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Review | Persona 5 Tactica

Gabriel Marçal 30/11/2023

Desenvolvedora: P Studio
Publicadora: ATLUS
Data de lançamento: 17 de novembro, 2023
Preço: R$ 295,00
Formato: Digital/Físico

Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela ATLUS.

Revisão: Davi Dumont Farace

Um mês atrás eu escrevi uma prévia de Persona 5 Tactica baseado na demo disponível na BGS 2023. Agora, finalmente chegou a hora de ver se as expectativas foram atendidas!

Mas antes, para àqueles que ainda não estão familiarizados, Persona 5 Tactica é um spin-off de Persona 5 situado após o jogo principal, antes de Joker deixar a Leblanc, e se trata de uma visão tática para a franquia Persona expressado tanto no combate como de certa forma na própria estrutura. 

Persona 5 Tactica se passa em uma espécie de realidade cognitiva paralela para onde os Phantom Thieves são “isekaizados” e devem achar uma forma de voltar para casa enquanto auxiliam o povo local em uma revolução. Sem mais demora, vamos analisar o quanto Persona 5 Tactica é revolucionário, afinal. 

Leia também:

Persona 5 se diferencia por simular não só um retrato de uma vida normal, mas também as complexidades das relações sociais e seus traumas.

Se junte a revolução

Acho que do ponto de vista artístico e temático, uma das coisas mais interessantes de Persona 5 Tactica é sua estilização revolucionária com bastante referência à algumas peças soviéticas. Até mesmo o tratamento entre personagens como camaradas deixa bem mais claro essa camada externa política da conotação do jogo.

Como é de se esperar, Persona 5 Tactica não vai tão fundo no tema, mas abraça a superfície dessa ideia. Acho que por fim podia ser mais, porém acho que a mensagem aqui foi alta e clara, então seguimos.

Do ponto de vista da narrativa, a história funciona mais como uma revolução quando você dá atenção às side-quests que forçam em minar defesas inimigas e conquistar vantagens estratégicas algumas vezes, enquanto em outras se curvam apenas a excentricidade e vontade dos carismáticos personagens do cast. 

Side-quests

Estou infelizmente mal acostumado pela indústria de videogames para a ideia limitante de que side-quest é conteúdo repetitivo, às vezes complecionista e feito com menos empenho que as missões principais, algo que Persona 5 Tactica me fez lembrar que não é uma necessidade. 

A maior parte das side-quests do jogo funcionam como situações problemáticas de xadrez, onde o jogador deve atacar ou defender com uma quantidade limitada de movimentos. Aqui tudo isso é ainda mais interessante, pois o jogador é forçado a entender e explorar as mecânicas do jogo para tornar possível a realização das batalhas em questão. 

O combate, tático e Persona

E falando nas mecânicas adotadas nessa aventura tática, o combate de Persona 5 Tactica foi, como de praxe em Persona como um todo, uma das partes mais interessantes da experiência.  

Adotando um novo tipo de combate tático baseado em turnos, a equipe de desenvolvedores da ATLUS conseguiu transpor com perfeição as principais qualidades do combate em turno clássico do Persona 5 vanilla e Persona 5 Royal. As mecânicas de definição mais importantes, como All-Out Attack e One More ganharam adaptações e agora dependem diretamente de posicionamento incorporando de vez o fator tático. 

O All-Out Attack por exemplo, aqui chamado de Triple Threat, depende do posicionamento dos  personagens, compreendendo todos os alvos dentro do triângulo formado pelos personagens. Enquanto o One More depende da cobertura dos inimigos, afastá-los das paredes sendo crucial para o funcionamento do combate. 

Isso dito, não só para o One More do jogador, a cobertura é extremamente importante para a proteção do jogador em não dar turnos extras para o inimigo. Com a possibilidade e habilidades do Persona, tiros, golpes Meelee e até uma espécie de ultimato, o senso de possibilidades aqui é tão amplo quanto no jogo original e dá a impressão de um turno tático mais dinâmico do que veríamos em um Fire Emblem, por exemplo. Tudo isso revestido da já clássica porém ainda tão moderna e densa estilização de Persona 5 tornam a experiência ultra-memorável. 

