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Desenvolvedora: Something We Made
Publicadora: Something We Made
Gênero: Aventura fotográfica| Cozy
Data de lançamento: 29 de setembro de 2026
Preço: R$ 73,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Something We Made.
Revisão: Lucas Barreto
Continuação do título original de 2021, do estúdio independente Something We Made, Toem 2 mantém a mesma qualidade de seu predecessor, apresentando, de forma despretensiosa, uma experiência amigável, leve e divertida.
Aqui é estabelecido que um Toem é todo lindo e raro fenômeno natural, e na história, mais uma vez, controlamos um jovem fotógrafo e aventureiro, que deve deixar a avó em sua terra natal, Homelanda, para viajar rumo ao Festival da Colina Contorcida e registrar mais um fenômeno exótico: o florescer da Bétula contorcida.
Fotografe, relaxe e sorria

Toem 2 é o tipo de jogo pensado para fazer o jogador relaxar e se desligar da realidade. Cumprir os objetivos é, simplesmente, viciante. O mundo não chega a ser tão contemplativo, porque os cenários isométricos não são necessariamente minimalistas. Mas, ainda assim, cada nova área possui uma temática específica que segue certa identidade visual e guarda detalhes que saltam à vista.
Isso sem mencionar o fato de que a arte cartunesca, em tons de preto e branco, encanta como poucos jogos do gênero. A trilha sonora acompanha o senso de escapismo que o jogo proporciona e, apesar de curtinhas e pontuais, as músicas ajudam na nossa imersão por esse mundo.
Mesmo sendo, narrativamente, bem direto, um dos pontos fortes do título é o seu texto, apresentando diálogos e situações, com os NPCs, cercado de boas pitadas de humor que certamente irão te arrancar um sorriso. Em cada cidade que visitamos interagimos com certo número de moradores que precisam de nossa ajuda para resolver algum problema maluco.
Quase todas as soluções desses problemas se dão, obviamente, utilizando a nossa câmera fotográfica, que aqui ganha outras funções para além do registro puro e simples. É possível, por exemplo, apertar um parafuso ou martelar objetos usando a câmera… pois é!
Conclua tarefas e desvende puzzles

Em sua essência, a gameplay consiste em concluirmos as tarefas que nos são dadas pelos moradores. Essas tarefas são apresentadas em forma de desafios e puzzles diversos, a maioria de fácil solução, mas de consequências engraçadas. Em um momento temos que descobrir e registar o paradeiro de estátuas de gnomos.
Em outro encontrar o burro perdido de um fazendeiro. Ou ainda ajudar um padeiro a fazer pão, arrumando o moinho defeituoso. A ideia, portanto, consiste em registrar as situações que nos são pedidas para que tudo seja concluído com sucesso.
Cada desafio superado é carimbado no nosso diário pessoal. Esse diário pode ser acessado a qualquer momento, tanto para ver o que ainda falta concluir quanto o que já foi concluído. O caminho até o Toem, apesar de curto, é feito na garupa de um ônibus que liga às poucas cidades que devemos visitar.
Em toda viagem o motorista comenta alguma curiosidade sobre o próximo destino do fotógrafo aventureiro, como se nos preparasse para a maluquice que vem pela frente. No entanto, para embarcar é necessário um ticket de viagem que só nos é dado ao conseguir um certo número de carimbos no diário.
Avanços e regressos

Jogar Toem 2, tendo experimentado o título anterior, nos permite perceber os avanços e alguns regressos na série. Há um nítido salto técnico no visual. A função de zoom, que podemos dar nos cenários, é bem melhor e precisa. Poder usar o botão de foco ajuda no enquadramento daquilo que queremos fotografar. Existem conquistas, para além dos desafios de cada cidade, que podem prolongar um pouco mais o nosso contato com o jogo. Porém, a ausência de certas funções e objetivos me incomodaram um pouco.
Não há, por exemplo, a possibilidade colocar molduras e aplicar alguns filtros engraçados ao tirar a fotografia ou favoritar uma foto para encontrá-la mais rapidamente no álbum. Da mesma forma, um dos nossos objetivos no primeiro jogo, que consistia em fotografar alguns NPCs com relevância narrativa, numa foto mais estilizada e que acabava servindo como um catálogo biográfico dos personagens presentes, infelizmente foi retirado da continuação.

Algumas escolhas de level design também me desagradaram. Quando saímos de uma área para outra do mapa, se ultrapassarmos os limites da borda que interliga os cenários, nosso personagem cai, como se estivéssemos numa ilha flutuante. Não chega a ser um problema grande, eu sei, mas era algo que não tinha no primeiro jogo.
Não sei se isso realmente foi uma escolha de design ou se é um bug que será corrigido futuramente. Digo isso porque nas minhas primeiras sessões com o jogo, havia um problema de câmera que dificultava o enquadramento para fotografar, mas que já foi resolvido.
Porém, nada me deixou mais triste com Toem 2 do que a sua duração. Por mais que cada cenário guarde uma boa soma de objetivos, como encontrar as fitas com as músicas do jogo, novas roupinhas para o nosso personagem e catalogar cada animalzinho das cidades que visitamos, tudo pode ser concluído com muita rapidez e certa facilidade.
Um pós-jogo seria muito bem vindo, por exemplo. Quem sabe no futuro? A sensação que senti foi de que essa nova aventura é menor do que a que tivemos no primeiro jogo (e isso desconsiderando a área acrescentada por DLC) e era para ser, justamente, o contrário.
Cativando amigos
Mais do que capturar o raro fenômeno natural, nossa jornada até o Festival é moldada pelos amigos e experiências que cativamos pelo caminho. Assim como é a vida no mundo real. É engraçado e, ao mesmo tempo, triste pensar que o maior ponto fraco do jogo é ter que se despedir dele precocemente. E isso, por si só demonstra o quão bom Toem 2 é. Qualquer um que experimentá-lo irá desejar um pouco mais daquele gostoso e divertido mundo em preto e branco.
Prós:
- Cada um dos desafios presentes nos instiga a usar a câmera de forma diferente;
- Visual cartunesco, em tons de preto e branco, é muito bonito;
- A trilha sonora, bem pontual por vezes, casa com o senso de escapismo.
Contras:
- Curto demais: o jogo acaba quando você menos espera;
- A falta de molduras e efeitos de filtros que tinha no primeiro título;
- Existe um bug de trajetória entre mapas.
Nota
8,5
