Desenvolvedora:
Publicadora:
lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Studio LaLaLa
FURYU Corporation
03 de setembro, 2025
R$ 41,99
Digital
Simulação | ASMR
Nintendo Switch, PC
Desenvolvedora: Studio LaLaLa
Publicadora: FURYU Corporation
Gênero: Simulação | ASMR
Data de lançamento: 03 de setembro, 2025
Preço: R$ 41,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela FURYU Corporation.
Revisão: Manuela Feitosa
Kemono Teatime é um jogo desenvolvido pela Kotoneiro e Studio LaLaLa, publicado pela FURYU Corporation. O jogo mistura elementos de simulação de um café com elementos de visual novel e ASMR, propondo-se a contar uma história aconchegante mas com algumas reviravoltas um tanto inesperadas.
Doces e chá para ajudar a superar

Kemono Teatime conta a história das irmãs Tarte e Macaron administrando o Cafe K situado na comunidade de La Bete, onde kemonomimis vivem harmoniosamente. Macaron adora cozinhar e nutre um gosto natural por doces, enquanto Tarte fica responsável por fazer chás para os clientes. Ambas possuem personalidades completamente diferentes entre si mas existe uma característica que as diferencia drasticamente. Acontece que enquanto Tarte é uma humana comum, Macaron é uma kemonomimi, possuindo característica de gatos como orelhas e as vezes olhos, o que não é algo incomum em La Bete — inclusive, nesta comunidade, humanos são mais raros do que kemonomimis.
Trabalhando no Cafe K, Tarte e Macaron vão conhecer os mais diversos kemonomimis, simpatizando com suas histórias, ouvindo seus empecilhos de vida e preparando os chás que irão ajudá-los a encarar as situações que os afligem; tudo isso acompanhado por lindos visuais, uma pixel arte crocante e uma trilha sonora hip-hop lo-fi relaxante para acalmar os nervos de qualquer um.

É seguro dizer que toda a parte artística de Kemono Teatime é a sua alma e coração, visto que o jogo não tem muita substância no quesito história ou gameplay, dessa forma se apoiando fortemente no aspecto mais cozy game da coisa. Isto é, ele oferece um nível de desafio muito básico e uma história que dificilmente vai entregar alguma reviravolta dramática, funcionando muito mais como um recorte da vida dessas personagens e uma experiência confortável e relaxante, mesmo que o mesmo chegue a abordar temas pesados de vez em quando.
Não que isso seja algo negativo de forma alguma, mas o que pode trazer um certo nível de confusão nos jogadores é como o jogo se vende como algo, flerta com a possibilidade de entregar outra coisa, cria essa expectativa mas no fim das contas, mantém-se fiel ao que se diz ser a primeira instância. Ao mesmo tempo que Kemono Teatime mostrou-se uma decepção para mim, pensando em retrospecto acabou sendo uma surpresa agradável, uma experiência satisfatória dado o que o jogo se propõe que foi crescendo em mim conforme ele foi passando.
Desta forma, acredito que seja importante que o jogador chegue com suas expectativas alinhadas, o jogo nunca vai quebrar as expectativas e criar um contraste muito drástico entre luz e sombra como em Omori e Doki Doki Literature Club — jogos aparentemente fofinhos mas que vêm com um twist macabro e chocante. No fim das contas, o grande trunfo de Kemono Teatime é como vai abordar seus temas pesados com sutileza e naturalidade, da mesma como aparece aqui e ali na vida real e que de certa forma não podemos escapar. Não é de interesse narrativo alienar o jogador para as coisas ruins do mundo e oferecer um escapismo completamente raso.
A ascensão e queda dos Kemonomimis
Se o design de personagem parece familiar de alguma forma é porque foram feitos por NOCO, conhecido por fornecer as artes de Atelier Sophie ~The Alchemist of the Mysterious Book~. É difícil separar a arte do gameplay do jogo, considerando que parte do que faz com que o jogador fique em Kemono Teatime é o quanto o jogador achará as artes bonitinhas e o design de personagens fofo — visto que a jogabilidade existe muito pra dar um gostinho a mais diferente do que servir a sua narrativa e o clima do jogo.
Kemono Teatime, como um todo, dá um show nesse departamento. As artes em pixel são crocantes e bem animadas, o design de personagens é variado e consistente, os cenários e a trilha sonora compõem muito bem todo o tom do jogo. O jogo também ganha muito em sua simplicidade, a interface apesar de simples é intuitiva e combina bem com a estética apresentada, sem sacrificar muito a utilidade em prol de um visual impactante — tudo no jogo é extremamente intuitivo.

