Desenvolvedora: CITY CONNECTION
Publicadora: Clear River Games
Gênero: RPG
Data de lançamento: 19 de fevereiro de 2026
Preço: R$ 134,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Clear River Games
Revisão: Manuela Feitosa
Entre o fim de 2009 e início de 2010, acompanhei um curioso RPG aparecer em algumas notícias online. Tratava-se de WiZmans World, para Nintendo DS, um jogo que infelizmente não chegou a sair do Japão na época. Agora, mais de uma década e meia depois, WiZmans World Re;Try é uma nova edição do jogo para consoles modernos e dá a mais jogadores como eu a chance de finalmente conhecê-la a fundo.
Presos em uma cidade de feiticeiros

WiZmans World é um RPG que conta a história de um jovem rapaz criado pela poderosa bruxa Giselle após encontrá-lo nas dungeons do entorno da cidade de Wizarest. As pessoas que aparecem nesse lugar estão presas por uma espécie de maldição que as impede de sair, tendo em seu entorno perigosas localidades repletas de monstros e dificuldades.
Mais do que apenas uma questão de encarar os perigos, há uma forte sensação de mistério em relação à condição em que essas pessoas se encontram. É como se tudo, incluindo o ambiente dessas “dungeons”, tentasse ativamente impedi-los de fugir e mantê-los presos.

Aventureiros se esforçam para encarar os desafios, mapear o mundo ao redor e ir cada vez mais longe, porém a situação está longe de ser simples. Mesmo com os esforços de anos, as áreas do entorno já sofreram grandes colapsos, trazendo calamidade e muitas perdas.
Como um aprendiz de Giselle, nosso personagem aprende a usar magia e parte para também ajudar a vila a encontrar uma saída. No caminho, ele encontra três homúnculos cuja aparência lembra fadas e que foram enviadas por sua mestra desaparecida para ajudá-lo em sua jornada. Assim se inicia uma peregrinação que poderá redefinir o destino não apenas dele, mas das outras pessoas com as quais ele convive, com um sistema de escolhas em momentos-chave da história.
Homúnculos metamórficos

WiZmans World é um RPG baseado em turnos no qual controlamos nosso protagonista e três homúnculos que possuem a habilidade de extrair a alma dos inimigos e usá-la para se transformar. Cabe ao jogador usar esse sistema de forma eficiente, transformando suas aliadas para extrair o seu potencial em condições variadas.
Os monstros seguem um esquema de forças elementais com água, fogo, terra e ar. Cada um desses tipos mágicos é mais efetivo contra monstros alinhados a um elemento específico, enquanto usar o mesmo tipo reduz a eficácia do golpe. Como os homúnculos se fundem com as almas dos monstros, eles também são categorizados da mesma forma, tendo fraquezas e ataques associados ao elemento.

Em particular, assim como acontece em sistemas similares, como os de Shin Megami Tensei, ao transformar as aliadas em monstros, podemos selecionar habilidades para herdar das suas formas passadas. Com esse sistema e a possibilidade de usar itens para melhorar atributos e liberar habilidades extras, dá para manipular o processo tendo em mente aumentar suas forças ou reduzir seus potenciais pontos fracos.
Enquanto as personagens aliadas seguem essas especificidades, o protagonista é um mago com uma variedade de habilidades liberadas com o ganho dos níveis. As suas opções elementais são mais variadas, mas o personagem também tende a ser mais fraco que as meninas caso o jogador não deixe de fazer os upgrades necessários sempre que avança nas dungeons.

As batalhas em si são baseadas em turnos, sendo possível acompanhar a ordem prevista de ações no canto superior da tela. Além da questão de selecionar a ação individual de um personagem, o jogo conta com um sistema de combo, aumentando os atributos dos personagens conforme eles atacam os inimigos em sequência.
Após cinco ataques consecutivos, o dano é consideravelmente mais alto que o normal, valendo a pena ter personagens mais ágeis e eliminar inimigos que atrapalhariam a manutenção do combo por atacarem entre os turnos de dois aliados. Outro detalhe a se ter em mente é que é possível entrar em batalhas contra equipes de monstros de forma consecutiva caso dois ou mais inimigos estejam próximos o suficiente.
Em geral, após acabar um combate, a equipe recupera HP e o protagonista também tem o seu MP restaurado. Porém, em batalhas consecutivas causadas pela proximidade, essa regeneração não acontece, aumentando o perigo e compensando o jogador com mais experiência do que as lutas individuais.
Dungeons e exploração

