Desenvolvedora: more8bit
Publicadora: Devolver Digital
Data de lançamento: 08 de junho, 2023
Preço: R$ 32,99
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Devolver Digital.
Revisão: Marcos Vinícius
Muitas discussões de jogos eletrônicos giram ao redor de concepções de gráficos e estilos artísticos utilizados na concepção de uma obra. Para alguns, o hiper realismo é necessidade básica para jogar, fazendo surgir a famigerada corrida de processadores mais potentes para serem capazes de reproduzirem imagens cada vez mais detalhadas. Para outros, o realismo não é o mais interessante, mas sim o estilo, a textura, a arte gráfica em si, muito mais rica por sua pluralidade de possibilidades, não se limitando a reproduzir o real, mas sim criando algo próprio e subjetivo.
Em Bleak Sword DX, somos convidados a interpretar sugestões. Com artes simples criadas a partir de pixels pretos e brancos, tomando um cenário tridimensional igualmente simples, devemos resgatar um reino fantástico das mãos de um tirano, enfrentando legiões de criaturas horrendas, empunhando apenas espada e escudo.
Combate, arenas e progressão
Bleak Sword fora lançado anteriormente em 2019 para Apple Arcade, e finalmente lança agora para consoles e PC em sua versão definitiva. O jogo é pautado em uma sequência de desafios em arenas tridimensionais – dioramas -, onde devemos enfrentar hordas de inimigos com um combate similar aos jogos da franquia Souls: podemos rolar, evitando sermos golpeados, atacar, respeitando o limite de stamina e bloquear ataques com o escudo. Progressivamente, desbloqueamos diferentes fases para buscarmos cristais de energia que possibilitarão a derrocata do tirano que porta a Bleak Sword.
Não gosto de classificar diferentes jogos a partir do rótulo Souls-like, mas francamente tenho dificuldade em não trazer o termo ao jogá-lo. Contudo, a similaridade fica apenas no campo do combate; afinal, em jogos da franquia Souls, a locomoção pelo mapa, desbloqueando passagens secretas e retornando a pontos já explorados, é parte integral da experiência, ao contrário do título em questão. Seguindo sempre uma estrutura arcade, somos apresentados às arenas brutais, muitas vezes sendo esmagados pelos oponentes, mas triunfando sempre de forma recompensadora.

O título conta com um sistema de progressão por level a partir da experiência acumulada em batalhas. A cada level, podemos subir pontos de vida, ataque ou defesa, porém quanto mais forte ficamos ainda mais implacáveis os oponentes se tornam. E ainda, quando morremos duas vezes seguida na mesma arena, perdemos os pontos de experiência, além de itens que podem ser encontrados de forma aleatória ao longo da jornada, sejam ativos ou passivos.
Arte e DX!
Em essência, a obra não é complexa, sendo este um de seus maiores charmes. Em sua simplicidade, estabelece um looping de gameplay satistafório tanto em sessões curtas quanto longas de jogo, refletindo a natureza mobile do jogo original. Entretanto, sabendo ser simples, o título ainda apresenta um estilo artístico que reforça a simplicidade não como defeito, mas como pilar basilar de Design.
Como disse anteriormente, a obra apela à sugestão ao invés de estabelecer personagens com designs complexos e visualmente poluídos. Utilizando apenas o preto e branco, os cenários e as texturas são simples, e os personagens entregam, em seu design, apenas o mínimo para entendermos o que deve ser feito a cada encontro.
O design simples, afinal de contas, possibilita animações mais fluídas, criando movimentos bem telegrafados para entendermos quando devemos defender-nos, atacar ou esquivar. As cutscenes valorizam ainda mais o trabalho de animação, que dá expressividade aos personagens e cria climas de tensão e suspense.

Vale ainda mencionar o que a versão DX adiciona ao pacote original disponível em mobile. Além de trazer todo o conteúdo do jogo base e de suas DLCs, o título adiciona o modo Boss Rush, verdadeiramente implacável, e o modo endless, onde devemos enfrentar uma horda interminável de oponentes com apenas uma vida. O interessante é que, ao criarmos um sabe, podemos optar pelo modo original ou DX, que conta além de tudo com novos layouts de fases.
Conclusão
Mesmo ao me afundar em Bleak Sword DX, percebo que sua grandeza reside exatamente em sua simplicidade. Seguindo seu propósito arcade até o fim, mantém um combate satisfatório por não criar complicações desnecessárias. Seu design simplista cria uma forte sugestão, fazendo-nos aumentar as aventuras em nossas mentes, fazendo-nos projetar intensamente na obra.
Ainda, há variação o suficiente para nunca enjoarmos do sistema, seja em cenários, que variam de pântanos assombrados a masmorras abandonadas, até em momentos de gameplay, especialmente quando podemos montar em nosso cavalo e jogarmos em sessões que giram ao redor da esquiva a partir do controle de velocidade, e não do ritmo do pressionar de botões.

Deixo minha ressalva apenas ao sistema de levels. Decerto, ao ficarmos presos em uma fase, teoricamente poderíamos retornar a arenas antigas para “farmar” experiência, certo? O problema é que, ao desbloquarmos um novo capítulo, os anteriores passam a dar quantidades ínfimas de experiência, trancando-nos logo nas arenas que temos mais dificuldades.
O sistema nos empurra a ideia de praticarmos com aquilo que temos dificuldade ao invés de quebrarmos o sistema de progressão, mas ao meu ver essa mecânica acaba por tornar inútil o acumulo de experiência. Talvez, caso recebêssemos status fixos quando passássemos de certos marcos pela primeira vez, o sistema como um todo poderia ser aprimorado. Ainda assim, especialmente a fãs de combates brutais e impiedosos e de um ritmo frenético de jogo, não há como não recomendar o título.
Prós:
- Estilo visual único e que apela ao sugestivo;
- Combate fluído com animações telegrafáveis;
- Boa variação de cenários e de modos.
Contras:
- O sistema de experiência é frustrante em fases mais elevadas.
Nota Final
8,5
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