Persona inventou o Jazz

Brincadeiras a parte, a estilização de Persona 5 ganhou o mundo, e aqui ela traz um novo sopro de vida. 

A estética revolucionária casou perfeitamente com as cores do jogo, e com isso trouxe uma nova energética trilha sonora. A Opening e as músicas cantadas durante a aventura também fazem jus ao legado do jogo original, trazendo toda uma nova lista de músicas para os fãs. 

A maior mudança no entanto, provavelmente se deve à adoção do estilo chibi que traz uma “nova” visão para toda essa dinâmica estabelecida. E a considerei bastante positiva, se apropriando do estilo, os sprites e modelos dos personagens que poderiam ter se aproveitado do tradicional esvaziamento do estilo chibi de simplificar as coisas, ganharam expressões mais caricatas, e uma “cartoonização” geral que traz uma visão mais única e uma nova forma de enxergar esses personagens. 

Phantom Thieves 

O carismático grupo mais amado de Tóquio está de volta tão divertido e bem escrito como sempre!

Uma insegurança eterna dos fãs de uma franquia que recebe um jogo spin-off é a coesão da escrita dos personagens. Muitas vezes os personagens se tornam apenas caricaturas deles mesmos, ou passam a agir de forma que não agiriam, e aqui eu acredito que, embora eles estejam um pouco mais descontraídos e cartoonescos, isso é uma decisão estética e funciona muito bem. 

Em combate, todos os personagens tem suas especificidades amplificadas por uma árvore de talento, enquanto aqui todos eles também conseguem carregar Personas variados, o que era uma característica singular ao protagonista em outras entradas. Além dos Phantom Thieves temos o retorno de Lavenza, assistente da Velvet Room que está completamente reformulada para servir aos moldes da revolução. 

Mas, como trabalho de personagem, acho que os principais destaques vão para Toshiro e Erina, os personagens exclusivos. Enquanto Erina é uma revolucionária nata, Toshiro é mais como um político conservador que lentamente muda sua visão ao entrar em contato com os revolucionários. 

Eu aprendi a gostar dos dois personagens e ambos possuem bons visuais, e a Erina tem um estilo bem único de combate que engrandece a individualidade dela como personagem. 

Não é Royal mas é Persona 5 

Embora Persona 5 Tactica seja uma visão diferente do jogo original, ele ainda traz em essência o que Persona 5 é! 

Com uma história engajante de luta contra a tirania, um combate dinâmico, personagens bem escritos e caricatos, além de uma trilha sonora bem mais que só digna, Persona 5 Táctica é meu sonho molhado para um RPG Tático da série. 

Acho o jogo bem fácil de recomendar para veteranos da franquia, embora infelizmente seja bem pouco inclusivo para novos jogadores, já que considero o senso de rebelião do primeiro bem importante para a contextualização deles na história atual. Ainda assim, Persona 5 Tactica se vende só pelo combate e personagens divertidos, sendo efetivamente bastante viciante. 

Por fim, se você estiver em dúvida, não tenha medo, o jogo é tão Persona 5 quanto qualquer Persona 5 já lançado. 

Prós:

  • Combate divertido e viciante com quests divertidas;
  • Cast dinâmico e uma nova representação dos Phantom Thieves movida pelo estilo chibi;
  • Estética no ponto. À altura das expectativas da franquia.

Contras:

  • Às vezes tem quedas de FPS em alguns menus de carregamento. Não atrapalha em nada mas é estranho.

Nota Final

9

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Gabriel Marçal
Gabriel Marçal
Outrora um herói curioso e gentil, Gabriel vivia no seu própria ritmo pelas suas própria batidas, sempre com um sorriso no rosto e muito amor pelas coisas que jogava e escrevia. Contava suas histórias e opiniões aos 4 ventos em forma de maravilhosas reviews, porém hoje, é um andarilho perdido e obstinado que vaga pelas nada amistosas terras da vida adulta, tentando se encontrar e encontrar seu lugar no mundo, Gabriel só tem uma missão, ser o gatekeeper que trará a vocês o conhecimento de quais jogos merecem ser jogados.
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