Desenvolvedora: Studio Cima
Publicadora: Studio Cima
Gênero: Plataforma de ação| Metroidvania, Story-driven
Data de lançamento: 29 de janeiro, 2026
Preço: R$ 73,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PC
Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Studio Cima
Studio Cima
29 de janeiro, 2026
R$ 73,99
Digital
Plataforma de ação | Metroidvania, Story-driven
Nintendo Switch, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Studio Cima.
Revisão: Davi Dumont Farace
É muito fácil deixar-nos levar pelas impressões negativas da realidade. A tristeza, por mínima que seja, abre espaço para hábitos viciosos, criando abismos que nos levam muito rapidamente ao fundo do poço. Fuga, dor auto-imposta, solidão. E nesse estado, nosso horizonte de perspectiva se limita mais e mais, a ponto de sermos incapazes de olhar para o lado.
The Perfet Pencil é um jogo curioso. De um lado, um metroidvania que trabalha com cenários pouco convencionais, com um eixo narrativo diferente de seus pares do gênero. Do outro, uma reflexão sobre depressão, uma jornada que somos obrigado a tomar, mesmo com a mais débil convicção. O resultado é certamente curioso e original, mas não necessariamente cativante.
Saindo da zona de conforto
The Perfet Pencil trabalha do início ao fim com alegorias. Controlamos um personagem sem uma aparente origem, mas que surge das profundezas sem um rosto, como muitos que o antecederam. Como forma de suprir a falta, recebemos uma câmera que é instalada por cima de nossos ombros, o que nos permite visualizar e interagir com o mundo. O problema é que a câmera por vezes apresenta um vislumbre de uma grande criatura branca, um demônio que parece seguir o personagem a cada passo.

A partir de então, como todo metroidvania, podemos passar a explorar esse vasto mundo, recheado de inimigos, upgrades e bosses. Os cenários, contudos, são um pouco diferentes do usual: podemos encontrar uma floresta, mas feita dentro de um sofá, e lá podemos encontrar um hotel, mas que estará recheado de homens infantilizados, desesperados com a possibilidade de sair da zona de conforto.
E diferente de jogos do gênero, o título se propõe a oferecer uma experiência story-driven. Ou seja, vamos encontrar vários personagens, com diferentes opções de diálogo, e sequências de cutscene que são desbloqueadas em momentos-chave, desde a descoberta de uma nova área ou até uma forma específica de quando morremos.
Não digo que metroidvanias não apresentam histórias; pelo contrário! Mas a proposta de Perfect Pencil decerto é diferente. O foco nesse tipo de jogo reside geralmente na experiência do jogar, com poucos diálogos, personagens geralmente emudecidos e com muitos detalhes no cenário, contando uma história no ambiente.
Geralmente, diálogos truncam a experiência de um bom metroidvania, como o famigerado Metroid Fusion ou Axiom Verge 2, cujas interrupções na gameplay apenas servem para romper o flow do jogar. Nesse sentido, Perfect Pencil é o ápice desse tipo de interrupção em uma escala extremamente elevada.
A quantidade de diálogos e personagens é extremamente alta, rompendo com um grande pilar de metroidvania: a solidão. Quando falamos de uma analogia sobre depressão, também, as várias possibilidades de diálogo (mesmo quando todos parecem levar ao mesmo caminho) criam cenários de humor pouco condizentes com a mensagem.
O título brilha, sim, com cutscenes mudas, mas estas são esparsas e poucas frente às outras interrupções. Parece-me que Perfect Pencil melhoraria, e muito, se desde o desenvolvimento sua narrativa fosse estabelecida sem diálogos. Não só a forma seria mais condizente com o gênero, como também suas mensagens seriam menos triviais e melhor passadas.

Labirinto das emoções
A gameplay em si é bem direta ao ponto, especialmente àqueles habituados ao gênero. A movimentação é livremente inspirada em Hollow Knight, incluindo o famoso ataque para baixo que garante um pulo duplo. A principal diferença é que, por conta da animação desenhada à mão, o movimento é um tanto mais truncado, fazendo-nos perder em velocidade.
Acredito que esse ponto não seria um problema, principalmente porque a arte é bem detalhada e curiosa, mas penso que a movimentação deveria ter se adaptado ao método de animação, não ao contrário. Dessa forma, alguns inputs possuem delays pequenos, mas perceptíveis. Após isso, o ataque para baixo não pode ser utilizado em sequência, o que diminui em muito sua graça.

Claro, ao longo do título adquirimos diversos upgrades, mas esse ponto precisa vir aliado a um level design muito bem executado, se não, estamos falando apenas de um jogo de plataforma usual. Nesse ponto, o jogo nem peca nem impressiona: o labirinto é um tanto linear, sendo bem fácil identificar onde estamos, de onde viemos e para onde estamos indo. Por ser um metroidvania, a linearidade ganha jogadores inexperientes, mas facilmente entedia veteranos, que certamente esperariam surpresas ou caminhos menos óbvios.
Ao longo do título, vamos coletando dois tipos de colecionáveis: o primeiro são os tesouros, que vão de cartas a desenhos simbólicos, que retratam o psicológico de personagens e vão construindo o mundo ao redor.

O segundo são as convicções: status equipáveis que nos dão bônus ao mesmo tempo que oferecem ônus. Seu ataque pode ficar mais forte, mas você ganhará menos pontos por hit para cura ou habilidades especiais, por exemplo. Conforme utilizamos convicções, elas podem se desdobrar em novas, estabelecendo um link interessante de associações.
O poder do lápis

The Perfect Pencil se propõe a uma diferente experiência do gênero Metroidvania, e por isso merece seus louros. A criatividade da equipe artística se destaca, com ambientes bem diferentes e uma construção de mundo que, no mínimo, instiga.
Contudo, isso não é o suficiente para sustentar a experiência inteira. Buscando pilares pela força da palavra, acaba se tornando tão frágil quanto o grafite que a rabisca, tornando-se repetitivo em seus temas e despriorizando os elementos do gênero que precisam ser colocados mais em conta. O resultado é um jogo lento, truncado, e que tira a magia das artes de fundo.
Prós:
- Mapa diverso;
- Cenários diferentes dos habituais jogos do gênero;
- Artes chamativas;
- Tema central da trama instigante.
Contras:
- Gameplay truncada, com movimentos travados;
- Diálogos interrompem o fluxo de progressão.
Nota
6,5
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