Em meio à discussões e debates sobre rumores de vazamento de Nintendo Direct, que pasmem, já se concretizou na semana passada, a Unity, uma das maiores empresas de motor gráfico do mercado, soltou um comunicado no dia 12 de setembro sobre sua nova política de precificação, o que gerou revolta entre os desenvolvedores que usam a engine em seus jogos.
Em suma, nos novos termos do “Runtime Fee”, a Unity cobraria dos estúdios uma taxa depois de uma certa quantidade de ganho e instalação, a cada instalação e reinstalação dos jogos, isso contando downloads de qualquer via, incluindo serviços de assinatura como o Game Pass, da Microsoft por exemplo, e até mesmo por pirataria.
Simplificando: caso um usuário compre um jogo que foi feito na Unity e comece a jogá-lo, o estúdio teria que pagar uma taxa por ele, e caso o mesmo usuário desinstale o jogo e, meses depois volte a baixá-lo, seria contado como mais um download para a taxa; e com isso, principalmente estúdios independentes começaram a se pronunciar à respeito da prática tirana, uma vez que, dependendo das circunstância, poderia levá-los à falência.

Como pode ver na tabela acima, nos planos Plus e Personal, que tem uso gratuito inicial, estes limites são de US$ 200 mil e 200 mil instalações no ultimo ano, respectivamente. Já para assinantes dos pacotes Pro e Enterprise, os limites são de US$ 1 milhão e 1 milhão de instalações.
Depois de bater o limite de faturamento e instalação independente das plataformas Nintendo, PlayStation, Xbox, PC ou mobile, seria cobrada uma taxa por instalação nos planos Personal e Plus, a qual seria um valor fixo de US$ 0,20 por instalação, ou US$ 0,02 caso o estúdio/desenvolvedor seja de um “mercado/país emergente”, como Índia e Brasil.
Dada a contextualização, após a notícia, dezenas de estúdios que usam o motor gráfico soltaram comunicados sobre a prática abusiva da Unity. Por exemplo, a InnerSloth, desenvolvedora por trás de Among Us, se pronunciou em portar para outro motor:

Além dela, a Aggro Crab, que esta fazendo o Another Crab’s Treasure, um souls-like submarino bastante aguardado, preocupou-se pois o seu jogo seria lançado no Game Pass:

Outra manifestação vêm da Devolve Digital, grande publicadora de jogos indie, em seu Twitter/X:

Depois de tantas desenvolvedoras e empresas reclamarem, a Unity se pronunciar em relação à má recepção em 13 de setembro e, desta vez, mudou algumas cláusulas, como reinstalações, demo, jogos pirata, jogos web e streaming, alegando que essa taxação não afetaria a maioria dos seus usuários, e sim apenas 10% dos utilizadores, sendo eles empresas grandes que conseguem bater os limites de 200 instalações e 200 mil dólares arrecadado.
Entre estas grandes empresas que utilizam a Unity, temos a Hoyoverse com Genshin Impact, a Riot com Wild Rift e até a Nintendo com Fire Emblem Engage. Porém, não é só estúdios grandes que conseguem atingir números altos, a exemplo da Massive Monster, de Cult of the Lamb, que conseguiu bater 1 milhão de vendas, ou a Team Cherry, de Hollow Knight, que quase chegou a 3 milhões em 2019.
Por fim, no dia 17 de setembro, a Unity veio à publico novamente emitindo um pedido de desculpas pelo transtorno causado aos desenvolvedores em relação a política de taxas. Leia na íntegra:
Unity,
Nós ouvimos você. Pedimos desculpas pela confusão e angústia causada pela política de taxas de tempo de execução que anunciamos na terça-feira. Estamos ouvindo e conversando com os membros da nossa equipe, comunidade, clientes e parceiros e faremos alterações na política. Compartilharemos uma atualização em alguns dias. Obrigado pelo seu feedback honesto e crítico.
