- Review | Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection - 26/03/2026
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Desenvolvedora: Capcom
Publicadora: Capcom
Gênero: RPG baseado em turnos
Data de lançamento: 13 de Março, 2026
Preço: R$ 339,00
Formato: Físico (Game-Key Card(/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Capcom.
Revisão: Manuela Feitosa
No início de um ano, estamos em um dos piores períodos para tomarmos decisões em termos de lançamentos de jogos, com muitos já tendo um GOTY quando o ano mal começou e com os lançamentos vindouros sendo igualmente promissores. Não querendo apontar o dedo, também, mas a Capcom é parcialmente culpada disso, com um ano que parece estar carregado de lançamentos que são quase mensais!
Feito minha reclamação e já caindo em hipocrisia: Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é o meu RPG do ano, ou pelo menos até o momento! Relendo a minha prévia e primeiras impressões que tive da Demo do jogo, eu consigo afirmar novamente que o jogo é tudo que eu pensei que ele seria, com um pouco mais também, então para ter uma base de como seguiremos com essa análise, recomendo que leiam a Preview.
Essa análise vai ser uma das mais difíceis que eu poderia fazer, pois é um daqueles momentos onde não importa o quanto eu fale bem (ou em alguns pontos, mal) de um jogo, eu acredito que nunca irei conseguir transmitir a emoção do que eu quero expressar de uma maneira que reflita 100% a minha mente! Dito isso, eu também não vou ficar parado sem escrever sobre um jogo que está comigo por menos de um mês, mas já tocou em todos os pontos fortes que eu preciso que um RPG toque para eu amá-lo.
Sem mais delongas, vamos iniciar essa Review; uma análise de como Stories 3 é um jogo que vai te cativar, desafiar, assustar e em alguns pontos, te fazer se importar com cada um do seu elenco principal. Então montem em seus monstros, sequestrem uns ovos e se preparem para mais um Monster Hunter Stories…
Um conflito entre gêmeos
Durante a prévia, comentei sobre como os conflitos entre Azúria e Vermeil estavam a um fio de uma catástrofe diplomática, mas no jogo completo esses eventos explodem no rosto do jogador de uma forma que não dava para esperar, e é nos revelado que a rainha de Vermeil, Clarissa, possui o Rhatalos que é gêmeo de nosso Ratha. Com os dois reinos agora em guerra declarada, resta ao príncipe/princesa de Azúria, somado ao resto dos Patrulheiros e à princesa de Vermeil acharem uma solução por fora das fronteiras do reino, em regiões ditas como proibidas.




Com este gancho perfeito, o jogo nos introduz a novas regiões, novos conflitos, novos monstros e novas crises ambientais, afetadas pela mesma Crostalização que estava afetando os reinos dos protagonistas. É aqui que vemos o jogo abrir suas asas e expandir o seu mundo para um maior, com ambientes mais interativos e monstros mais perigosos – alguns dos pontos dando base para um negativo que explorarei depois, inclusive.
A história de Twisted Reflection é, na minha opinião, uma mais direta que a de Wings of Ruin ou o primeiro Stories, onde apesar de termos uma narrativa central com uma urgência, aqui a urgência é imediata, e vemos as consequências no ambiente e nas vidas das pessoas ao redor de Azúria e especialmente Vermeil. Com o ataque de Clarissa usando um Rathalos igual ao nosso Ratha causando estragos significativos, fica a dúvida se os “crimes de guerra” de Vermeil são justificados quando vemos a situação que o reino vizinho se encontra.
Tendo uma duração média de 40 a 50 horas para zerar, Monster Hunter Stories 3 é o Stories com mais conteúdo de história principal até agora, mas como veremos depois, nem só com uma história longa você terá conteúdo suficiente para fazer um jogo. Dito isso, são horas que você vai amar gastar com o jogo, especialmente se o conceito de criar alguns dos icônicos monstros da série já te satisfaz naturalmente.
Conheça os Patrulheiros
Eu acabei não entrando em muitos detalhes sobre eles no meu texto inicial, por estar mais focado sobre os elementos de gameplay, mas parte do meu amor por Stories 3 é dedicado ao seu elenco de personagens. Cada personagem de Stories 3 tem uma conexão única com o príncipe/princesa, uma arma favorita e um Monstie inicial que fica fixo até determinado ponto da história.
Para resumo básico, nós temos em nosso elenco:

Simon — amigo de infância do protagonista, usuário de uma espada longa e montador de um Legiana chamado Fawn. Simon é um dos aliados mais próximos do príncipe/princesa de Azúria e entrou para os Patrulheiros na mesma época; ele esconde algo sobre suas origens e motivações, enquanto é genuinamente preocupado com seus amigos e colegas.

