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Desenvolvedora: Mimimi Games
Publicadora:
Gênero: Tático em tempo real | Stealth
Data de lançamento: 18 de março, 2026
Preço: R$ 225,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Daedalic Entertainment.
Revisão: Davi Sousa
Um dos maiores prazeres da atividade de redator de análises é descobrir títulos ditos como cult ou incríveis por um grupo nichado e bem distante do nosso radar. No último Nintendo Direct: Partner Showcase, transmitido no início de fevereiro, a Nintendo incluiu um trecho curto do port de Shadow Tactics: Blades of the Shogun para o Nintendo Switch 2, e confesso que esse não foi, em absoluto, um anúncio que tenha chamado minha atenção.
Quando recebi o jogo para avaliação, contudo, lembrei-me de que o título se assemelhava muito a um jogo que havia chamado minha atenção há alguns anos: Shadow Gambit: The Cursed Crew, especificamente pelo visual muito marcante de uma tripulação de piratas fantasmas, e apenas então juntei as pontas: tratam-se de jogos produzidos pelo mesmo estúdio. Levemente intrigado, fui avançando no jogo, interessando-me cada vez mais e, logo mais, já me via não apenas completamente preso na gameplay como também sentindo-me pertencente a uma comunidade de jogos de estratégia que idolatra esse jogo, mas tão diminuta que nunca havia passado no meu radar.
Desde o lançamento do Nintendo Switch 2, esperava por algum título que justificasse a funcionalidade do mouse, até então reservada para minigames um tanto banais ou para o incremento dos controles de movimento. Foi, contudo, no resgate de um clássico que de fato senti um enorme diferencial com a troca de geração.
Isso só me foi permitido, porém, porque permiti-me a explorar um pouco mais um jogo pelo qual não esperaria me interessar tanto. Por isso, devo alertar, leitor, que minhas palavras só farão sentido com uma certa suspensão de receios naturais. Convido-o a verdadeiramente abrir mente e peito para esse jogão, mesmo com seus cinco segundo de aval do time de marketing da Nintendo.
Mouse: a revolução silenciosa
Em toda geração, a Nintendo se esforça para criar algo novo. O Nintendo Switch 2 parece ter sido uma exceção.
Claro, o upgrade gráfico permite o port de muitos jogos de peso, mas esse passo não pode ser visto como algo além do básico. A verdadeira aposta, ao menos ao meu ver, estava na verdade no controle de mouse. Mas dizer que essa funcionalidade é algo novo, ainda mais revolucionário, é ingenuidade. A tecnologia por trás da funcionalidade é, sim, inovadora, mas, no fim das contas, o fim permanece sendo a inclusão de um mouse no novo console da Nintendo, e isso por si só é um tanto trivial, principalmente porque, até o momento, poucos jogos incorporam a funcionalidade como algo essencial em sua experiência.
Shadow Tactics: Blades of the Shogun, contudo, abriu meus olhos para algo simples, mas extremamente relevante. Essa funcionalidade não precisa criar algo novo, mas sim auxiliar na inclusão de mais jogos no catálogo. Agora, jogos que eram essencialmente experiências voltadas ao PC, cujos portes a consoles precisavam de inúmeros comprometimentos, agora podem ser facilmente portados para o Switch 2, aumentando ainda mais a galeria e redobrando a aposta em jogos third parties. E ver nesse jogo tal verdade foi extremamente benéfico.

