Review | Faraday Protocol

Review | Faraday Protocol

22/11/2021 0 Por Thomas Mertens

Desenvolvedora: Red Koi Box
Publicadora: Deck13 Spotlight
Data de lançamento: 12 de agosto2021
Preço: R$ 127,45
Formato: Digital

O que seria de Portal se tivesse o mesmo arquiteto de Bioshock, mas se ele fosse fã da cultura egípcia? A resposta é Faraday Protocol. Um jogo de puzzle em primeira pessoa, ambientado num mundo estranho abandonado, levando o protagonista por uma série de testes até uma recompensa. Qualquer semelhança é mera coincidência (ou não).

Antes de mais nada vamos tentar manter o foco como um jogo a parte, depois farei a comparação com Portal, o que na verdade vai levar a muitas outras discussões, mas me absterei delas nesse texto, deixando que você tire suas próprias conclusões.

Lore

Então vamos lá, o que tá acontecendo? Por que estamos nesse planeta doido, passando por milhares de testes? E qual o nome do arquiteto que planejou esse lugar, me passem o contato? 

É tudo muito simples. O protagonista é um astronauta, ou explorador espacial ou algo que o valha, que chega em um planeta desconhecido por ter captado um sinal desconhecido. Lá encontra construções piramidais, e é recebido por uma IA chamada IRIS, que o convida e guia através de testes de lógica e raciocínio que envolvem principalmente redirecionar energia com a Bia-Tool, a pistolinha que vemos na tela a todo momento. Ela pode trocar energia com totens especiais, azuis ou laranjas, que são as chaves para as soluções de cada desafio. Então é tudo sobre mover essa energia pra cá e para lá, acionando as chaves certas na hora certa.

Bom, isso é bem raso, mas é que o jogo em si não é tão longo que eu possa dar spoiler assim. Ainda mais pelo tom de mistério da narrativa, é mais legal se você descobrir sozinho, mas digamos apenas que com seu sucesso, IRIS vai lhe contando o real objetivo daquela instalação, e confesso que me atraiu. Há uma sensação de grandiosidade na recompensa, ao mesmo tempo que por outro lado nos faz parecer insignificantes. Ah, as figuras egípcias são muito chamativas pra mim, como se estivéssemos também no meio de uma religião antiga.

Gameplay

Nada de especial que não fique claro no trailer precisa ser acrescentado. Como saiu para várias plataformas, inclusive pc, você pode imaginar que um FPS seja um pouco mais simples e preciso de se jogar no mouse do que no controle, embora aqui os botões de um joystick sejam mais confortáveis do que um teclado, então vai do seu gosto. A mira no Switch, ou seja, o centro da tela, têm mini “facilitadores” como travamento no alvo quando passamos o cursor por cima dele, justamente para evitar que erremos por passar demais, já que o ajuste fino carece um pouco. Mas ao mesmo tempo, quando queremos ser rápidos, isso nos atrasa um pouco, mas nada alarmante.

De resto, as mecânicas são as mesmas que você esperaria desse tipo de jogo, Faraday protocol realmente segue à risca a ideia de ser eficiente, economizando esforço em coisas desnecessárias. O pulo, a corrida e a mira são tudo que você precisa.

Reestruturando Portal

Vou usar este tópico tanto para comparação com Portal quanto para citar alguns pontos que inevitavelmente você acaba notando quando joga alguns títulos da mesma linha. Por exemplo, em essência, Faraday Protocol é exatamente o mesmo jogo que Portal. Puzzles envolvendo raciocínio lógico, em primeira pessoa, envolvendo a mira de uma arma de enrgia. Ok, nada de errado nisso. Mas se você tirar os pequenos pedacinhos de história deles, o que você têm? Um almanaque de palavras cruzadas, com dificuldades mistas. No jogo de hoje, isso é mais evidente, pois enquanto alguns puzzles são extremamente complexos, mas resolvíveis, temos outros ridiculamente fáceis, alguns quase impossíveis, alguns que são pura e simples repetição, e outros que eu só cliquei em qualquer coisa e deu certo, sem pensar. Senti falta de um balanço, um equilíbrio melhor nesse ponto.

Para completar, acho que o que faz Portal ser mesmo um bom jogo é como eles trabalham com o mistério. Também somos uma cobaia em testes, conversando com uma robô meio maluquinha, não é um jogo muito longo, e também quebramos a cabeça.

MAS o que falta em Faraday Protocol são esses fragmentos de história, alguns detalhes escondidos que realmente te deem informação, pra aflorar nossa curiosidade, aquele nosso sentimento de “uau mas se isso aqui, então tal coisa, mas como?! Preciso descobrir” é justamente o ponto fraco do jogo.
Não entendam errado, a lore é bem interessante sim, eu veria um filme ou uma série disso com gosto, ela só é mal distribuída. Resolver quebra cabeças por 1 hora para ter 30 segundos de conteúdo não é muito convidativo. Após algumas horas aí sim recebemos um pedaço muito maior de história e ficamos querendo mais. Mas tenha paciência.

Conclusão

Com certeza é feito pra quem têm aptidão para quebra cabeças, e gosta de pensar, exercitar o cérebro de verdade. Eu pessoalmente não recomendo que seja aquele jogo pra relaxar, mas sim um jogo para se desafiar, estilo palavras-cruzadas ou sudoku como mencionei. As reviravoltas na história e toda verdade por trás é definitivamente merecedora do seu tempo.

Não espere algo muito longo, não são tantos desafios assim, mas até você dominá-los pode gastar um tempo, e não é para se sentir mal por isso. É a ideia do jogo mesmo. Inclusive faz parte do roteiro que você sinta essa dificuldade, por mais estranho que possa parecer. A arte retrofuturista que nos cerca é fascinante e encantadora, que ao mesmo tempo que nos sentimos deslocados, ficamos maravilhados com a beleza e classe de Faraday Protocol.

Prós:

  • Arte retrofuturista
  • Comandos simples e eficientes
  • Desafiante
  • História fantástica

Contras:

  • História mal distribuída
  • Um pouco cansativo e repetitivo

Nota Final

7