26 de Agosto, 2021
Preço: R$ 50,95
Formato: Digital 

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Mossmouth.


Lembram-se da época 8-bits e Arcades? Em que os jogos eram programados para serem extremamente difíceis e cheios de segredos, de forma que o jogador não poderia zerá-lo de uma só vez, e teria que rejogá-los bastante até terminar o jogo e/ou desvendar todos seus segredos? É exatamente esse tipo de sensação que Spelunky resgata, mas a tornando melhor que nunca com uma gameplay extremamente viciante.

Spelunky para quem não é familiarizado é originalmente um jogo de plataforma roguelike de 2008, que teve uma versão melhorada lançada para consoles em 2012 —, e finalmente, no fim de agosto deste ano, chegou ao Nintendo Switch, aumentando ainda mais o catálogo de Indies indispensáveis do console. Seu objetivo é explorar e se aprofundar em uma misteriosa caverna de uma antiga civilização que está cheia de tesouros, segredos e ameaças. E fique sabendo desde o início, Spelunky é um jogo brutal.

Aparentemente, um simples platformer


Nossa experiência começa nas minas, área simples e infestada de aranhas, cobras e espinhos no chão, onde temos que aprender a usar nossas bombas e cordas limitadas, seja para acessar pontos do mapa que não conseguimos chegar a pé, ou derrotar inimigos, até achar a porta que leva a próxima sala da área, pegando tesouros e resgatando cachorros pugs (ou mulheres indefesas, mas sabemos qual é a melhor opção, né?) no caminho para conseguir mais pontos de vida.

Além disso, com o dinheiro obtido durante nossa exploração, podemos fazer compras com os mercadores do subterrâneo, nos fornecendo mais suprimentos de bombas e cordas, armas de gelo, botas para darmos mais dano ao pular em inimigos, ou qualquer outra coisa que estiver disponível no estoque. Mas lembre-se de ser respeitoso com o vendedor. Parece simples, né? Mas logo descobrimos que não é bem assim…

Simples, porém brutal!


Existem duas certezas nessa vida, uma é nascer, e a outra é a morte em Spelunky. Tudo no jogo é criado e posicionado de uma maneira que pode te matar rapidamente e acabar com uma run aparentemente perfeita. Desde espinhos que te matam instantaneamente ao cair em cima, até inimigos que te jogam pelos ares, que ficam escondidos em potes, minas explosivas, fantasmas invencíveis, e muito mais.

E claro que como em todo bom jogo, quanto mais você avança mais difícil os desafios ficam, cada área possui inimigos e armadilhas únicas, que ao ver pelas primeiras vezes vão te massacrar sem pena, com espinhos surpresas, inimigos que te engolem independente de sua vida, e poços sem fundo.

A pressa é inimiga da perfeição


E o fato de você ter um botão de correr não ajuda na sua sobrevivência, pois ele desperta a ganância do jogador de uma maneira especial, sentimos na vontade de avançar rapidamente sem ver direito o que há pela frente e damos de cara com inimigos, ou pulamos rapidamente em um buraco que era mais fundo do que imaginávamos, tomando dano de queda no processo. Arrogância é algo que um jogador de Spelunky não pode ter para avançar.

Basicamente, Spelunky é um jogo que não testa apenas a habilidade do jogador, mas ele também testa no mesmo parâmetro, se não em maior, sua paciência e sorte. Não importa quantas vidas você tenha coletado com as donzelas (ou cachorros) em perigo, se você tem uma escopeta que mata todos inimigos na sua frente, ou se não tomou dano até a última área, não se pode abaixar a guarda, pois qualquer erro pode desencadear uma série de consequências que significa morte imediata, tudo está contra você, até mesmo os itens em suas mãos podem te atrapalhar.

Mas apesar das constantes mortes e frustrações, a gameplay do jogo é tão boa, a movimentação do personagem é tão fluída, e o sentimento de que conseguiremos chegar mais longe na próxima tentativa é viciante, e ser tão rápido começar uma run nova ao apertar apenas um botão quando morremos, que faz com que a gente, pelo menos me fez jogar por horas seguidas todas as vezes que abria o jogo. E tudo acompanhado de um belo visual cartunesco e uma ost que consegue te entreter em suas cíclicas horas de gameplay.

