Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Polychroma Games
Maximum Entertainment
26 de junho, 2025
R$ 106,99
Digital
Aventura Narrativa
Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Desenvolvedora: Polychroma Games
Publicadora: Maximum Entertainment
Gênero: Aventura Narrativa
Data de lançamento: 26 de junho, 2025
Preço: R$ 106,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Maximum Entertainment.
Revisão: Manuela Feitosa
Eu tenho muito do que falar sobre Until Then. Teorizo no começo desse texto que talvez seja a maior análise em meu repertório. Tenho muitas palavras para descrever ele, mas acho que a melhor qualificação que posso dar a ele é: marcante.
Esse é o tipo de jogo que quando você termina fica um silêncio esquisito, tentando processar toda a jornada do jogador até aquele ponto e o impacto que ele te causou no emocional. Ele aproveita a mídia do qual foi produzido para passar uma história emocionante, engraçada, com personagens marcantes e momentos de história tão fortes que podem gerar momentos de discussão por horas e horas.
Por práxis de reviews de jogos que envolvem temas mais adultos ou chocantes, aviso que Until Then trata de assuntos fortes e que podem ser desconfortáveis para parte do público. Ele os discute com elegância e respeito, mas sempre é importante tomar conta de si mesmo antes de entrar de cabeça em uma história assim.

Bem vindo às Filipinas
Somos Mark Borja, um estudante sem muita determinação ou ambição, que gasta seu dinheiro e tempo com jogos e negligencia suas tarefas ou futuro. Acordamos Mark da forma mais criativa que eu já vi num videogame de começar sua história. Pelo quarto do Mark e suas interações no começo do dia descobrimos que ele é desleixado, mora sozinho, já que seus pais trabalham no exterior, e tem um interesse em piano, apesar de não ser muito bom. Nos preparamos para o colégio em mais uma manhã do qual o Mark aponta não ter nada fora do usual ou empolgante.
Interagimos o suficiente nesse momento para ser um jogo com foco total na narrativa mas ainda nos sentimos imersos e no controle dessa história. Saímos pelas ruas das Filipinas, onde o jogo representa de forma bela a feiura do ambiente pobre de um país em desenvolvimento. Houve um momento de empatia entre eu e o protagonista nesse ponto, viver uma vida normal já acostumado com tudo ao redor não ser nada atraente.

Mesmo representando um ambiente que é para ser tratado como feio, tudo tem tanta vida e animação, com os personagens tendo muitas animações de descanso, como se sempre estivessem respirando bastante, animações fluídas nas caminhada dos personagens e cheio de pessoas, em um centro urbano.
Chegamos na estação de trem, compramos nossa passagem, escolhemos a estação e esperamos o metrô. Tudo isso não é uma cutscene, o jogador interage com o cenário, ele clica no painel para comprar o bilhete do metrô, ele que escolhe a estação e ele caminha até o lugar. Não é exatamente aberto pra escolher não fazer alguma dessas ações, mas isso não diminui a imersão do jogador ao controlar Mark pela cidade.
Ao esperar o metrô, fazemos o que todo jovem adolescente com acesso a smartphone faz, olhamos nossas redes sociais e conversamos com nossos amigos. O jogo cria um feed fictício, do qual você pode interagir, curtir, compartilhar e, em certas postagens, comentar. Alguns personagens até comentam se você curtir ou compartilhar alguma postagem. É uma maneira muito interessante de conhecer os interesses e as pessoas que circulam a vida de Mark, e também, como ele leva a própria vida. A história acontece tanto nesses momentos quanto em qualquer outro diálogo entre personagens ou eventos acontecendo em tela.
A outra interação que Mark tem em seu celular é trocar mensagens com seus conhecidos. Geralmente serão dadas algumas opções ao jogador sobre como ele quer falar com os personagens. Como o Mark interage com os amigos dele são, em grande parte, escolha do jogador, apesar de muitas não mudarem exatamente o rumo da história, ainda é mais um elemento que leva o jogador ao mundo do jogo.
Além disso, há vários minigames que aparecem com frequência, em grande parte inconsequentes para o progresso do jogo, mas como parte da diversão dos personagens ou de eventos da história. Muitos acontecem apenas uma vez e nunca mais retornam, pois só se encaixam naquele momento. Eles variam bastante de qualidade, mas acabam servindo como quebra gelos.

