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Desenvolvedora: ZDT Studio
Publicadora: Konami
Gênero: Plataforma | Puzzle
Data de lançamento: 2 de abril, 2026
Preço: R$ 142,50
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Konami.
Revisão: Manuela Feitosa
Como não amar polvos? Essas criaturas esguias, estranhas, gelatinosas e interessantemente inteligentes? Há um certo quê nesses celópodes capaz de encantar, embora a estranheza resulte em um temor primordial principalmente por conta dos tentáculos erráticos e pouco previsíveis.
Darwin’s Paradox! é um jogo que ao lado de Octodad poderia criar o gênero de “jogos de polvo”, explorando na gameplay os elementos biológicos que tanto caracterizam a espécie, mesmo que de formas tão diferentes. Se Octodad explora o caos pela dificuldade do controle de múltiplos tentáculos, Darwin’s Paradox! é mais interessado em retratar, de forma cartunesca, a capacidade adaptativa do animal, com tentáculos que grudam em todas as superfícies, uma camuflagem extremamente eficiente, a tinta biológica que se transforma em arma e capacidade de se espreitar nas menores cavidades. Isso tudo enquanto derrubamos uma grande corporação que serve como disfarce a alienígenas infiltrados no planeta, mas isso é só detalhe.
Continue a nadar ♫
Darwin é um pequeno polvo, feliz e solto pelas águas, mas que em um fatídico dia é capturado pela companhia alimentícia UFOODS (sim, trocadilhos são bem comuns nesse jogo). Após uma fuga desajustada, rendendo-lhe um lugar no topo de uma pilha de lixo em um gigante aterro sanitário, cabe a ele se infiltrar no complexo industrial, resgatar seu amigo e, de quebra, frustrar os aliens em seus planos de dominação mundial.

O jogo é um platformer 2D narrativo, com ênfase em puzzles simples e com uma progressão ligeira. A narrativa é contada a partir de elementos no cenário, sem diálogos ou enciclopédias nos guiando ao longo do caminho. Podemos encontrar, ainda, colecionáveis que contextualizam um pouco mais os acontecimentos, como enxertes de jornais ou panfletos corporativos, mas que servem mais como piadas. Dessa forma, a narrativa em si de Darwin’s Paradox é completamente dependente de seu level design.
A lineariedade em jogos do tipo não deve ser condenada, visto que é pela variedade de cenários e pela velocidade como passamos de tela que o jogo consegue cativar o jogador. E nesse elemento a obra faz um bom trabalho: nenhum capítulo se estende para além do necessário, temos bastante variedade de locais e as mecânicas básicas de gameplay são sempre recontextualizadas, dando um frescor necessário mesmo nos últimos capítulos. Acredito, contudo, que os cenários dos capítulos iniciais são um tanto repetitivos, com as fachadas desgastadas, uma paleta de cores amarronzada e sem introduzir elementos visuais muito chamativos.
A partir da metade do jogo, contudo, elementos mais surreais são introduzidos, e cada capítulo recebe uma identidade de fato muito mais interessante. Por conta da relativa curta duração do título (demorei pouco menos de três horas para chegar aos créditos, sem me preocupar em encontrar todos os colecionáveis) o início lento não é um enfado tão grande, mas é com certeza a parte que será menos lembrada.

O que auxilia o jogo é o visual chamativo e que logo salta aos olhos, natural da própria Unreal, engine utilizada no projeto. No dock, os visuais são cristalinos, conseguimos ver com bastante clareza os diversos elementos do cenário e o mapa é bem telegrafado. No modo handheld, contudo (logo a versão mais apropriada para para o tipo de jogo), o visual é um tanto borrado, e a clareza é bastante comprometida. Acredito que esse não é um jogo para ser jogado em uma tela pequena, principalmente pela câmera bem afastada de Darwin e pelo contraste de luz e sombra bem pontuado em seções diversas.
É um tanto difícil de ver nosso personagem e alguns elementos mais sutis a nossa frente, rendendo certas doses de frustração. Além disso, apesar de uma performance lisa no geral e de uma experiência livre de bugs, em alguns momentos é evidente que o jogo não está 100% otimizado para o Switch 2 (ao menos até o momento que a presente review foi escrita). A transição entre capítulos engasga a performance (quando novas telas estão sendo carregadas ao fundo), o modelo dos colecionáveis estranhamente reduz a taxa de quadros por segundo quando manipulado e, ainda, tive alguns crashes ao longo do meu tempo com o título.
Pela natureza do título, que requer vários autosaves com bastante frequência, nunca perdi progresso, mas a experiência sem dúvida é impactada por interrupções não planejadas.
Arsenal Octopoda
A escolha de um polvo para protagonizar a aventura não é por acaso. Sua presença é muito bem justificada por suas habilidades, que são bem incorporadas na gameplay.

De início, podemos já pontuar que Darwin é extremamente versátil, com habilidades que são apresentadas no tutorial mas que são desbloqueadas na história principal após certos pontos-chave. Com suas ventosas, é capaz de grudar em qualquer superfície, sendo capaz de escalar, dependurar-se ou até prender-se a objetos para movê-los. No aspecto de plataforma, isso permite que as fases ganhem verticalização, além de permitir puzzles com diferentes objetos.
Na água, Darwin também é um exímio nadador, sendo capaz inclusive de tomar grandes impulsos para fugir de ameaças. As seções aquáticas permitem certa serenidade temática, na mesma proporção que pode causar terror na presença de predadores. Também na água, Darwin pode disparar rajadas de tinta que permite subterfúgio ante as ameaças alienígenas e marítmas.
Na superfície, o jato de tinta serve como disparo para ativar elementos pré-determinados, como painéis elétricos. Para o subterfúgio na superfície, temos a opção de nos camuflar, rendendo momentos à la Solid Snake e que causam a palpitação de sair escondido à luz do dia.

As mecânicas de gameplay não apenas são tematicamente condizentes com o personagem como também são muito bem incorporadas, não havendo sobras ou faltas. Claro, alguns capítulos ainda rendem seções especiais com novos controles, contribuindo na diversificação necessária para o título não causar a sensação de inchaço.
Curto e charmoso
Darwin’s Paradox! não é exatamente o jogo que pensei que seria, o que em absoluto não é algo ruim. Pelas referências de outros jogos e pelo tom cômico do projeto, esperava um título que tirasse graça dos movimentos incomuns de um polvo, mas a abordagem aqui foi oposta: um jogo ágil, simples e diverso em cenários.

Devo dizer que o resultado final agrada, mesmo com ressalvas pontuais. O início com visuais mais chapados tira a vida das sequências (que são muito boas, por sinal), mas os últimos capítulos compensam com uma variedade bem mais interessante de cenários. A cena final em si é em igual proporção satisfatória e confusa, por não amarrar muito bem a trama principal ao redor da corporação alienígena, e mesmo as sequências mais difíceis conseguem ser ultrapassadas antes de gerar frustração, com saves bem posicionados que recompensam mesmo o mínimo dos avanços do jogador. Por fim, devo dizer que a versão do Nintendo Switch 2 possui problemas que, embora não deixem o título injogável, ainda assim prejudicam o saldo final.
Prós:
- Visuais criativos e realçados pela engine;
- Elementos de Gameplay bem incorporados e contextualizados;
- Variedade de cenários contribui para o ritmo ágil do título.
Contras:
- Problemas de performance prejudicam a experiência, ao menos no Nintendo Switch 2;
- Início comprometido por cores mais chapadas e desinteressantes.
Nota
7,5
