Desenvolvedora: Camelot
Publicadora: Nintendo
Gênero: Esporte | Arcade
Data de lançamento: 12 de fevereiro, 2026
Preço: R$ 439,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Nintendo.
Revisão: Davi Sousa
Mario Tennis é um jogo de tênis estilo arcade onde o bigodudo mais famoso do mundo dos videogames e sua trupe se desafiam em partidas de um dos esportes mais famosos do mundo. Apesar da memória afetiva de muitos (incluindo este redator) dizer o contrário, a série se iniciou no Virtual Boy em uma parceria entre a Nintendo R&D1, responsável pelo desenvolvimento do Virtual Boy, e a Tose, responsável pelos jogos da série Game & Watch Gallery na era Game Boy e GBA.
Todos sabem o alcance comercial que o Virtual Boy teve, então o primeiro título passou meio despercebido, o que mudaria com o Mario Tennis lançado para Nintendo 64. A partir daí, a série entregou uma sequência de bons jogos, explorando ideias novas e o hardware das plataformas em questão. Apesar de uma derrapada nos jogos de Nintendo 3DS e Wii U, Mario Tennis vem tendo uma recepção boa, mas morna, diferente do que foi com o lançamento no Nintendo 64.
Em uma tentativa de reavivar o interesse dos jogadores em dar raquetadas com a turma do reino dos cogumelos, a Camelot trouxe Mario Tennis Fever, onde os destaques ficam para o modo Aventura e a nova mecânica das raquetes eufóricas (“fever”, no original). Será que as novidades trarão velhos e novos da série para as quadras novamente?
Um modo história cheio de nostalgia
O modo Aventura é onde a história do jogo toma corpo. Nela, somos logo apresentados a uma situação bem preocupante: a princesa Daisy está acamada e sem sinais de melhora. Mesmo com a administração de vários tratamentos, a nossa heroína parece não ter sinal algum de melhora, o que deixa Mario e sua turma muito apreensivos sobre o que fazer para reverter esse quadro preocupante.

É aí que repentinamente surgem Wario e Waluigi com o que parece ser a solução para Daisy: a fruta dourada. É dito que ela pode resolver essa situação, mesmo sem ficar claro como faria isso efetivamente. Apesar da fonte nada confiável das informações, nossos heróis e heroína (calma, que a Peach tá bem) vão em busca do item, que pode dar fim à situação complicada que enfrentam.

Como já era de se esperar, o plano dos anti-heróis não era tão idôneo quanto parece: apesar de terem obtido a fruta dourada, o custo disso foi que, ao serem sujeitados ao poder de um vilão desconhecido, Mario, Luigi, Peach, Waluigi e Wario foram transformados em bebês. Um problema foi resolvido e agora outro foi criado: como poderiam retornar às suas formas originais?

Após uma breve conversa, os heróis entendem que o melhor modo de voltar à forma original seria derrotando o misterioso vilão, mas, como em suas formas bebês as suas habilidades também voltaram ao nível inicial, seria necessário uma longa jornada de treinamento para que estejam em condições de encarar um desafio tão grande, e é aí que a diversão começa.

Feita a introdução do panorama geral da história (sim, isso é só a introdução), podemos efetivamente começar a jogar. A primeira parte do modo História é uma grande homenagem ao Mario Tennis de Game Boy Color, só que ao invés de um personagem desconhecido rumar ao topo do ranking, você deve trilhar essa jornada com o bebê Mário. Em um primeiro momento, pode parecer um pouco enfadonho, mas falo tranquilamente que é a parte mais divertida do modo História.

Tudo aqui lembra um grande arco de treinamento de um mangá/anime shonen, como quando Goku e Kuririn iniciaram o treinamento com Mestre Kame em Dragon Ball. Você deverá passar por uma série de atividades visando melhorar os seus atributos, todos com três níveis de dificuldade. Após o treinamento, Toad nos leva a uma lição de tênis onde é mostrado como o resultado do treinamento melhora o seu modo de jogar.

Conforme você avança no modo Aventura, partidas opcionais ficam disponíveis no mapa, fazendo com que seja divertido explorar todo o mapa disponível nesse modo sem ficar indo de um lado para o outro apenas fazendo as missões para avançar. Ainda mais considerando que partidas de tênis você efetivamente só terá na parte final do treinamento, então explore o mapa!

Com o fim de todo o treinamento, os heróis partem em direção ao conflito final com o vilão. A história então volta a avançar de forma efetiva e o senso de urgência volta a tomar palco na narrativa, só que, apesar de finalmente termos mais foco na narrativa, o gameplay começa a ficar menos divertido do que deveria. As partidas de tênis começam a ficar cada vez mais raras, dando lugar a missões semelhantes ao que vimos em Mario Tennis Aces, onde a raquete e a bola são apenas meios de se acertar um alvo para desbloquear uma ação que vai trazer a derrota do inimigo que está à frente, mas sem se tratar de um jogo de tênis em si.

Essa questão vai se desenrolando até o fim do modo Aventura, o que deixa tudo com um gosto um pouco agridoce. Some isso ao fato do elenco vasto de personagens ser pouquíssimo utilizado, fazendo com que o sentimento de algo maior que os trailers do modo Aventura passaram parece não ter se concretizado no resultado final do jogo.

