- Review | Path of Mystery: A Brush with Death - 26/02/2026
- Review | PARANORMASIGHT: The Mermaid’s Curse - 17/02/2026
- Review | DRAGON QUEST VII: Reimagined - 02/02/2026
Desenvolvedora: Imagineer
Publicadora: Aksys Games
Gênero: ADV | Mistério
Data de lançamento: 27 de fevereiro, 2025
Preço: R$ 217,44
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Aksys Games.
Revisão: Manuela Feitosa
Path of Mystery: A Brush with Death conta a história de um grupo universitário de psicologia que faz parte de uma equipe de pesquisa de mistérios. A sua primeira pesquisa e trabalho em equipe os direciona até a cidade de Narumizawa no interior japonês, com o intuito de investigar o assassinato de um artista local chamado Suiryu Ushida que ocorreu 30 anos atrás. Devido ao suicídio da principal suspeita do crime, o caso foi fechado, mas ainda assim deixando um gosto amargo de irresolução.
Nessa história acompanhamos Doppo (protagonista), Alice, Kagero e Kotaro como os estudantes e elenco principal que investigarão o caso em questão. Vale ressaltar que Doppo possui uma habilidade incomum, algo que o mesmo apelidou de retrocognição, que o permite enxergar objetos como uma aura lilás e que ao tocá-los, recebe flashes de uma memória de outra pessoa relacionada àquele objeto — essa habilidade de Doppo será crucial tanto para a resolução como também será a mecânica principal da gameplay do jogo.
O passado e o futuro de Narumizawa

Path of Mystery acaba lembrando jogos como a trilogia clássica da série Phoenix Wright: Ace Attorney no sentido de adotar um tipo de game design e escrita amigável para portáteis e sessões curtas de 40 minutos a 1 hora. O jogo está constantemente relembrando o jogador de batidas narrativas e acontecimentos, o que faz com que seja fácil parar de jogar a qualquer momento, tornando o jogo uma experiência ideal para pequenas sessões nas pausas para o almoço, na fila do dentista, ou em um passeio de ônibus (se tiver coragem).
Além desse tipo de escrita bem clara o jogo também é segmentado em capítulos, funcionando quase que como uma série de TV. Cada capítulo é uma experiência sólida isolada, focada em um dos personagens do caso, dividida entre segmentos de visual novel, onde o jogador lê o desenrolar da história, um trecho de gameplay, finalizando com mais historinha para amarrar os acontecimentos com ganchos para o próximo capítulo no final de cada um.

As inspirações em séries de TV é tão forte que o jogo chega até mesmo a apresentar transições entre determinados momentos que lembram muito aquelas pausas para intervalos comerciais que acontecem na metade dos episódios. Além disso, o jogo também conta com uma abertura animada que vai tocar no início de cada episódio assim como créditos no final, com direito a cenas do próximo capítulo.
Path of Mystery possui um timing cômico impecável. Isso somado a direção artística e a cinematografia dinâmica fazem com que seja um deleite passar pelos segmentos de visual novel. O humor do jogo é proeminente e bem alocado, fazendo com que o mesmo seja muito bem ritmado, alternando entre momentos mais engraçadinhos com uma pitada de slice of life com os momentos mais sérios que exigem um pouco mais de sobriedade. No geral, é fácil dizer que Path of Mystery pesa para o lado mais leve da coisa se comparado a muitos adventures de mistério, como o recente Paranormasight: The Mermaid’s Curse.
Path of Mystery possui uma gama de personagens grande, e o jogo até se esforça para juntar esse grupinho de amigos, cada um com sua personalidade, piadas próprias e dinâmicas, e essa é possivelmente uma das coisas que o jogo mais faz bem. Os momentos mais leves são cruciais também para que criemos um laço com esses personagens, ao final da aventura é difícil não sentir uma certa proximidade e apego com aquele grupinho levemente disfuncional de amigos.

