Review | Flynn: Son of Crimson

Review | Flynn: Son of Crimson

05/10/2021 0 Por andregbj

Desenvolvedora: Studio Thunderhorse
Publicadora: Humble GamesData de lançamento: 15 Setembro 2021
Preço: R$ 82,50
Formato: Digital 

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Humble Games.

O chamado à aventura vem nos momentos que você menos espera, e no caso do nosso querido herói de cabelos carmesim, vem através dos sonhos. Após uma voz falar com Flynn durante aquela boa soneca, nosso herói começa a ajudar os moradores de Rosantica e a explorar os limites e construções locais. 

De ajudar um senhor a reaver seu chapéu a conversar com curandeira da vila que todos ignoravam, o garoto começou a ser o faz tudo local. Em uma de suas andanças nosso protagonista e sua fiel mascote Dex se vêem nas ruínas do que parece ser um templo muito antigo, quando são atacados sem muito aviso por uma menina de capuz verde. Dex se põe a frente para defender Flynn, porém a desconhecida realiza uma magia que parece ter roubado sua força vital.

Sem entender porque foi alvo de um ataque tão letal, nosso herói parte em busca da essência carmesim que pode salvar a vida de sua amiga canina. Segredos sobre o passado de Flynn e sobre a própria Rosantica serão revelados nessa jornada durante sua jornada que é muito mais importante do que parece.

É muito perigoso lá fora, toma essa espada, esse machado, essas garras

Flynn: Son of Crimson é daqueles jogos que começam com comandos bem fáceis e limitados, pulo, esquiva e golpe de espada, para aos poucos introduzir mais mecânicas e poderes, e isso é bom e ruim ao mesmo tempo, calma que eu explico. Após certos acontecimentos, é revelado que o protagonista é alguém especial pois descende da linhagem carmesim, responsável pela salvação de Rosantica na última grande guerra. Esse poder lhe confere a capacidade de lançar projéteis, executar golpes com armas que antes não eram possíveis e um modo rager que permite que você execute golpes ferozes sem perder pontos de vida.

Como o nome de sua cidade/aldeia remete a rosas, você logo pensa que vai se transformar no Kurama (yu Yu Hakusho), podendo se pendurar por vinhas, usar chicote de espinho e coisas do tipo, e bem, não é nada disso que acontece. Ao passar das fases você ganha poderes de gelo, trovão e fogo que mesclam as habilidades padrão do personagem, podendo ser alteradas conforme o jogador achar melhor. O acesso aos poderes se faz pelo botão (L), sem nenhuma atalho de troca rápida para um dos elementos em específico, obrigando o jogador a clicar várias vezes até chegar na opção desejada. Gelo e trovão aplicam variáveis que retardam o movimento inimigo, já o elemento fogo aplica o status de burn, fazendo com que o inimigo perca vida durante alguns segundos. O mesmo vale para as armas, começando da boa e balanceada espada, ao machado que é lento porém tem um ataque maior e as garras que compensam o dano menor com uma maior quantidade de ataques por segundo.

Não existe mecânica de parry, porém é possível utilizar a esquiva para atravessar certos ataques, menos para ataques inimigos com variante de trovão. Como auxílio visual para indicar que o inimigo pretende atacar, o inimigo brilha rapidamente da cor branca, isso não seria um problema se até os ataques mais regulares de espada possuíssem um efeito similar, fazendo com que essa mecânica fique um tanto quanto confusa.

Existe ainda a mecânica dos cristais. Eles são responsáveis tanto por você recuperar energia (cristais verdes) e também como unidade monetária do jogo (cristais vermelhos). Não existe nenhum sistema de níveis ou troca de equipamentos, porém é possível comprar habilidades que expandem a quantidade de movimentos possíveis, ou torna tudo uma bagunça maior ainda, depende do seu ponto de vista.

A promessa de uma narrativa que nunca vem

Existem jogos que prometem pouco e entregam pouco. São jogos que são considerados rudimentares, porém existem propostas sinceras que não querem enganar o jogador como algo grandioso sem efetivamente entregar nada, infelizmente Flynn: Son of Crimson não é um desses casos. Vejam, existe uma preocupação narrativa desde os primeiros minutos de gameplay, sendo que nada ou quase nada disso é mais desenvolvido.

O personagem principal é filho de heróis de outrora, da linhagem carmesim, mas até bem próximo do fim do jogo você fica sem saber muito o que isso significa. De onde advém esses poderes ou do real propósito de vocês está fazendo aquilo. Há todo momento é falado da guerra do passado e de como os eventos do presente se assemelham a essa época, porém não existe nenhum movimento por parte de nenhum outro personagem em auxiliar Flynn nisso. Porquê não confiar confiar o nosso destino a uma criança que a 5 horas de jogo atrás não sabiam nem quem eram seus pais, não é mesmo?

Se o foco dos desenvolvedores fosse o gameplay, como nos jogos mais arcades do passado, essas ressalvas perderam totalmente o sentido. O que difere um bom  jogo de um ruim é o quanto ele se atém a proposta e o quanto desta ele consegue entregar. Assim como em um projeto arquitetônico, estrutura e design devem caminhar juntos, potencializando-se mutuamente, porém, aqui a preocupação em deixar o jogo esteticamente agradável e bacanudo pesou mais do que a experiência de jogo.

Pros:

  • Pixel Art
  • Gameplay
  • Dex, a doguinha

Contras:

  • Poderes elementais
  • Salto de dificuldade nos momentos finais
  • Narrativa fraca

Nota Final:

6

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