Review | Gal Metal
Desenvolvedora: DMM Games
Publicadora: XSEED Games
Gênero: Ritmo, Simulação
Data de lançamento: 30 de outubro de 2018
Preço: US$19.99 (Não está na eShop brasileira)
Formato: Físico/Digital
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela XSEED Games
Revisão: Manuela Feitosa
Gal Metal é um curioso jogo no qual temos que aprender a tocar bateria para salvar o mundo de aliens. A obra faz uma curiosa mistura de desafio rítmico com uma história em quadrinhos e um sistema de simulação focado em aumentar os atributos da nossa protagonista, conseguindo de forma geral equilibrar a acessibilidade de entrada com a profundidade que valoriza o esforço do jogador.
As garotas do metal pesado

Tudo começa em uma noite comum: enquanto andava de bicicleta, um jovem rapaz é abordado por alienígenas com formato de polvo que fazem com que ele e uma garota nas proximidades sejam fundidos em um único corpo. No dia seguinte, é hora de ir pra escola e tentar fingir normalidade, mas os aliens atacam os humanos e te desafiam para um duelo. A sua arma contra eles é tocar metal, que, por algum motivo, é tratado como algo muito poderoso e os força a recuar.
Acho que nem preciso dizer que o jogo não se leva a sério, né? A obra como um todo é uma grande comédia, sabe disso e faz algo genuinamente engraçado com o total nonsense da situação. Isso transparece por todos os pontos do jogo, cuja história é contada em formato de quadrinhos e usa um estilo artístico mais cartunesco que remete a mangás de comédia e tirinhas 4-koma. Extremamente colorido e com traços simples, a escolha é muito acertada para dar ao jogo o tom mais cômico desejado.

Antes de entrar na parte rítmica da coisa, é interessante notar que o jogo conta com uma parte de aventura textual bem rica. Além dos quadrinhos, temos sequências de interação via smartphone em que o clube manda mensagens sobre tópicos cotidianos, tipo ir ao cinema ou se acreditam em aliens. Nelas, podemos escolher como reagir em algumas ocasiões e isso pode mudar os encontros que temos depois no mapa do jogo.
Gal Metal é em parte um simulador de cotidiano no qual podemos usar o nosso tempo para realizar várias atividades que servem para fortalecer a nossa relação com as colegas de banda, liberando histórias opcionais sobre elas, e melhorar nossos atributos. Como nosso protagonista é um novato total no corpo de uma metaleira, começamos em níveis abismais nos cinco valores que aumentam o nosso desempenho: Morality, Kvlt, Guts, Activity e Passion.

A ideia de cada um desses atributos é associada a aspectos diferentes da nossa performance. Por exemplo, se o jogador é melhor em simplesmente seguir o ritmo sem erros, Morality é um bom investimento, já que aumenta os pontos bônus associados a isso. Já jogadores mais criativos em seu estilo devem investir mais em Activity (associado a alternar bastante e fazer combos elaborados) ou Kvlt (associado a encontrar os ritmos secretos das músicas). Já Guts e Passion estão relacionados a reduzir as interferências dos alienígenas, que ocasionalmente atrapalham nossas performances, fazendo com que, por exemplo, fiquemos temporariamente incapazes de escutar o resto da banda.
Ao final, com um bom planejamento, não é difícil alcançar o valor máximo (99) para múltiplos atributos até o final do jogo. Pessoalmente fiz questão de deixar Guts e Passion mais baixo e focar mais em Morality porque acertar o timing mesmo que fazendo uma batida menos criativa é a forma mais fácil de jogar. Além disso, vale destacar que na prática o modo história não está tão preocupado em desafiar o jogador e sim em servir como uma base para aprender a jogar. Não é nem um pouco difícil conseguir os pontos necessários para avançar a trama… mas jogar realmente bem demanda bem mais esforço, como a avaliação em ranking e o modo livre no menu inicial mostram com clareza.
Entrando na performance

Em Gal Metal, nosso foco é um tanto diferente do usual de jogos de ritmo. Em geral, o foco de obras do tipo envolve seguir a melodia de forma direta, tocando as “notas” de forma precisa ao apertar os botões. Mas, quando pensamos na perspectiva de uma performance real, isso significa não ter a maleabilidade criativa para de fato estar no controle da música.
Pensando nisso, Gal Metal nos coloca no papel de uma baterista e nos deixa “livres” para executar os movimentos do nosso jeito. Honestamente, como alguém que já tocou vários instrumentos de sopro e corda apenas na infância, mas nunca encostou em um de percussão, o processo de me desvincular da melodia para pensar em uma outra lógica de ritmo foi especialmente agoniante e Gal Metal infelizmente não faz um bom trabalho de explicar os seus mecanismos.

