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Desenvolvedora: Ember Lab
Publicadora: Ember Lab
Gênero: Ação | Aventura
Data de lançamento: 26 de março, 2026
Preço: R$ 229,90
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PC, PlayStation 5, PlayStation 4
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Ember Lab.
Revisão: Manuela Feitosa
Ver Kena: Bridge of Spirits rodando em uma plataforma da Nintendo gera uma certa surpresa. Apesar de não ser de um estúdio interno da Sony, o anúncio do game foi muito relacionado ao PlayStation 5 graças ao contrato inicial de exclusividade entre a desenvolvedora Ember Lab e a gigante japonesa. Na época do anúncio, o game era um dos escolhidos para demonstrar o poderio do novo console e parecia um filme animado jogável.
A comparação é até coerente, levando em conta que a Ember Lab antes viralizou na internet por produzir o curta “Majora’s Mask – Terrible Fate”, um tributo ao aclamado jogo de N64. Nessa animação, é evidente como o estúdio é talentoso em direção, fotografia, modelagem 3D e animação, não à toa uma das grandes razões que fez o vídeo popularizar foi justamente a qualidade de produção de alto nível.
Levando em conta a existência desse tributo a um jogo de uma das franquias mais famosas da Nintendo, é evidente que muitos desenvolvedores dentro da Ember Lab devem estar felizes de finalmente ver a sua franquia aparecendo em um console da empresa. Pessoalmente, sempre tive um certo interesse no jogo, principalmente pelo visual que chama atenção, e agora, tive a oportunidade de jogar o game pela primeira vez no Nintendo Switch 2 e compartilharei a minha experiência com vocês.
Deslumbrante

Logo de cara, é evidente a experiência da Ember Labs com a produção de animações em 3D. As cenas de Kena: Bridge of Spirits são bonitas e recheadas de ângulos cuidadosamente pensados para impressionar. É bem verdade que as cenas são vídeos pré-renderizados, o que em alguns jogos seria um problema ao gerar aquela estranheza entre o visual renderizado em tempo real e os arquivos de vídeo, porém aqui é quase imperceptível, o que se vê durante o gameplay se aproxima muito do que é visto nas cenas.
A protagonista, Kena, é uma guia espiritual, uma garota que ajuda pessoas a seguir em frente, que ficam presas entre o físico e o espiritual após a morte, por conta de acontecimentos em vida que as impedem de seguir em frente. A narrativa se passa principalmente em um vilarejo no meio de uma floresta, onde a personagem se encontra com espíritos que precisam de ajuda para continuar.

O jogo é fortemente inspirado pela cultura asiática, na estética, na arquitetura e nas referências religiosas. É tudo bem bonito e de certa forma traz um pouco daquele visual típico de alguns filmes dirigidos por Hayao Miyazaki, ainda mais considerando que é uma jovem protagonista em uma floresta mística.
Apesar da proposta cinematográfica, não há muito para se destacar na narrativa de Kena: Bridge of Spirits. Os personagens chamam atenção pelos visuais e há uma tentativa de criar momentos para emocionar e fazer o jogador se conectar com os personagens que Kena encontra, no entanto confesso que para mim a maioria dos momentos pareceram rasos, gerando pouca conexão emocional. Para exemplificar rapidamente, a história da primeira parte do jogo é focada em dois garotinhos em busca do seu irmão.
Tudo que compõe a história teoricamente é para funcionar corretamente e de fato motivam o jogador a ir atrás do rapaz. No entanto, durante os acontecimentos, a narrativa se desenvolve com pouco impacto, a revelação dos segredos e o clímax não são catárticos de maneira impactante, de forma que a sensação final é de estar experienciando algo mediano.

Ao mesmo tempo que a história não atrapalha, também não funcionou para me deixar constantemente interessado no jogo. É um típico caso em que o visual acaba sendo mais interessante do que o que de fato está sendo contado ali. Isso pode ser um reflexo de um time que ainda está aprendendo a contar uma história e precisa errar um pouco mais para acertar a fórmula correta.
Direto e divertido
Jogar Kena: Bridge of Spirits me transportou para um passado cada vez mais distante em que diversos jogos de ação e aventura eram exatamente assim. Ao invés de apresentar um mundo aberto e não-linear, Kena traz de volta a clássica estrutura linear de jogo desse estilo. Não há muito mistério, em resumo o jogador tem um espaço limitado para explorar em cada momento, e deve superar batalhas, quebra-cabeças e desafios de plataforma para avançar.

É direto, mas é simplesmente divertido. Confesso que depois do último game que joguei por aqui, que foi Fallout 4, dar de cara com um level design tão coerente foi um alívio. Cada setor é pensado para utilizar as ferramentas de Kena, seja em combate ou em puzzles simples. Como a floresta é bonita, é gratificante ficar caminhando com a personagem e interagindo com o cenário.
O combate é com certeza um dos grandes focos do jogo. Temos ataque leve, pesado, escudo, parry, esquiva e outras habilidades que o jogador pode ir desbloqueando com o tempo. É um sistema que bebe de muitos jogos recentes, o que já é de se esperar visto que a fórmula tem funcionado muito bem. Gostei principalmente das batalhas contra chefes, que duram mais tempo e exigem persistência, reflexo e aprendizado de padrões.

