Review | FIRESIDE

Desenvolvedora: Emergo Entertainment
Publicadora: Nordcurrent Labs
Gênero: Cozy Game, Aventura Narrativa
Data de lançamento: 18 de junho, 2024
PreçoR$ 39,99
Formato: Digital

Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Nordcurrent Labs.

Revisão: Marcos Vinícius

Dentre viagens, conversas e muito altruísmo, FIRESIDE se propõe a ser um jogo que quer fazer o jogador entrar em contato com seu lado benigno, fazendo o bem às pessoas e formando conexões verdadeiras no processo.

Na pele de Knick, parte-se em uma jornada em busca de um recomeço, barganhando e ajudando os habitantes locais. Almejando ser um bom Cozy Game narrativo, consegue Fireside acertar em executar o que se propõe aos jogadores? Dentre acertos e erros, sim. Tópico a ser melhor elaborado a seguir.

Perder tudo e recomeçar

Começando à partir de um trágico acontecimento, o título da Emergo Entertainment se estabelece como uma jornada de recomeço, após Knick, comerciante muito talentoso, perder tudo ao naufragar em uma ilha desconhecida após uma tempestade. Ao ser salvo pelo povo local, nosso protagonista se vê sem outra escolha a não ser se habituar ao novo ambiente, vivendo aventuras e achar uma maneira de retornar à sua antiga vida.

Descobrindo que tudo aquilo foi causado por uma instabilidade no Nexo Espiritual, Knick agora há de ajudar pessoas para consertá-lo e recomeçar. Viajando por todas as áreas possíveis deste grande local, nosso comerciante negocia recursos com os residentes e também ajuda pessoas no processo, tudo de forma perfeitamente conectada para o propósito final do jogo ser cumprido.

Neste recomeço, aos poucos se conhece um elenco de personagens que olhando pelas aparências, parecem genéricos mas, nunca fiquei tão feliz de estar errado sobre isto.

O que seria de nossa jornada sem um bons companheiros?

Como dito anteriormente, a decisão artística deste game acabou por me dar uma impressão inicial de que os personagens por si só não seriam únicos, nunca me surpreendi tanto sobre estar errado.

No decorrer de suas viagens, a cada noite, ao se fazer amizades em volta de uma fogueira, o elenco principal vai se apresentando, de forma surpreendente. O desenho do jogo os faz parecerem algo sem alma, mas a forma como são escritos, embora longe de extraordinária, consegue fazer com que os mesmos cumpram sua missão como parte da Ilha.

Cada um deles, com dramas muito pessoais, características muito interessantes e também necessidades próprias. Ajudá-los não apenas é necessário para progredir no jogo, mas para apresentar o jogador a lore do ambiente ao qual se convive, com nossos figurantes sendo o núcleo deste aspecto. É fácil notar quais personagens são NPCs primários e secundários, fazendo com que os realmente relevantes sejam poucos, porém, muito bem amarrados pelo roteiro, possuindo uma consistência muito grande neste quesito.

Uma gotinha perdida de sua mãe, uma salamandra que sonha em se tornar um dragão, até mesmo uma capivara em uma Jacuzzi. Muitos destes conceitos de personagens não se consolidam como uma ideia extremamente única a qual irá marcar a memória do jogador eternamente, apenas conseguem executar seu serviço de forma competente  ao nos apresentar ao mundo do game, um worldbuilding pequeno, porém muito bem executado por si só.

Com isto estabelecido, como ajudar os habitantes desta ilha funciona em questão de gameplay e mecânicas?

Fazendo negócios

Possuindo três áreas, viajamos ao redor das mesmas fazendo negócios e no processo conseguindo o que é necessário para ajudar os personagens relevantes e prosseguir a com a narrativa.

Com um número de dias limitados antes de per puxado de volta para o lugar ao qual se conserta o Nexo Espiritual, vai se andando de fogueira em fogueira e assim falando com as pessoas e por fim a mecânica mais importante de FIRESIDE: Barganhar. Dinheiro é uma questão irrelevante ao se fazer comércio neste título, apenas recursos, muitas vezes necessários para figurantes relevantes para a história e não NPCs genéricos como na maioria das vezes.

 Recursos podem usados para melhorar o que há em sua base como: O armazém para guardar itens, os santuários para mandar recursos para a base e aprimoramento de suas casas. Conseguir aprimorar algumas coisas exige uma certa paciência, mesmo que longe de ser inconveniente e injusto com o jogador.

O ato de barganhar funciona muito bem na maioria do jogo, apenas se tornando um processo enjoativo em sua reta final, mais especificamente na última área da ilha. Apesar disto, na grande maioria do jogo é bem divertido o processo, apenas criando pequenos problemas de ritmo no final, como dito anteriormente.

NPCs genéricos e problemas de ritmo no final

O elenco de personagens citado acima são NPCs, porém, não são destes aos quais me refiro mas sim, dos secundários gerados aleatoriamente ao redor dos acampamentos.

Com vários destes estando lá com o intuito de lhe dar pequenos pedaços de lore sobre o mundo de FIRESIDE (não na mesma proporção do elenco principal), eles te dão dicas do que fazer, onde explorar, porém, mesmo ao se resolverem questões as quais eles se referem, os diálogos não mudam e continuam a se repetir, tirando a minha vontade de continuar a conferir os mesmos. Não diria que é um problema que estraga os pontos fortes do game, apenas uma pequena lacuna no potencial que tem.

No final do jogo, repetir o mesmo processo de conseguir os itens se torna um pouco enjoativo, tornando o pequeno trecho maçante. Considero estas questões menores, principalmente por só se tornarem chatas em um pequeno trecho do título, longe de atrapalharem o que FIRESIDE tem de melhor a oferecer.

Um jogo para aquecer seu coração

FIRESIDE é muito competente em ser um jogo leve, ao fazer o jogador relaxar ao ajudar pessoas, com um worldbuilding pequeno e muito bem amarrado, além de personagens muito bons e bem escritos ao cumprirem sua função narrativa. Pequenos problemas de ritmo e NPCs secundários um pouco genéricos atrapalham, longe de ser um empecilho que ofusque os pontos fortes de nosso Cozy Game.

Prós:

  • Elenco interessante e bem escrito;
  • Narrativa muito bem amarrada;
  • Worldbuilding bem feito;
  • Lore bem apresentada;
  • Disponível em PT-BR.

Contras:

  • NPCs secundários com diálogos genéricos que não mudam com o tempo;
  • Pequenos problemas de ritmo ao final do jogo.

Nota:

9