- Review | Back to the Dawn - 05/04/2026
- Review | Pokémon FireRed Version - 08/03/2026
- Kanto em evidência: As diferentes encarnações da icônica região de Pokémon - 25/02/2026
Desenvolvedora: Metal Head Games
Publicadora: Clouded Leopard Entertainment
Gênero: RPG | Aventura
Data de lançamento: 5 de março, 2026
Preço: R$ 199,50
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Clouded Leopard Entertainment.
Revisão: Davi Dumont Farace
Back to the Dawn é um RPG indie onde iremos acompanhar animais antropomórficos. Sim, furries em uma prisão, numa trama de mistério e investigação.
O jogo tem bastante enfoque nas atividades sociais e na interação com o mundo, me lembrando imediatamente de outros jogos do gênero como Disco Elysium, ainda mais somado a sua outra principal característica, o tempo limitado, onde passamos um período de 21 dias na prisão tentando conquistar nosso principal objetivo que pode variar dependendo do protagonista escolhido no início da campanha.
Sendo um indie já aclamado no Steam e recém-chegado para o Nintendo Switch 2 e Nintendo Switch, Back to the Dawn impressiona bastante pela sua ambição e pelo seu conteúdo, mas nem sempre da melhor forma. Vamos olhar mais profundamente como o jogo se desenrola e o que podemos esperar desta aventura.
Impressões
Back to the Dawn me deu impressões mistas desde um primeiro momento, com gráficos impressionantes em pixel art, que é um estilo que já possui um lugar especial no meu coração.

O jogo é bastante impressionante. Por outro lado, em poucos minutos de jogo senti que já tinha sido apresentado a uma quantidade de sistemas suficientes para alguns jogos funcionarem inteiramente, e não estava nem perto do que Back to the Dawn realmente tinha a oferecer. Eu não acho que a quantidade extrema de sistemas, possibilidades, escolhas, rotas e conteúdos desse jogo é um demérito por si só, mas eu devo ressaltar que a apresentação breve de todos esses conceitos me deixou bastante sobrecarregado no começo. Com o passar da aventura, fui me acostumando com os sistemas.
Mas acho importante ressaltar que caso você não tenha tanta experiência com RPGs densos e cheios de sistemas, opções e possibilidades, esse jogo pode ser muito para digerir no começo. Mas caso você abra seu coração e dê uma chance, continue comigo e vamos entender do que se trata todo esse estofo de Back to the Dawn.
O sistema carcerário
O jogo se passa em um período de 21 dias dentro da prisão onde grandes conspirações acontecem o tempo todo. Com dois personagens para o jogador escolher, além de diversas rotas de fuga para cada um durante a jornada, o jogador tem uma quantidade absurda de escolhas o tempo todo. O que por si só já tornaria a experiência interessante.

Mas para além disso temos um sistema de RPG bastante robusto, com uma tabela de diferentes status que podem ser lapidados, um sistema de stamina, a própria passagem do tempo que pode ser bem punitiva, dados sendo rolados o tempo todo, pontos de foco e tudo que o gênero tem direito. O jogo ainda conta com um combate de turno surpreendentemente denso, e principalmente pede que o jogador explore, se planeje e abuse diversos sistemas para conseguir conquistar o desafio da prisão.
Denso realmente é a palavra que eu usaria para definir a experiência, e ela é também, embora intuitiva para veteranos, pouco acolhedora. No início do jogo, o jogador vai ser bombardeado com longos textos de tutorial, sendo que na própria seção de menu designada para eles temos dezenas e dezenas de tutoriais. Mesmo para alguém com um bom hábito de jogos pesados em textos como eu, Back to the Dawn foi um jogo um pouco cansativo de se adaptar, então é bastante difícil de recomendar para jogadores mais casuais.
Ainda assim, devido a sua dificuldade elevada e ambição nos sistemas é com certeza um prato cheio nesse quesito para entusiastas de RPG mais Hardcore.
De preso para preso
Não só de sistemas o jogo vive essencialmente. Aqui temos outros diversos fatores que enriquecem a experiência: o jogo conta com muitos personagens, que inclusive podem variar dependendo de qual protagonista é escolhido. Esses outros presos funcionam em boa parte na base de trocas de favores, podendo favorecer o jogador, habilitar possibilidades e sendo parte essencial do que o jogador estará fazendo no dia a dia, interagindo com esses outros personagens.

Além disso outras coisas como recreação e trabalho fazem parte de sua rotina na prisão, a qual o jogador deve abusar para conseguir o máximo de informações e recursos possíveis, já que novamente, o tempo é limitado, e a história avança com o passar dos dias, fazendo com que inevitavelmente o jogador perca eventos se não estiver sempre bem posicionado, o que é quase impossível em uma jogatina cega.
Isso dito por outro lado, o jogo é pensado de maneira a facilitar múltiplas jogatinas, e isso agrega muito fator replay a experiência.
Tem dois lobos dentro de mim
Por fim, apesar de ter sido capaz de me divertir em alguns momentos, e ficar sempre deslumbrado pela apresentação do jogo, Back to the Dawn foi muito para digerir. Ele é um jogo para ser jogado com muita atenção. Porém, na maior parte do tempo ele não foi capaz de reter minha atenção na mesma medida.

Eu não fui especificamente cativado pelos protagonistas, e isso atrapalhou um pouco minha experiência. Mas mesmo assim vejo que o jogo é um projeto de amor com uma ambição tremenda, uma quantidade massiva de conteúdo, sistemas de RPG complexos e bem polidos, além de uma premissa interessante.
Enfim eu recomendo sim Back to the Dawn, desde que sistemas complexos, dificuldade e fator replay te pareçam uma ideia que vale a pena dar uma chance, pois sei que o jogo não vai te deixar na mão nessas características; mas caso grandes volumes de leitura e decisões de alta pressão o tempo todo não sejam seu tipo de aventura instigante, então temos opções mais acessíveis e com bem menos barreira de entrada e demanda que Back to the Dawn no hall de RPGs indies ambiciosos modernos.
Prós:
- Sistemas de jogo ambiciosos;
- Apresentação deslumbrante;
- Muito conteúdo para explorar e um ótimo fator replay.
Contras:
- Não é um jogo muito acolhedor;
- Tutoriais aquém do esperado;
- Barreira de entrada alta para novatos no gênero.
Nota
8
