Desenvolvedora: INTI CREATES
Publicadora: INTI CREATES
Gênero: Plataforma de ação| Coletânea
Data de lançamento: 22 de outubro de 2026
Preço: R$ 262,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Inti Creates.
Revisão: Davi Dumont Farace
Um ano após seu lançamento nas outras plataformas, a Inti Creates decidiu trazer Azure Striker Gunvolt Trilogy Enhanced, a coletânea da série ‘Azure Striker Gunvolt’, para o Switch 2. Além de trazer todos os jogos principais da franquia, a nova versão da coletânea tenta unir o tão criticado terceiro título com seus antecessores, com a inclusão de uma aventura inédita estrelando o herói elétrico e seu rival.
Gunvolt até dizer chega
Azure Striker Gunvolt Trilogy Enhanced reúne os três principais jogos da saga de Gunvolt, além de duas aventuras extras: Azure Striker Gunvolt CONNECT iX e o inédito Azure Striker Gunvolt GX. Tirando o CONNECT iX, que é quase um modo score attack, todos os outros títulos da coletânea possuem um modo story, contando uma parte da longa narrativa da série.

Azure Striker Gunvolt introduz os jogadores ao mundo da série. Vivendo em uma realidade onde pessoas despertam poderes especiais, conhecidos como Adepts, o protagonista GV (Gunvolt) pode utilizar eletricidade e pertence a um grupo rebelde conhecido como QUILL, que batalha contra a corporação Sumeragi, que abusa dos Adepts por motivos próprios.

Azure Striker Gunvolt 2 continua alguns anos após o primeiro jogo. Gunvolt abandonou a QUILL, mas continua em sua luta contra a Sumeragi. Dessa vez, contudo, ele precisa enfrentar EDEN, um país de Adepts que busca transformar o mundo. Além de GV, Gunvolt 2 também coloca Copen, um humano que busca matar todos os Adepts do mundo, como seu protagonista, com suas próprias razões para enfrentar EDEN.
Azure Striker Gunvolt 3 ocorre centenas de anos após o último jogo. Os poderes de Gunvolt saem de controle e ele se transforma em um Dragão, precisando ser selado pela Sumeragi. Kirin, uma membro de uma organização secreta conhecida como Shadow Yakumo, possui o poder de selar a septima, o poder dos Adepts. Utilizando sua habilidade, ela consegue reverter Gunvolt para sua forma humana e agora os dois precisam trabalhar juntos para impedir uma nova organização de adepts, ATEMS, de tentar utilizar um poderoso Dragão para seus planos.

A nova adição da coletânea, Azure Striker Gunvolt GX, traz uma narrativa que busca tentar unir o segundo e terceiro jogos, além de tentar explicar algumas coisas do plot de GV3. Nela, Xiao, um personagem de GV2, tenta salvar o mundo da destruição que Gunvolt vai causar ao se transformar em um Dragão. Copen e Lola, vindos do universo de Luminous Avenger iX, se unem a Gunvolt para reviver suas memórias do terceiro jogo em busca de tentar encontrar uma forma de evitar a destruição.
De certa forma, Gunvolt GX tenta contextualizar algumas coisas do enredo do terceiro jogo, além de tentar seguir um plot point que havia sido mencionado no epílogo secreto do segundo título. A narrativa, contudo, é bem fraca e serve mais como um fanservice para os fãs da série, que podem ver Gunvolt e Copen de Luminous Avenger interagindo entre si. Não ajuda em nada que a história termine de uma forma que faz parecer ser um filler, ainda mais considerando que não há nenhum impacto em si na narrativa do terceiro game.
Corra e atire para todos os lados

Azure Striker Gunvolt Trilogy Enhanced reúne jogos de side-scrolling 2D que incentiva a velocidade, destruindo inimigos rapidamente e sem tomar dano. Aqueles que jogaram Mega Man se sentirão em casa, pois são bem similares, mas eles incentivam muito mais uma jogatina precisa e rápida.
Os jogos possuem uma jogabilidade universal, com apenas algumas pequenas adições exclusivas de cada título. Gunvolt utiliza uma pistola cujo tiros podem marcar os inimigos. Após isso, é possível utilizar o Flashfield, um círculo elétrico que o protagonista pode criar, para causar dano aos inimigos que estiverem marcados. O personagem também pode realizar um dash, pular e ganhar novas habilidades, como pulo duplo e dash aéreo, ao criar itens com chips que são adquiridos ao completar os estágios. Também é possível adquirir armas diferentes que permitem novas marcações, além de alguns efeitos secundários.
Copen, introduzido em GV2, possui uma jogabilidade similar. O rival também utiliza uma pistola para atacar seus oponentes, mas sua arma é mais tradicional. Em vez de usar uma habilidade, Copen pode utilizar EX Weapons, armas especiais adquiridas ao derrotar chefes. É algo quase próximo de Mega Man, mas com o toque especial da franquia Gunvolt.
Já Kirin é uma personagem de combate a curta distância, um pouco parecida com Zero nos jogos da série Mega Man Zero. Ela utiliza talismãs para marcar oponentes e itens nos cenários, enquanto ataca com sua espada. Cada inimigo possui uma barra de vida e a heroína pode realizar até três ataques seguidos com sua arma. Marcar um adversário com talismã aumenta a quantidade de dano que cada ataque realiza, contudo, Kirin possui um certo limite do acessório, que precisa ser recarregado com dois toques do botão direcional para baixo.

