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Review | Animal Well

Animal Well não é uma experiência óbvia. Você pode até esperar algo dele, mas dificilmente encontrará exatamente o que havia imaginado. Em meio a suas perguntas, cria uma experiência tão vívida e profunda que se destaca enquanto algo completamente novo.
Lucas Barreto 07/12/2024

Desenvolvedora: Shared Memory
Publicadora: BIGMODE Games
Gênero: Metroidvania, Puzzle
Data de lançamento: 09 de Maio, 2024
Preço: R$ 74,99
Formato: Digital

Análise feita no Nintendo Switch com cópia adquirida pelo redator.

Revisão: Davi Dumont Farace

Sendo curto e grosso: Animal Well É O JOGO DE 2024. Isso é o que me motiva a escrever essa review.

Lançado em maio, o título não me pegou desprevenido. Já estava acompanhando por trailers seu desenvolvimento, e tinha expectativas moderadas em relação a ele. Esperava um metroidvania sem ênfase em combate, soturno. Ainda assim, fui completamente surpreendido com o produto final.

Dito isso, esse é o momento em que devo dizer que: feita a constatação máxima, você deve salvar esse texto, jogar Animal Well e então retornar para cá. Não vou abordar nada surrealmente oculto do título, mas esse é um favor que você deve fazer a si mesmo. Experimentar esse jogo sem saber o que te espera é algo que não consegue ser reaproveitado.

O Poço

Em uma primeira camada, o título pode ser descrito, de fato, como um Metroidvania sem ênfase em combates. Mas essa descrição limita muito o que experimentamos aqui.

Já de início, somos colocados nesse labirinto inóspito — o fundo de um poço seco — encarnando uma bola meio animal meio vegetal. O mundo desde o princípio parece querer nos devorar, com a câmera bem afastada e os corredores largos. Mas então encontramos um caminho sinuoso, que podemos passar apenas pelo nosso tamanho diminuto. Ouvimos sons distantes de outros animais, uma trilha esparsa, mas opressiva, claustrofóbica. Então passamos pela escuridão, acompanhados sombras em nosso percalço, até encontrarmos um santuário. A música se ameniza, podemos salvar o progresso e respirar aliviado.

É incrível o que vivenciamos nos primeiros minutos de gameplay, mais incrível ainda continuar a experimentar os mesmos sentimentos até seu suposto fim. O desenvolvedor soube mesclar bem dois elementos que não parecem ser compatíveis: o claro-escuro do barroco — a descida ao inferno acompanhada da subida aos céus — com um sentimento de serenidade meditativo, um estado de contemplação do mundo natural.

Animal Well Screenshots and Videos - Kotaku

A partir de então, o jogo se abre. Precisamos coletar quatro orbes espalhados pelo poço. Ao menos, é isso que pensamos. Na verdade, se quisermos acreditar nisso, podemos apenas explorar o vasto mapa, encontrar itens que ajudam na exploração — como um yoyô para apertar botões, um frasco de bolas de sabão para alcançarmos plataformas mais distantes e até um disco de frizbee que nos comporta em sua superfície — encarar um desafio final e depois vêm os créditos. Pronto, fim de jogo. Uma excelente aventura, com bastante conteúdo, diferente, com uma ambientação interessante.

Percepções

Quando eu disse que o jogo se abre, quis dizer de um jeito que, francamente, nunca havia visto. Afinal, existem não só dois ou três finais além do “principal”, mas sim múltiplos, com alguns que, talvez, ainda serão descobertos. Animal Well se abre, na verdade, para uma caça a coelhos e ovos.

Existem literais coelhos a correr pelo mapa, e na jogatina normal você pode esbarrar por algum; até coletar um, com sorte. Junto a eles, existem ovos espalhados em desafios secundários, junto com códigos menos óbvios, itens secretos. Tudo isso ali, visível na superfície, mas completamente opcional. Conforme investigamos percebemos que, na verdade, estávamos apenas na tampa do poço.

Sem entrar em Spoilers, Animal Well brilha pela forma como constrói seus mistérios. Tudo é sugestivo, dos animais à própria gênese do poço. Não há uma linha de diálogo (afinal, são todos animais), e não há necessidade disso. Somos dragados a esse universo pelo conjunto de perguntas que se acumulam, algumas com respostas, mas belas por não serem obrigatórias ou evidentes.

Assim a obra é capaz de construir diferentes percepções a partir do mesmo produto. Assim como um livro, que é cosntruído pela interpretação do leitor a partir do objeto-texto, Animal Well não é apenas uma linha de códigos com assets a decorar-lhe; mas sim um convite à interpretação, com possibilidades de experiências tão singulares que, certamente, não é possível replicar em um o que outro viveu.

Algo Novo a partir do Antigo

Francamanete, não há nada de particularmente novo aqui. A forma como os elementos individuais são organizados que constrói essa obra tão interessante. ARGs em jogos são feitos há um tempo, assim como finais ocultos não podem ser chamados de novidade. Ainda assim, Animal Well apresenta tudo com ar de novo, por ser capaz de reorganizar referências, criando um mundo só seu, com soluções que dependam do jogar coletivo.

Por isso, não há como classificar Animal Well de nenhuma forma se não como a melhor experiência do gênero em 2024.

Prós

  • Puzzles inteligentes;
  • Ambientação e trilha sonora nos colocam como uma luva no avatar jogável;
  • Múltiplos finais enriquecem a obra;
  • Level Design intuitivo e permissivo, atendendo diferentes tipos de jogador e com várias possibilidades de se chegar no mesmo lugar.

Contras:

  • Por vezes o cenário escuro não permite ver a tela da melhor forma, mas em poucos momentos.

Nota Final:

9,5

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Lucas Barreto
Lucas Barreto
Nintendista e escritor nas horas vagas. Estudante de Letras e fã de visual novel e jogos calminhos.
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