Desenvolvedora: Hase im Haus
Publicadora: PliCy
Data de lançamento: 28 de abril, 2023
Preço: R$ 119,00
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela PliCy.
Revisão: Marcos Vinícius
Embora quando se fale de otome games, geralmente se associe à Otomate e sua vasta produção de visual novels do gênero, há várias obras interessantes sendo produzidas por outros grupos. Felizmente, a cada dia que passa, temos mais jogos desse estilo vindo para o Ocidente, fazendo com que essas obras de nicho tenham cada vez mais presença no mercado, especialmente quando se trata do Nintendo Switch.
Entre esses lançamentos, tivemos recentemente a publicação de Dormitory Love em inglês. A obra foi criada pela desenvolvedora Hase im Haus, com a criadora Mirin ambiciosamente escrevendo, ilustrando, dirigindo e cuidando de vários aspectos do desenvolvimento do otome game praticamente sozinha. Com uma atmosfera confortável, o jogo explora o conceito de cuidar de um dormitório de rapazes de múltiplas nacionalidades com um estilo mais corriqueiro e mundano de narrativa.
Um dormitório para estrangeiros

Tudo começa quando a sua vó decide ser intrometida. Sabendo que você está trabalhando à noite em um bar, ela decide que isso não é vida para a sua neta e decide te pedir o favor de ajudar um amigo dela que se machucou e não pode mais cuidar de um dormitório. Você nem sequer tem muita escolha porque ela já ligou pro seu emprego para avisá-los sobre essa situação.
Logo a nossa personagem descobre que o dormitório em questão é o lar de seis rapazes que vieram de outros países em intercâmbio, mas falam japonês fluentemente. Um leve choque de culturas e as personalidades excêntricas de cada um fazem com que a convivência deles seja um pouco conturbada, sempre ocasionando algum tipo de confusão.

São ao todo seis personagens, sendo todos eles potenciais interesses românticos da protagonista, Jun Minase (cujo nome pode ser mudado). Guillaume é um garoto francês que está terminando o ensino médio e gosta de se vestir como Lolita. Se por um lado ele é egocêntrico e mimado, por outro os seus gostos são vistos como algo excêntrico, levando-o a sofrer bullying.
Já Sean é um rapaz britânico altamente sarcástico e que costuma ser o tipo de abusar das outras pessoas. Embora ele seja otaku, o seu gosto por moda masculina faz com que ele seja bem distante do que se espera de um e algumas pessoas achem que ele é gay.

Sasha é um fotógrafo russo que costuma agir de forma bem relaxada e de vez em quando agir como pervertido, mas talvez nem tudo seja tão simples quanto parece inicialmente. Outro personagem que parece guardar detalhes de si a sete chaves é Ling, um menino chinês bem reservado cujas expressões faciais são bem difíceis de interpretar para Jun.
Josh é um rapaz que veio dos Estados Unidos e tem uma tendência a atrair várias garotas. Apesar dele se aproveitar bem da situação, o seu interesse principal realmente é o basquete. Por fim, Felix é um jovem alemão muito gentil que acaba assumindo boa parte das responsabilidades dos rapazes, cuidando da alimentação de todos e sendo tratando como “a mãe do dormitório”.
Um passeio tranquilo pelo Japão

Em termos gerais, a história de Dormitory Love é focada totalmente no aspecto cotidiano e no desenvolvimento bem gradual do relacionamento de Jun com o rapaz selecionado. A protagonista é lerdinha, mas também oferece uma boa dose de entretenimento com seus pensamentos ocasionalmente estranhos e algumas falas francas demais com os garotos. Como eles também são bem inusitados, temos um slice-of-life que consegue se manter bem divertido.
Curiosamente, em vez de brincar mais a fundo com o choque de culturas, a obra foca mais nas experiências que eles podem ter no Japão. Temos um passeio deles para ver a florada das cerejeiras, uma visita a fontes termais, um festival para a protagonista usar uma yukata, entre outros elementos típicos e alguns até mais mundanos (como ir a uma piscina coletiva) que logo se mostram uma parte importante da experiência para esses personagens que estão criando os seus vínculos pessoais com o país.

