- Review | Scott pilgrim EX - 03/03/2026
- Review | POPUCOM - 24/12/2025
- Review | MARVEL Cosmic Invasion - 10/12/2025
Desenvolvedora: Tribute Games Inc.
Publicadora: Tribute Games Inc.
Gênero: Beat’ em up
Data de lançamento: 03 de março, 2026
Preço: R$ 88,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornceda gentilmente pela Tribute Games.
Revisão:
Scott Pilgrim se apaixonou e tudo começou.
Uma das minhas grandes surpresas durante a Summer Game Fest de 2025 foi o anúncio de mais um jogo de briga de rua da franquia “Scott Pilgrim.” Depois da novela da retirada do jogo original das lojas digitais e anos depois com seu retorno, todos imaginavam que a história tinha terminado, principalmente por ser baseado em uma Graphic Novel já finalizada.
No entanto, parece que Bryan Lee O’Malley, o escritor e desenhista da história em quadrinho, deu uma animada em voltar para o seu universo de ex-namorados malignos, primeiro com uma animação para a Netflix e agora com um novo jogo. Desenvolvido e publicado pela Tribute Games, a mesma que fez os recentes Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge e o MARVEL Cosmic Invasion, já vem mostrando que eles sabem do que estão fazendo e que a experiência traz muito bons resultados.
Para quem não conhece o universo de Scott Pilgrim, a história original gira ao redor de um jovem titular, que conhece uma menina chamada Ramona Flowers. Para namorar com ela, contudo, ele tem que derrotar os 7 ex-namorados do mal, tudo se passando em um mundo que de início parece muito com o nosso, mas com muitas loucuras e referências Nerd / Pop. Por exemplo, ao se derrotar alguém moedas aparecem semelhante a recompensas de videogames, pessoas têm poderes (como acessar portais para chegar a outros lugares do país mais rapido), invocação de demônios é algo normal aqui, os veganos são telepatas, e até robôs aparecem de vez em quando, além de várias outras loucuras.
Essa sinopse é válida para a HQ e para Scott Pilgrim vs. The World: The Game, de 2010. Já no novo jogo, em Scott pilgrim EX temos uma nova aventura que depois dos ex da Ramona derrotados e se tornando pessoas melhores, um novo grupo de inimigos aparece para atrapalhar a vida de Scott e Ramona.
Uma nova ameaça vinda do futuro (?!)
Em 20XX, Toronto foi dominada pelas gangues dos veganos, demônios e dos robôs. Aparentemente, tudo está ligado com a aparição do Scott de Metal (bem ao estilo do Metal Sonic), que sequestrou os amigos e instrumentos da banda de rock do Scott original, e com isso uma aliança muito inesperada é formada com o protagonista, Ramona e seus ex-namorados, tendo no total 7 personagens jogáveis: o casal principal Scott Pilgrim e Ramona Flowers, os ex-namorados Matthew Patel, Lucas Lee, Roxie Richter, o Robot-01 (criado por 2 ex da Ramona) e o Gideon Graves, o último chefe do jogo anterior.

Durante a jornada descobrimos que fendas temporais foram abertas, levando para eras diferentes do mundo, onde podemos inclusive conhecer antepassados dos personagens. Por exemplo, o período da baixa idade média, que é conhecido pela sua arte e arquitetura gótica, faz com que tenha personagens da gangue dos demônios e antepassados dos personagens góticos modernos.
Para acessar as fendas é necessário 3 elementos: um integrante da banda, o seu instrumento e as notas da partitura. Cada parte se consegue fazendo exploração pelo mapa, como a primeira fenda que foi aberta na praia que leva para a era do gelo, onde conseguimos o baixo do Scott. Com o baixo em mãos, temos que procurar as notas em outro ponto da cidade, e ao finalmente tocar (de forma muito semelhante aos zeldas mais antigos como os de Nintendo 64) liberam a próxima fase.