Gaul — um Patrulheiro sênior, usuário de espada longa e montador de um Legiana chamado Legia. Com anos de experiência em suas costas, Gaul é o segundo em comando dos Patrulheiros após o protagonista assumir como capitão; ele tem uma equipe de inteligência que é liderada pelo seu Amigato aliado, Murray.

Kora — Patrulheira sênior, usuária de uma lançarma e montadora de um Gravios chamado Gravy. Vinda de Vermeil originalmente, ela encontrou sua dedicação nos Patrulheiros por um amor genuíno aos monstros e eventualmente por Azúria; foi casada com Lucas, falecido filho de Ogden e antigo capitão dos Patrulheiros.

Ogden — o mais velho [em idade] do grupo, mas ironicamente se juntou aos Patrulheiros mais tarde, um usuário de berrante de caça e montador de um Pukei-Pukei chamado Chirpy. Ogden é um pesquisador nato e busca sempre aumentar os conhecimentos de sua “monstropédia”; aparentemente ele e Gaul não se dão bem.

Thea — a mais nova adição aos Patrulheiros, ela é uma usuária de arco e flecha e monta um Tobi-Kadachi chamado Kagachi. Se unindo a equipe por uma admiração ao protagonista, Thea é uma adição promissora aos montadores de Azúria; em paralelo, ela está em uma jornada para recuperar os Poogies que fugiram da fazenda de sua família.

Eleanor — a princesa de Vermeil e irmã da rainha Clarissa, Eleanor utiliza uma grande espada e monta em um Anjanath chamado Angie. Se oferecendo como uma “refém política” numa tentativa de apaziguar as tensões entre Azúria e Vermeil, Eleanor fará de tudo para impedir o escalonamento da guerra; é a cozinheira do grupo, também.
Com um elenco bem animado de personagens, Stories 3 incentiva o jogador a conhecê-los melhor através dos arcos que cada um tem em paralelo com a história (pense nas Hero Quests de Xenoblade Chronicles 3, mas com mais capítulos do que só dois). Cada arco segue um tema em comum em suas iterações e demonstra como cada personagem evolui, além de construir o mundo ao seu redor.
Dentro do elenco, dos cinco personagens que ficam com você o jogo todo, eu diria que a minha favorita é a Kora. Não apenas ela é usuária de uma das minhas armas favoritas de Monster Hunter, como a inteligência artificial dela em combate é uma que foca em danos explosivos e ataques rápidos, sendo ideal para lidar com monstros que precisam de dano concussivo para abater.
Acredito que eu já falei tudo que eu precisava falar do combate do jogo durante a minha análise da Demo, no entanto, há um aspecto da gameplay de Stories 3 que eu acho que precisa de atenção…
Brinque de deus e monte seu ecossistema
Um aspecto da gameplay de Stories 3 que fica bem mais evidente durante o jogo completo é a “Restauração de Ecossistema” que já havíamos sido introduzidos em trailers e gameplays prévias. O sistema não só afeta as mutações que você vai ter, como também garante um aumento de variações elementais de diferentes monstros somado a taxa de aparições de determinados monstros em uma região específica.

Isso por si só abre uma janela de possibilidades em termos de acessibilidade a determinados Monsties, o padrão que você quer que eles tenham, os elementos e tudo mais. E caso você queira apenas coletar e soltar, recomendo antes abusar da mecânica do “Ritual do Legado” que cada Monstie possui, onde um pode herdar habilidades do outro sem custos adicionais (comparando a outro JRPG popular, pense nas mecânicas de herança que Shin Megami Tensei introduziu nos últimos anos).

Com diversos aspectos do ambiente sendo customizáveis ao jogador de uma forma mais prática que em jogos anteriores, Stories 3 deixa o jogador moldar diversos aspectos ao seu bel prazer, enquanto ainda fornece uma experiência boa sem estes ajustes. Mas sinto que estou sem muito assunto para comentar aqui, então para finalizar com um tópico positivo antes das minhas críticas, só queria usar um outro exemplo de como esse jogo faz jus a muitos aspectos de Monster Hunter, que antes eram vistos como meme:
Das ruínas ao reflexo
Falando em um contexto onde analisamos Twisted Reflection e apenas ele, é um RPG com mecânicas sólidas, uma “Dex Local” de tamanho ideal para um monster-tamer, uma história de duração boa e algumas coisas a mais que auxiliam na experiência. No entanto, ao compararmos com Wings of Ruin, o segundo Stories e prequel deste jogo, notamos que a Capcom realmente largou a mão com algumas coisas.
São reclamações mínimas, mas acredito que valha a pena listá-las aqui:
- Falta de Monsties veteranos no elenco, Kirin como maior exemplo;
- Ausência de um modo multiplayer, padrão da série;
- Falta de um conteúdo pós-game significativo;
- Impossibilidade de remover o Ratha da party no pós-game;
- Limitação de voo, ficando apenas com monstros “planadores”.