Luminous Avenger iX Copen, disponível em ambos, CONNECT iX e Gunvolt GX, é um pouco diferente de sua versão de GV2. Ele se torna um personagem de combate a curta distância, mas ainda possui muito de seu kit original, como as EX Weapons e dash aéreo que permite a marcação de inimigos para ataques de longa distância.
São diferentes estilos de gameplay que podem ser aproveitados nos jogos disponíveis na coletânea. A série Gunvolt incentiva os jogadores a dominar sua jogabilidade e explorar tudo o que o kit de cada personagem pode oferecer. Existe um pequeno período de adaptação para se adequar às mudanças que ocorrem entre cada título, especialmente para o terceiro, que é um jogo muito mais “veloz” do que os outros, na minha opinião, mas a fórmula da jogabilidade 2D mantêm as coisas de fácil domínio.
De uma forma geral, posso dizer que os jogos são difíceis, mas sua dificuldade diminui a cada novo título, graças às adições feitas à jogabilidade dos Heróis. O primeiro jogo recebeu algumas das melhorias de seu sucessor, mas Gunvolt ainda é bem limitado no começo; enquanto títulos subsequentes introduzem mecânicas e habilidades cada vez mais poderosas e úteis ao protagonista azul. Copen e Kirin também são bem mais versáteis desde o começo, o que ajuda bastante quem estiver tendo dificuldades com o herói azul.

A gameplay da franquia incentiva uma jogabilidade agressiva, porém cautelosa. O principal sistema de jogo são os Kudos, que servem como uma forma de pontuação. Destruir inimigos gera pontos e combos aumentam a recompensa. Ser acertado, contudo, trava os kudos e tomar 3 hits seguidos faz com que o jogador perca a pontuação. Utilizar uma SP Skill, a poderosa habilidade especial dos personagens, permite transformar esses pontos na pontuação geral que será registrada ao final do estágio. Cada jogo também adiciona seus próprios quirks para esse sistema.
Apesar de os jogos serem curtos, a Inti Creates incentiva os jogadores a re-jogar os mesmos estágios repetidamente em busca de pontuações melhores, segredos e materiais para criar itens. Esse último (que se faz presente nos dois primeiros títulos), torna a experiência em algo bastante chato, na minha opinião, pois os materiais adquiridos ao final dos estágios são aleatórios e alguns dos itens criados oferecem boas habilidades aos Heróis (especialmente Gunvolt), criando assim um grinding que não é muito comum em jogos desse estilo.
É possível zerar os títulos sem fazer isso, obviamente, mas não dá para negar que ter essas habilidades extras é uma baita ajuda, especialmente nos duelos finais contra os vilões.
A experiência que poderia ter sido um e-mail

De todos os jogos disponíveis na coletânea, tem um em especial que eu quis comentar à parte. Trata-se de Azure Striker Gunvolt GX, a nova experiência da série, que foi anunciado como o extra da versão de Nintendo Switch 2 da trilogia e que estará disponível nas outras plataformas como DLC.
Gunvolt GX é basicamente isso, um DLC. Como expliquei anteriormente, sua história tenta ligar GV2 e GV3 de uma forma mais direta. Uma das principais reclamações dos fãs quando o terceiro título foi lançado foi de que ele ignorava o epílogo secreto do segundo game, que deixava em aberto algo que poderia ser explorado em um terceiro jogo da série.

Gunvolt GX segue desse mesmo ponto, mas sua narrativa pode ser considerada um total filler que existe mais para um fanservice entre seus dois protagonistas. Não entrarei em muitos detalhes, mas saiba que se você espera que esse jogo sirva como um ponto inicial para futuros títulos ou até mesmo de mais contexto ao final verdadeiro de GV3, você ficará desapontado.
O destaque aqui é mais para a jogabilidade em si do que narrativa. Controlamos Copen e Gunvolt ao mesmo tempo utilizando um sistema de tag. Diferente de Azure Striker Gunvolt 3, onde também podíamos alternar de forma limitada entre Kirin e Gunvolt, aqui é mais um tag tradicional. Lembra muito o sistema de Mega Man X8, onde cada personagem tem sua própria barra de vida e habilidades, além de poderem ser alternados a qualquer momento.
Copen utiliza sua jogabilidade de Luminous Avenger iX2, com algumas pequenas modificações. Já Gunvolt é uma versão mais “limitada” de seu estilo de Azure Striker Gunvolt 3, sendo bastante similar à sua jogabilidade dos jogos antigos. Não se deixe enganar, contudo, pois ambos os personagens são poderosos, especialmente Gunvolt, que ainda é bastante “quebrado”.