A exploração da dungeon é feita navegando por mapas 2D, sendo possível encontrar os inimigos de forma direta e usar o posicionamento para realizar um ataque de oportunidade aproximando-se deles por trás. O mesmo pode ser feito pelos inimigos, então é importante tomar cuidado para não ser encurralado, aumentando assim o perigo ao antecipar os ataques dos monstros.
Além dos caminhos bifurcados, monstros e itens, os caminhos contam com elementos interativos variados. Por exemplo, na floresta, é possível encontrar cogumelos que invertem os controles do jogador, enquanto na área nevada temos grandes blocos de gelo que podem até mesmo esconder tesouros.
Curiosamente, as dungeons também passam por várias situações de “colapso” que rearranjam o seu design e forçam o jogador a recomeçar, perdendo o seu progresso pelo mapa. Em pontos especiais da dungeon, há artefatos que podem ser ativados como se fossem checkpoints caso o jogador tenha uma pedra de mana daquela região, servindo como uma forma de evitar os piores efeitos dessa maldição.

O mapa infelizmente é um ponto negativo da experiência, sendo até mesmo um detrimento em relação à edição de DS. No jogo original, era possível acompanhar o mapa o tempo todo na tela de baixo do portátil, mas na edição Re;Try, é necessário acessar o menu principal e apertar Y para poder acessar o mapa detalhado equivalente. Há um minimapa inédito no Re;Try, mas ele infelizmente é pouco útil, mostrando apenas as proximidades.
Cheguei a tentar procurar uma forma de mudar esse minimapa para ser mais útil ou para ativar o mapa fora do menu de pause, mas infelizmente não encontrei nenhuma forma de fazer isso. O que encontrei foi um menu de configurações bem limitado que só permitia ajustar a velocidade do texto, o volume dos sons, o uso de efeitos de flash, se a posição do cursor das batalhas seria mantido ou não e se os personagens correm ou andam pelo mapa. Não há sequer uma opção de carregar um save anterior ou voltar para a tela inicial no menu.

Em outros aspectos técnicos da experiência, vale destacar que o jogo conta com uma boa trilha sonora com um especial destaque para o tema Challenging the Powerful (soLi version). Essa música em particular abusa dos instrumentos para criar uma energia vibrante que aumenta o nível dos confrontos contra as criaturas mais poderosas dos mapas. A tradução para o inglês tem alguns defeitos, mas eles são bem raros.
No campo visual, a principal diferença fica por conta da interface e do uso de ilustrações em alta definição. O jogo ainda usa as pixel arts de baixo detalhamento do DS por se tratar de um remaster, mas as faces dos personagens usadas durante os diálogos são bem mais nítidas. Os diálogos também contam com funções de skip e log, mas, de forma geral, trata-se de um remaster que se esforça em ser bem fiel à experiência original, embora algumas mudanças de interface, como o mapa que já mencionei e também a aparência do menu de batalha, tenham menos charme que as soluções originais.
Uma nova chance

WiZmans World Re;Try consegue resgatar um RPG bem curioso do DS e dar ao jogo outra chance de brilhar enquanto se esforça em mantê-lo bem próximo de como era originalmente. Alguns detalhes são pouco práticos e há pequenos elementos que mereciam ajustes mais robustos e bem planejados, mas ainda assim vale muito a pena a experiência.
Prós:
- Combate baseado em turnos que recompensa o bom planejamento estratégico com seu sistema de combos;
- Sistema de fusão de homúnculos que permite formar parties diversas de forma customizável;
- Gimmicks das dungeons adicionam variações interessantes para a exploração;
- Sistema de decisões em momentos estratégicos da trama;
- Charmoso em seus aspectos visuais e sonoros.
Contras:
- Minimapa limitado e acesso inconveniente ao mapa detalhado;
- Impossibilidade de carregar um save ou voltar ao menu inicial;
- Embora prática, a interface de combate é menos charmosa que a edição de DS.
Nota
8,5
