Desenvolvedora: Konami
Publicadora: Konami
Data de lançamento: 24 de outubro, 2023
Preço: R$ 299,99
Formato: Digital/Físico
Análise feita no Nintendo Switch com cópia cedida gentilmente pela Konami.
Revisão: Davi Sousa
Metal Gear, a lendária franquia de ação e espionagem da Konami, retorna de surpresa em 2023 com uma coletânea reunindo os primeiros jogos da série. Pela primeira vez, os fãs de Nintendo Switch podem aproveitar alguns dos mais icônicos títulos do gênero de jogos stealth, que ajudaram Solid Snake a se tornar um dos principais ícones do mundo dos games, com Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 1.
Re-introduzindo a série para os fãs da Nintendo

Criada por Hideo Kojima, a franquia Metal Gear é uma das mais antigas ainda em atividade no mundo dos games. O primeiro jogo da série foi lançado para o computador pessoal MSX2 no Japão em 1987, recebendo uma sequência em 1990 para a mesma plataforma, além de um port no NES.
Apesar dos dois primeiros Metal Gears terem recebido uma boa atenção dos fãs em seu país natal, a série em si só estourou de vez anos mais tarde. Metal Gear Solid, lançado em 1998 para o primeiro PlayStation, foi o jogo que colocou a franquia e Hideo Kojima no mapa global como uma das principais figuras do mundo do games.
Desde Metal Gear Solid, a série tem sido extremamente ligada aos consoles da Sony. Apesar de outras plataformas, incluindo as da Nintendo, terem recebido títulos, quando pensamos nos jogos de Hideo Kojima, pensamos em PlayStation.

Falando em Nintendo, a presença da franquia se deu aos poucos ao longo dos anos com alguns títulos exclusivos sendo lançados nos consoles e portáteis da casa do Mario. O primeiro Metal Gear recebeu um port com algumas adições extras no NES e seu sucesso resultou em uma sequência exclusiva para o console. A série retornou anos depois no Game Boy Color com Metal Gear: Ghost Babel, uma aventura totalmente nova que misturava o melhor das aventuras originais com adições de Metal Gear Solid. O GameCube recebeu um remake do primeiro Metal Gear Solid, The Twin Snakes, criado em uma parceria entre a Konami e a Silicon Knights.
Apesar dessas pequenas aparições ao longo dos anos, os fãs da Nintendo nunca deram tanta importância à ausência da série em seus consoles. Assim como foi o caso com Final Fantasy, Metal Gear estava muito ligado à rival Sony e por isso não existia muita pressão para os jogos serem lançados. As coisas mudaram, contudo, a partir de 2007, quando Solid Snake, o protagonista da série, apareceu em Super Smash Bros. Brawl.
Tendo sido o primeiro personagem third party a ser adicionado ao icônico jogo da Nintendo, como um favor de Sakurai para Kojima, seu amigo pessoa, Snake acabou acendendo o alerta, com muitos querendo que suas aventuras aparecessem com mais frequência na Nintendo. Infelizmente, apenas um título de Metal Gear foi lançado após a inclusão de Snake em Brawl: Metal Gear Solid 3: Snake Eater 3D.
Com o lançamento de Master Collection Vol.1, a série Metal Gear finalmente retorna aos consoles Nintendo. Além disso, pela primeira vez, os fãs da empresa podem aproveitar a versão original de Metal Gear Solid 1 e sua sequência, Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty, experimentando assim dois importantes jogos para o gênero stealth e os videogames como um todo.
Metal Gear e Metal Gear 2: Solid Snake – O início humilde de Solid Snake

Apesar da trilogia Solid ser o prato principal da coletânea e o grande foco dos fãs e da imprensa quando o assunto é Hideo Kojima, é importante lembrar que a franquia, como um todo, teve um início mais humilde no MSX. Metal Gear foi lançado em 1987 na plataforma, inicialmente apenas no Japão e na Europa. Por conta do status obscuro do MSX fora de seu país natal, o game não foi um grande sucesso mundo afora. A versão que muitos ocidentais conhecem da aventura original de Snake é o port da mesma para o Nintendo Entertainment System, o NES, que trouxe mudanças significativas na jogabilidade e também está incluída como um bônus no pacote.
Em sua primeira aventura, Solid Snake é o mais novo recruta da organização FOXHOUND. Enviado por Big Boss, um lendário soldado e líder da organização, para a base de Outer Heaven, a missão de Snake é se infiltrar no local e destruir o tanque nuclear Metal Gear. Ele precisa encontrar equipamento no campo e é incentivado a não enfrentar seus inimigos diretamente, utilizando de furtividade para conseguir uma vantagem sobre os mesmos.