O jogo te imersa na vida do protagonista de muitas formas, uma forma de se simpatizar com um personagem de uma forma que só um videogame pode fazer, vivendo na pele dele, fazendo o que ele gosta e interagindo com o círculo dele. Se tratando de uma história dramática, se colocar no lugar do protagonista é uma forma de garantir que o jogador sinta as emoções que ele deve sentir.
Bons amigos
Mark é uma pessoa rodeada por bons amigos, e muitos desses personagens ficarão marcados no coração do jogador, relembrando desde as mais simples interações até as mais impactantes.
Temos um protagonista excelente para começar, com seu desleixo e senso de humor que colocam ele em posições complicadas, mas no fundo tem o potencial de ser um ótimo aluno, se apenas colocasse o esforço em qualquer momento.
A segunda personagem mais presente do jogo é Cath, uma jovem garota que adora macacões de manga longa, de usar um band-aid em seu nariz e uma grande queda por garotas. A melhor amiga de Mark. A química entre esses dois é um dos pontos mais fortes de todo o jogo, é possível ver com o tempo o carinho que eles têm um pelo outro, ambos querem ver o outro ser feliz, e querem mantê-los por perto. Eles também são os protagonistas das cenas mais engraçadas e emocionantes do jogo.

Há também Ridel, o amigo ausente, um personagem propositalmente feito para não participar de forma ativa na história, os personagens falam sobre ele como um amigo do qual eles perderam contato. Ele não está presente no jogo, apesar de ser considerado o segundo melhor amigo de Mark e Cath, ele nunca está por perto, e quando está não é completamente. Por consequência, acaba sendo um dos personagens mais apagados na narrativa, mas ao mesmo tempo, sua ausência é sempre levantada, tornando-o consistente, de forma paradoxal.

Servindo como núcleo de mistério da história, Louise é a presidente de classe e modelo da escola. Mark e ela conversam sobre ocorrências estranhas na memória e no desaparecimento de algumas pessoas quando uma chuva acontece. Felizmente a personagem não serve apenas para diálogo expositivo, e é mais uma personagem carismática do jogo.
Posso continuar elogiando vários outros personagens do jogo, com o passar da história dá a imaginar que o núcleo se fechou, mas ele introduz mais personagens que conquistam o jogador tão rápido quanto os mais presentes no resto da história.
Alguns tropeços
Eu espero que eu tenha conseguido explicar o quanto Until Then é um prato cheio. Infelizmente ele não está isento de algumas críticas.
A mesma imersão que faz o jogo ser tão especial quanto é, às vezes faz ele se tornar maçante, com minigames que podem ser insuportáveis. Pela natureza simples do jogo, essa tentativa de tentar colocar vários tipos de jogos como bônus acaba fazendo com que eles variem muito de qualidade. Nos piores pontos, eles são intrusivos, atrapalhando o fluxo da história para uma jogatina pouco empolgante.
Quando se trata da interação com os objetos ou cenários, o jogo utiliza de um cursor interno, controlado pelos analógicos do controle. A zona morta desse cursor é péssima, ele sempre alterna entre velocidade alta até demais e não rápido o suficiente. Em momentos ele pede para que o jogador toque em botões pequenos, e isso se torna uma tarefa hercúlea.

Apesar de ter a música como um elemento importante da história, a trilha sonora não vai nada além de um piano melancólico. Não é ruim, mas funciona de forma mais ideal apenas nos momentos mais emotivos, nos momentos mais cômicos ou relaxados ela acaba sendo só som de fundo.
A motivação
Não pretendo falar muito da trama em si nesta análise, por mais que ela recompense paciência, jogadores mais ansiosos não iriam se atrair pelo jogo como um simples slice of life.
É uma história sobre encontrar motivação mais uma vez, sobre encontrar um brilho para tomar as ações que você amou um dia e que não tem mais paciência para fazer hoje em dia. Para qualquer um que já trabalhou com qualquer forma de criação sabe que isso é um dilema do qual todos irão passar. Esses estímulos podem vir de qualquer coisa ou lugar.

Em Until Then, esse é o papel dos personagens para uns aos outros, e de forma indireta esse jogo acaba sendo isso ao jogador, é uma história inspiradora, principalmente ao levar em consideração as circunstâncias pelas quais os personagens principais passam, mas ainda tem a determinação de seguir em frente.
Imersivo e emocionante
Esse é o tipo de jogo em que é difícil fazer justiça no boca-a-boca, e não sei o quanta boa fé tenho como analista para convencer você a jogar este jogo, só posso prometer que se você gosta de histórias emocionantes, com temáticas mais fortes, Until Then é espetacular.
É uma história que vai te abalar, vai te cutucar onde mais dói, mas é uma história com muita paixão, uma história sincera e que toma seu tempo para desenvolver as dores e amores. É um melodrama, mas não se pode viver apenas de empolgação e explosões.
Com poucos tropeços, que são negligenciáveis até certo ponto, é um pacote completo, com uma história imersiva e que utiliza a mídia do qual foi produzida para contá-la de forma diferente de tudo que poderia ser visto em uma animação ou livro tradicional. Esse é um dos que ficará em minha memória como um dos mais espetaculares.
Pros:
- História imersiva e emocionante;
- Variedade de gameplay;
- Imersivo.
Contras:
- Trilha sonora fraca;
- Minigames até demais.
Nota
9
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