Uma pena é somente o fato de que a maior parte do elenco não ajuda no desenvolvimento do caso de forma alguma, e cabe somente a Doppo e Alice carregar toda a responsabilidade nas costas. Em outras palavras, parece que não existe um esforço para parecer com que os outros três do elenco principal tenham alguma relevância que não seja soltar uma piadinha aqui e ali de vez em quando. Para alguns personagens isso até que faz sentido, mas o problema se dá na hora de justificar a existência prática desse grupo como um todo.
Um fato curioso sobre A Brush with Death é sobre como os personagens principais são bem pouco explorados, dando enfoque total para aqueles que fazem parte do caso. Por um lado existe um motivo para isso, e talvez isso acabe entrando no território de spoilers — sempre bom deixar um pouquinho para a imaginação do jogador de vez em quando.
De qualquer forma, vale mencionar que parte desse design narrativo de Path of Mystery se dá pelo fato de que o jogo foi concebido já com sequências em mente. Apesar do jogo finalizar este arco que conta a história do assassinato de Suiryu Uchida, muito ainda é deixado em aberto para ser trabalhado nos próximos jogos, assim como plots que terminam com ganchos absurdos que vão deixar jogadores implorando de joelhos pelo próximo jogo.

Tudo isso que fica deixado de lado com a promessa de ser desenvolvido nas sequências é relacionado às tramas, tanto de Doppo quanto de Alice. Isso acaba causando uma das características que acho mais questionável no jogo, que no caso seria o quanto o protagonista acaba ficando num limiar estranho entre um personagem self insert, feito para o jogador se colocar na história, e um personagem mais tradicional, com suas próprias vontades, personalidade e objetivo. Dentre todo o elenco, Doppo se destaca menos em todos os aspectos, tanto em design, quanto personalidade, e também só acaba tendo falas nos momentos de gameplay onde deve resolver o caso.
A respeito a Kagero e Kotaro, pode-se dizer que ambos são ótimos personagens, completamente distintos do restante e que são uma graça de acompanhar a cada fala e momento que estão na tela, sendo provavelmente os meus dois favoritos do jogo. No entato, como já mencionado anteriormente, os dois acabam não sendo muito úteis na resolução dos casos e são reduzidos a alívio cômico, o que é uma pena, especialmente porque o jogo faz questão de mostrar que existe um motivo para ambos fazerem parte do clube de pesquisa de mistério e ainda possuindo um certo talento e expertise no assunto por mais que não pareça. Resta esperar que as sequências desenvolvam um pouco mais esse lado de ambos.

Outra coisa que acaba chamando a atenção em Path of Mystery é como o jogo mira muito na geração Z, tentando criar uma história e personagens que conversam diretamente com quem tem a idade dos protagonistas, entre os seus 18 e inicio dos 20 anos. Porém, como uma espécime representante dos mais velhos entre os gen Z, devo dizer que o jogo parece muito ter sido escrito por alguém mais velho tentando se enturmar com as crianças de hoje em dia.
Se não fossem essas crianças enxeridas…
Em termos de jogabilidade, Path of Mystery funciona de maneira bem simples. Dentro do jogo, existem segmentos em que o jogador precisa explorar uma área clicando em determinados itens interativos. Ao clicar em certos itens uma nova possibilidade de interação será desbloqueada, e ao realizar essas ações em determinada ordem torna-se possível descobrir novos fatos, ou itens que darão progresso a investigação do caso.
Esse tipo de gameplay também se vê presente nos segmentos em que Doppo usa sua retrocognição ganhando acesso as memórias de certos personagens ao interagir com os já mencionados objetos que emanam uma aura lilás. Desta vez, no entanto, a apresentação do jogo muda completamente, com o mundo ao redor sendo representado através de gráficos simplificados em pixel art, remetendo a adventures clássicos de console, como os jogos originais da série Super Famicom Detective Club.

