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Desenvolvedora: 91Act
Publicadora: Astrolabe Games
Gênero: Ação | Roguelite
Data de lançamento: 12 de fevereiro, 2026
Preço: R$ 142,00
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Astrolabe Games.
Revisão: Lucas Barreto
Gostar de BlazBlue é entendê-lo como o filho menos favorito de uma empresa. Após surgir para substituir Guilty Gear quando a Arc System Works temporariamente perdeu os direitos da franquia (uma longa história), deixou-se de ter um motivo pra existir quando o carro chefe da empresa não só voltou para a casa, mas com um gás nunca antes visto em um anime fighter, ao menos sem uma grande franquia atrelada ao nome.
Infelizmente isso causou a franquia ir pra geladeira, sem nenhum jogo de luta desde BlazBlue Cross Tag Battle, e sem um que seguisse os moldes da franquia desde BlazBlue Central Fiction. Hoje a comunidade se fechou em grupos fechados para organização de partidas, treinos e campeonatos pequenos, mas muito competitivos. BlazBlue tem uma base de fãs fiel e muito dedicada.
Apesar de entender que a ArcSystem não queira competir no mercado consigo mesma, e que o diretor criativo já deixou a empresa há alguns anos, não consigo deixar de sentir falta da jogatina única e complicada que só essa franquia tinha a coragem de fazer. Felizmente, quem está vivo sempre aparece, e BlazBlue Entropy Effect apareceu com a identidade da franquia, de uma nova forma, mas ainda com a mesma cara velha de sempre. Apesar de querer o velho moldes de volta, fico feliz em dizer que a nova tentativa de colocar o nome do jogo em público vale a atenção, tanto de fãs quanto de novatos.

Um roguelite 2D de ação
Sou um dos primeiros a admitir que estamos em um mercado saturado com esse gênero, o que me fez virar os olhos para esse é justamente o nome BlazBlue. Como adaptar um dos jogos de luta mais complicados de se aprender em um jogo de plataforma e ação, com melhorias temporárias, sem perder a essência da franquia?
Podemos começar com o que mais chama a atenção ao jogar o próprio BlazBlue, os personagens. Todos têm uma mecânica completamente única, e mesmo que as melhorias sejam, em sua maioria, genéricas para todos os personagens, elas ainda encontram espaços diferentes em cada personagem, e a busca pela build perfeita vem menos das mecânicas do jogo como um todo e mais pelos personagens.
O protagonista Ragna utiliza sua vida para usar habilidades, porém ele se cura baseado na sua vida perdida, sendo um dos mais fáceis de utilizar por ser tão leniente, mas podendo fazer jogadas mais arriscadas. Hazama, por outro lado, é um personagem mais recente, vilão da história e notoriamente difícil de usar nos jogos de luta, também tem mecânicas complicadas de se utilizar nessa iteração, com uma mobilidade ímpar, mas que requer habilidade e uma cabeça fria, a representação do clichê do vilão calculista perfeitamente colocada em jogatina. Cada um dos personagens também possuem evoluções de suas habilidades próprias ou adições únicas ao arsenal, criando uma flexibilidade interna ainda maior.

No fim de cada mergulho, seja vencendo ou morrendo, o placar do personagem é registrado e suas melhorias genéricas são guardadas para serem passadas a personagens futuros, tornando-os mais fortes e garantindo habilidades para uso em outros, além de algumas passivas que podem combinar bastante entre personagens.
No aspecto de jogatina, BlazBlue Entropy Effect conseguiu transferir os personagens de um gênero ao outro com sucesso, e apesar de ser possível sentir algumas ausências nos personagens, especialmente falando de jogadores mais dedicados que conhecem as nuances de cada um dos personagens presentes de forma mais profunda, a superfície deles é a mesma.
Elementar, meu caro amigo.
Grande parte das melhorias do jogo são limitadas, por métrica de design e evitar escalonamento infinito do jogo, ou seja, e falando de forma menos técnica agora, certas melhorias são impossíveis de serem misturadas, geralmente atreladas a elementos como o ataque simples, o ataque especial, o desviar, o uso de técnicas herdadas, etc. Alguns são simplesmente passivos, com propriedades de invocação ou resposta.
Essas melhorias são separadas em elementos, como fogo, gelo, raio, toxina, lâmina, apenas o fundamental para a natureza. Dentre os elementos, é possível ter múltiplas opções para melhorias de ataque ou de desviar. As melhorias em si possuem melhorias e às vezes podem até combinar entre uma à outra, concedendo um bônus ainda melhor quando utilizadas.

