Desenvolvedora: Ubisoft Ivory Tower
Publicadora: Ubisoft
Gênero: Corrida | Mundo aberto
Data de lançamento: 8 de outubro de 2026
Preço: R$ 249,99
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Ubisoft.
Revisão: Davi Dumont Farace
O Nintendo Switch 2 tem recebido muitos jogos de gênero e estilos que seu antecessor não recebia. The Crew Motorfest é um desses exemplos, um título de corrida mais realista e de mundo aberto, além, é claro, de conter elementos de live-service.
O tipo de game que estava escasso no Switch original e que, de certa forma, parece ser um peixe fora d’água quando pensamos na experiência que costuma ser oferecida nas plataformas Nintendo.
Correr pelo Havaí é mais antigo do que você pensa

The Crew Motorfest é o terceiro título da franquia de corrida de mundo aberto da Ubisoft, tendo iniciado em 2014 com o lançamento do primeiro jogo para PS4, XBOX One e PC. Desenvolvida pelo estúdio Ivory Tower, a série coloca os jogadores em um mundo aberto gigante, permitindo que eles explorem e participem de corridas distintas. Motorfest utiliza uma recriação virtual de ilhas localizadas no Havaí: Oʻahu, Maui, Kauaʻi e Niʻihau.
The Crew Motorfest pode ser considerado o Forza Horizon da Ubisoft. Assim como a franquia da Microsoft, o título utiliza um festival como background, oferecendo aos jogadores a chance de competir com veículos de luxo e supercarros, enquanto exploram um local tropical e encantador. Não há uma história geral, mas há vários NPC’s que interagem com comentários durante as corridas, que fazem parte das playlists que podemos participar.

Apesar de Forza Horizon ser a comparação mais óbvia, o DNA de The Crew Motorfest é na verdade ligado a algo ainda mais antigo, a franquia Test Drive. Especificamente, a subsérie Test Drive Unlimited, isso porque a Ivory Tower é composta por desenvolvedores que trabalharam nos dois primeiros títulos de Test Drive Unlimited. Como tal, The Crew Motorfest é quase como uma versão moderna dos dois jogos originais, mas, com melhorias e adições esperadas de um jogo moderno.
O primeiro Test Drive Unlimited chamou bastante atenção na época de seu lançamento, 2006, por conta da recriação quase exata da ilha de Oʻahu, que servia como seu mapa. Para Motorfest, o time fez uma versão reduzida, mas ainda densa, do local, além de introduzir uma variedade de mecânicas, como customização visual, que não estavam presentes naquele título. O mais curioso é que o lançamento da versão de Switch 2 de Motorfest faz com que o título seja ainda mais próximo de seu irmão mais velho, visto que o primeiro Test Drive Unlimited também foi lançado no PSP.

The Crew Motorfest também é uma carta de amor à cultura automobilística. Temos muitas referências a carros e mídias famosas que têm como destaque veículos, além de NPC’s nos explicando e trazendo curiosidade sobre os diferentes modelos. Uma referência que me deixou com um sorriso no rosto foi uma série de eventos de corridas de rua, onde para participar, é necessário adquirir uma BMW M3 E46, vulgo modelo de rua que serviu como base para um dos carros mais icônicos da franquia Need for Speed, e dos games em geral, a lendária BMW M3 GTR. Graças a um sistema de decalques customizáveis criado por jogadores é até mesmo possível usar o visual icônico no jogo, além, é claro, de outras referências ou até mesmo alguns mais absurdos.
Dito isso, The Crew Motorfest em sua forma mais básica ainda é um jogo da Ubisoft. O DNA da empresa e sua fórmula se fazem presentes no título, seja por bem ou por mal. Apesar de ser um jogo muito bom, não podemos negar o grande elefante francês que está na sala.
Aproveitando o festival

The Crew Motorfest é um jogo de corrida com veículos reais e uma jogabilidade mais puxada para um simcade. Ele não é tão realista quanto jogos de simulação, mas ainda requer que o jogador tenha uma certa habilidade para conseguir dominar algumas de suas máquinas mais poderosas. A lista de veículos inclui carros de diferentes tipos e estilos, como os poderosos muscles americanos, que sacrificam estabilidade por potência, os drifters japoneses, jeepers, carros de rua comum, protótipos e até mesmo veículos de fórmula.
Além dos carros, Motorfest também inclui algumas motocicletas, aviões de pequeno porte e lanchas, permitindo que o jogador participe de corridas tanto nas estradas, quanto no céu e no mar. O foco principal, contudo, é nos veículos de quatro rodas, com 98% da ação utilizando-os. As mais famosas marcas da história do automobilismo marcam presença e temos alguns de seus mais icônicos modelos, além de algumas surpresas inesperadas.

