Desenvolvedora: Purple Lamp Game Development GmbH
Publicadora: THQ Nordic
Data de lançamento: 31 de Janeiro, 2023
Preço: R$ 221,95
Formato: Digital/Físico
Análise feita no Nintendo Swicth com cópia fornecida gentilmente pela THQ Nordic.
Revisão: Marcos Vinícius
Jogos licenciados são estranhos, no minimo. Sendo baseados em mídias de entretenimento audiovisual como desenhos animados ou filmes, raramente são muito discutidos na comunidade de videogames, e isso se dá justamente por terem a fama de serem de qualidade duvidosa. Existe uma exceção à regra no entanto, como por exemplo os jogos do Bob Esponja, onde posso citar Battle For Bikini Bottom, de 2003, sendo um clássico do GameCube e PS2.
Contudo, SpongeBob SquarePants: Battle For Bikini Bottom não era nenhum masterpiece. Ele tinha vários problemas, e até mesmo pra época era um collect-a-ton bem básico considerando o que o resto da indústria tinha a oferecer. Mas sua competência se destacou em meio a vários shovelwares licenciados, junto às diversas referências ao programa que ele trazia capturaram os corações dos fãs, dando aquele belo “gostinho de infância” ao título. Uma sequencia seria lançada pouco tempo depois, baseando-se no icônico filme de 2004, que traria uma experiência mais contida em exploração e linear se comparado ao seu antecessor.
Voltando para os tempos atuais, Battle For Bikini Bottom recebeu um remake para plataformas atuais, pegando muitos fãs de surpresa devido a sua competência em reimaginar o clássico, embora a falta de polimento geral e poucas novidades a oferecer tenha sido uma critica genuina. O consenso geral foi que ele ainda era uma boa forma de se jogar o Battle For Bikini Bottom, mas não apresentava mais do que isso. E agora, quase 3 anos depois do remake, SpongeBob SquarePants: The Cosmic Shake chega como uma aventura inédita, mas prometendo ser um retorno à fórmula que o clássico de 2003 havia estabelecido.
Assim como remake de Battle For Bikini Bottom,o time da Purple Lamp está assumindo a nova aventura da querida esponja amarela, mas será que a equipe conseguiu criar um produto tão competente ao ponto que possa ser lembrado pelos fãs como Battle For Bikini Bottom foi?
Vocês estão prontas, crianças?
A história de SpongeBob SquarePants: The Cosmic Shake é bem direta ao ponto: após acordar em mais um empolgante dia, Bob Esponja e Patrick vão a um parque de diversões onde encontram uma cartomante chamada Kassandra. Ela os oferece um fazedor de bolhas de sabão mágico, que realiza os desejos de qualquer um que o assoprar. Bob Esponja e Patrick aceitam e começam a fazer pedidos descontroladamente, o que eventualmente resulta em um abalo cósmico, com a Fenda do Biquíni sendo dividida em diversas dimensões diferentes, e seus amigos sendo presos em cada uma delas como consequência. Agora, é a missão de Bob Esponja e Patrick fazer a Fenda do Biquíni voltar ao normal e salvar seus amigos antes que seja tarde demais.

A premissa é básica e, de certa forma, parece algo que saiu de um episódio do desenho. Mas eu devo dizer logo de cara que o modo como a história é mostrada ao jogador é impecável. As cutscenes são o ponto alto aqui, extremamente bem animadas, com personagens expressivos e movimentação exagerada, mantendo toda a essência do programa. Em alguns momentos, eles até mesmo usam algumas piadas tiradas diretamente da série como as mensagens de transição “Alguns segundos depois” e os close-ups super exagerados, mesmo que esses apareçam de uma forma um pouco tosca na tela. A melhor parte? Tudo isso é dublado em português brasileiro, com todas as vozes da série retornando para seus papéis.

Embora tenha uma excelente apresentação, o jogo visualmente não impressiona muito, pelo menos no Nintendo Switch. Ele é bonito em alguns momentos e feio em outros, mas o que mais decepciona é que mesmo não parecendo ser um jogo que demandaria muito do hardware do híbrido, sua performance alterna entre aceitável e péssima. Quedas de frame-rate, objetos carregando e travamentos são ocorridos constantemente, em um momento o jogo até mesmo crashou e eu perdi parte do meu progresso!
Os desenvolvedores claramente tiveram que cortar muito a parte gráfica de The Cosmic Shake para ele rodar de forma razoável no console da Nintendo, então é decepcionante ver que, assim como o remake de Battle For Bikini Bottom, ele roda tão mal e possuí tantos problemas técnicos que claramente não deviam estar acontecendo pela fidelidade gráfica que o game apresenta.

Um ponto que não decepciona no entanto é a soundtrack! The Cosmic Shake conta com novos arranjos em conjunto com algumas músicas que são tiradas diretamente da série animada, e eu devo dizer que as novas faixas não decepcionam nem um pouco.
Os arranjos originais são ótimos, capturando a alma que o programa tinha, e algumas delas podem ser estranhamente épicas em alguns momentos, tudo isso sem fugir do que Bob Esponja costuma ser musicalmente. Já as músicas retiradas da série são tão boas quanto, e se encaixam muito bem nas situações que foram inseridas, a ponto de que os mais leigos nem irão perceber que elas não foram criadas diretamente para o jogo.
Um jogo onde se mover é divertido
Se tem um aspecto que The Cosmic Shake tinha que acertar em cheio, foi com sua movimentação. Afinal, esse é o ponto base e o quesito mais importante de qualquer platformer. Se andar pelos mapas e pular não for divertido (ou satisfatório), não existe motivo algum para jogar. Dito isso, fico feliz em anunciar que, apesar de ter controles e comandos simples, ele ainda é extremamente gostoso de se jogar!