Metal Gear é um título bem simples, que contrasta bem com outros games de ação de sua época. Incentivando o jogador a evitar confrontos diretos, o jogo requer um pouco de planejamento e cuidado ao avançar pela base, de forma a impedir que o inimigo descubra sua localização. Para ajudar Snake, é possível se esconder atrás de objetos ou utilizar uma caixa de papelão como disfarce. O protagonista também pode socar oponentes para nocauteá-los e utilizar armas para matá-los.
O primeiro Metal Gear é bem simples, especialmente se comparado ao que o resto da série iria se tornar. A base da jogabilidade foi criada aqui, mas sua narrativa simplória e sem muitas reviravoltas pega qualquer fã do Kojima de surpresa. Ele é um jogo de seu tempo e suas limitações são bem evidentes, especialmente quando colocado ao lado de seu sucessor direto.

Metal Gear 2: Solid Snake, lançado em 1990, pode ser considerado a verdadeira base 2D do que Solid tomaria para si anos mais tarde. A narrativa recebeu um destaque maior aqui e tivemos a adição de novidades na jogabilidade, como a possibilidade de se arrastar no chão e um radar que indica a localização dos inimigos.
A nova narrativa já começava a mostrar que Snake era um pouco diferente de outros heróis do mundo dos games. Aqui, o agente é um veterano desiludido após a aventura anterior, forçado a se infiltrar na nação de Zanzibar Land para resgatar um cientista e impedir um novo Metal Gear.
Metal Gear 2: Solid Snake traz visuais e jogabilidade melhorados em relação ao seu antecessor, sendo o melhor dos títulos 2D disponíveis nesta coletânea. É até recomendável jogá-lo antes de partir para os Solids, não apenas por conta de sua narrativa, mas principalmente para ver o quanto ele influenciou o primeiro título 3D da série. De fato, Metal Gear Solid é quase que um remake 3D deste game.

O NES não recebeu um port de Metal Gear 2: Solid Snake. Na verdade, o jogo ficou preso ao Japão por anos, chegando ao ocidente apenas em 2006 ao ser incluído com Metal Gear Solid 3: Subsistence. O console da Nintendo receberia seu próprio Metal Gear, Snake Revenge, que foi desenvolvido por um time de desenvolvimento totalmente único e sem a participação de Kojima.
Snake Revenge e o port de Metal Gear 1 para o NES são ruins. Ambos são feios visualmente e suas jogabilidades são horríveis. Eles estão incluídos como bônus nesta coletânea e, honestamente, só vale a pena experimentá-los se você tiver curiosidade. Os dois títulos de MSX são bem superiores e importantes para a série, mostrando sua origem e introduzindo alguns pontos que seriam tocados com mais detalhes nos games 3D.
Metal Gear Solid – Colocando a série no radar dos gamers

A chegada do PlayStation 1 e a difusão dos gráficos tridimensionais ajudou a dar uma nova vida a diversas franquias esquecidas. Metal Gear Solid foi um desses jogos, cujo lançamento na plataforma ajudou não apenas a criar novos fãs, como introduziu ao mundo, de uma forma geral, as ideias e estilo de Hideo Kojima. Apesar de sua jogabilidade e visuais não terem sido nada inovadores, o título de Kojima para o primeiro console da Sony ajudou a revolucionar os jogos de uma outra maneira.
O foco principal em Metal Gear Solid é, sem sombra de dúvidas, sua narrativa. No ano de 2005, Solid Snake, agora aposentado e vivendo isolado do mundo no Alaska, é forçado a voltar à ativa quando a FOXHOUND, sua antiga organização militar, invade e assume o comando da base de Shadow Moses Island, ameaçando utilizar o arsenal nuclear do local se suas demandas não forem atendidas. Snake precisa se infiltrar no local e impedir a FOXHOUND.

A história, contudo, não é tão simples assim. Bem diferente dos antecessores, que possuíam algumas reviravoltas, foi com Metal Gear Solid que Hideo Kojima começou a criar tramas mais complexas, que pegam o jogador com surpresas e questionamentos a quase todo momento. Para um jogo de ação, Metal Gear Solid possui muitas cutscenes que buscam explicar mais da narrativa, além de revelar alguns detalhes e segredos que só ficam mais óbvios quando chegamos perto do final da aventura.
Esse foco maior em contar uma história, com apresentação bem elevada para o que se espera de um jogo de 1998, acabou por afetar um pouco a jogabilidade do título. Como mencionado anteriormente, não há nada revolucionário na jogatina de Metal Gear Solid, especialmente comparado a outros jogos lançados no mesmo período ou até no mesmo gênero.