A jogabilidade também muda se adaptando ao estilo visual. Ao invés de apresentar um cursor, agora todas as ações são realizadas através de um menu, e cada ação disponível se realizada irá desbloquear novas ações com a finalidade de progredir a história. No entanto, ao invés de possuirmos todo o tempo do mundo como nos segmentos no presente, a retrocognição de Doppo possui um limite, isto é, o que procuramos no passado precisa ser encontrado com um número limitado de ações, caso contrário, o segmento precisará ser jogado novamente.
Utilizando do conhecimento que lhe foi apresentado a partir da sua retrocognição, Doppo deve utilizar do que aprendeu para confrontar os suspeitos e assim tirar a verdade do que aconteceu naquele momento. Porém, devido ao fato de que Doppo não pode contar a ninguém sobre as suas habilidades com o intuito de evitar parecer um maluco, o jogador na pele do personagem deve então relacionar o que foi visto no passado com a conjuntura atual do cenário no presente, numa tentativa de descobrir a verdade retraçando passos que foram dados 30 anos atrás.

É ai que entra a fase de questionário do jogo. Nessa parte da gameplay o jogador precisa escolher dentre diversas alternativas a que mais faz sentido com o caso e o que foi observado tanto no presente como no passado. Para incrementar o desafio, o jogo também dispõe de um sistema de pontos, que encoraja o jogador a tentar sempre acertar todas as alternativas para receber uma avaliação máxima no final. Essa parte do jogo serve como uma maneira de testar se o jogador está de fato prestando atenção no desenrolar da história, mas ainda assim nada muito desafiador ou que vá mudar completamente o rumo da história. Ainda assim, vale ressaltar que uma surpresinha aguarda jogadores que conseguirem uma pontuação alta no final do jogo.
Uma das coisas mais interessantes em Path of Mystery é no quão bem ele trabalha em cima das próprias limitações autoimpostas. Isto é, narrativamente falando, o mistério gira em torno de um acontecimento que aconteceu 30 anos atrás, o que por si só já evita a história de cair em clichês do gênero. Outra situação em que o jogo se sai muito bem é em como o mesmo amarra essas pontas soltas no passado e futuro e as interliga sem parecer forçado demais.

Outro aspecto de Path of Mystery que chama bastante atenção é o seu alto valor de produção. Além de possuir cenários hiper detalhados com uma iluminação linda, o jogo também conta retratos de personagens expressivos com uma gama razoável de variações, também sendo muito bem animados na medida do possível. Não é incomum no jogo vermos closes de câmera dramáticos, efeitos visuais e posicionamentos diferentes do que o estático habitual. Em uma cena em que dois personagens estão andando por uma rua, por exemplo, nesse momento o jogo mostraria os retratos dos personagens se movendo para cima e para baixo para simular esse efeito de que estão andando, acompanhados de efeitos sonoros de passos.
O tempo é o melhor assassino
Path of Mystery é um jogo extremamente fácil de recomendar, até mesmo para aqueles que não são muito chegados a adventures ou visual novels. Seu humor, ritmo e design narrativo fazem com que seja uma leitura bem fácil e fluída, alternando com uma gameplay que se apresenta com uma proposta nova e mecanicamente bem executada e escrita.
Prós:
- Alto valor de produção, com uma bela direção cinematográfica e direção de arte;
- Ótimo ritmo narrativo, dosando diferentes tons que nunca deixam a história monótona;
- Perfeito para pequenas sessões, fácil de acompanhar e relembrar acontecimentos e personagens;
- Deixa um gancho interessante para ser desenvolvidos em sequências.
Contras:
- Personagens do elenco principal muito subutilizados e com pouco desenvolvimento pessoal;
- Apenas dois personagens do elenco parecem importar de fato, enquanto o restante é reduzido a alívio cômico;
- Protagonista desinteressante, com pouca presença num limiar entre um personagem tradicional e self insert;
- História individual dos personagens demora muito pra avançar e se apoia demais numa sequência.
Nota
8,5