Diferente do jogo anterior em fases, quando após derrotar um chefe um mapa era aberto para ir para outra fase, em uma mistura de Street of Rage com Super Mario World, Scott Pilgrim EX é muito parecido em estrutura com a série Kunio-kun/ River city ransom, que não tem um formato de fases linear e no lugar tem um mapa da cidade onde cada quarteirão da cidade é uma tela, com NPCs, inimigos ou lojas. De início parece que a cidade é toda acessível, mas existe sempre algo para impedir, como as fendas temporais ou algum NPC com missão de história.
Toronto: uma cidade muito violenta
Mas assim como qualquer outro jogo Beat’n up, a história não é a parte importante, e sim a gameplay. Como o jogo tem 7 personagens jogáveis, pode ser complicado fazer com que cada um se diferencia, mas aqui conseguiram fazer um trabalho muito bom. Não existe aquela disparidade com um personagem batendo mais rápido que o outro ou com mais dano; em Scott Pilgrim EX cada personagem tem um diferencial: Scott é o personagem padrão, com um pouco de cada na gameplay para todas as situações, já a Ramona, por ela poder ter acesso à “rodovia subespacial”, ganha um poder de acessar portais e pode teleportar pelo mapa; ou ainda há o Gideon, que pode dar um contra-ataque ao ser derrubado fazendo com que cada um tenha um diferencial.
Beat’n up sempre tem ataques especiais para se usar em chefes e contra multidões, como o clássico “chamar o carro de polícia do Street of Rage”. Em Scott Pilgrim EX também apresenta especiais ao se chamar aliados, mas diferente do clássico da SEGA os auxílios não são pré-definidos para os personagens. Cada jogador escolhe o seu, desde Wallace, que dá um debuff nos inimigos e diminui o dano, até as hipster demoníacas do Metthew, para uma opção mais ofensiva. Ao longo do jogo é possível desbloquear ainda mais suportes; eu terminei o jogo liberando 14 ajudas sabendo que não peguei todas, por exemplo.

Assim como River City Ransom, Scott Pilgrim EX tem um sistema de comprar comida nas lojas da cidade, para se curar e aumentar os status como ponto de vida (PV), que aumenta a quantidade de HP, “FV”, que é força de vontade que te garante continuar jogando mesmo ao chegar os 0 de vida, “For”, que é força para o quanto de dano você causa e “Agi”, para a velocidade do personagem. Além das comidas para melhorar os status, também existem acessórios e insígnias que também podem ser compradas: acessórios são peças de roupas para equipar bem no estilo de RPGs, com melhorias de status variados, podendo equipar até 4 peças; já as insígnias podem ser equipadas em um par por vez, com atributos extras.
Como joguei joguei antes do lançamento não pude testar o online, mas isso não me impediu de jogar multplayer à distância. O jogo tem opção de multplayer além do local e online também, utilizando o gameshare com gamechat no Switch 2, e pude jogar de forma que parecia que estava jogando de forma presencial. O redator da equipe que experimentou o jogo comigo, contudo,relatou um pouco de lag inerente à opção de se jogar via streaming, mas ainda assim conseguimos jogar e derrotar 3 chefes.

Time que esta ganhando não se mexe
Além do retorno do autor original da série, Bryan Lee O’Malley, Paul Robertson também retornou com a pixel art e animação trazendo toda a carisma e identidade ao universo do game. Se você já conhece o jogo anterior, que é belíssimo, nessa sequência ele voltou com tudo, e dessa vez se inspirando mais nos visuais usado no anime da Netflix do que nas HQ.
Uma das maiores identidades da franquia é a trilha sonora feita pelo banda de pop rock chiptune Anamanaguchi, que estreou no primeiro jogo e que retornou na série animada, e que aqui mais uma vez estrela no segundo jogo (eles podem pedir música no fantastico já?). Mas não sei afirmar se conseguiram a proeza de conseguir fazer uma trilha sonora tão marcante quanto a primeira, apesar de não ser ruim. Talvez a trilha do primeiro jogo seja tão incrível que mesmo depois de 10 anos permanece intocável.
Nem todo romance é só Flowers
Mesmo antes de terminar essa review tenho que falar que esse foi um dos beat’ em up mais divertidos que já joguei, mas isso não impede que tenha problemas. Durante a jogatina senti que existia picos de dificuldades bem acentuados em alguns chefes que me fizeram sentir obrigado a voltar para farmar dinheiro e comprar comidas e equipamento para melhorar meus status. Enncontrei chefes muito dificeis na metade inicial do jogo o chefe finals posso chamar de uma depressão de dificuldade, que quando terminei eu pensei que seria que era a primeira parte da luta apenas.

Outro dos problemas é a resolução dos mistérios do jogos que não são revelados. Não darei, spoilers mas falarei de acontecimentos depois dos primeiros 3 chefes sem muitos detalhes. Depois das partes iniciais, descobrimos que o conflito entre as gangues é por causa de um grupo que está por trás de tudo, e terminamos o jogos sem saber ao certo que eles são e nem o real motivo da aparição do Scott de metal.
Como já citei anteriormente, Scott Pilgrim EX é um dos jogos mais divertidos do gênero que mesmo com os problemas citados eu zerei 3 vezes antes de começar a escrever a review. Os personagens são maravilhosos, mesmo já sendo conhecidos, o mundo é belo e louco, juntando coisas reais com elementos de jogos e quadrinhos. O visual lindo em pixelart marcante e único com as mecânicas incríveis que a Tribute Games fez esse se tornar o meu trabalho favorito deles.
Prós:
- Visuais pixelados lindíssimos;
- Apresenta boa quantidade de personagens jogáveis;
- Retorno da banda Anamaguchi para a trilha sonora do jogo.
Contras:
- Picos e depressão de dificuldades em momentos errados.
Nota
9