Tudo que Snake podia fazer em Metal Gear 2, ele continua podendo realizar aqui. É possível socar inimigos, usar armas e outros equipamentos e se esconder atrás de paredes ou dentro de caixas de papelão. Com a câmera ainda buscando recriar o mesmo estilo de visão aérea dos jogos anteriores, Snake ainda possui o radar Soliton, que agora mostra o campo de visão dos inimigos.
As novidades da jogabilidade são a possibilidade de enforcar guardas distraídos e ativar uma visão em primeira pessoa para checar o que está à frente. Infelizmente, não é possível atirar em primeira pessoa e os tiros possuem uma certa distância, com inimigos geralmente fora da tela não causando dano.
Como mencionado, a apresentação é o ponto principal de Metal Gear Solid. Os gráficos não são impressionantes, mas os efeitos visuais e de câmera utilizados nas cutscenes ajudam a passar uma sensação de que estamos assistindo a algo de alta qualidade. Este também foi o título que introduziu vozes para os personagens, com muitos dos dubladores famosos da série, como David Hayter, a voz de Solid Snake, que se tornou um dos mais queridos pelos fãs, fazendo sua estreia aqui.

A dublagem do game é um show à parte e foi algo que na época chamou muita atenção. Ter uma alta quantidade de diálogos presente, seja nas cutscenes ou nas conversas opcionais do CODEC, o rádio que Snake pode acessar para conversar com seus aliados, era algo inimaginável à época. Algumas das cenas também só conseguem ter um impacto maior graças à mistura do elenco com a música, que ajuda a dar um drama adicional e faz com que os personagens tenham um peso emocional maior.
De forma geral, Metal Gear Solid mostra a sua idade, sendo o único game do PlayStation 1 na coletânea. Seus controles são um pouco duros e, para quem não está acostumado, requerem um pouco de paciência para dominar. Por ser um jogo de PS1, a Konami decidiu emular o título; o trabalho não ficou tão ruim, com ele funcionando sem travamentos ou outros problemas, mas visualmente é possível notar que a imagem está um pouco feia.

Por ser uma emulação, também temos algo bem curioso aqui, especialmente em relação aos outros títulos da Master Collection Vol.1: diversas versões diferentes de Metal Gear Solid estão disponíveis para jogarmos. Após seu lançamento original, uma versão atualizada surgiu apenas no Japão, com o nome de Metal Gear Solid: Integral. Além de incluir o jogo, essa versão também trazia um disco adicional que possuía missões extras. Esse disco foi lançado separadamente no ocidente em duas versões distintas: na Europa, ele recebeu o nome de Special Missions, enquanto nos Estados Unidos ele é conhecido como VR Missions.
A Konami decidiu então incluir tanto a versão original de Metal Gear Solid quanto a Integral no pacote, além das duas versões distintas do disco adicional. Além disso, a versão europeia do jogo original, que rodava mais lento que o resto do mundo por conta das TV’s daquele continente, também está disponível e funcionando da mesma forma do original. É tão curioso ver a Konami adicionando tudo isso e permitindo que os fãs joguem MGS1 da forma que eles desejarem. Além disso, essa é a primeira vez que Integral, que possui conteúdo adicional como armas e modos de jogo, foi traduzida para outros idiomas. De vez em quando a Konami faz algo legal.
Metal Gear Solid 2 – A experiência mais louca de Hideo Kojima

Lançado originalmente em novembro de 2001, Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty, é provavelmente uma das experiências mais memoráveis da série por sua narrativa assustadoramente real nos dias atuais. Mesmo com algumas limitações críticas por conta do momento vivido pelo público americano, Hideo Kojima conseguiu criar uma história que, se na época chamava atenção pelas suas reviravoltas e ter saído de um filme de ficção científica, hoje se destaca pelo quão próxima de nossa realidade é.
Sons of Liberty é dividido em duas partes, ou capítulos, como o jogo chama. O primeiro, Tanker, ocorre em 2007, e nele controlamos Solid Snake, que está se infiltrando em um navio cargueiro da marinha americana para fotografar e revelar ao mundo um novo Metal Gear que está sendo criado ali. A missão logo se torna perigosa quando um grupo de mercenários russos toma controle do navio e Snake precisa evitá-los para cumprir seu objetivo. Ao final, o cargueiro é afundado após o vilão Revolver Ocelot tomar controle do Metal Gear, e Snake aparentemente morre.