Apesar de cada veículo ter suas peculiaridades, a jogabilidade geral é universal. Todos os tipos de máquinas possuem nitro, que pode ser ativado com um botão e recarregado automaticamente, além de um controle similar. Além disso, como em alguns títulos mais modernos, temos um botão de reverter tempo; a diferença é que aqui ele só se aplica em si ao seu veículo, sendo útil apenas em momentos em que você cometeu um erro em corridas. Utilizar a mecânica em desafios de tempo, por exemplo, não reverte o tempo gasto.
A progressão de The Crew Motorfest se dá por meio das Playlists, uma série de eventos interligados por um tema principal. Essas playlists ocorrem por todo o mapa e é onde encontramos NPC’s, específicos da cada playlist, que servem como comentadores durante as corridas, geralmente nos explicando um pouco mais sobre o que estamos fazendo ou o veículo que pilotamos.

As Playlists são, em muitas vezes, tematizadas em volta de um certo tópico da cultura automobilística. Por exemplo, “Made in Japan”, uma das primeiras playlists que podemos participar, gira em torno da cultura automobilística japonesa, com desafios envolvendo drifting, torgue e outros. Existem Playlists focadas em categorias do automobilismo, como uma exclusiva para carros de fórmula, mas também há algumas escolhas bem bizarras.
Certas playlists envolvem YouTubers e influencers como hosts, que te colocam para correr com certos tipos de veículos como se você estivesse participando de desafios para os canais da vida real. Chega a ser destoante do resto do jogo ver vídeos de pessoas reais comentando como se o Motorfest fosse algo real, sem dizer que os comentários ao longo das corridas chegam a ser irritantes por tentar serem engraçadinhos em vez de falar algo mais interessante em relação ao veículo que está sendo utilizado.
Que me leva a outro problema das Playlists: os veículos em si. Apesar de você inicialmente receber um veículo inicial, cada evento de uma Playlist “empresta” um carro para você participar. Por um lado, isso é bom pois você pode experimentar o vasto elenco de veículos disponíveis no jogo sem precisar se comprometer a gastar seus recursos, mas por outro, isso faz com que a escolha de seu carro e adições subsequentes tenham menos força em relação a sua progressão no título.

Algumas playlists requerem que você adquira certos veículos para habilitá-las, mas até mesmo elas te forçam a utilizar carros de empréstimo em eventos subsequentes. Isso faz com que a sua coleção seja algo puramente mais cosmético ou focada nas disputas multiplayer. Ao completar as playlists é possível jogar os eventos com veículos diferentes, mas o jogo incentiva a utilizar carros específicos para receber experiências bônus relacionadas a missões diárias/semanais.
Essa escolha em forçar o jogador a utilizar certos carros também não significa que as coisas sejam bem equilibradas. Em alguns desafios, temos carros que são superiores aos dos rivais, com a dificuldade sendo o traçado e manter a liderança. Nas Playlist que podemos levar nosso carro, as coisas também desabam se nosso veículo escolhido tiver recebido upgrades. O jogo espera que o utilizemos na versão base; mas caso você tenha adicionado alguma melhoria, bem, os rivais vão comer poeira.
A maior parte dos eventos envolvem corridas de um ponto ao outro, além de desafios por número de voltas. Alguns deses, contudo, colocam outros modos de jogo na mistura, como time attack e corridas por checkpoints sem um caminho pré-definido. Não acontece com frequência, mas são competições bem legais para quebrar um pouco da rotina de desafios.

Cada evento completado nos recompensa com dinheiro (chamado de bucks), experiência e partes para nossos veículos. Ao terminar a Playlist, recebemos um carro e, em alguns casos, desbloqueamos novas Playlists. Após completar um número específico, também habilitamos o Main Event, que nada mais é do que a possibilidade de utilizar veículos diferentes nos eventos que já finalizamos.
Para finalizar, gostaria também de comentar algo que, para mim, é um ponto negativo deste título: a falta de uma progressão mais natural e “linear”. Cresci na era dos jogos de Need for Speed da Black Box (NFS Undeground – Undercover, mais especificamente), onde tínhamos um caminho visível de progressão, começando com carros mais fracos e então avançando para os mais potentes. Obviamente, esse estilo de gameplay ficou para trás, sendo este um dos principais pontos de críticas relacionados a jogos de corrida da era moderna.
The Crew Motorfest segue o mesmo caminho de seus contemporâneos, oferecendo uma liberdade total na sua progressão. Como o título é um live-service, tendo recebido conteúdo contínuo da Ivory Tower, isso significa que você pode acabar participando de eventos com recompensas muito boas e então ter que se contentar com corridas que não são tão interessantes ou recompensadoras.
O Havaí é o seu Playground

