Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Implicit Conversions
XSEED Games
09 de dezembro, 2025
R$ 59,99
Digital
Casual | Simulação, Minigames
Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Desenvolvedora: Implicit Conversions
Publicadora: XSEED Games
Gênero: Casual | Simulação, Minigames
Data de lançamento: 09 de dezembro, 2025
Preço: R$ 59,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela XSEED Games.
Revisão: Davi Sousa
Você já sonhou, quando criança, em trabalhar por diversão e se sustentar tendo que realizar tarefas de casa de maneira completamente independente e sem a ajuda de ninguém? Não? Em Milano’s Odd Job Collection, é proporcionada ao jogador essa experiência possivelmente única e individual na qual Milano, uma jovem de 11 anos, se depara com a chance imperdível de passar suas férias de verão tendo múltiplos empregos e responsabilidades adultas.
Diferentemente das outras crianças, Milano encara isso como a oportunidade perfeita de se provar para os pais como sendo uma criança independente e esperta, e acaba se divertindo no processo. Mas será que a diversão em trabalhar todo dia em vários lugares diferentes da cidade durante as férias acaba sendo passada pro jogador? Spoiler: a resposta é sim.
Lançado pela primeira vez pro PS1 em 1999, Milano’s Odd Job Collection era um dos inúmeros jogos que nunca haviam saído do Japão e que conquistaram um pequeno grupo de fãs cult no Ocidente, mesmo apresentando uma premissa simples. Graças à Implicit Conversions, que apresenta um catálogo focado nos jogos retrô e na premissa de trazer nostalgia pros consoles modernos, e à HilltopWorks — notoriamente conhecida por traduzir pro inglês gemas subestimadas como Boku no Natsuyasumi 2 —, finalmente podemos usufruir do jogo, que apresenta, em sua nova versão, várias melhorias e adições.
A minha filha tem 8 empregos

A história do jogo se passa em um verão onde Milano, uma criança de 11 anos que está de férias, acaba sendo deixada na casa do tio porque sua mãe precisa ir ao hospital para ter um bebê, enquanto seu pai está ocupado demais trabalhando. Ao chegar à casa do tio, em uma cidade chamada Zucchini, Milano simplesmente se depara com um bilhete deixado por ele, dizendo que viajou.
Encarando isso como um desafio, Milano passa os próximos 40 dias de suas férias sozinha e tomando conta da casa de seu tio, enquanto arranja empregos pela cidade para se sustentar financeiramente. A cidade de Zucchini oferece 8 empregos, apresentados através de minigames, em lugares diferentes, como a pizzaria, o hospital e uma fazenda. Por meio desses empregos, Milano recebe dinheiro e consegue comprar itens para sua casa, que podem servir para serem usados como ações no final do dia ou apenas para fins decorativos.
De maneira muito estranha, porém intrigante, Milano aparenta ser a única pessoa humana em Zucchini. Todos os outros residentes da cidade são animais antropomórficos adoráveis e fofos, tendo até, em um dos minigames, um rebanho de vacas rosas voadoras. Todos os 8 minigames são divertidos e apresentam estilos de gameplay bem mais variados do que eu esperava. A única consequência de perder em um minigame é não receber dinheiro ao final do dia, mas o jogo não tem nenhuma espécie de game over. Ao zerar pela primeira vez, o modo arcade é desbloqueado no menu, onde você pode encontrar todos os minigames em todas as dificuldades e tentar quebrar o seu high score. De maneira sucinta, aqui estão as descrições de cada minigame:

Pop Star Power
Tradicional minigame de ritmo onde Milano precisa apertar os botões no ritmo enquanto toca bateria. Esse minigame só é desbloqueado depois de maximizar os pontos de habilidade e passar o dia no parque.

Dishwash Woosh
Lave as pilhas de prato antes que elas caiam e você perca todo o progresso, e desvie das conchas. Esse de longe foi o mais estressante pra mim.

Pizza Pronto
Entregue a pizza do outro lado da cidade em sua motoquinha enquanto desvia de carros e uma quantidade anormal de cones.

Tick Tock Takeout
Lembre dos pedidos de fast food dos clientes e sirva-os antes do tempo esgotar. O mais bonito de todos, na minha opinião, e o único que eu consegui jogar na dificuldade 5.

Pastry Pileup
Alinhe os blocos de comida que combinam e evite o acúmulo, atingindo a meta e preparando bolos.

Roundabout Wrangler
Um dos meus favoritos. Nesse, Milano precisa tirar leite de todas as vacas que voam e desviar dos bichos que podem derrubá-la.

Fresh Fruit Freefall
Mais difícil do que parece, por mais que seja um dos mais simples em conceito. Pegue as frutas que estão caindo das árvores com a cesta e desvie de uma mosca comicamente gigante pra não cair no chão.

Viral Vamoose
Elimine os vírus que estão deixando os pacientes doentes, apertando com precisão e rapidez os botões que aparecem na tela.
A ilusão das férias perfeitas
O dia em Milano’s Odd Job Collection é dividido em 3 etapas. De início, temos o menu da cidade, onde podemos selecionar qual emprego Milano vai escolher aquele dia.
Dependendo do clima do dia e dos stats de Milano, existem lugares que estão fechados, fazendo com que o jogador diariamente tenha uma seleção variada e limitada. Além dos lugares que disponibilizam trabalhos, Milano pode ir pra casa e decorá-la com os itens que compramos ao longo do jogo. Também temos o parque, que serve como uma espécie de opção para pular o dia, pra quem não quiser trabalhar; porém, é como nós conseguimos desbloquear o minigame de ritmo).