A base da jogabilidade é Azure Striker Gunvolt 3, mas temos uma grande adição envolvida no sistema de Tag. Destruir inimigos e realizar combos preenche uma barra chamada de Inspiração. Quando a mesma estiver cheia, caso o jogador alterne para o personagem subsequente, ele já entrará no Boost mode, ganhando energia ilimitada, mais força e outros bônus.
Também há uma barra adicional que é preenchida conforme realizamos ações e trocamos de personagem, com cada herói preenchendo uma parte dela. Quando essa estiver completa, é possível utilizar uma MX Skill, habilidade especial em que Copen e Gunvolt realizam um ataque juntos extremamente poderoso.
De certa forma, Gunvolt GX é um jogo bem fácil graças aos dois personagens jogáveis e às adições da jogabilidade com o sistema de Tag. Além disso, o jogo não foi rebalanciado para as mudanças, isso porque, GX utiliza Azure Striker Gunvolt 3 como sua base. Tudo do terceiro título da saga é reutilizado aqui: estágios, músicas, inimigos e chefes. Há até uma explicação mal feita para você enfrentar um Gunvolt possuído no final.
Isso traz à tona um dos problemas que essa coletânea possui, ao menos em minha opinião. Dos cinco títulos disponíveis aqui, três são Azure Striker Gunvolt 3: a versão original, CONNECT iX e Gunvolt GX. CONNECT iX ao menos tem a desculpa de ter sido um DLC oficial lançado para Gunvolt 3.

CONNECT iX era uma experiência curta com Copen, contendo apenas cinco estágios e ele era retirado diretamente de Luminous Avenger iX2 sem modificações. GX oferece mais conteúdo, a aventura completa de Gunvolt 3, Copen tem mudanças sutis em sua jogabilidade e ele ganha EX Weapons exclusivas.
É algo bem melhor se comparado a CONNECT iX, mas ainda parece algo meia boca quando esse título parece mais uma versão atualizada do DLC com uma jogabilidade nova, mas que reutiliza tudo que já existia. Foi engraçado nos estágios finais, onde, o jogo literalmente pulou de uma cutscene in-game para uma boss battle sem explicar a mudança de cenário.
Não me leve a mal, em termos de gameplay Azure Striker Gunvolt GX foi bastante divertido. O sistema de Tag e as jogabilidades de Copen e Gunvolt são muito boas e como eu adoraria que isso fosse expandido em algum jogo futuro da série. Dito isso, não posso não ficar desapontado quando todo o resto da experiência é reutilizado de um outro título. Entendo que era isso ou então algo de menor escopo, mas não custava talvez fazer um ou dois estágios inéditos.
Melhorado para o Switch 2

Em termos de desempenho, Azure Striker Gunvolt Trilogy Enhanced roda sem muitos problemas no Nintendo Switch 2. O título foi Enhanced para a plataforma usando todo o seu poderio a seu favor. Temos resolução de 4k e uma taxa de quadros bem maior, mas, em alguns casos pude notar uma pequena queda na ação, especialmente em Gunvolt 2 ao utilizar uma certa EX Weapon de Copen.
Como os dois primeiros títulos são jogos de Nintendo 3DS, pude notar alguns assets em menor qualidade, especialmente nos menus, mas nada que fique muito desnorteante. A experiência geral entre todos os títulos da coletânea é bem unificada. Todos os jogos oferecem opções semelhantes, incluindo legendas em vários idiomas (Português do Brasil sendo uma alternativa), dublagens em inglês e japonês, além de extras como informações adicionais dos inimigos, personagens e lore geral da série.
Todos os jogos também possuem o Story Mode+, que nada mais é do que as interações entre os personagens ao longo dos estágios. Esta função é interessante para quem curte ouvir os personagens conversando entre si e entender um pouco mais de suas personalidades, mas em sua forma padrão ela mais atrapalha do que ajuda, cobrindo uma parte da tela com texto. Por sorte é possível alterar as configurações para que ela seja transparente.
Ação 2D no bom e velho estilo

Azure Striker Gunvolt Trilogy Enhanced é a maneira ideal de experimentar as aventuras do herói elétrico. Reunindo seus principais títulos e seus conteúdos adicionais, a coletânea é perfeita para quem está em busca de conhecer a franquia.
A Inti Creates é referência quando o assunto são jogos side-scrolling 2D e a saga Gunvolt é prova de que a desenvolvedora não perdeu o seu toque mágico. São cinco experiências, que apesar de similares, oferecem desafios que incentivam os jogadores a dominarem todas as suas mecânicas disponíveis.
Prós:
- Cinco experiências muito boas do gênero;
- Todo o conteúdo adicional dos títulos está incluindo no pacote;
- Bem otimizado para o Nintendo Switch 2;
- Cada personagem disponíveis nos títulos possui suas próprias mecânicas, tornando as coisas ainda mais interessantes;
- Jogabilidade de Gunvolt GX é uma das melhores que já experimentei em jogos do gênero.
Contras:
- CONNECT iX e Gunvolt GX são apenas “reskins” de Gunvolt 3 sem muitas novidades;
- Configuração padrão do Story Mode+ atrapalha demais a ação;
- Elementos de aleatoriedade para conseguir materiais em Gunvolt 1 e Gunvolt 2 estragam um pouco da experiência.
Nota
8,5