A movimentação da nossa esponjinha é descomplicada, permitindo você pular, atacar com um giro, planar no ar como em The Legend of Zelda: Breath of the Wild, atirar bolhas de sabão, desviar em combate, e até mesmo usar um ataque teleguiado, como nos jogos recentes do Sonic. Todos esses elementos supracitados, em conjunto, criam um game onde simplesmente passar pelas fases é instigante. Tentar entender as mecânicas e combinar todos os movimentos para completar seus objetivos mais rápidos não é nada além de super satisfatório. Por exemplo: uma mecânica que eu gostei muito é que o desvio do Bob Esponja serve como o rolamento da série Donkey Kong Country, onde se você usar ele na beirada de uma plataforma e depois apertar o botão de pulo no ar, o personagem realmente pula! E o jogo não gasta seu tempo, logo depois de realizar o pulo, se algum inimigo estiver na sua frente, você já pode utilizar o ataque teleguiado, fazendo com que você consiga atravessar distância longas de forma rápida e satisfatória.

Claro, é possível terminar o jogo do começo ao fim sem usar essas técnicas mais “avançadas”, mas acredito que elas são divertidas e te recompensam o bastante para valer a pena as utilizar. O level design também é muito bom e complementa muito bem a excelente movimentação, os mundos são criativos e usam muito bem seus temas para criar variados desafios de plataforma, além de alguns mini-games inofensivos e pequenos para variar um pouco a gameplay. A única coisa que me decepcionou um pouco foi o combate, considerando que o Bob Esponja só possui 3 ataques e que a variedade de inimigos não só é absurdamente pequena, como também o método para derrota-los é parecido, o combate se torna repetitivo um pouco mais rápido do que eu gostaria.

Claro, o foco do jogo é no platforming, porém existem momentos que você ficará preso em algumas arenas até conseguir derrotar todos os inimigos, e isso enjoa bem rápido. Mas num geral, esse é um jogo que eu sinto que os speedrunners irão se divertir bastante tentando quebrar recordes, e acreditem, isso é um ótimo sinal.
Uma dádiva para os fãs
Para os fãs de Bob Esponja, algo que eu posso garantir é que The Cosmic Shake será um prato cheio. O jogo é recheado de referências, memes e pequenos detalhes que só os fãs mais assíduos vão notar. Desde fantasias referenciando o passado da série (que podem ser desbloqueadas com moedas), uma recompensa por explorar e concluir missões secundárias, até memes no background dos níveis e nas animações dos personagens. Esse claramente é um jogo feito para fãs do desenho, muito carinho e atenção foi colocada em todos os cantos dos mapas, personagens e animações e isso é algo louvável.

The Cosmic Shake também possuí uma espécie de “mistério”. Caso explore os níveis, você irá encontrar algumas espátulas de ouro escondidas, não é dado nenhuma indicação ao jogador que esses coletáveis existem ou de sua função, e isso é algo que honestamente me agrada, uma vez que sinto falta desse senso de mistério que alguns jogos antigos tinham, e esse jogo captura isso.
Conclusão: tão bom quanto seus antecessores?
Eu não tenho dúvidas que The Cosmic Shake um dia será tão bem lembrado quanto os jogos que o antecederam, pois em sua base e design, ele é um game muito competente. A movimentação do Bob Esponja é fluída, as fases são criativas e tem pequenas e divertidas mudanças de gameplay para não se tornarem repetitivas. As referências ao show estão em todos os lugares e vão tirar um sorriso do rosto de qualquer um que tenha qualquer tipo de apego ao personagem e seu mundo. Contudo os diversos problemas técnicos como quedas de frame rate, travamentos e objetos carregando bem na sua frente deixam o game com um ar de incompleto e o impedem de realizar seu potencial máximo.

Ele é um jogo divertidíssimo e os desenvolvedores da Purple Lamp claramente inseriram muito amor e carinho pelo projeto. Porém, mas antes de realizar a compra, mantenham em mente que a todo momento fica evidente que o jogo precisava de um pouco mais tempo e experiência para ser totalmente finalizado.
No mais, The Cosmic Shake é muito bom, mas a performance no console da Nintendo e diversos problemas técnico atrapalham o que poderia ser o melhor jogo da esponja mais amada do mundo até hoje. Espero de coração que a Purple Lamp tenha mais uma chance com a franquia, pois eles provaram seu valor com o design excelente que o jogo possuí e precisam apenas lapidar essa joia.
Prós:
- História simples com cutscenes incríveis;
- Referências à animação original;
- Gameplay com níveis criativos e movimentação fluída;
- Está em português do Brasil.
Contras:
- Problemas técnicos;
- Performance comprometida no Nintendo Switch;
- Combate pode se tornar repetitivo.
Nota:
7,5
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