Cada momento especial das histórias individuais conta com uma CG própria, eternizando aquela memória como uma fotografia singela. O estilo de arte — que é um tanto rudimentar graças a detalhes que parecem amadores de proporção, detalhamento e coloração — aqui deixa clara a sua intenção: cores suaves e um traço mais simples ajudam a dar ainda mais delicadeza para uma obra que é essencialmente sobre a leveza da criação de laços de amizade e romance.
Outro ponto que faz bastante diferença para a obra é a dublagem em japonês. Todos os personagens, inclusive a protagonista, possuem vozes e isso ajuda a refletir muito bem as suas personalidades. Porém, vale a pena salientar que o volume das vozes pode ser um tanto desbalanceado em algumas cenas, o que prejudica um pouco a qualidade.

Outro problema até mais gritante é que o roteiro tende a fazer cortes estranhos. Às vezes, fica parecendo que a cena tinha algo a mais que foi pulado por algum motivo. Em outras, mesmo sendo mais compreensível e natural a transição, ela ainda deixa a sensação de que faltou um pouco mais de desenvolvimento.
Ainda no quesito história, é impossível não mencionar que a tradução para o inglês infelizmente deixa a desejar. Não digo apenas de erros de digitação, mas problemas bem nítidos de gramática como erros de conjugação de verbo, escolhas muito literais de tradução que acabam perdendo o sentido e problemas de consistência (como a falta de parênteses em algumas falas internas da protagonista). Felizmente, ainda é possível entender e aproveitar a obra, mas a qualidade está bem abaixo do ideal.
Problemas de interface

Outros problemas relevantes do jogo estão relacionados à interface e qualidade de vida. Primeiramente, as pequenas animações e transições são demoradas, deixando a experiência desnecessariamente lenta. Isso acaba sendo ainda mais sentido pelo fato de que o jogo usa um sistema de auto-save muito vagaroso ao fim de cada cena. Para piorar a situação, não há nenhuma forma de save manual, então se o jogador não passar por esse ponto, terá que rejogar aquela parte desde o início.
Cada personagem conta com um menu separado dentro do Continue e é possível escolher revisitar qualquer uma das suas cenas até a última desbloqueada. São ao todo dois finais, um ruim e outro bom, para cada interesse romântico dependendo das escolhas feitas. As rotas incluem cinco momentos de decisão e fazer a escolha certa é representado por um ícone de coração. No menu principal, é possível saber se uma cena possui um coração, mas não há nenhum indicador para que o jogador mantenha em mente sua situação atual, sendo ideal voltar ao menu principal em todos os casos de escolha ruim.
Outros elementos estranhos incluem a ausência da tela de toque do Switch como forma de interação e algumas escolhas estranhas de botão. Por exemplo, a confirmação de saída do jogo troca o botão A pelo ZR. Além disso, o Skip não tem restrição para textos não lidos e a útil função de Jump (que permite ir direto para o próximo capítulo) só pode ser usada nas cenas comuns entre todos os personagens a partir da segunda jogatina, o que torna revisitar o jogo desde o início por não saber qual coração está faltando ainda mais inconveniente.
O amor nas pequenas coisas

Dormitory Love é um otome game simples e divertido. Com personagens curiosos, boas atuações de voz e um tom geral de slice-of-life descontraído, a obra tem potencial para ser muito confortável e agradável. Porém, infelizmente, a má tradução para o inglês e a sensação geral de falta de polimento em relação a vários aspectos da experiência de usuário deixam o jogo em uma posição bem desfavorável em relação a outros títulos do gênero, o que é uma pena.
Prós
- História cotidiana confortável com personagens curiosos e divertidos;
- Todos os personagens, incluindo a protagonista e secundários, tem voz que reflete bem suas personalidades;
- Boa quantidade de ilustrações para cada personagem.
Contras:
- A tradução para o inglês conta com vários erros gramaticais e de digitação;
- Animações e transições costumam demorar mais do que deveriam;
- Roteiro conta com cenas que cortam muito abruptamente;
- Interface ruim, muito limitada e com escolhas estranhas de botões em algumas ocasiões;
- Rejogar para fazer outro final de um personagem é demorado, cansativo e frustrante;
- Ausência de save manual;
- Ausência de um indicador permanente para ter certeza do final esperado;
- Volume das vozes desigual em algumas cenas;
- Impossibilidade de usar a tela de toque.
Nota Final:
6
- Visual novels e adventures narrativos notáveis no Switch 2 e Switch em 2026 - 28/01/2026
- Review | Groove Coaster Future Performers - 22/11/2025
- Review | QQQbeats!!! - 01/11/2025