O segundo capítulo, no qual a maior parte da narrativa se passa, é o Shell. Dois anos após os eventos do Tanker, a Big Shell, uma instalação de descontaminação de água, é invadida pelo grupo terrorista Sons of Liberty, que sequestrou o Presidente dos Estados Unidos e demanda um resgate de 30 milhões de dólares. A FOXHOUND envia seu mais novo agente, Raiden, para resgatar o presidente e eliminar os terroristas.
Se a narrativa de Metal Gear Solid tinha um foco em genes e futuro, para sua sequência, Kojima decidiu explorar o controle da informação na era da internet. Com muita informação sendo processada e distribuída rapidamente por pessoas em todo o mundo, é muito fácil para alguém ou algo filtrar e censurar aquilo que não deseja ser transmitido, manipulando os fatos e eventos de forma que se atinja o resultado que mais lhe agrada.

Basicamente, esta é a premissa da narrativa de MGS2: distribuição da informação e censura daquilo que não é ideal para transformar um evento em algo do agrado de um poder maior. Muitas são as reviravoltas reveladas ao longo da aventura de Raiden. O protagonista está “no escuro”, por assim dizer, sobre muitas coisas, e isso acaba afetando o jogador, que também fica em meio ao desconhecido. É uma história muito boa, que mostra bem os perigos da informação descontrolada, assim como o avanço da tecnologia. Para algo escrito em 2001, acaba sendo até um pouco assustador quando vemos o quão presente esses temas são em nossas vidas diárias.
Sendo um título originário da geração 128-bits, Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty utiliza o poderio do novo console para mostrar gráficos melhores. Como a versão da Master Collection é baseada no port HD do título, lançado em 2011, os visuais são muito bons, especialmente os modelos de personagens, que possuem mais animações e detalhes que ajudam a dar um toque a mais nas interações entre eles.

Mecanicamente, Solid 2 é idêntico ao seu antecessor, com algumas pequenas mudanças muito bem-vindas. Agora é possível atirar em primeira pessoa, Snake e Raiden podem utilizar armas tranquilizantes e é possível se esconder dentro de armários. Os inimigos também podem ser rendidos, o que nos permite vasculhá-los por itens ou simplesmente deixá-los sem ação por algum tempo. Também é possível dar uma cambalhota enquanto corre, se pendurar em certos lugares e até nadar.
Por fim, vale mencionar que a versão da Master Collection é baseada no port HD do jogo lançado pela Bluepoint. Tal versão em si é baseada no update Substance, lançado após o jogo original, que adicionava missões adicionais, um modo extra de jogo com Snake e algumas outras novidades bacanas. A maior parte do conteúdo da Substance sobreviveu até o port HD e continua presente aqui. A versão HD em si foi lançada em 2011 e não recebeu muitas modificações para este relançamento. Houve a correção de alguns bugs, mas também existem novos que podem atrapalhar a experiência.

Logo na primeira batalha de chefe do jogo, eu tive que reiniciá-lo porque ele congelou. Alguns problemas sonoros também se fazem presentes em certos momentos, e em alguns casos, também notei um segundo dublador quando foi requerido que personagens mencionassem um dos botões do Switch, dando uma distorção sonora especialmente quando acompanhado de uma fala do antigo dublador.
Vale mencionar que o jogo roda no Switch em uma resolução de 720p e 30fps, exatamente como rodava em 2011 em plataformas como PS3, Xbox 360 e PS Vita. A Konami poderia ter feito um esforço adicional para fazer o título funcionar melhor no Switch, além de dar uma melhorada em outros aspectos. Ver logotipos de empresas que não estiveram envolvidas na Master Collection ou a data de 2011 ainda presente é bizarro, especialmente quando MGS1 parece ter tido um melhor trabalho na hora de ser adaptado para novas plataformas.
Metal Gear Solid 3 – O jogo mais querido pelos fãs