Porém, aos poucos a confusão dá lugar a um formato muito especial no processo. Para de fato conseguir aproveitar o jogo, minha recomendação é que o jogador dedique um tempo para entender como funciona o ritmo das batidas e como isso se diferencia da melodia. Existem modos de treinamento tanto no menu inicial quanto como forma de gastar um pouco do tempo no modo história (o que não é aconselhável, já que não aumenta os atributos, mas pode ser utilizado salvando antes para depois dar load).
Uma grande sacada de Gal Metal é que ele usa os Joy-Con como uma simulação das baquetas, mas esse é apenas um dos modos de controle. Se o jogador quiser, é possível usar os botões ou a tela de toque também, mas só é possível mudar o esquema de controle no menu de configurações enquanto não estamos dentro do trecho rítmico. Isso infelizmente pode ser um fator negativo, já que não dá para alterar nem mesmo na tela inicial antes de começar o desafio de fato.
No ritmo do batidão

Simplificando bastante, todas as músicas são performadas em função de um compasso de quatro tempos e precisamos usar isso para nos guiar na música. As nossas “manobras” com a bateria dentro desse compasso devem seguir regras especiais para poder entrar em um dos movimentos registrados do jogo e assim nos render mais pontos.
Embora seja possível fazer todos os movimentos a qualquer momento, o jogo nos introduz a apenas duas manobras inicialmente: Harlot e EnterSand. Eles são os formatos mais básicos de batida, envolvendo apenas seguir esse ritmo de quatro tempos com uma batida, sendo usado apenas um lado para Harlot ou alternando entre os dois para EnterSand.

No sistema de prática (que pode ser feito solo para aprender com mais calma ou em grupo para ir do início ao fim da música sem interrupções), é possível visualizar os ritmos em um esquema de 16 “notas” divididas em quatro tempos. A ideia é que usar o controle direito é indicado com círculos de cor laranja e o esquerdo com os azulados e os espaços entre eles ficam vazios. Uma coisa que o jogo não explica é que a lógica pode ser invertida se for mais conveniente para o jogador e, assim, há variações do mesmo movimento que podem ser mais simples, por exemplo, para pessoas canhotas.
Mais manobras podem ser desbloqueadas com o tempo, seja avançando na história ou por executá-las durante as performances sem querer. Com o tempo, esses movimentos criam uma vasta gama de opções e o jogador ainda pode criar 12 movimentos adicionais para valorizar outras manobras que goste de usar.

Durante a performance em si, as avaliações levam em conta a nossa capacidade de seguir bem o ritmo, brincar com a alternância de ritmos, fazer uma composição harmoniosa, entre outras coisas. É uma experiência difícil, mas muito recompensadora quando o jogador finalmente consegue encadear bem os movimentos e evitar os “Rudiments” (batidas erradas que não compõem nenhuma manobra).
É hora do show

Gal Metal é um jogo de ritmo que exige esforço do jogador, mas o recompensa em igual medida com uma forma estilosa de liberdade musical. Junto com uma experiência narrativa slice-of-life nonsense divertida em formato de simulador cotidiano, o jogo é realmente algo único no mercado e uma proposta fantástica que só faz sentido no Switch.
Pros:
- O desafio rítmico de aprender as manobras e conseguir executá-las para concluir um show curto consegue ser exigente e igualmente valorizar a criatividade do jogador;
- O sistema de prática é muito útil para entender a lógica do jogo;
- História nonsense extremamente engraçada e divertida;
- Visualmente colorido e com traço simples que remete a mangás de comédia/4-koma;
- O sistema de simulação cotidiana ajuda o jogador a conhecer as personagens e se divertir ainda mais com suas histórias.
Contras:
- O jogo falha em apresentar com clareza o funcionamento da gameplay, deixando novatos confusos;
- Impossibilidade de mudar o esquema de controles na tela inicial das músicas.
Nota
9
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