Um dos principais brilhos de The Crew Motorfest é certamente o seu mapa, as ilhas do Havaí. Como mencionado, elas não são uma recriação 1:1, mas ainda assim, cada ilha explorável é grande o bastante para agradar os amantes de jogos de mundo aberto. Há muita variedade de biomas que podem ser explorados, temos auto estradas, praias, florestas, montanhas, vulcões e cidades, e os jogadores são incentivados a explorar cada pedaço do mapa e descobrir rotas e segredos. Tudo ao som de uma trilha sonora bem interessante com músicas que combinam diferentes gêneros musicais.
Como mencionado, existem Playlists específicas que servem como um tour por cada ilha. Por conta de ser um jogo live-service, as duas primeiras ilhas já estão habilitadas desde o início, com nada te impedindo de explorar no seu ritmo. A Ivory Tower deu um show de otimização, com o jogo rodando há 30 fps estáveis mesmo tendo que renderizar os diferentes biomas e partes do cenário.

Obviamente, a versão de Switch 2 tem alguns problemas visuais, como texturas de menor qualidade, mas os modelos dos carros são muito bons e o pop-in não é tão óbvio quanto possa se imaginar, claro, esse último é cortesia do mapa em si, que não possui muita densidade e é composto em sua maior parte por vegetação e áreas sem muito detalhes.
Além disso, é difícil notar algumas dessas imperfeições, pois a maior parte do tempo você estará a mais de 300 km/h. Algo negativo de se ter um mapa da vida real sendo utilizado para seu jogo de corrida é o fato de que 90% do mesmo é composto por rodovias retas. Existem locais mais técnicos com curvas e até alguns circuitos fechados, mas a maior parte do tempo estaremos em retas longas atravessando a ilha.
Ainda assim, a recriação do Havaí não deixa a desejar. Os múltiplos biomas servem como um background perfeito para as corridas e até oferecem alguns tipos de desafios que difícilmente veremos em outro gênero, como correr por pequenos riachos, ou escalar vulcões adormecidos.

Vale elogiar também as diferenças visuais que ocorrem no mapa em certas Playlists. Temos uma reformulação geral em efeitos de iluminação e assets, que ajudam a dar uma nova cara aos locais. Made in Japan, a Playlist totalmente focada na cultura japonesa, transforma a noite do Havai em uma festa cheia de neons e efeitos especiais. Já Street Riders, Playlist focada em corridas de rua ilegais, adiciona grafite e outros elementos inspirados na cultura underground ao mapa.
Para aqueles que não querem perder tempo navegando de um ponto ao outro, contudo, existe a opção de fast travel. A Ivory Tower, porém, não queria que os jogadores ignorassem seu trabalho duro tão facilmente, trancando a opção atrás de um desafio: completar 10 playlists.
Ou seja, por algumas horas, você é forçado a navegar de um lado para o outro queira ou não. Por um lado, é legal poder acelerar por toda Havaí e ficar cada vez mais íntimo com o local, mas por outro é horrível quando você precisa ir até ilhas adjacentes, uma vez que o lobby inicial do jogo te coloca no meio da primeira ilha.
Ubisoft: jogou um jogo moderno deles, você jogou todos

Por mais que eu tenha gostado de jogar The Crew Motorfest, não dá para ignorar que este jogo possui algumas decisões de design que me fazem completamente querer não voltar a jogá-lo tão cedo. Decisões, essas, que tenho quase certeza que vieram da Ubisoft, visto que algumas delas são coisas presentes em outros títulos da companhia, fazendo parte de seu DNA.
Vamos começar pelo que mais me deixou desapontado com esse jogo. The Crew Motorfest é um título always online. Isso significa que você precisa ter acesso a internet para poder jogá-lo, mesmo se o seu objetivo for jogar sozinho. Isso por si só já é bem ruim, visto que se o Switch 2 perder conexão o jogo imediatamente fecha sozinho.
O maior problema, contudo, é que The Crew Motorfest tem um glitch em seu código que deixa as coisas ainda piores. O jogo recusa a conexão vinda de certos provedores de internet, impedindo que você possa logar e aproveitar a experiência. Este foi o meu caso, utilizo a internet de uma provedora do meu bairro no Rio de Janeiro, Castrum Internet, e o erro que vocês veem na imagem a seguir é o que ocorre se tento logar no título usando a minha conexão de casa.