Bem diferente dos jogos anteriores, Metal Gear Solid 3: Snake Eater é considerado por muitos como o melhor título da saga. Lançado originalmente no PS2, a aventura é um prólogo para a história geral da franquia, ocorrendo durante a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética.
Em 1964, o agente Naked Snake da FOX recebe a missão de se infiltrar em uma floresta na União Soviética e resgatar o cientista soviético Sokolov antes que ele contemple uma arma nuclear mortal, o tanque Shagohod. A missão acaba sendo um fracasso quando a mentora de Naked Snake, a lendária soldado The Boss, deserta para a União Soviética, entregando armas nucleares americanas para Volgin, um coronel soviético que busca conquistar a nação, além de impedir o resgate de Sokolov. Após Volgin utilizar a arma nuclear americana em território soviético, causando um grande problema internacional, Snake é reenviado para o local com uma nova missão: destruir o Shagohod e matar ambos Volgin e The Boss.
Diferentemente de Metal Gear Solid 2, que lidou com temas mais futuristas como controle de informação, Metal Gear Solid 3 é uma história mais focada em lealdade e sobre o que é ser um soldado de verdade. A narrativa não é tão cheia de reviravoltas como foi com os títulos anteriores, especialmente MGS2, mas ela ainda tem temas importantes e é muito bem escrita.

A narrativa em Metal Gear Solid 3 é quase que uma crítica aos filmes de espiões e suas histórias. Temos muitos elementos similares ao que podemos encontrar em obras como James Bond nos anos 60: espiões fazendo coisas sensacionais, o conceito de femme fatale e equipamentos bem surpreendentes para a época. Kojima sendo Kojima, contudo, coloca seu próprio spin, fazendo com que Naked Snake seja quase que uma paródia de James Bond. Ele é um cara que não tem tempo para azarar mulheres e é bem inocente em certos momentos. Se eu puder dar um pequeno spoiler, no final ele acaba até mesmo sendo usado pela femme fatale do jogo.
Naked Snake também é um ótimo protagonista e podemos acompanhar bem sua evolução ao longo da aventura, especialmente conforme ele vai aceitando que terá que cumprir a missão de matar sua mentora. The Boss em si também é uma personagem feminina muito bem escrita, um total contraste com outras que Kojima escreveu ao longo dos anos. Suas ações na trama mostram bem por que ela é respeitada como um soldado lendário, com nada sendo forçado.

Sendo uma prequel, alguns personagens de outros títulos aparecem aqui, como um Ocelot bem mais jovem. Contudo, não é preciso saber muito do que se passa nos outros jogos, visto que esta história é mais focada em Naked Snake, que eventualmente se tornaria o lendário Big Boss mencionado em outros títulos. Vale mencionar, contudo, que algumas das coisas reveladas aqui voltariam em futuros games da série, como MGS4. Sendo assim, Snake Eater serve perfeitamente para tantos novatos quanto veteranos da série.
Com a história ocorrendo nos anos 60 e em uma floresta, grandes mudanças na jogabilidade se tornaram essenciais para a experiência. Os controles continuam iguais aos dos outros jogos da saga Solid, mas agora temos a introdução de elementos de sobrevivência como camuflagem, comida e tratar feridas de Snake. Será necessário caçar comida pelos ambientes, seja animais ou frutas, e se alimentar de tempos em tempos para poder restaurar vida e ficar na melhor condição para lutar contra os inimigos.

A IA dos inimigos também sofreu mudanças significativas. Os guardas agora conseguem observar de uma distância maior e reagem a situações de forma bem melhor. Eles preparam emboscadas, manobras de ataque e examinam bem as coisas caso percebam algo estranho. Como agora os silenciadores se desgastam com o tempo, também é preciso ter um pouco mais de cuidado para acabar não atirando descontroladamente, revelando sua posição.
Essa mudança na IA de inimigos, junto com as adições de gameplay, faz com que MGS3 seja um dos títulos mais divertidos em questão de opções de como avançar pelos mapas. Os cenários são enormes e possuem múltiplos caminhos e formas de se atravessar para chegar até seu próximo objetivo. O jogador está no controle quanto à melhor forma de proceder e é quase irresistível não querer salvar, fazer algo e então carregar seu save anterior para fazer de outro jeito.

A floresta em si é algo vivo e os mapas são bem mais interligados que nos jogos passados. Alguns locais possuem pontos de comunicação, armamentos e comidas que Snake pode destruir, o que afeta os guardas de diversas maneiras. Destrua os armazéns de comida e eles ficarão com fome, fato do qual o jogador pode se aproveitar ao distraí-los com alimentos ou até mesmo fazê-los passar mal com comida estragada.
Outra grande adição à jogabilidade é a introdução do CQC, o Close Quarter Combat, que foi desenvolvido por Snake e The Boss em conjunto. Trata-se de um sistema de combate mano a mano, rudimentar, mas que oferece muito mais opção ao jogador do que o que estava disponível nos outros jogos. Com armas específicas equipadas, geralmente pistolas, o jogador pode agarrar guardas ou arremessá-los no chão, os nocauteando imediatamente. É um sistema muito bom e que abre novas possibilidades nos confrontos.