Elas acabam sendo mais complementares ao dano e à habilidade do jogador do que melhorias que vencem uma corrida automaticamente para o jogador, ainda surgindo a necessidade de desviar, usar as combinações corretas e habilidades no momento certo. A aleatoriedade não define tanto o sucesso quanto roguelikes/roguelites mais extremos com melhorias.
Essas melhorias elementares são passadas à frente com o personagem quando a jogatina termina, e quando uma nova começa, dois personagens anteriores podem se juntar a um novo, podendo garantir um começo excelente.
Combinações e uso dos elementos é algo do qual o jogador aprenderá a usar com a repetição, e apesar de possuírem temáticas por elemento, não são fechados à chave, e podem ser que combinações ruins em um personagem possam funcionar em outro, principalmente considerando a divergência de dano, mobilidade e golpes.

A roda do destino não deixou de girar
Não contente em ser apenas um jogo de luta, BlazBlue sempre fez questão de ser um jogo com história, uma “das já feitas”. Misturando elementos de fantasia com ficção científica, e com muitos dos clichês presentes em animes e mangás do meio dos anos 2000, acompanhar a história de BlazBlue sempre foi uma bagunça, mas isso faz parte do charme da franquia como um todo.
A história original se encerrou oficialmente em BlazBlue Central Fiction, e de uma maneira bem definitiva para muitos dos protagonistas. Dessa forma, Entropy Effect se coloca em espaços pouco definidos na história, podendo se passar antes, depois ou até durante os eventos dos jogos anteriores. O elemento de ficção científica de BlazBlue sempre foi a viagem no tempo e linhas do tempo alternativas, com loops temporais e paradoxos e circunstâncias onde se o jogador pensar muito no que está acontecendo, vale mais só tomar um remédio para dor de cabeça e desistir.

No momento de descanso entre os mergulhos, o jogador se encontra com outros quatro personagens principais, todos cientistas em um experimento de linhas do tempo, porque é lógico que esse seria o caso. A trama gira em torno de descobrir sobre as cenas envolvendo os protagonistas originais e as memórias desaparecidas dos cientistas, que todos apresentam um nível de amnésia, alguns por completo, outros em parcela. É um conflito simples, e um mistério interessante o suficiente para deixar o jogador curioso para saber mais, porém serve apenas como um pequeno descanso entre os mergulhos, e não era grande parte do porquê de continuar jogando.
Os personagens seguem arquétipos bem definidos, usando suas personalidades em seus visuais. O mesmo vale para o jogador, que é tratado como um personagem próprio, também sem memórias, mas também sem voz e personalidade, apenas alguém que presencia os eventos acontecendo em sua frente, principalmente os mergulhos. Apesar de ter um design chamativo e um nome de líder, acaba sendo a parte menos interessante do jogo. Isso mesmo, você é desinteressante!

Quanto aos personagens do qual realmente fazemos a parte da jogatina, apenas com pequenas cenas demonstrando a personalidade deles ou conhecendo eles por jogos passados ou pelo anime que conta os eventos do jogo. Tendo urgência quase zerada por toda a extensão da história, mas por consequência de terem sido feitos originalmente para um jogo de luta, acabam sendo a parte mais carismática do jogo por apresentação visual e de personalidade por meio da jogatina. Sem nenhuma linha de diálogo original, ofuscam todo o elenco do jogo.

Por falar em original
BlazBlue Calamity Trigger foi lançado originalmente em 2008, com sprites lindas para o momento em que foi lançado, recebendo alguns toques com o passar dos anos. Essas sprites mais velhas já tem mais de 15 anos, e até entre os próprios jogos de luta, algumas delas mostravam sua idade, principalmente quando se tratavam dos personagens que saíram logo do pioneiro.
Entropy Effect utiliza todas as sprites dos jogos de luta, mesmo vendo apenas dos personagens mais recentes, Central Fiction já tem 11 anos de idade, com animações não planejadas para um jogo de plataforma de ação 2D. Isso teria peso maior se as animações não fossem inicialmente competentes em primeiro lugar, com excelentes keyframes para identificação de golpes, mas para questões de movimento, acabam sendo mistas.
O negativo surge na tentativa de esconder a idade por meio de filtros neon, que acaba sendo a temática visual principal do jogo: um neon pop, com cenários futuristas com a presença constante de LED, não apenas nos cenários, mas nas cores principais dos personagens, fazendo com que eles brilhem em contraste. O que era para ser uma escolha visual para um estilo visual próprio acaba apenas diminuindo a qualidade do design de personagens original, com os velhos contrastes menos presentes.