Shadow Tactics: Blades of the Shogun é um jogo de estratégia em tempo real. Aqui, controlamos um grupo de combatentes no período Edo, servindo sob o comando de um xogum influente como suas sombras, agindo em missões discretas ao se infiltrarem nas forças inimigas ao invés de tomar um confronto direto. A ambientação por si só já abre espaço para cenários e situações muito diversas, fazendo-nos controlar ninjas, lutar contra samurais e mudar o destino do Japão.
O grande ponto é que, apesar de ser possível jogar com um esquema de controles normal, o jogo foi criado para ser jogado no PC, com mouse e teclado. E recriar essa experiência em um console de mesa é algo simplesmente inacreditável.
Em um primeiro momento, tive certa dificuldade em me adaptar, confesso. Jogos que requerem barra de ação acessa a cliques, movimentação completamente coordenada com cliques e cliques duplos, e a movimentação da câmera em outro Joy-Con, com o analógico simulando o quarteto A, W, S, D… as associações cognitivas criaram certos bloqueios. Precisei encontrar, também, uma forma de jogar com o mouse apenas na perna, sendo que os controles mudam assim que o Joy-Con é erguido. Foi, sem dúvida, um desafio pelo mero costume.
Entretanto, insisti. Usei uma mesinha de apoio no sofá, apoiei o Joy-Con e algo engatilhou em meu cérebro. Ainda é estranho usar o botão R como botão esquerdo do mouse e o ZR como botão direito, principalmente quando o polegar controla ainda o analógico e os botões do mesmo Joy-Con, enquanto a outra mão não apenas se ocupa dos botões tradicionais, mas também do SR e do SL… foi apenas nesse esquema, e jogando o jogo do início ao fim como se estivesse em um PC, que o mar de possibilidades se abriu diante de mim.

Se falo em demasiado dos controles, é porque esse é de fato o grande diferencial da versão do Switch 2. O jogo já havia sido portado para PlayStation 4 e Xbox; portanto, já era possível jogá-lo com controles usuais de console. O port original, sem comprometimentos, da versão de PC, mas que pode ser jogado em uma TV ou no modo tabletop, transforma essa edição em um primor técnico que abre muitas portas tanto para outros jogos do já falecido estúdio Mimimi Games (como Shadow Gambit e Desperados III), mas também para jogos que nunca sonhariam em ports para console sem comprometimentos, como The Sims, Cities: Skylines, Terraria, Minecraft…
Insisto nesse ponto porque meu entusiasmo sem dúvidas influenciou, e muito, a minha experiência com o título, tornando-se sem dúvidas uma experiência muito necessária para aqueles que, assim como eu, até então estavam se sentindo um tanto frustrados com a falta de aplicabilidade dessa função. Ajuda, e muito, o jogo ser um dos melhores táticos já desenvolvidos.
Um exercício de paciência
Comparando a outros jogos do gênero, o grande diferencial de Shadow Tactics: Blades of the Shogun é seu aspecto de tempo real. De certa forma, é como se XCOM encontrasse Metal Gear Solid: temos que, a todo instante, ter ciência do espaço ocupado por cada unidade aliada, aprendendo o comportamento das unidades inimigas (ciclos, rotinas, campo de visão) e avançando pouco a pouco, com ações coordenadas que podem ser programadas e ativadas em conjunto. Quando devemos controlar cinco unidades ao mesmo tempo, cada um com sua característica, o jogo se transforma em exercícios de paciência, fazendo-nos esperar o tempo certo e estimulando a experimentação por meio de quick saves e loads com o pressionar de um botão.

Como os mapas são grandes, é importante traçar planos de ação antes de executá-los, sendo possível passar pelas fases de inúmeras formas diferentes. Algumas missões podem demorar até duas horas (ou mais), mas, com a experiência, o tempo pode ser reduzido para quinze minutos.
A rejogabilidade, inclusive, é um atributo importante, com cada fase oferecendo uma lista de objetivos paralelos que estimulam novas soluções. Ao mesmo tempo, os objetivos são completamente opcionais, sem oferecer aquele gosto amargo de progresso barrado porque o jogador deixou de ganhar não sei quantas estrelas em uma missão. É um alívio ter um jogo que estimula a criatividade e que não pune soluções fora do previsto.
O enredo gira ao redor de forças ocultas que buscam derrubar o Xogum ao qual nosso grupo serve, e evolui para caminhos um tanto previsíveis, mas que marcam por afetar diretamente a gameplay. Um diálogo solto ou uma cena bonitinha podem entreter, mas sentir perdas ou mudanças porque a gameplay muda de forma coordenada é a forma como narrativas em jogos de fato fazem sentir.
Dentro dessa estrutura, os personagens apresentam carisma, evoluem e apresentam um desfecho bem satisfatório. Entendendo isso, os desenvolvedores ainda lançaram a DLC standalone Aiko’s Choice, que será lançada no mesmo dia de Shadow Tactics: Blades of the Shogun no Nintendo Switch 2, e que a Daedalic também gentilmente ofereceu ao site. A trama da DLC se passa no meio da narrativa do jogo original, antes de um evento-chave e que explora ainda mais a dinâmica do grupo. Essencialmente, são mais fases para um jogo que já era consagrado e querido.