Tirando isso, Metal Gear Solid 3 continua com um alto nível de apresentação, possuindo belos gráficos e bons efeitos sonoros que recriam bem uma floresta virtual. Como esta versão é baseada no relançamento Subsistence, temos a introdução de uma câmera 3D que o jogador pode controlar, fazendo-a ser mais útil que a visão por cima de títulos anteriores. Ela não deixa o jogo mais fácil, visto que a IA foi adaptada para isso, mas ajuda bastante na navegação pelos grandes locais.
A versão da Master Collection está bem adaptada para o Switch, corrigindo alguns problemas disponíveis no port HD lançado em 2011. Contudo, perto do final notei alguns problemas de performance em certas áreas com mais detalhes visuais, como uma alta quantidade de guardas e flores, além de um estranho bug em uma das cutscenes finais.
Uma coleção que precisa de mais para o título de Mestre

Falando um pouco da coleção em si, a Konami fez um trabalho de altos e baixos aqui, em minha opinião. Títulos como Metal Gear Solid tiveram uma atenção maior da companhia, que pode ser notada nas diferentes versões disponíveis e em algumas opções extras, como a possibilidade de criar um memory card virtual. Contudo, ela também poderia aproveitar e oferecer mais opções de resolução, por exemplo.
Metal Gear Solid 2 e 3 são os mais esquisitos do pacote. Ambos possuem algumas correções em relação às versões HD, mas o trabalho foi bem preguiçoso. É esquisito ver o logo da Bluepoint quando se começa os títulos, assim como datas erradas e tudo mais. Novos bugs e erros também foram introduzidos nesses jogos, o que torna as coisas um pouco bizarras demais. A maior negativa, contudo, são as resoluções e as taxas de quadros por segundo. Não sou de reclamar disso, mas é preciso mencionar esse ponto, pois sei que muitos esperavam que o Switch pudesse rodar títulos de PS2 de uma forma bem melhor.

Tirando isso, o resto do pacote possui algumas outras adições que vão agradar a quem deseja conhecer mais os bastidores da saga de Kojima. Temos vídeos, documentários, HQs e até dois jogos extras, os títulos de NES. Contudo, ao meu ver, isso acaba sendo um pouco decepcionante, pois são apenas conteúdos adicionais que mais vão ocupar um espaço desnecessário em seu SD, visto que eles são muito grandes, graças a múltiplas linguagens disponíveis, requerendo múltiplos downloads.
O que eu queria mesmo ver aqui é os títulos que ficaram de fora desses “anos iniciais” da série. Senti falta de Ghost Babel de Game Boy Color, que é muito bom, por sinal, e Twin Snakes, o remake de MGS1 para GameCube, que eu curto bastante apesar da fanbase o odiar. Visto que a Konami buscou trazer os dois títulos de NES, fica aqui a minha decepção com o fato de eles não terem ido mais a fundo e tentado completar o pacote com esses dois jogos adicionais.
A missão chega ao seu fim

Metal Gear Solid: The Master Collection Vol.1 traz consigo três incríveis jogos de stealth e muito conteúdo extra que é perfeito para aqueles que desejam conhecer a saga de Hideo Kojima. Algumas coisas podem acabar deixando a desejar aqui, mas os títulos presentes no pacote ainda conseguem ser muito bons, mesmo com todas as limitações de suas épocas. Só espere uma promoção, pois o valor cobrado é um pouco alto demais para o que é oferecido aqui, especialmente com alguns problemas de performance e bugs que menciono no texto.
Prós:
- Os jogos iniciais da série Metal Gear reunidos em um único pacote;
- Rodam com poucos problemas nos modos docked e handheld;
- Bastante conteúdo adicional para quem quiser conhecer mais sobre a série;
- A trilogia Solid continua tão boa quanto era em seu lançamento original.
Contras:
- MGS2 e 3 não receberam muito carinho da Konami e possuem bugs e problemas de performance em certos momentos;
- Ghost Babel e Twin Snakes ficaram de fora do pacote;
- Linguagens adicionais e certos conteúdos requerem downloads adicionais;
- A coleção no geral é bem pesada e requer bastante espaço livre.