Essa nova decisão estilística não foi apenas visual, mas também foi norte para a escolha de trilha sonora do jogo. Ao invés da presença de guitarras e violinos fortes, com a mistura do metal com o épico, ele acabou escolhendo o sintetizador e o tecno. No momento de combos, golpes e gritos, a trilha sonora não cria identidade de empolgação, misturado com uma mixagem de som questionável, e infelizmente vale mais a pena jogar o jogo com som baixo.
Porém, a parte verdadeira pouco criativa do jogo é o visual dos inimigos, robôs genéricos de cores diferentes, com exceções em alguns chefes com designs mais originais, porém os mais marcantes também reutilizam sprites dos jogos anteriores, como o chamativo boss final Susanoo.
A pressão do mergulho
O maior problema do jogo acabou sendo, infelizmente, toda a parte técnica dele. Talvez esse seja o mais bugado que eu analisei até hoje. Tive uma contagem de dois crashes e três vezes em que toda a imagem do jogo desapareceu, fazendo necessário com que eu reiniciasse o software.
Além disso, houve momentos em que o diálogo começava antes da cena em si, impossibilitando que eu conseguisse ler as primeiras linhas de algum dos diálogos, e com a dublagem em japonês ligada, prestar atenção ao som não era o suficiente. Notei também alguns erros de digitação, que começam logo na primeira tela do jogo, na advertência de fotossensibilidade.
Entre os próprios estágios também era possível escutar a animação idle do personagem repetindo de forma inconsistente, principalmente devido ao tempo de loading grande entre etapas. Algumas das telas de loading invisíveis acabam desligando o seu controle, ou se tratando apenas de mais um bug, ambas as circunstâncias também irritantes quando se trata de qualidade de vida do jogo, especialmente um com uma franquia popular e de design mais simples.
Esses bugs, mais consistentes do que ocasionais, tornam a experiência bem mais desagradável para um jogo que seria excelente apenas para uma jogatina rápida, sem precisar pensar muito no externo e apenas aproveitar por um tempo. Eles realmente acabam pesando muito na avaliação final do produto.
Acabou o tempo

BlazBlue Entropy Effect é um roguelite sólido, e o valor replay dele faz o preço valer, porém em uma avaliação mais objetiva, ele tem pequenas quedas de qualidade em alguns intervalos, como os sprites reutilizados, com uma modificação visual detrimental ao design original, com músicas que pouco combinam com o ritmo do jogo e fraca comparado ao resto dos outros jogos, fazem ele não se exibir como espetacular em um gênero competitivo.
Além disso, os bugs deixaram a experiência muito mais frustrante do que ela deveria ter sido, apesar de não ter perdido progresso algum ao ser forçado a reiniciar, não torna menos frustrante os problemas técnicos apresentados na versão do jogo da qual fui apresentado. Não sei dizer como ele se comporta nas outras versões, mas a versão jogada, do Switch, me deixou mais curioso para saber se elas seriam menos frustrantes do que a conveniência de ter um jogo como esse em portátil, para que eu possa jogar um mergulho dele a qualquer momento, em qualquer lugar.
Não querendo deixar enganar, a gameplay dele é muito divertida, e mesmo reciclando muito conteúdo datado, o jogo ainda é visualmente agradável, mas por conta das dificuldades técnicas em principal, serei rígido com o placar final de BlazBlue Entropy Effect. Quem sabe em uma outra linha do tempo, em uma outra continuidade, ele consiga não crashar tantas vezes.
Prós:
- Excelente jogabilidade;
- Personagens únicos;
- Alto fator de replayatividade;
- Desafiador, porém acessível.
Contras:
- Visuais dos personagens reciclados;
- Música sem graça;
- Muitos bugs na versão de Nintendo Switch.
Nota
7
