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Desenvolvedora: Bit Bot Media
Publicadora: Crystal Dynamics
Gênero: Plataforma de ação
Data de lançamento: 31 de março, 2026
Preço: R$ 114,90
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Crystal Dynamics.
Revisão: Paulo Cézar Viana de Paiva
Desde Legacy of Kain: Defiance, de 2003, não tínhamos um novo título original da série dos vampiros de Nosgoth. A remasterização dos dois Soul Reaver, em 2024, acendeu nos fãs a esperança de um novo jogo da saga.
Apesar dos sinais sobre um bem-vindo retorno, o anúncio de Legacy of Kain: Ascendance no início do ano pegou muita gente de surpresa. Depois de anos, finalmente teríamos uma continuação — ou ao menos era o que se acreditava —na história de Kain e suas proles. Não foi, necessariamente, o caso.
Visual ruim e trilha sonora pouco criativa
Diferente dos jogos anteriores da franquia, o gameplay deixa de lado a aventura 3D em terceira pessoa para uma progressão lateral, típica de jogos de plataforma 2D. O pouco material de divulgação do jogo me levou a crer, erroneamente, que se tratava de um Metroidvania, um sonho antigo que, confesso, nutrir em relação à franquia.

A aventura porém, é estruturada em capítulos lineares. Uma pena! Pois uma das coisas mais legais dos outros títulos é a sua não-linearidade, o excelente senso de progressão com a aquisição de novos poderes e habilidades. Nada disso reaparece por aqui.
A trilha e os efeitos sonoros replicam, com pouca variação, arranjos do material original presente nos jogos há quase trinta anos. O visual retrô em pixel-art pode até chamar a atenção dos desavisados, mas os sprites de animação dos personagens entregam uma movimentação truncada e anacrônica para os padrões atuais. Os controles falham e não respondem como deveriam, tornando um simples pulo algo muitas vezes frustrante.
Não há criatividade nos combates. É seguir repetindo o mesmo padrão de ataque até o final, não importa o inimigo. E essa lógica vale também para alguns poucos chefes de fase presentes. Em suma, a dificuldade do jogo é artificial e, em muito, resultado dos problemas nos controles e level design.
Na passagem de um capítulo para o outro rolam algumas interações de diálogos com os personagens que impulsionam a história. Em certos momentos essas interações apresentam imagens estáticas (até que legais), em outro momento há uma animação em 3D — e me sinto mal em dizer isso — horrorosa.
E mais para o final do jogo, em momentos chaves, entra uma animação belíssima — presente no trailer de anúncio — que destoa de tudo que foi mostrado até aquele momento. Parece uma colcha de retalhos, sem identidade ou direção, mas que engana o jogador que se guia apenas pelo pouco material mostrado até o lançamento.
O eterno arco de vingança
Ainda falando sobre a história, o fio narrativo segue a premissa dos jogos anteriores, centrada na ideia de vingança. Ascendance parece preparar o caminho para alterações na lore da série em jogos futuros, se apresentando, ao mesmo tempo, como uma continuação e um recomeço.

Ele arranha muito superficialmente o arco de histórias, alterando acontecimentos que já estavam muito bem estabelecidos. Em linhas gerais, o jogo brinca com a já defasada ideia de viagens no tempo, se passando entre o passado, presente e futuro da franquia. Apesar de jogarmos com três personagens distintos, a história é impulsionada através dos olhos da vampira Elaleth.
Durante a campanha controlamos — além da vampirona, acima citada — Raziel, em duas fases distintas de sua vida (uma ainda como um Sarafan e a outra já como o general de Kain) e o próprio Kain. No entanto, mecanicamente, salvo uma ou outra habilidade ou fraquezas em relação às armadilhas do cenário etc, o gameplay dos personagens seguem muito parecidos.
E isso é ruim, pois uma variedade maior de movimentos e ataques, enriqueceria bastante o jogo, conferindo algo que lhe faltou: identidade.
Vale pela história (?)

Uma das coisas mais interessantes do Ascendance é a sua história. Sem sombra de dúvidas foi a curiosidade de saber para onde a narrativa estava rumando, como aquilo se alinharia à narrativa que eu já conhecia e o seu desfecho, que me segurou ao longo da curta campanha do jogo, a qual levei cerca de 4 horas para terminar.
Poder revisitar certos acontecimentos também foi bem legal. Mas, aí entra outro dos muitos problemas do novo título, que afeta tanto aqueles que já conhecem os jogos, quanto quem nunca tiveram contato com eles antes.
Os fãs dos jogos anteriores podem se incomodar com alguns retcons que mudam — ao menos num primeiro momento, ao meu ver, de forma desnecessária — a lore daquele mundo. Por outro lado, quem está chegando agora pode ficar perdido, pois há uma série de acontecimentos e personagens que são muito mal apresentados. Como se o jogador tivesse a obrigação de conhecê-los antes.
No máximo, podemos encontrar códices que explicam, muito brevemente, parte da essência daquele mundo e nada mais. Não há outros documentos e colecionáveis que possam agregar um maior conhecimento sobre Nosgoth, Mobius, Kain e seus asseclas. É tudo muito superficial.
Esperava mais
Além da história, o trabalho de dublagem – que reúne a equipe original de Legacy of Kain – e a localização para o nosso idioma, são pontos a se destacar, em Ascendance. Porém, os muitos problemas presentes acabaram ofuscando demais o retorno da franquia. Jogando eu me via mentalizando, de forma frustrada: “esperava mais”, “a série merecia mais”. A história termina com um gancho para uma futura continuação. Quem sabe eles acertam em um próximo jogo?! Só não façam apostas altas, pois vocês podem perder as asas assim como Raziel.
Prós:
- História intrigante;
- Elenco de dublagem dos antigos jogos;
- Localização PT-BR.
Contras:
- Controles imprecisos;
- Movimentação truncada;
- Visual muito abaixo do esperado;
- Pouco conteúdo;
- Mecânica repetitiva.
Nota
4,5