Vários segredos para desvendar


O jogo possuí 4 áreas principais, com 4 salas em cada, cada área possuí um tema principal, como selva, minas e montanhas geladas, e as salas são geradas randomicamente pelo jogo, evitando a fadiga da repetição sempre que morremos. Mas isso não é tudo, pois as salas não possuem só aleatoriedade em seus designs, mas em seus eventos também. Algumas vezes ao adentrar numa sala teremos certo comentário do personagem, o que significa que a sala em que o jogador se localiza está passando por um evento especial, que ocasionalmente pode resultar no encontro de um item raro e útil, ou apenas mais frustração como uma sala escura, onde deve-se carregar uma tocha para iluminar o caminho.

Spelunky é um jogo cheio de segredos, apesar de nossa missão ser um simples “chegue até o final após 16 níveis”, existem diversos caminhos alternativos, passagens secretas com itens extremamente poderosos e eventos para as salas, o que faz com que o jogador sempre esteja descobrindo coisas novas, e mantendo a vontade de jogar apesar das mortes, para descobrir o que está por de trás do novo segredo descoberto por ele, já que muito provavelmente ele morrerá antes de chegar ao final e terá que tentar de novo em outra oportunidade.

Facilitado com atalhos, mas você quer mesmo usá-los?


E para facilitar o caminho daqueles que não querem concluir uma run do zero, com o auxílio de um minerador é possível criar atalhos, podendo pular zonas ao começar a jogatina, porém eles não são dados facilmente, temos que levar certos itens ao minerador ao concluir uma área para que ele construa nosso atalho, ou seja, pelo menos algumas vezes temos que passar a área na marra até conseguir entregar todos os itens ao NPC, e liberar o novo corte de caminho, como uma recompensa por seus esforços.

Os atalhos são uma boa maneira para ajudar aquele jogador mais casual a vencer o chefão no final da run pela primeira vez, mas seu melhor uso é como um treino nas áreas futuras, pois o jogo te incentiva a vencer desde o começo, já que se o jogador coletar alguns itens específicos no caminho poderá tentar fazer o final verdadeiro e extremamente difícil do jogo, mas para isso não poderá usar atalhos, é realmente um teste final de todas as habilidades, paciência e sorte do jogador.

Seu Multiplayer


Spelunky pode ser jogado em até 4 pessoas simultaneamente num modo cooperativo, onde todos precisam se ajudar para chegar ao final do templo, a experiência pode ser extremamente caótica e divertida já que os jogadores podem acabar se atrapalhando caso não coordenem bem suas ações, certamente vale a pena testar o jogo com um ou vários amigos caso queira passar a tarde rindo dos desastres inevitáveis, mas caso pretenda termina-lo em grupo, pode ser até mais fácil que sozinho dependendo de quão confiável seus companheiros são no jogo, já que uma vez por sala é possível reviver um companheiro em caixões. Infelizmente o relançamento no Switch não contou com a adição de um modo Online para o jogo.

CONCLUSÃO


Spelunky é como um jogo roguelike deveria ser: é desafiador, viciante, e cheio de segredos. Tanto sozinho quanto em grupo vai te fazer jogar por horas sem nem ver o tempo passar, quase o tempo todo o jogador estará descobrindo coisas novas, embora não posso negar que os diversos momentos de frustração que temos com mortes que realmente não parecem justas possam desviar a atenção de alguns jogadores para o jogo. De qualquer maneira, certamente vale muito a pena jogá-lo se for fã de jogos do gênero.

Prós:

  • Extremamente viciante
  • Apresentação visual e sonora ótimas
  • Dificilmente a experiência se torna repetitiva
  • Tudo fluí rapidamente

Contras:

  • Algumas mortes realmente são injustas
  • Um modo Online faz falta

Nota Final:

9

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