Depois de finalizar o turno, Milano volta pra casa e temos um menu com inúmeras ações que ela pode realizar. Essa parte do jogo é uma das mais importantes, porque é nela que vamos melhorar os stats de Milano: mood, energy e skill. Algumas dessas ações são liberadas apenas quando compramos o item específico pra realizá-las, como um piano ou violino para tocar instrumentos, uma TV pra assistir TV ou um jarro de plantas pra regar.

No final do dia, o jogo nos dá mais um menu antes de dormir, onde podemos selecionar a opção de fazer compras (o jogo proporciona uma variedade enorme de itens de compra), fazer um pedido pra uma estrela cadente (com a chance de nada acontecer) e, de longe a melhor opção, ler um livro (também com a chance de nada acontecer, mas mais sobre isso depois).

Ao longo dos 40 dias, através das ações realizadas, podemos aumentar os stats de Milano, que acabam facilitando e melhorando a gameplay dos minigames. Mood traz mais tempo de duração, energy aumenta a variedade de trabalhos e skill aumenta o nível de dificuldade. De longe a habilidade mais importante aqui a ser ampliada é a de skill, pois o nível de dificuldade alto (podendo chegar até a 5) nos minigames gera bastante dinheiro e facilita na hora de fazer as compras — existem itens na loja exorbitantemente caros, como o piano. Apesar disso, maximizar todos os stats não gera benefício nenhum além de desbloquear um achievement.

Algo que me chamou a atenção é que certas ações durante o jogo parecem não carregar tanta importância a longo prazo. Assistir TV, por exemplo, não parece resultar em nada e raramente dá algum tipo de ponto de habilidade. Além disso, temos a opção de ligar pros nossos pais e de alimentar nosso gato, chamado Pepelosa.
Eu sinceramente não sei se deixar de ligar pros pais ou alimentar o gato gera algum tipo de consequência, então, por segurança, eu alimentava o Pepelosa de 5 em 5 dias, mas fica aí o convite pra quem for cruel o bastante pra testar. Na hora de dormir, também encontrei um pouco de dificuldade em descobrir quais ações trariam pontos de habilidade.
Ao selecionar um livro pra dormir, Milano tem a chance de terminá-lo, dando um ponto de mood ou skill, ou de cair no sono, não gerando ponto nenhum. O sistema de fazer pedidos pra estrela cadente também é completamente aleatório, tendo noites em que nada pode acontecer mesmo selecionando a opção.
Nostálgico e moderno
Além da nova adição de uma localização pro inglês completa muito bem feita tanto nos textos do jogo quanto na dublagem (com a dublagem em japonês ainda disponível para quem preferir), a versão ocidental do jogo conta também com um menu extra selecionável em qualquer ponto da gameplay, onde podemos usufruir de várias novas adições que complementam perfeitamente o jogo.
Save states que permitem que o jogador dê um quick save e um quick load; uma galeria com acesso a várias artes dos personagens (incluindo quadrinhos que foram traduzidos de maneira inédita); rewind timeline, uma mecânica que permite voltar “frame por frame” caso o jogador tenha cometido algum erro em um minigame (me lembrou muito o Divine Pulse de Fire Emblem: Three Houses); e a adição de achievements são alguns exemplos das melhorias que o jogo teve, mantendo o aspecto retrô e nostálgico.

A mecânica de achievements faz toda a diferença, pois, sem ela, Milano’s Odd Job Collection é um jogo que não possui variedade o suficiente pra justificar jogá-lo mais de uma vez. A gameplay é repetitiva por natureza e, apesar de ter zerado o jogo 3 vezes pra conseguir todos os achievements, em alguns momentos eu me peguei quase que entediada com os minigames, passando por eles com rapidez só pra conseguir o dinheiro pra comprar o que faltava pra completar os achievements. O jogo incentiva que o jogador foque apenas nos minigames que preferir e tiver mais facilidade, o que significa que, pra conseguir uma quantidade de dinheiro boa, eu só jogava o mesmo minigame que conseguia completar na dificuldade 5, o que tornou tudo levemente monótono em alguns momentos.
Ainda assim, quanto mais eu jogava, mais eu percebia a atenção aos detalhes que esse jogo tem. As animações são extremamente bem-feitas e detalhadas, e dá pra perceber a dedicação e cuidado que foi colocado em cada cantinho do jogo. Ao comprar um piano ou violino, por exemplo, Milano, nas primeiras vezes, vai tocar de maneira péssima, mas, aos poucos, vai atingindo a excelência. O mesmo se aplica a regar plantas, onde você consegue ver a planta crescendo aos poucos a cada dia que passa. Isso, em adição ao estilo de arte charmoso 2D-2.5D que muitos jogos japoneses da época tinham, é de longe um dos melhores recursos que o jogo oferece.
Existe um certo charme em trabalhar

Como um todo, Milano’s Odd Job Collection traz melhorias que dão uma renovada necessária e criativa, ao mesmo tempo em que mantém o seu charme e originalidade. Apesar de ser um jogo simples e que foi claramente feito para crianças, é uma experiência divertida e casual que vale a pena jogar, principalmente pra quem gosta de apreciar uma arte 2D que é de encher os olhos. Foi uma ótima escolha de título pra ser trazida ao Ocidente, e carrega um estilo que eu considero combinar muito bem com o Nintendo Switch.
Prós:
- As adições na versão nova do jogo aprimoram muito a experiência;
- A localização e dublagem são maravilhosamente bem elaboradas;
- Animação e arte 2D de encher os olhos.
Contras:
- A falta de clareza na realização de algumas ações pode gerar confusão.
Nota
9,5
