Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Siactro
Diplodocus Games
30 de janeiro, 2026
R$ 55,99
Digital
Plataforma 3D | Coletânea, estilo retrô
Nintendo Switch, Xbox Series X|S, Xbox One
Desenvolvedora: Siactro
Publicadora: Diplodocus Games
Gênero: Plataforma 3D| Coletânea, estilo retrô
Data de lançamento: 30 de janeiro, 2026
Preço: R$ 55,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, Xbox Series X|S, Xbox One
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Diplodocus Games.
Revisão: Manuela Feitosa
Há quase 3 anos, tive o prazer de escrever a review do curiosíssimo “Clive N’Wrench”, jogo de plataforma 3D desenvolvido por uma única pessoa como uma homenagem aos clássicos collectathons dos anos 90. A época, apesar dos inúmeros problemas do game, fui surpreendido com o quão pessoal e afetiva a experiência toda conseguiu ser, demonstrando que a minha opinião final de um jogo vai muito além de simplesmente avaliar erros e acertos de maneira fria.
De certa forma, me vejo em uma posição semelhante com Toree’s 3D Platformer Collection. Este pacote reúne três jogos desenvolvido pela Siactro, que na realidade é apenas a marca do desenvolvedor Marcus Horn (Toree 3D, Toree 2 e Macbat 64), e um jogo da própria Diplodocus Games, a publicadora dessa coletânea (Regina & Mac). É um conjunto bem curioso, todos tem em comum o fato de serem inspirados por jogos de plataforma clássico do início da era 3D, ali de consoles como Saturn, Playstation 1 e claro, Nintendo 64.
Além da inspiração em comum, todos estes jogos são projetos pequenos, não só independentes (indies), mas eu diria que de certa forma “amadores”, de desenvolvedores que ainda estão em processo de aprendizado, testando ideias com ferramentas limitadas e com baixíssimo investimento. Daí a minha comparação com Clive N’Wrench, porém, aqui o escopo é ainda menor! Os jogos da coletânea são realmente experiências menores, jogos que você finaliza tranquilamente em 1, 2 ou 3 horas.
Como esse entendimento de quais tipos de jogos estão incluídos nessa coletânea, adentrarei agora em cada um deles para que você, leitor, possa entender como foi a minha experiência.
Macbat 64

Há um tempo, joguei a demo de um dos jogos de Toree e esse foi meu primeiro contato com algo do desenvolvedor Marcus Horn. Depois que recebi essa coletânea para jogar fui atrás do portfólio da Siactro e é muito interessante ver o tanto de coisa que esse homem já produziu. Macbat 64 é uma novidade completa para mim, nunca tinha visto esse morcego por aí, mas a carinha dele é supersimpática no visual poligonal e nostálgico do game.
Macbat provavelmente pode ser descrito como um jogo 3D de plataforma e exploração, o principal objetivo em cada mundo é coletar uma certa quantidade de um item necessário para progredir, que você encontra simplesmente explorando o mapa ou resolvendo tarefas simples para os personagens que ficam naquele cenário.

A verdade é que tudo aqui é tão raso que é até difícil descrever minha experiência com jogo. Os mundos que o jogador explora são consideravelmente pequenos e oferecem o menor nível de dificuldade que você possa imaginar. Como o cenário é pequeno, os coletáveis são bem fáceis de achar e Macbat pode voar quase que infinitamente, retirando qualquer dificuldade que o jogo poderia ter por conta das plataformas.
Ao finalizar os pequenos 9 mundos e é isso, jogo finalizado. Temos algumas fases bônus um pouco mais desafiadoras, mas ainda longe de oferecer um conteúdo com substância.

Talvez o grande acerto de Macbat 64 seja a autoconsciência de que, fazer um jogo assim em pouco tempo é complicado, então o desenvolvedor diminui o escopo de tudo para que ele possa finalizar um game coeso e sem sacrificar a qualidade da experiência de maneira considerável. No entanto, falta bom senso no que se refere ao que faz um jogo eletrônico ser divertido, simplesmente sair voando por pequenos cenários não é suficiente para justificar o tempo que dediquei ao jogo. Os diálogos são anêmicos e só há um chefão no jogo, muito básico diga-se de passagem.
Macbat 64 é então, um jogo confortável em sua falta de ambição. Há uma ideia interessante aqui que precisaria ser desenvolvida e levada a sério para de fato ser lançado como um jogo minimamente interessante.
Toree 3D e Toree 2
Quando descobri que Macbat 64 foi o segundo jogo do criador Marcus Horn, ficou mais claro o porquê do game ser tão raso. Toree 3D e Toree 2 são de longe os dois melhores jogos do pacote e demonstram como o desenvolvedor teve uma clara evolução. Ambos fazem parte da série Toree, que acompanha as aventuras de um passarinho correndo por fases tridimensionais. O primeiro detalhe aqui é a estética low poly, que agora é mais bem pensada e traz identidade para o game, com cores vibrantes e cenários variados.

O passarinho pode correr e dar pulos duplos, atravessando cenários rapidamente enquanto coleta estrelinhas, o objetivo é basicamente chegar ao final da fase, isso não é difícil, mas o desafio vem de tentar coletar todas as estrelas em cada fase e conseguir ser rápido o suficiente para tirar a nota máxima. É um loop de gameplay simples e que funciona principalmente porque controlar o personagem principal é uma delícia, a física é leve e nada muito complicado é colocado a frente do jogador.
Ambos os jogos são bastante semelhantes, mas Toree 2 traz novos movimentos, novas fases e um nível de desafio um pouco maior do que o primeiro jogo, algo que é muito bem-vindo. Vale ressaltar que a série teve novos lançamentos depois desses dois, inculindo Toree Genesis e Toree Saturn que infelizmente não estão presentes nessa coletânea.

