Desenvolvedora: Gotcha Gotcha Games
Publicadora: Phoenixx
Data de lançamento: 04 de Agosto, 2022
Preço: US $ 18,99
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Phoenixx.
Acreditem se quiser, mas eu não sou um grande otaku. Inclusive, já assisti alguns animes e até gosto de vários, mas raras são as ocasiões onde eu paro tudo que estou fazendo para maratonar algum ou ficar discutindo sobre o tópico com amigos. Mesmo assim, por alguma razão, jogos inspirados em anime sempre me cativaram. Minha primeira exposição a franquias como Dragon Ball, Naruto ou Saint Seya foram por seus famosos — e excelentes — jogos de luta em arena.
Uma área que os jogos de animes sempre pecaram, porém, são os platformers. Nunca tivemos grandes exemplos de jogos do gênero baseado em séries de anime. Eu realmente não consigo me lembrar de nenhum título expressivo, talvez o recente Overlord: Escape from Nazarick. E é por isso que, KOKORO CLOVER Season 1, pra mim se tornou algo especial apesar das ressalvas.
Ok, KOKORO CLOVER não é um game inspirado em alguma franquia já estabelecida. Ao invés disso, ele pega inspirações diretas de diversos animes infantis dos anos 80 e 90 para criar algo único e original.
O Jogo mais anime que eu já joguei
A história de KOKORO CLOVER é simples: você é apresentado a uma invocadora de espíritos chamada Treffy, uma pequena garotinha que vive com seu avô e seus amigos espíritos. Certo dia, ela encontra um misterioso e poderoso artefato chamado Kokoro Clover, que tem o poder de fundir seu usuário com espíritos e decide sair em uma grande aventura com seus amigos para descobrir seus segredos. No caminho, vários inimigos tentarão roubar o artefato de nossa heroína.
A trama do game por si só é bem besta e não se leva a sério quase o tempo todo, no entanto eu diria que esse é o seu principal charme. Os diálogos e acontecimentos, em sua grande maioria são bem engraçados, e os personagens são de grande carisma, desde os heróis da história até os antagonistas.
Mas o que mais me fascinou em KOKORO CLOVER é o modo em que essa estória é contada; o game é estruturado como um autêntico anime, uma paródia, sendo até mesmo dividido em “episódios”, com direito a abertura, encerramento, highlights da semana antes e depois de cada um dos episódios, e até mesmo pequenas pausas para “comerciais” no meio de cada um.

É estranho, mas tem muito charme e essas sessões serem completamente opcionais é altamente apreciado, além de fazer elas não se tornarem um problema. O que não é opcional, no entanto, são as próprias cutscenes, que por algum motivo não podem ser “skipadas” em sua primeira run.
Outro problema (dessa vez grande) que eu consigo encontrar em KOKORO CLOVER é que, por conta do game tentar desesperadamente estar relacionado a um anime, os momentos que você realmente JOGA são curtos, enquanto as cutscenes são longas e acontecem com muita frequência. Certos episódios nem ao menos possuem fases, apenas lutas contra boss! Acredito que deveria haver um balanceamento maior, pois há momentos que eu senti que a gameplay era apenas uma desculpa para a história acontecer, e em um jogo eu acredito que o contrário deveria ser o caso.

Visualmente atraente
Uma das primeiras coisas que chamou minha atenção no jogo foi seu estilo visual. Visualmente, tudo no game tenta ser um anime infantil, com cores vibrantes, cenários variados e bem bonitos, personagens fofinhas e designs de monstros bem malucos. A pixel art e animações 2D me lembram jogos de navegador dos anos 2000 e esse é um estilo visual que me agrada muito, além de me trazer um senso de nostalgia no mínimo estranho.

A única coisa que me incomodou é que o jogo não foi otimizado para rodar em widescreen, mas sim em 4:3, o que causa bordas pretas em todos os momentos do game. Talvez isso tenha sido uma decisão feita para aumentar ainda mais o senso de “antiguidade” que a experiência almeja passar, mas ter a opção de habilitar tela cheia nas opções seria altamente apreciado. Porém, esse pequeno defeito não muda o fato que o jogo é sim muito agradável de se olhar em todos os momentos, e os visuais estão muito longe de serem um problema.
Jogabilidade simples, mas com certos problemas
O jogo é simples e sem muita profundidade: você pode andar, atirar esferas de energia, trocar de elemento para dar mais danos em inimigos de outros elementos, usar um ataque especial e dançar; sim, existe um botão com essa única função, e isso por algum motivo é incrível!

A gameplay no entanto, é um pouco travada. A personagem principal é, num geral, agradável de se controlar. Mas o problema aqui é que os controles às vezes são falhos. Por exemplo, se você estiver no limite de uma plataforma o pulo não vai funcionar.
A jogabilidade é completamente aceitável e as fases, apesar de curtas, são competentes em seu level design, com alguns segredos e passagens secretas para serem encontradas. Dito isso, não esperem nada extremamente desafiador pois esse não é o propósito do game: ele é extremamente fácil do começo ao fim.

A trilha sonora
As músicas são boas. Várias delas gradaram na minha mente durante a campanha, e eu cheguei ao ponto de cantarolar algumas das faixas do game no banho por consequência. Contudo, o maior problema de KOKORO CLOVER neste tópico para mim, ironicamente, vem justamente desse aspecto. As fases de plataforma tem APENAS UMA música que é reutilizada em TODOS OS NÍVEIS! Sério! Por conta disso, essa única faixa se torna repetitiva e maçante muito rápido, e nenhum dos níveis do jogo se destacam dos outros, todos eles parecem o mesmo apesar dos visuais claramente diferentes.

A variedade de músicas está mesmo nas cutscenes, onde várias faixas musicais tocam dependendo da situação atual. E elas são sim boas, novamente com seu estilo “anime”.
Conclusão
Fácil, fofo, engraçado e divertido, essas são as palavras perfeitas para descrever a experiência que KOKORO CLOVER Season 1 tem a oferecer. Apesar do game ter sua variedade de problemas e ser curto com apenas 12 episódios, os personagens e a história cativaram meu coração, bem como a gameplay faz mais do que o suficiente para eu conseguir considerar este um bom jogo. Este claramente é um jogo cujo o público alvo são as crianças, e eu acredito que o plot e sua jogabilidade mais simplória façam este ser o game perfeito para dar ao seu filho caso ele não tenha nada para jogar, pois apesar de tudo, é uma experiência divertida e engraçada.
Prós:
- História cômica;
- Personagens carismáticos;
- Boa trilha sonora.
Contras:
- Mais história do que gameplay;
- Faixa principal repetitiva;
- Jogabilidade travada;
- Display em 4:3 por alguma razão;
- Cutscenes não podem ser puladas na primeira jogatina.
Nota Final:
6,5
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