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Revisão: Manuela Feitosa
Mesmo quem não curte Beat ‘em ups deve conhecer Double Dragon pelos seus jogos, pelo filme live-action de 1994 ou até mesmo pelo crossover com Battletoads. Mas será que tantas pessoas conhecem a sua série irmã, River City/Kunio-kun?
No Japão a série é conhecida por seu protagonista Kunio-kun, que também dá nome a série, e é do mesmo criador de Double Dragon Yoshihisa Kishimoto, falecido no dia 2 de abril deste ano — curiosamente, comecei a jogar o jogo porque fiquei sem internet e quando terminei de jogar, soube da notícia — e por possuir o mesmo gênero e criador muitas vezes podemos observar personagens de uma série na outra.
Diferente de Stret of Rage ou Final Fight que são jogos semelhantes no gênero, River City muda a sua ambientação, no lugar de gangue e cidades inspiradas no Estados Unidos, River City é inspirado em cidades e gangues japonesas, e com isso o jogo sofreu muitas alterações de nomes e visuais quando foi trazido para as Américas e Europa. Algumas mudanças mais notáveis foram os nomes como Kunio virando Alex e Riki para Ryan, e a troca dos seus uniformes de colegiais para camisa e calças para deixar o jogo mais ocidental.

Como estou escrevendo sobre um jogo do final dos anos 80, certas tradições ainda são comuns, como por exemplo a história clichê da mocinha sequestrada. Assim como a Peach é raptada por Bowser em Super Mario Bros., a filha do prefeito Haggar é levada pela gangue Mad Gear em Final Fight, a namorada de Riki melhor amigo de Kunio é sequestrada por outra gangue. Ela é raptada e Alex e Ryan têm que explorar a cidade para achá-la, e para isso temos que enfrentar os chefes das gangues da cidade e conseguir as informações de onde ir, fazendo com que exista uma dinâmica legal de circular pela cidade.
Sempre uma cidade violenta
Diferente de Double Dragon que ficou popular nas Américas, River City ficou mais obscuro, mas não pela ausência de qualidade e criatividade. River City Ransom, diferente de outros jogos do gênero onde se anda da esquerda para direita derrotando hordas de inimigos até chegar em um chefe e depois faz a mesma coisa em mais outras fases, possui um mundo que pode se dizer que é um “mundo aberto”, ou melhor, “bairro aberto”, onde a única coisa que te impede de prosseguir são os inimigos no caminho.
Esta liberdade de poder ir para qualquer lugar do bairro é algo incrível de se imaginar sendo feita em 1989 no Nintendinho, e nunca explorada no gênero de briga de rua por outras franquias até recentemente neste ano com Scott Pilgrim EX. Mesmo tendo um mundo bem pequeno e simples com poucas ruas e alguns centros comerciais, a sensação de ser uma cidade grande é muito bem criada.

Um dos pontos que mais causa estranheza inicial é a falta de itens para recuperar vida, pois normalmente ao derrotar inimigos ou quebrar objetos do cenário obtemos comidas que servem para esse propósito, porém Kunio e Riki são mais higiênicos que outros protagonistas de beat ‘em up e para recuperar o HP perdido eles vão para restaurantes que têm pela cidade.
Como já citei anteriormente, temos nesse jogo centros comerciais que são ruas com lojinhas, onde podemos usar o dinheiro que pegamos dos inimigos. Nessas ruas também temos livrarias, onde podemos comprar livros que dão upgrade de status e golpes novos que deixam o jogo bem mais fácil, por sinal.
Além de recuperar vida também melhoramos os status (semelhante a como funciona em um RPG) como defesa, força de soco, chute, arremesso e uso de itens. Para essas melhorias é só ir nos restaurantes, podendo comer no local ou levando para viagem.
Vale tudo, só não pode morder
Falei e falei, mas não citei nenhuma vez como é jogar, que é o que deixa um jogo divertido. Como é um jogo de NES temos que pensar na limitação de botões — com A e B os personagens dão soco e chute e com os dois botões pulam, fazendo uma gameplay simples sem ataques especiais ou poderes, e ao comprar os livros que citei anteriormente para aprender novos ataques a gameplay não muda muita coisa. Qualquer um ao ver que dá pra aprender novos golpes imaginaria algo como apertar uma certa combinação de botões para o personagem usar o novo ataque, mas é apenas uma evolução do ataque básico; um soco vira três socos rápidos e a mesma lógica se aplica para chute e uso de armas que se encontram no chão.

Como ja citei uso de armas, vou aproveitar e e aprofundar e falar sobre elas, às vezes parece que é um item de trapaça, eu não me lembro durante a minha gameplay de algum bastão ou corrente quebrar durante o uso ou sumir ao cair no chão, a junção do item ser indestrutível e forte facilita a transição entre os cenários, mas se algum inimigo estiver armado pode ser um pesadelo lutar contra.
Todo mundo aqui é gêmeo?

Mesmo me fascinando e achando tudo muito legal e diferente para um jogo que tem quase 40 anos, ainda existem pontos negativos. Algo comum em qualquer jogo é ter variedade de inimigos; em briga de rua normalmente se tem o inimigo pequeno e rápido, o gordo e grande difícil de matar, a mulher vestida de dominatrix e muitos outros clichês de personagens. Porém, em River City Ransom, eu me senti lutando com os mesmos inimigos desde o primeiro mob até o último chefe, havendo apenas mudanças na cor de roupa e um cabelinho ou óculos para diferenciar, e eu só percebia a diferença entre chefes quando a música mudava.
Uma joia perdida acessível para muitos

Jogar essa joia do NES foi uma das melhores coisas que já fiz esse ano em relação à videogame, e a única coisa que me arrependo é de não ter jogado antes. Joguei no emulador do Nintendo Switch Online e este jogo estava lá desde o lançamento do aplicativo em 2018, mas ficou “escondido” atrás da sombra de gigantes como Super Mario Bros. e The Legend of Zelda. Minha esperança é que algum dia mais gente conheça River City como jogo e como série.
