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Review | DreadOut Remastered Collection

Kat Oliveira 16/01/2025

Desenvolvedora: Digital Happiness
Publicadora: SOFT SOURCE
Gênero: Terror, Sobrenatural, Coletânea
Data de lançamento: 16 de janeiro de 2025
Preço: R$ 170,00
Formato: Digital

Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela SOFT SOURCE.

Revisão: Davi Dumont Farace


DreadOut é um jogo de horror sobrenatural criado pela desenvolvedora indonésia Digital Happiness. Originalmente lançado em 2014 para PC, DreadOut recebeu um relançamento remasterizado em Janeiro de 2025 para as plataformas atuais, incluindo o Nintendo Switch. A coletânea contém o primeiro jogo da série, DreadOut, e o stand alone DreadOut: Keepers of the Dark, que funciona basicamente como uma expansão do primeiro jogo, situando-se cronologicamente na metade da saga original com a mesma protagonista, atuando como uma espécie de capítulo extra da história principal da primeira aventura sombria.

DreadOut acabou vendo relativo sucesso devido ao boom de jogos de terror que estava acontecendo na época do seu lançamento. O jogo foi bem sucedido especialmente em seu país de origem, chegando a ganhar até mesmo uma adaptação em live-action e posteriormente algumas sequências.

O mundo sob novas lentes

Em DreadOut acompanhamos a jovem Linda em uma excursão escolar com sua professora Siska e seus colegas de classe Shelly, Yanyan, Doni e sua melhor amiga Ira. Durante a viagem, o grupo se depara com uma estrada interditada que leva até uma cidade abandonada. Eles decidem explorar o lugar, mas acabam ficando presos em uma escola quando a noite chega. Linda, então, se encontra sozinha, acompanhada apenas de seu smartphone em uma cidade escura e abandonada. A partir disso, não demora muito para coisas sobrenaturais começarem a acontecer ao redor da garota.

DreadOut, no geral, sofre um pouco com a sua escrita. Parte desse problema se dá devido ao fato de que o jogo não desenvolve nem um pouco seus personagens – todos eles se resumem a um amálgama de estereótipos apresentados em um espaço de tempo que dificilmente soma mais de 15 minutos. Um exemplo disso é Ira, a melhor amiga de Linda. O jogo tenta fazer com que o jogador se importe com aquela garota de alguma forma, tentando explorar a proximidade das duas em um momento crucial da história, mas sem apresentar quase nenhum contexto para isso.

A grande maioria dos espíritos de DreadOut são parte do folclore da Indonésia. O jogo também chega a referenciar elementos de mitologia chinesa, como a deusa Nuwa. DreadOut não se esforça muito para explicar sua história, optando por contá-la através de anotações e registros antigos encontrados na jornada. Apesar de tudo, o jogo ainda não se faz muito claro, o que pode fazer com que grande parte dos jogadores acabem precisando de alguma muleta para guiar sua experiência com a narrativa do jogo, isto é, um certo conhecimento do folclore da Indonésia, que não necessariamente está no jogo, acaba sendo crucial para o entendimento total da história. Por conta disso, a obra acaba alienando boa parte dos seus jogadores, mas ao mesmo tempo pode incentivá-los a buscar um pouco mais a respeito de uma cultura que não são familiarizados, o que é sempre algo bom.

Explorando a cidade abandonada

Aqueles que são familiares com o gameplay de Fatal Frame se sentirão em casa com DreadOut. A jogabilidade é bem simples – Linda pode andar, correr, interagir com objetos específicos no mapa como portas, pegar itens chave no chão e ligar e desligar a câmera e o flash do celular. Toda a parte mecânica do jogo é realizada a partir da câmera, e é a forma com que Linda enfrenta os espíritos malignos e resolve alguns puzzles envolvendo passagens secretas e espíritos que só são visíveis através da lente do celular.

Apesar de possuir uma barra de bateria no canto superior da tela do aparelho, esse é um aspecto do jogo que jogadores não precisarão se preocupar de forma alguma, considerando que a bateria de fato vai diminuindo com o tempo, mas está mais atrelado à progressão da história do que com uma suposta mecânica de economizar bateria que não existe no jogo.


DreadOut não é um jogo muito comprido, sendo dividido em atos 0, 1 e 2, que demoram cerca de cerca de 2 horas no máximo para serem finalizados. Mesmo assim, o jogo parece esgotar as suas ideias muito rapidamente. DreadOut sem dúvidas tem puzzles criativos e passagens muito interessantes com encontros com espíritos que elevam o combate contra estes, mas que infelizmente acabam se afogando em um mar de objetivos clichês e mal executados do gênero, como chegar em uma área com uma porta fechada, andar um pouco, encontrar uma chave em um canto e usá-la para abrir a passagem e progredir.

O capítulo zero de DreadOut, que no seu lançamento original funcionava como uma demo do jogo, é possivelmente uma de suas melhores partes. O level design é mais conciso e faz uso, até que interessante, de todas as mecânicas apresentadas, como se fosse um resumo de tudo que o jogo vai mostrar mecanicamente nos demais capítulos.

Algumas coisas não se encaixam

Um recurso muito utilizado para causar tensão em jogos de terror é dar ao jogador a sensação de estar controlando um personagem indefeso, que não é muito ágil ou bom em qualquer forma de combate, e para que isso funcione é necessário que o jogo conheça seus pontos fortes e fracos com o intuito de saber o que priorizar. No entanto, DreadOut acaba tropeçando até demais em praticamente todos os aspectos que o constituam em sua totalidade. Os controles são extremamente frustrantes e pouco responsivos, o combate é extremamente desbalanceado, especialmente em algumas lutas contra chefes em que o inimigo pode simplesmente prender o jogador deixando-o em stun lock até sua morte.

Outra coisa que também não ajuda o jogo é o fato de que ele possui telas de carregamento muito demoradas, o que torna a experiência de morrer e voltar para repetir uma batalha bastante irritante. Todos esses defeitos atrapalham muito a experiência do que poderia ser um jogo interessante, caso o mesmo decidisse focar em suas qualidades ou tivesse um pouco mais de balanceamento para tentar amenizar o sentimento de frustração constante de morrer de maneira injusta.

Temos Fatal Frame em casa

No fim das contas, DreadOut acaba se tornando um exemplo prático muito bom de como não se deve abordar um jogo de terror. Por mais que haja força de vontade somada a ideias interessantes, o gameplay extremamente truncado repleto de problemas de design e a história mal contada podem levar um jogo que possui boas referências à ruína. Uma vez que o jogo se torna frustrante, ele deixa de ser assustador, fazendo com que toda a atmosfera de terror vá por água abaixo, e como DreadOut não parece se dispor a ser muito mais do que isso, acaba sobrando apenas uma experiência vazia que é no máximo um cemitério daquilo que poderia ser.

Prós

  • Referências interessantes ao folclore indonésio.

Contras:

  • Gameplay extremamente travada;
  • Telas de carregamento extremamente demoradas;
  • Personagens mal trabalhados;
  • História ruim e mal explicada.

Nota Final:

5

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Kat Oliveira
Kat Oliveira
Fã de consoles portáteis, livros e fones de ouvidos. Dentre os seus principais interesses estão artes em geral, jogos japoneses e todo tipo de RPG. Seu coração mora em Faerûn e Ivalice.
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