Enquanto com MacBat, Marcus tentava capturar a nostalgia de jogos da Rare no Nintendo 64, como Banjo-Kazooie, Toree soa um pouco mais original, lembrando mais uma possível versão de Sonic em 3D com velocidade consideravelmente diminuída. Talvez um dos pontos altos da coletânea como um todo é poder ver os caminhos diferentes que o mesmo desenvolvedor pode seguir, comparando suas criações e como ele vai encontrando sua identidade a cada lançamento.
Infelizmente, o último jogo da coletânea acaba destoando do resto do pacote de maneira negativa.
Regina & Mac
Regina & Mac não é uma criação de Marcus Horn, mas sim da própria Diplodocus Games, que é a empresa que tem adaptado e publicado os jogos de Marcus para os consoles do mercado. A época do lançamento original, o jogo chamou certa atenção de alguns fãs da Nintendo por ter sido lançado para Nintendo Wii U em pleno 2020, quando o Nintendo Switch já estava no auge do seu sucesso. Genial ou absurda, a ideia gerou certa atenção para um jogo que talvez fosse ser completamente esquecido na larga biblioteca do híbrido original da Nintendo.

Assim como foi estranho ver Regina & Mac aparecendo no Wii U fora de época, é estranho também ver ele aqui nessa coletânea. De fato, ele tem elementos em comum com os outros 3, jogos claramente amadores e que tentam homenagear ícones dos primórdios dos jogos de plataforma 3D, porém, é notável que outra pessoa esteve por trás desse aqui.
Enquanto em MacBat 64 e Toree é notável que Marcus Horn controla o escopo dos seus projetos, ele entende que é complicado desenvolver um projeto desses sozinho e propositalmente diminui a duração do jogo e o tamanho dos mapas para que ele possa ter um controle da qualidade da experiência geral que está sendo entregue. Regina & Mac joga tudo isso para o espaço, tentando fazer várias coisas e executando todas de forma medíocre.

O game assume o formato de um collectathon onde você explora grandes mundos conectados por um mundo central, mas caraca! Os mundos são imensos! E meio vazios, as vistas não são nem um pouco interessantes e quase tudo é povoado pelos polígonos mais básicos que você consegue imaginar, sem a menor intenção artística. Há um exagero desnecessário, os mundos são recheados de desafios pouco inspirados e repetitivos para que você possa coletar o item necessário e avançar para a próxima fase.
Controlar os personagens principais é a coisa mais sem graça que você pode imaginar em um jogo, é algo digno de tech demo, as poucas animações que o jogo tem são duríssimas e não entregam nada de carisma para os personagens. Se colocasse simplesmente um bloco para que eu controlasse não iria mudar muita coisa sendo honesto.

É curioso porque comentei como o “amadorismo” de alguns dos jogos desse pacote poderia ser um ponto positivo e que destaca o carinho e afeto que cada projeto recebeu, mas infelizmente Regina & Mac não captura essa essência, o game apenas parece um projeto incompleto que foi lançado com pouquíssimo critério ou respeito com a pessoa que estivesse jogando. Meu palpite? Faltou um feedback sincero para o desenvolvedor do game, para que ele pudesse diminuir o escopo e trabalhar melhor a movimentação e os puzzles do game.
Não Junta Lé com Cré

Eu não posso deixar de citar algo divertido nessa coletânea, dentro de MacBat 64 há outro jogo inteiro escondido! Dentro de uma das fases, você consegue entrar em “Kiwi 64”, o primeiro jogo de Marcus Horn. É um game super curto e é basicamente Banjo-Kazooie se o jogo inteiro fosse dentro de apenas um mundo pequeno. Mais uma vez, é um acerto diminuir o escopo e fazer tudo em um lugar só, dá para terminar o game em cerca de 30 minutos e é até que bem divertido, seguindo os preceitos clássicos de um collectathon. Mais uma vez, a série brilha ao destacar a evolução e as diferenças entre os jogos de um mesmo criador.
É uma pena que o pacote final pareça pouco coerente, afinal, o que motivou a escolha específica desses jogos para formar essa coletânea? O nome da coletânea leva Toree, mas tem dois outros jogos com pouca relação e que honestamente adicionam pouco ao projeto final, os jogos do passarinho parecem batalhas aqui para tentar elevar o nível de um pacote que no geral entrega pouco.
Penso que faria mais sentido reunir apenas jogos da série Toree, ou de fazer um grande pacote mostrando todo portfólio de Marcus Horn, tornando-se o pacote definitivo para acompanhar a evolução de um desenvolvedor independente. O resultado entregue aqui, infelizmente, é um pacote incoerente com 2 bons jogos, 1 jogo simplório e 1 jogo medíocre.
Prós:
- Acompanhar jogos de produção tão “amadora” é uma experiência divertida por si só;
- Toree 3D e 2 são experiências sólidas que elevam o nível geral da coletânea;
- Esconder um jogo extra na coletânea é uma surpresa divertida e recompensadora;
Contras:
- Os jogos escolhidos para compor a coletânea parecem escolhas aleatórias e diminuem o valor final do pacote;
- Regina & Mac se destaca como a pior experiência da coletânea, sendo um jogo francamente “mal feito”;
- Macbat 64 não é ofensivo, mas passa longe de ser uma experiência satisfatória;
- Ausência de outros jogos da série Toree em uma coletânea que leva o nome do personagem é no mínimo decepcionante.
Nota
6
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