Desenvolvedora: Chime Corporation
Publicadora: Spike Chunsoft
Data de lançamento: 2 de Setembro, 2022
Preço: R$ 299,00
Formato: Digital/Físico
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Spike Chunsoft.
Revisão: Marcos Vinícius
Made in Abyss é um anime com tema dark fantasy baseado em um mangá homônimo de Akihito Tsukushi que, definitivamente, não recomendo para àqueles com estômago fraco. A história se desenrolada em torno de Riko, uma órfã que vive em um mundo um tanto curioso, no qual um buraco surgiu em meio a uma região isolada. Muito semelhante a uma ilha vulcânica, mas com um fundo infinito, o abismo esconde muitos mistérios, desde criaturas, relíquias e maldições.
Depois de mais um bom tempo jogando, finalmente entrego a vocês um texto completo sobre o Made in Abyss: Binary Star Falling into Darkness. Se você não leu a preview que fizemos, recomendo que comece por lá, pois algumas coisas já terão sido ditas sobre esse jogo, e algumas delas eu mudarei de opinião, portanto, acho que você vai gostar de saber os dois lados da história; leia a seguir:
Como eu disse anteriormente, Made in Abyss: Binary Star Falling into Darkness se divide em 2 partes, uma baseada no anime (Hello Abyss) e uma original (Deep in Abyss), e o que a princípio parecia uma boa ideia, se mostrou muito… conflitante. Por outro lado, a experiência muda totalmente e expande demais o universo de Made in Abyss, mudando completamente minha impressão sobre o mesmo, e até melhorando, embora com ressalvas.
Prólogo: Hello Abyss
Realmente o Hello Abyss, baseada no anime, é uma simples introdução ao jogo, que decidiram contar a história do mesmo. Se você já sabe o que está fazendo e entende o que essa parte quer fazer, dá pra concluir em umas 4 horas mais ou menos; no meu caso levei mais por tentar explorar tudo de fato. A ideia aqui é só dar uma recapitulada nos eventos do anime até o final da segunda camada e te introduzir às mecânicas do jogo, mesmo que metade disso você seja obrigado a descartar alguns desses conhecimentos.
Então já aprendemos que a mochila não é infinita, em como coletar itens, o limite da sua escalada, impactos de subir rápido, e como fabricar coisas como armas e alimentos. Realmente alimentos são o principal, já que nessa parte as ferramentas têm duração infinita e não se desgastam, o que naturalmente já se torna um ponto negativo visto que há a possibilidade de crafta-las como parte essencial do jogo (sério, ou é isso ou jogar item fora, fabricar coisas é indispensável para progredir).
Em suma, não há muito mais o que falar, bem direto ao ponto, aprendemos o básico, vimos como funciona o jogo e é isso, fim do Hello abyss. Então na minha opinião, gastou-se muito tempo te fazendo explorar coisas, nos fazendo pensar que coletar recursos ia ser algo útil para essa parte, explorar muitas e muitas áreas do mapa (estendendo em muito o tempo de gameplay dessa parte). Inclusive, é muito frustrante no final, pois assim como no anime, a Riko recebe a picareta da mãe, e ela é um item equipável com status incríveis. Mas… não existe nenhuma área de exploração depois disso, indo direto para a cutscene. Frustrante. E se a ideia era ser um tutorial, também falhou, pois a maior parte das mecânicas aprenderemos mais a frente.
O jogo de verdade: Deep in Abyss
Agora sim estamos conversando, agora sim temos um jogo mesmo com tudo o que tinha que ter! Made in Abyss: Binary Star Falling into Darkness só entrega o proposto aqui, que é de fato um simulador de exploração, acampamento, aventura. Agora sim coletar itens terá impacto, pois cozinhamos mais coisas, resolvemos side-quests, interagimos muito mais, precisamos de dinheiro, etc etc.
Inclusive, ferramentas como picareta e faca são pouquíssimas duráveis, e a quantidade de inimigos (que re-spawnam muito rápido) não te permite descansar ou titubear, você vai precisar de muitas delas, o que é bem a ideia do universo: o abismo vai tentar te matar, esteja preparado.