Quem sabe em uma futura atualização de conteúdo o jogo não ganhe algo mais encorpado, como a possibilidade de usarmos os Miis em um modo história similar à experiência do título de GBC ou uma extensão da narrativa regular onde possamos ver outros personagens do elenco terem algum papel
SMASHHHHHHHH com a galera!
Com exceção do modo Aventura, todos os modos de jogo apresentam a possibilidade de multiplayer local para mais uma ou várias pessoas Nesse quesito, a Camelot fez um trabalho impecável, conferindo acessibilidade e variedade de personalização bem grande. Existe a opção de curtir os modos de jogo tanto localmente quanto online. Especialmente aqueles que desejam curtir o jogo localmente poderão ter experiências muito ricas ao se divertir na casa de amigos ou familiares.

Basicamente, aqueles que estiverem no mesmo ambiente poderão aproveitar o jogo em sua totalidade, fazendo com que as jogatinas online sejam restritas a modos mais simples, variando apenas em aspectos básicos como o uso ou não das raquetes eufóricas nas partidas. O ideal seria que os mesmos modos de jogo estivessem disponíveis tanto localmente quanto online.
Deixando de lado essa questão do online, que pesou o clima, vamos falar dos modos de jogo disponíveis localmente. Eles podem ser divididos basicamente em modos para iniciantes e jogadores avançados. Aqueles que desejam partidas mais desafiadoras sem a necessidade de investir nas “Partidas Classificatórias” (que seria o modo rankeado) podem encontrar o seu lugar de conforto em dois modos: Missões e Torneio.

O modo Torneio é bem como o próprio nome diz. Confrontos em chaves servem de etapas para que possam ser escolhidos os finalistas, que irão se desafiar valendo o troféu de cada copa. A primeira copa é bem tranquila, o que não pode ser dito das seguintes, então saiba que as suas habilidades e paciência serão testadas aqui como não foram no modo Aventura.

Essa torre, que faz alusão a Mortal Kombat, não está aí sem propósito: o modo Missões é realmente casca grossa. Fazer o número solicitado de pontos seguindo as regras especiais é realmente complicado; não é uma questão de jogar bem um jogo regular, mas sim de ganhar seguindo regras específicas. Pode parecer que não por apresentar um grau de dificuldade alto, mas é tudo realmente divertido.
Você, que é mais casual, pode ficar tranquilo também. Existem três modos em que você vai poder se divertir sem ter que arremessar o Joy-Con na tela: Jogo Livre, Gincanas e modo Realista. A modalidade de Jogo Livre é onde você vai chamar alguém para um x1 sem perder a amizade ou disputar quem vai pagar o refri e a pizza no final da jogatina. A dificuldade aqui é bem tranquila, dependendo de com quem você está jogando, contra ou a favor (risos).

O modo Gincanas é o mais divertido dos três, é nele que você vai poder jogar modos clássicos divertidos como aquele em que você deve acertar os arcos com a bola, modos que você viu durante a segunda parte do modo Aventura, como aquele em que a sua quadra de grama pode ser aumentada ou reduzida, ou modos exclusivos, como um com um diretamente inspirado em Super Mario Wonder.
O modo realista nada mais é que o modo onde você joga utilizando o sensor de movimento do Joy-Con. Como as imagens de quem fala jogando desse modo seriam bem vexatórias, optamos por privar vocês do show de horrores.
E as raquetes eufóricas hein?! E o tênis raiz?
A partir de algumas entradas, eu tenho notado uma tentativa de “mariokartização” da série Mario Tennis. Longe de mim criar uma narrativa onde se espelhar em um derivado de sucesso seja algo ruim, mas em títulos como Aces isso passou um pouco do tom. Era como se o uso de itens opcionais fosse tão invasivo que o jogar tênis ficassem totalmente em segundo plano, algo que felizmente não acontece em Fever.

Quando as raquetes eufóricas são usadas durante a partida, se inicia uma disputa dentro da disputa: caso a pessoa que fez uso do poder eufórico permita que o adversário rebata sua jogada antes da bola cair no chão e ela acabe caindo na sua quadra, é você que sofre os efeitos do próprio “veneno”, literalmente.
Acaba sendo uma variante de jogabilidade que agrega um desafio ao jogo sem o tornar confuso ou sem desafio. A Camelot acertou muito com esse gimmick.
Uma retomada empolgante!
Apesar da derrapada com as modalidades online e do uso repetitivo de personagens, mesmo com um elenco tão grande no modo aventura, não existe a menor possibilidade de sair de uma jogatina de Mario Tennis Fever sem vontade de voltar ao jogo. Muito do que critiquei no game diz mais sobre as minhas expectativas perante o título do que sobre algo que foi prometido, mas não foi entregue, o que, na indústria de jogos, é o que mais vemos por aí.

Ver a Camelot encontrar um ponto de equilíbrio entre inserção de novidades e aprofundar a jogabilidade me faz ter um sentimento muito bom sobre o futuro da série. Mario Tennis foi o meu primeiro e único cartucho de Nintendo 64, então é praticamente impossível para mim não ver mais o lado bom do que o ruim em um jogo tão querido. Ao mesmo tempo, as pessoas parecem querer que um jogo seja algo além do que ele nasceu para ser, atribuindo a um produto de entretenimento a responsabilidade de ser um Santo Graal ou messias.
Liguem os seus Nintendo Switch 2 para se divertir (especialmente com os amigos). Me adicionem para jogarmos Mario Tennis Fever juntos.. É sobre isso sobre o que todos os jogos são. Sejam menos amargos e se divirtam.
Prós:
- Modo História divertido;
- Uma grande quantidade de personagens jogáveis;
- Variedade de modos de jogo;
- A maioria dos modos de jogo possuem opção de multiplayer;
- Disponível em português brasileiro.
Contras:
- Elenco de personagens pouco utilizado no modo Aventura;
- As partidas online oferecem menos modos que as partidas locais.
Nota
8