Todos os caminhos levam à Roma
Shadow Tactics não conseguiria alcançar seu nível de qualidade sem um level design à altura. Entendendo isso, os desenvolvedores não pouparam esforços em criar mapas distintos, com mecânicas próprias e marcantes. Mesmo com elementos em comum, cada fase tem um elemento que a distingue das demais, com muita verticalização, formas distintas de se alcançar o objetivo e criando rotinas orgânicas aos NPCs, dando uma impressão de vida aos inimigos.

Além disso, são poucas as missões em que conseguimos utilizar todos os personagens. Como cada missão exige limitações de personagens, certas ações que seriam fáceis com um personagem se tornam desafios a outros, e vice-versa. O mais importante é que, com o sistema de saves, não é nem um pouco frustrante errar uma ação, dar um passo em falso ou tentar um caminho que dá errado.
Uma falha mostra um inimigo que estava oculto, ou nos revela um caminho que não havíamos cogitado anteriormente. Esse ganho de inteligência nos torna mais atentos ao redor, e quando chegamos à última fase, que é extremamente desafiadora, conseguimos ganhar muito espaço tendo ciência de todas as funcionalidades possíveis com os personagens.
Outro ganho da edição do Switch 2, inclusive, é a possibilidade de deixar o jogo em segundo plano caso a fase se prolongue mais do que o tempo disponível para jogarmos. Sei que essa não é uma funcionalidade exclusiva do jogo, mas, particularmente, algo que me frustra ao jogar em PC é a impossibilidade de ter uma forma de pausar o tempo de jogatina de forma conveniente, principalmente com os compromissos da vida adulta que, bem sabemos, reduzem de forma significativa os dias em que conseguimos jogar sem parar algo que nos vicia.
A tática do sucesso
Não me surpreenderia se poucas pessoas ficarem animadas com esse lançamento. Mas, tendo chegado até aqui, leitor, peço que passe a pensar com mais carinho com esse anúncio. Olhando apenas do lado de port, o jogo em si abre muitas portas para o que o Nintendo Switch 2 pode vir a fazer no futuro, e, por si só, carrega um peso de pioneirismo que, sem dúvida, precisa ser considerado no futuro.

A fim de transparência, encontrei alguns problemas mínimos na minha jogatina, mas que, no momento, não posso dizer se são problemas de uma build entregue um mês antes do lançamento, e que, portanto,, pode vir a ser trabalhada, ou se são problemas já presentes no PC. Tive um crash, mas que não me fez perder progresso, visto os saves frequentes que o jogo estimula o jogador a engatilhar, e encontrei um ou outro glitch visual com corpos de oponentes que permaneciam no mapa mesmo após terem sido ocultados.
Além disso, acredito que o controle do Joy-Con poderia estar um pouco mais refinado, com alguns inputs de movimento não sendo registrados. Acredito que, com mais jogos do tipo, a própria Nintendo pode vir a introduzir alguns updates da funcionalidade do mouse, mas, mesmo apoiando o controle em uma mesa, por vezes tive dificuldade em selecionar espaços específicos no mapa.
Já analisando o jogo em si, acredito que não tenho muito a adicionar frente à recepção extremamente positiva que o título já teve desde seu lançamento, há dez anos. Seu loop é engajante, seus personagens são adoráveis, as fases, complexas… é um jogo tático para ninguém colocar defeito. Mesmo com pouca variedade de inimigos, é sua disponibilização e suas rotinas diferentes que dá pluralidade à experiência.
Prós:
- O port tira proveito de todas as funcionalidades do Switch 2 para entregar uma experiência sem compromissos;
- Loop de gameplay engajante, com variedade de situações e de personagens;
- Narrativa envolvente, com consequências na gameplay que a tornam ainda mais significativa;
- Level design primoroso, com a ambientação nos transportando diretamente para o período Edo.
Contras:
- Leves glitches visuais;
- Controles de mouse são bons, mas poderiam ter maior refinamento.
Nota
9