Literalmente todos os tópicos acima eram conteúdos que tinham em Wings of Ruin, de 2021. Para jogar sal na ferida, Wings of Ruin foi um lançamento ainda mais barato que Stories 3!
Algumas de minhas críticas são rasas e no geral não afetaram a minha experiência final com o jogo, embora eu confesse que estou triste da minha lista pessoal de Monsties que montei em janeiro não ter acertado NENHUMA (com as únicas exceções do Malzeno e Garangolm, pelo menos os Lordes de Elgado entraram). Minha crítica maior se encontra na Capcom moderna e como ela vê esse aspecto de “Title Update” que Monster Hunter vem recebendo com certa frequência.
— Para crédito a Capcom, caso hajam updates significativos futuros, eu não me importo de fazer uma versão 2.0 desta análise revisitando o jogo; se o destino quiser, desta vez com a colaboração de um outro redator que goste de Monster Hunter que nem eu.
Nota do editor: desista, não vai ter texto collab.
No fim, espero que a Capcom tenha updates planejados para o jogo de uma forma considerativa, e claro, temos a DLC planejada para o Rudy, Amigato do protagonista. Eu só espero não ter que esperar meses e meses para termos uma experiência decente em relação a alguns Monsties favoritos; caramba, o Kirin é citado in-game durante algumas cenas e mesmo assim ELE NÃO ESTÁ NO JOGO!
Comparações engraçadas com Xenoblade Chronicles
Enquanto eu escrevia e planejava esta análise, um tópico engraçado veio em minha cabeça, essa parte servirá apenas para descontrair um pouco e soltar alguns dos pontos positivos – e um pequeno negativo, que tive com a minha experiência. Mas resumindo, eu acredito que fãs de Xenoblade Chronicles 2 vão gostar bastante deste jogo em particular se comparado a outros Stories…
Não só ele tem um estilo de arte mais brilhante e colorido que o resto da série (especialmente quando comparamos com os mainlines recentes), como ele também aborda temas de guerra e luto em sua narrativa, ainda que não com a mesma complexidade.
Dito isso, o maior comparativo que eu quero fazer nesse tópico é um só: a diferença do jogo em ambos os modos de jogo, portátil e docked, são muito grandes! No portátil você percebe algumas texturas carregando em mudanças de cena, o framerate no overworld é mais instável e num geral, o jogo fica bem borrado. Era esperado que esse tipo de coisa fosse acontecer, mas ainda assim um tanto “estranho” se considerarmos como ficaram as versões de Resident Evil Requiem e a Demo de Pragmata.
Só estou levantando um ponto que pode fazer com que alguns peguem o jogo em uma plataforma diferente, mas particularmente não afetou a minha experiência; até porque o combate, que é onde passei mais tempo, permaneceu majoritariamente estável, com uma taxa de quadro acima dos 40FPS.
Esse embate foi nota S!

Para mim, Stories 3 foi um dos jogos mais difíceis de analisar, pois a cada positivo que eu via, tinha um ponto que eu pensava “nossa, esse aspecto poderia ser melhor”, mas no fim, nada disso importa porque em um vácuo e como uma experiência em si, para o meu eu “eu”, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é um jogo nota 10. Já para o meu eu “crítico”, que precisa analisar um jogo pelo que ele é, ele tem alguns problemas que impedem uma nota perfeita.

Resumindo, se vocês querem ter uma experiência paralela de Monster Hunter, com mecânicas de monster-tamer, um pouco da tensão de ser aproximado por um monstro que você tem medo que te veja, ou só quer um combate por turnos satisfatório e com muita estratégia, joguem Stories 3. No entanto, se vocês só buscam um RPG simples e querem ver uma história com personagens vivos e com uma alma única dentro deles, também joguem o jogo. Estou me repetindo e caindo na mesma hipocrisia que denunciei mais cedo, no entanto não dá para negar: eu amei esse jogo, e por ora, é o meu favorito do ano!
Prós:
- Direção artística viva e vibrante;
- Mecânicas de manipulação do ambiente deixam você moldar o jogo da forma que você quiser;
- Um combate desafiador, evoluindo o que já vimos na Demo;
- Personagens vivos que cativam o jogador e alimentam mais a rica história do mundo;
- A melhor história da subsérie Stories até o momento.
Contras:
- Falta de Monsties e mecânicas que existiam em Stories anteriores;
- Uma experiência portátil inferior a outros jogos da Capcom atuais;
- Falta de um conteúdo pós-game significativo.
Nota
9,5

