Desenvolvedora: Lienzo
Publicadora: Lienzo
Data de lançamento: 10 de março, 2022
Preço: R$ 139,99
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Lienzo.
Não sei nem por onde começar a falar desse jogo. Talvez pelo que me atraiu? Mitologias antigas sempre me fascinaram. Toda essa mística e deuses perdidos, com poderes quase aleatórios, mas que no final traduzem todo um conceito da cultura local é fantástico pra mim, sempre me traz curiosidade. E se passar na américa latina também é interessante, pois é o que menos temos informação, quase tudo se perdendo na colonização espanhola.
Aztech Forgotten Gods, como o nome sugere, utiliza desses conceitos místicos e divinos aliados a tecnologia. E se na verdade os astecas tivessem usado artefatos mágicos como fonte da sua tecnologia, e que isso geraria um avanço incrível no desenvolvimento? Mas ao mesmo tempo, a mitologia foi ficando pra trás e sendo esquecida, e a protagonista redescobre sobre ela. Como será que algo tão fascinante foi uma decepção pra mim?
Nomes diferentes
Como eu disse, o jogo é sobre a cultura antiga latina pré-colombiana. E os nomes da época eram bem diferentes do que teríamos hoje. Achtli, ou apenas Ach é a protagonista, filha de Nantsim, e amiga de Tepo. Nantsim é uma pesquisadora dessas relíquias, que se deparou por acaso com a Lightkeeper, uma manopla com poder de armazenas e projetar energia, podendo ser usada como propulsor, escudo, atirar projéteis e principalmente, armazenar energia de núcleos. Acontece que Ach não tem o braço direito, e usava uma prótese mecânica que acaba de ser substituída pela Lightkeeper, como parte do experimento para descobrir as verdadeiras funcionalidades do artefato.
O que são núcleos? São mais ou menos como matrizes energéticas, que abastece a cidade, mas também abastece gigantes, que são criaturas maiores que prédios, e um desejo ainda maior de violência. E esse é nosso objetivo no jogo: derrota-los. Quase não temos minions, apenas gigantes. Soa similar pra você? Pois é, é exatamente o mesmo feeling de jogar Shadow of the Colossus, e enfrenta alguns problemas similares também. Mas voltando ao jogo, tudo aqui são boss fights, ou cenas de história do jogo com diálogos sem voz, estando tudo na legenda e contexto.

A cada vez que vencemos um dos gigantes, desbloqueamos sua memória em algum lugar da cidade. Ela contém uma placa de pedra, que era a forma como os astecas registravam seus conhecimentos, contando um pouco de como ele era, uma espécie de deidade, ou seu mito.
Um jogo como no PS2
Minha primeira impressão de Aztech: The Forgotten Gods pelos trailers era fantástica, expectativas estavam altas desde os trailers. Jogando, a história já foi outra, me dando realmente a sensação de estar de volta ao PS2. Primeiro por causa dos gráficos, que são bem… limitados, poligonais. Não que isso seja um grande problema pra mim, eu só esperava mais, mas não atrapalha totalmente.
Ao mesmo tempo, toda a jogabilidade me remete às épocas de jogar PS2, os controles são muito similares, aproveitamos os botões de maneira inteligente, sem ter milhões de combinações malucas pra combos diferentes. É simples, e funciona. Ah, e tem também alguns mini-games além das boss fights: Corrida e batalhas na arena são marcadas no mapa como caveiras. Juntar dinheiro disso é útil para comprar melhorias e roupinhas.

Criando caso
Agora a parte chata, mas eu adoro reclamar, então vamos lá. O que acontece quando você é pequeno, contra um inimigo grande e a câmera está perto demais? Você não vê nada com ângulo favorável. E ver o alvo do seu ataque é extremamente importante em Aztech Forgotten Gods, pois, sem isso, ele não cria a mira, que é a única forma de atingi-lo e causar dano. Mas isso seria menos problema se não fosse o seguinte.
Os controles. Shadow of the Colossus não é propriamente um jogo difícil, o desafio real é vencer os controles. A mesma coisa se repete aqui, controlar Ach é extremamente difícil. Depois de dominar a propulsão, andar pra frente fica fácil. O problema é regular sua altura precisamnte, mas que nem sempre faz falta, e, principalmente, cair.

Sim, a coisa mais difícil do jogo é cair. Por mais estranho que pareça, quando a metade do esforço de voar é cair com estilo, isso deveria ser bem feito e útil. Mas infelizmente essa “mecânica” é horrível, sendo difícil de controlar, comprometendo totalmente seus planos, tanto de ataque quanto simplesmente de se mover e calcular onde pousar.
Veja, sua barra de stamina é bem longa, mas gasta com propulsão, pulos e até socos. Então é comum que ela acabe rapidamente no meio de um combate, te deixando exposto a ataques, que pode ter certeza, são brutais. Mas pior que isso, é que é simplesmente sem controle e não parece natural. Isso sim te tira da experiência.
Outro problema que experienciei foram bugs relativos a atravessar paredes e ficar preso em um espaço que não deveria existir. Cuidado com áreas de parede invisível, e com eventos em cadeia, pois até resetar o jogo nem sempre é o bastante. Mesmo resetando o console, ainda tive que jogar com um bug visual.

Criativo?
Cada gigante é sim bem único. E a cada um teremos novas habilidades. Isso dá uma recuperada no fôlego entre cada batalha. A história não é muito cativante pela forma como é contada, embora o roteiro seja interessante pra caramba. Tem mistério, tramas políticos, mágoa e culpa (e como lidar com ela, o que é o principal foco da narrativa), e também pura curiosidade. Vamos desvendando a história perdida aos poucos, e uma narração mais interessante viria a calhar. Mesmo mudo, só não repetir a animação de 1 segundo durante todo o diálogo, fazendo o boneco parecer um gif já ajudaria. Não estamos lendo um livro, e o diálogo não é cativante.
O roteiro básico é assim: falar com a mãe sobre um upgrade, voltar para a cidade para instalar essa melhoria, ouvir uma parte do plot, conversando com Tepo ou com Tez, e indo brigar com o gigante. Acaba sendo levemente repetitivo como estrutura, mas as inovações na batalha compensam isso.
De toda forma, é interessante de jogar, se você gosta de SoC. Se não gosta nem da ideia, fique longe, ou assista uma gameplay completa na internet. Não acho que chegue a ser um jogo obrigatório, mas é bom o bastante pra dar a chance, ainda mais vindo de um estúdio pequeno e latino. É sempre bom enaltecer o esforço de estúdios menores.
Prós:
- Temática;
- Dificuldade;
- Estética.
Contras:
- Controles;
- Câmera;
- Narração;
- Gráficos.
Nota Final
6
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