Quanto a história desse modo de jogo, ela se desenrola em torno do protagonista (você) e Tiare, uma colega do orfanato que se torna sua melhor amiga. Logo mais, depois de algumas aventuras juntos, ela desaparece, e teremos que descobrir o que aconteceu. No processo, vamos melhorando nosso ranking, subindo para apito azul em não muito tempo (comparado ao total de horas do jogo, porque pode contar com umas 5 horas no mínimo para chegar a esse rank). Subir de nível desbloqueia novas habilidades na árvore de talentos (também outra novidade de deep in abyss), e elas são necessárias para passar de certas partes, mesmo que o jogo não te explique isso, mas não é exatamente muito difícil perceber.
As side quests te estimulam a explorar, o que contribui para a ambientação e entrar no clima da história, pois na obra original percebemos nuances disso, que a vida ainda acontece além da Ryko e que ela não é fácil nessa ilha misteriosa. Coletamos diversos itens, descobrimos e aprendemos receitas, vendemos coisas que não usaremos mais, vendemos às vezes até comida para caber na mochila.
Essa parte foi muito bem feita. Eu geralmente reclamo de The Legend of Zelda: Breath of the Wild pelas armas quebrarem, e aqui elas também quebram, mas duram MUITO mais que a maioria do menino Link, então o impacto negativo disso não só casa melhor com a história e jogabilidade, como é menos prejudicial e frustrante.
—Cuidado para não avançar demais e não conseguir voltar, ok?
Imagem, som e jogabilidade
Sim, já falei disso, mas repito, o gráfico é bem bonito no Nintendo Switch, especialmente quando jogado no modo dock. Jogar no modo portátil não é ruim, mas limita demais o potencial do game. O som é bastante imersivo, traz a tona o sentimento de impotência e insignificância de alguém perante o abismo cruel, mas também te dá vontade de explorar mais a fundo e descobrir os segredos do mundo. Todos os personagens são dublados, em inglês e japonês, e ficou um bom trabalho nos dois casos.
O patch de correções saiu logo no dia 1, e realmente ajudou, mas ainda sinto muita imprecisão nos ataques. Se posicionar contra os bichos e atingi-los é muitas vezes chato e complicado. Mas sim, o problema está muito menor, se você não jogou o pre-patch, nem deve notar.
Paciência
Made in Abyss: Binary Star Falling into Darkness não é um jogo para rushar. Esteja preparado para gastar muitas horas para progredir, com pequenos fragmentos de história, não mais que alguns minutos, a cada muitas horas de jogo. O ritmo é mesmo de ser um explorador aventureiro e sentir o que é o mundo à sua volta.
Colete itens, pense bem na rota que vai tomar, tenha sempre certeza que consegue voltar. Se tiver dúvidas, pare e volte para casa, venda seus itens e vá de novo, pois sua morte vai desconsiderar todo o progresso desde a última saída do orfanato. Nesse ponto parece muito com um roguelike, sempre partimos do mesmo início, temos que passar pelos cenários mais fáceis, melhorar nossas coisas e depois tentar de novo. O fast travel embora exista, não é tão cedo de ser desbloqueado e nem tão usável assim, atrasando mais ainda o desenrolar do lore.
De forma geral, me diverti, gostei, mas o pacing realmente me incomodou, e acho que o Hello Abyss foi mais um desperdício de tempo que poderia ter sido muito mais otimizado, pois se tornou uma parte bem chata de se jogar, ainda mais descobrindo que foi quase tudo atoa. Nada é muito difícil, muitos dos monstros maiores são só grandes, mas nada que precise de muitas tentativas para vencer, às vezes um boss dá até pra matar de primeira, já que temos itens de cura à disposição. Então, é bom para quem quer esse sentimento e não têm pressa, e senti vibes de The Legend of Zelda sim no quesito exploração do mundo. Recomendo assistir gameplay antes de decidir investir, pois pode muito não ser para você.
Prós:
- Gráficos bonitos no Nintendo Switch, principalmente na dock;
- Ambientação;
- Lore interessante.
Contras:
- Muito lento;
- Hello Abyss muito longo;
- Imprecisão.
Nota Final:
7
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