O ciclo de jogo de Kemono Teatime consiste em basicamente ler cenas em um estilo visual novel, responder perguntas e indagações dos personagens. Estas questões possuem tempo limitado para selecionar entre duas opções de resposta, dada a resposta correta o jogador poderá aumentar seu nível de amizade com o respectivo personagem.
Entre os momentos de diálogo o jogo também oferece uma espécie de minigame de chá, que consiste basicamente em selecionar os ingredientes solicitados para fazer o chá ideal para o cliente. É uma mecânica bem simples e que serve muito mais para dar uma quebra nos textos e oferecer uma camada a mais de jogabilidade pro jogo, visto que a única consequência para o resto do jogo é que ao fazer o chá ideal, o jogador ganha mais pontos de amizade com o personagem em questão.


O problema se dá a partir do fato de que nem sempre todos os ingredientes requisitados estarão disponíveis e o jogo carece de uma opção de simplesmente retornar algo do tipo “não podemos servir isso no momento, você deseja alguma coisa que esteja no cardápio?”. Então, desta forma, sempre acaba parecendo que Tarte fez o chá errado, mas os personagens nunca parecem se importar com isso e sempre acham tudo uma delicia — caso decepcionar um amontoado de pixels numa tela seja uma preocupação sua, este jogo é bem seguro nesse aspecto.
De qualquer maneira, Kemono Teatime não chega a apresentar um estado de falha em momento algum, mas uma run marcada por escolha de diálogos e chás preparados errados pode levar o jogador a chegar no final ruim ou neutro, na conclusão dos 21 dias em que a história se passa. Como um todo, o aspecto de administração e simulação é bem básico. A única dificuldade que o jogo oferece de fato vem do fator aleatoriedade e exige que o jogador meio que “preveja o futuro” em uma primeira jogada às cegas. Isso não chegaria a ser um problema se o jogo fosse um pouco mais curto, depois de um certo tempo, o loop de gameplay começa a ficar enjoativo por conta da falta de variedade e progressão.
Logo nos primeiros dias após a abertura do Cafe K, Tarte e Macaron conhecem Quiche, uma kemonomimi lobo em busca de um lugar para acampar, visto que a mesma não possui uma casa ou qualquer teto para abrigar-se. É nesse cenário que as duas irmãs a oferecem estadia no café enquanto Quiche oferece um entre três de seus produtos aparentemente aleatórios por dia como forma de pagamento. Estes produtos podem variar desde ervas para chás até alguns colecionáveis que não tem muita utilidade in game. Não somente Quiche, mas Scone também vai oferecer itens e ingredientes frequentemente que podem ser comprados e utilizados por Tarte para fazer novos doces.


Algumas dessas ervas que Quiche oferece vão ser solicitadas pelos personagens futuramente. Desta forma o jogador precisa meio que prever o que poderá ser solicitado no futuro. Por exemplo: se estivermos perto de uma frente fria, talvez uma erva que aqueça o corpo se torne popular; ou dado o estado mental de personagem x, talvez ele peça em algum momento uma erva com propriedades que melhoram dor de cabeças, e por ai vai. As vezes acontece até mesmo de alguns clientes pedirem ingredientes que nem sequer apareceram para aquisição ainda, o que dá brecha para momentos do tipo: “Olha, finalmente aquela erva que personagem x vive pedindo”.
O caminho de toda a carne

Kemono Teatime é um daqueles jogos que é difícil elaborar sobre sem dar spoilers. Parte da experiência exige um certo nível de choque com os temas que o jogo decide abordar e posteriormente, a naturalidade com que segue lidando com isso. Apesar de tudo, o jogo ainda merece o estigma de cozy game, e um dos bons, visto que não oferece somente uma história vazia e de fato tem algo interessante a dizer.
Prós:
- Ambientação e clima aconchegantes e imersivos;
- É muito mais profundo do que aparenta;
- Lida bem com temas pesados.
Contras:
- Gameplay raso demais;
- As vezes pode ser entediante.
Nota
8,5