Me surpreendi com a dificuldade do jogo, no início tudo parece simples e fácil, porém no final da primeira das 3 partes do game, eu já estava morrendo diversas vezes para alguns chefes. No entanto, a frustração não veio e é gostoso tentar inúmeras vezes porque sempre existe a sensação de que o erro está em mim e não no jogo. Fora que, a dificuldade presente aqui acaba sendo um ótimo incentivo para justificar ir atrás de colecionáveis e fazer upgrades na árvore de habilidades para ficar mais forte.
Polido até demais
Tudo em Kena é feito com muito cuidado e o jogo parece bem polido, o que é interessante considerado que foi desenvolvido por um time pequeno e sem experiência prévia com games. A impressão que fica é que o estúdio realmente tomou o maior cuidado possível para entregar um resultado final redondinho, desde o visual até as mecânicas.

Por ser um jogo moderno inspirado em diversos outros games lançados no início dos anos 2000, Kena tem a oportunidade de observar seus antecessores e aperfeiçoar, trazendo mecânicas da melhor forma possível. Raramente o jogo vai “irritar”. Há poucas telas de carregamento, os pontos de viagem rápida são bem demarcados e normalmente é bem claro o que o jogador deve fazer em cada momento específico.
Acho que o maior problema é que eventualmente a fórmula começa a ficar repetitiva: chegar em um novo ambiente, resolver o que tem de ser resolvido, matar alguns capangas e avançar para a próxima área. Assim como um bom Zelda, boa parte da diversão está em liberar novas habilidades, o Arco e Flecha no início do jogo é um bom exemplo, porém a quantidade de novas habilidades não é suficiente para sustentar o jogo inteiro sem alguns momentos de repetição.

Ainda assim, quero reiterar que isso não é tão grave. Essa repetição é quase inevitável em jogos desse gênero e há um esforço real aqui para tentar mitigar esse sentimento. Há interações constantes com NPC’s que você está sempre conversando e estão guiando Kena para encontrar os itens necessários para avançar, de forma que há sempre um senso de progresso. E é claro que preciso citar os rots, criaturinhas que perseguem a personagem e são simplesmente a coisa mais fofa do planeta. Coletar esses bichinhos garantem melhorias e faz com que mais deles fiquem aparecendo nos cenários que você visita do jogo.
É completamente estético, mas ficar equipando os chapeuzinhos que você encontra para esses carinhas também é super satisfatório, apesar da simplicidade.

Funcional no Nintendo Switch 2
Algumas pessoas podem ficar um pouco decepcionadas ao descobrirem que a versão de Nintendo Switch 2 de Kena: Bridge of Spirits está muito mais próxima do Playstation 4 do que do Playstation 5, ainda mais considerando que o jogo roda na maior parte do tempo a 30 quadros por segundo e não 60.

No entanto, confesso que isso não me incomodou. Claro que se você colocar lado a lado vai notar diferenças, resolução menor, menos folhagem e menos fluidez na movimentação, porém, jogando mesmo, Kena está belíssimo no Nintendo Switch 2, os modelos tanto dos personagens como dos cenários mantêm sua integridade visual quase intacta e ainda é muito bonito ver tudo.
Como falei no início, as cenas são pré-renderizadas, ou seja, apenas vídeos. Porém, o visual interno do jogo é tão próximo que tenho certeza que poucas pessoas vão notar a diferença.

A crítica em relação ao desempenho vai infelizmente para o modo portátil, como tem sido recorrente com alguns jogos de Switch 2. Noto que a queda em resolução quando vai para a telinha é mais perceptível do que deveria, o que é uma pena, considerando que muita gente tem o console para apreciar esses grandes jogos no modo portátil. Não chega a ser injogável, porém é algo que me fez dar total preferência para a experiência na minha TV mesmo.
Tem mais a caminho
Kena: Bridge of Spirits faz tudo direitinho: o jogo parece desenvolvido por uma equipe que se preocupa com o polimento e a entrega do produto, e isso é bem bacana, podendo ser sentido em todos os principais elementos do jogo. Não posso deixar de comentar, no entanto, que falta um pouco do caos e da imprevisibilidade aqui em Kena, talvez algo um pouco mais ousado e inovador poderia deixar o game mais memorável.

Ainda é admirável o trabalho da Ember Lab levando em conta que este é o primeiro jogo do estúdio, não à toa o game foi anunciado no mesmo patamar de lançamentos “triple A” durante a divulgação do Playstation 5. O visual realmente é o que cola tudo durante a experiência.
Recentemente tivemos o anúncio da continuação – Kena: Scars of Kosmora, e vai ser bem interessante ver a Ember Lab amadurecer como estúdio nesse novo jogo. Uma pena que até agora não há anúncio de uma versão para a plataforma da Nintendo, no entanto acredito que isso seja questão de tempo. Fica a expectativa para que em uma possível continuação, o estúdio possa dar mais espaço a criatividade e inovação, tirando proveito de todo potencial que a mídia dos games pode oferecer.
Prós:
- O visual do jogo é deslumbrante, com uma estética que parece uma animação 3D de alto padrão;
- Estrutura direta e simples é um refresco para quem está cansado de mundos abertos;
- Nível de dificuldade do combate surpreende com trechos que dão bastante trabalho para jogadores experientes;
- Versão para Nintendo Switch 2 cumpre o seu papel e é uma boa maneira de jogar o game.
Contras:
- História e diálogos não conseguem dar maior profundidade emocional para os acontecimentos do jogo;
- Fórmula pouco original e fortemente inspirada por outros jogos pode se tornar repetitiva durante a jogatina.
Nota
8
