Desenvolvedora: TastoAlpha
Publicadora: Shueisha Games
Data de lançamento: 20 de abril, 2023
Preço: R$ 59,99
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Shueisha Games.
Revisão: Marcos Vinicius
O estilo roguelite está em moda já há algum tempo. Mesmo antes do lançamento de Hades, quando o gênero caiu nas graças do grande público, desenvolvedores já estavam imersos na proposta do tipo de jogo, e por razões aparentemente simples: a possibilidade de estender a duração do jogo e engajar o jogador por um longo período a partir de sessões curtas de gameplay. Juntar cartas e sorte a tal elemento logo tornou-se algo natural, assim como vimos com Dicey Dungeons e Wildfrost, mais recentemente, e é nesse contexto que surge Arcana of Paradise —The Tower—.
O título logo se mostra como uma interessante mistura dos três elementos, trazendo consigo uma direção artistíca única e que logo engaja. No presente texto, tratarei de seus elementos mais básicos, tecendo alguns comentários quanto à narrativa, que em sua simplicidade não atrapalha, buscando definir o que me encanta aqui. Afinal, o jogo de fato apresenta muitos pontos positivos a seu favor, com alguns poucos negativos que não chegam a condenar a experiência.
A Torre no fim do mundo
No canto mais longínquo do mundo, existe uma torre que se estende até as nuvens. Do alto de sua solidão, crianças ali existem, sobrevivendo do pão, sonhando com um paraíso prometido fora de suas portas maciças. E é a partir dessa premissa básica que encontramos o jogo.
Em uma atmosfera onírica, complementada com uma composição idílica de vozes doces — comparadas às angustiadas cortes de NieR: Automata —, precisamos guiar tais crianças até a base da torre, passando por diversas criaturas bizarras no meio do caminho. Somado a isso, precisamos sempre pensar na organização da torre, coletando pães para saciar a fome dos pequenos.

A estrutura geral da obra não se estende além disso. As crianças são units de combate, cada uma pertencente a uma classe específica (warrior, healer, sourcerer), e podemos realizar combinações dois a dois para explorarmos a torre. Nos andares sombrios que nos aguardam, diversos encontros nos aguardam: seja de combate ou de puzzle, e os resolvemos a partir de deck building.
A estrutura das cartas é simples: temos tipos de cartas relacionadas a classes, fixas ou que podem ser desbloqueadas ao longo da jornada, e temos sempre quatro cartas em mãos para pautar nossas ações. Caso a mão não esteja boa, basta apertar um botão para rotacioná-las, entregando cartas mais úteis para momentos específicos.
O principal desafio, aqui, é entender qual a melhor carta que devemos subir e quando: para atacar, por exemplo, devemos levar em consideração os elementos dos oponentes, ou se eles estão se defendendo; para defender-se de ataques, basta utilizar a defesa no momento certo, vulnerabilizando o oponente, etc.
Pela estrutura do jogo, é interessante um obstáculo específico a ele: algumas cartas são como maldições, ou ocupando espaço no deck a mais ou nos impossibilitando de trabalhar a mão atual. Assim, os desafios não se tornam mais difíceis por encontrarmos oponentes mais fortes, e sim porque a forma como podemos organizar e trabalhar as cartas se torna mais complexo.
Entre Runs
Arcana of Paradise —The Tower— sempre nos leva de volta à ação, mas vale uma menção ao Hub do jogo. No topo da torre, podemos gastar pães para construir novos elementos, que tanto nos ajudam com a escassez do pão como, também, possibilitam a progressão do títulos.
Existem algumas cenas de support entre personagens, mas nada que chame a atenção, e é possível desbloquear uma sessão de extras, com cartas de oponentes, inclusive bosses secretos, e com informações sobre os personagens.

Como é possível ver, Arcana of Paradise —The Tower— não é um dos mais complexos, mas acredito que isso seja para o melhor. O loop é, de fato, divertido, e é uma sábia decisão focar nisso. No mais, chegar ao fim da torre não é difícil, fazendo o jogo não se estender para além do que deve – um verdadeiro problema a outros roguelites/likes.
Destaco, contudo, dois problemas que tive com o título: a UI/UX não é a das melhores, já que muitas mensagens importantes são dispostas longe das cartas, gerando frustração com informações falsas ou erradas. Além disso, a localização em português não é boa, simplesmente, com erros de diagramação e até grafia, fazendo-se bem claro que uma boa revisão fez falta. O texto original, confesso, não é o dos melhores, mas vale tocar no ponto de qualquer forma.
Conclusão
Divertido e frenético, Arcana of Paradise —The Tower— é um bom jogo para distrair a cabeça, que não nos faz pensar em demasiado mas que também não nos trata como idiotas. Suas mecãnicas são de fato engenhosas, e deixo uma recomendação simpática ao título.
Prós
- Sistema de Deck building é satisfatório e combates são intuitivos.
Contras:
- A UI merecia um pouco mais de atenção;
- Localização em português com erros de grafia e de diagramação.
Nota Final:
6,5
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