A única forma que consegui evitar esse erro foi de rotear a internet do meu celular para o Switch 2. Por alguma razão, o jogo reconhece essa conexão e com isso consegui entrar e jogá-lo. Ele não consome muita internet, mas a conexão mais lenta traz alguns problemas em certos casos, especialmente se você joga em certos horários de pico. Esse problema com a internet é algo que, pelas minhas pesquisas, ocorre desde The Crew 2, lançado em 2018. No Motorfest, o problema existe desde 2025 e uma busca rápida em fóruns como Steam mostra que nem os desenvolvedores sabem porque isso ocorre.
É inadmissível que um jogo como este requeira uma conexão contínua com a internet, e é ainda mais inadmissível que exista tal problema e os devs não conseguem resolvê-lo. The Crew Motorfest é um live-service, recebendo novos conteúdos em um ritmo mais acelerado do que outros jogos, porém, isso não significa que ele precisava de conexão contínua com a internet.

Sendo um live-service, Motorfest tem bastante conteúdo que foi adicionado desde o lançamento do jogo nas outras plataformas. Donos de Switch 2 terão muita coisa para aproveitar, se estiverem começando do zero, é claro. Só que, ao mesmo tempo, isso também traz à tona um dos problemas da Ubisoft com seus títulos recentes: microtransações.
Com dinheiro real é possível adquirir: veículos, partes de customização, créditos do jogo, conteúdo extra e passes de temporada. São coisas opcionais e, tirando o conteúdo e partes, podem ser obtidas jogando o jogo normalmente, mas isso não tira o fato de que as microtransações estejam presentes na experiência geral.

O outro “problema” de The Crew Motorfest ligado a Ubisoft é o fato de que este jogo tem a mesma fórmula já conhecida dos títulos da desenvolvedora francesa. Este é um jogo de mundo aberto com diversas coisas pelo mapa para serem encontradas, além disso, as peças que encontramos possuem estatísticas, habilidades e níveis de raridades similares a equipamentos em MMORPGs. Todos são elementos que podem ser encontrados nos principais jogos da desenvolvedora nos últimos anos, fazendo com que cada experiência seja bem parecida mesmo com as diferenças causadas por seus gêneros.
O festival chegou ao Switch 2

2026 tem sido um bom ano para o Switch 2 em termos de jogos de corrida mais realistas. A plataforma vem mostrando que possui espaço para esse estilo de jogo e The Crew Motorfest tem tudo para ser uma divertida experiência que preencherá um vazio que existe no catálogo do console: os jogos de corrida de mundo aberto. Há muito conteúdo que pode ser aproveitado e sendo live-service significa que, nos próximos meses, o jogo continuará recebendo novas adições para oferecer ainda mais desafios aos jogadores.
Contudo, apesar de ser uma grande carta de amor à cultura automobilística, cheia de referências e com veículos icônicos, a Ubisoft estragou a experiência geral com a obrigatoriedade do modo online e isso, infelizmente, deixa um gosto ruim na minha boca. Os problemas de conectividade, que existem desde o jogo anterior, já deveriam ter sido consertados. A Ivory Tower já anunciou que vai lançar um modo offline no futuro, mas até lá, fica impossível recomendar o jogo em seu preço atual, afinal de contas, não faz sentido comprar algo que você pode não utilizar porque o servidor não gosta do seu provedor de internet.
Prós:
- Muito conteúdo para ser aproveitado pelos jogadores, incluindo conteúdo de temporadas que já ocorreram;
- Uma carta de amor a cultura automobilística com muitas referências e eventos específicos de certas subculturas;
- Biomas variados que são bem explorados pelos múltiplos eventos do jogo;
- Vários veículos icônicos e boas opções de customização que remetem aos jogos de NFS nos anos 2000s.
Contras:
- Always online significa que o jogo é dependente da sua internet para funcionar;
- Glitches que ainda não foram consertados em outras versões se mantém aqui;
- Microtransações;
- É um jogo de mundo aberto da Ubisoft com a mesma fórmula batida da desenvolvedora.
Nota
7
