Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Toby Fox, 8-4
8-4
05 de Junho, 2025
R$ 119,00
Digital
RPG | Bullet Hell
Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, PlayStation 4, PC
Desenvolvedora: Toby Fox, 8-4
Publicadora: 8-4
Gênero: RPG | Bullet Hell
Data de lançamento: 05 de junho,2025
Preço: R$ 119,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, PlayStation 4, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia que eu mesma comprei com o meu dinheiro.
Essa review vai cobrir spoilers simples dos 4 primeiros capítulos de DELTARUNE.
Revisão: Davi Sousa
DELTARUNE é um RPG episódico lançado no Halloween de 2018 pelo mesmo criador de UNDERTALE, Toby Fox. Com seus dois primeiros capítulos lançados em 2018 e 2021, em junho de 2025 houve o lançamento dos capítulos 3 e 4 de uma vez só, com previsão do jogo ter um total de 7 capítulos.
Na compra do jogo na eShop, os outros capítulos que ainda não foram lançados chegarão em formato de update, precisando apenas de uma compra única pra ter acesso a todos os capítulos com o tempo. Tendo sido um dos únicos títulos indie que entraram no line-up de jogos que acompanharam o lançamento do Nintendo Switch 2, o jogo possui Easter Eggs exclusivos tanto pro Switch 1 como pro 2, e para quem já é familiar com o trabalho de Toby Fox, DELTARUNE é um dos títulos mais esperados do ano, e não decepcionou na sua chegada.
O início da profecia

Começamos o primeiro capítulo com Kris, que ao chegar com bastante atraso na escola acaba tendo que fazer dupla pra um trabalho com Susie, uma comedora de giz que não parece ter muita simpatia ou amigos. Dentro da escola, essa dupla acaba se deparando com um armário que acaba servindo como um portal que leva para o que o jogo chama de Dark World, um mundo completamente diferente do que se encontram.
Em Dark World a dupla encontra Ralsei, que explica que o mundo das trevas em que estão encontra-se em desequilíbrio, e de acordo com a profecia contada por ele 3 heróis precisam selar o portal e restaurar o equilíbrio entre o mundo normal e o Dark World. Ralsei, tendo certeza que os 3 heróis da profecia são ele, Kris e Susie, acaba seguindo com a dupla explorando o Dark World em busca do portal para selá-lo e fazerem Kris e Susie voltarem pra casa em segurança.

O enredo dos outros capítulos segue a mesma fórmula geral apresentada no primeiro capítulo. Kris e Susie descobrem outro portal em algum lugar diferente da cidade, entram no Dark World, e se deparam com um lugar completamente diferente, tendo que enfrentar e conhecer diferentes tipos de monstros e no final buscar uma maneira de selar o portal e voltar pra casa.
Ao longo dos capítulos conseguimos ver que Susie encara isso quase que como uma aventura divertida, enquanto Kris demonstra esconder mais do que deixa transparecer. Ao invés de se tornar algo repetitivo por seguir uma mesma fórmula de encontrar portal-entrar no portal-enfrentar monstros-selar portal, DELTARUNE não deixa de inovar na sua história e especialmente nos encontros com cada monstro e boss diferente.
Cada mundo e capítulo tem seu próprio boss (principal e opcional) e uma variedade única de monstros, que podem ser recrutados se forem poupados. No capítulo 2 somos enviados para um mundo tecnológico chamado Cyber World por conta do portal ter sido criado na sala de computação da biblioteca da cidade. Nesse mundo, nos deparamos com a Queen (Serial Number Q5U4EX7YY2E9N), que na minha singela opinião é uma das personagens mais engraçadas do jogo inteiro.
No capítulo 3 nos encontramos com Tenna, um personagem (que depois descobrimos ser a TV de Kris) que nos propõe muitos desafios e puzzles onde precisamos acertar tudo com excelência pra conseguir uma pontuação boa no final. O portal ter sido criado na casa de Kris é o que faz entrarmos no Dark World (ou TV World) e termos um contato direto com a TV de sua sala, o que torna tudo como um enorme programa de televisão. O capítulo 3 é o que eu considero o mais diferente de todos, pois é inteiramente formulado em torno desse programa e tem uma gameplay muito semelhante aos jogos antigos de Zelda.

Ao longo dos capítulos conseguimos ver que Susie encara isso quase que como uma aventura divertida, enquanto Kris demonstra esconder mais do que deixa transparecer. Ao invés de se tornar algo repetitivo por seguir uma mesma fórmula de encontrar portal-entrar no portal-enfrentar monstros-selar portal, DELTARUNE não deixa de inovar na sua história e especialmente nos encontros com cada monstro e boss diferente.
Por fim, temos o capítulo 4, onde o portal se abre na igreja da cidade e acaba trazendo muitos elementos desse lugar para o Dark World (que chamamos nesse capítulo de Sanctuary), como pianos e um personagem específico muito importante para a história, que é o pastor da igreja. É no capítulo 4 que encontramos Easter Eggs para quem está jogando no Switch, tendo até um boss opcional no Switch 2 que usa a mecânica de mouse do console.

Os heróis desajustados

DELTARUNE possui um catálogo de personagens que quem já jogou UNDERTALE possui bastante familiaridade, tornando a experiência pros fãs antigos algo nostálgico e divertido, pois pelo jogo se passar em outro universo (de acordo com algumas teorias) é muito interessante ver como os personagens se conectam nesse jogo e quais são as diferenças. Além desses personagens, é lógico que encontramos inúmeros outros monstros nunca vistos antes que acompanharão nossa jornada ao longo dos capítulos. Cada um possui características e personalidades únicas e é impossível não gostar pelo menos um pouco até dos que propositalmente foram criados para serem chatos (eu estou obviamente me referindo ao Berdley). Aqui, destacarei alguns dos principais personagens apresentados até agora.

Kris
Protagonista do jogo e único personagem que é um humano e não um monstro, Kris tenta lidar da melhor maneira possível com o divórcio de seus pais Asgore e Toriel enquanto precisa salvar o mundo e viver as aventuras tradicionais de uma adolescência (nem um pouco) comum.

Susie
Susie de início pode parecer intimidadora e cruel, mas na verdade ela possui bastante determinação e só quer se divertir e ter amizades verdadeiras. Ela é legal.

Ralsei
Príncipe das trevas e um dos três heróis da história de acordo com a profecia, possui uma aparência absolutamente adorável e coloca seus amigos em primeiro lugar acima de tudo (qualquer semelhança ao Asriel é mera coincidência).

Noelle
Colega de classe de Kris e Susie, Noelle é doce, gentil e rodeada de segredos que o jogo não revelou ainda. Além do pai que está no hospital, ela possui uma mãe meio restrita e uma quedinha na Susie.

Lancer
Ele é flexível e saltitante.
Puzzles e batalhas com muito afeto
A gameplay do jogo consiste em batalhas de turno e puzzles. A cada capítulo do jogo, a variedade de puzzles aumenta e se adapta ao lugar que os personagens estão. No capítulo 1, por exemplo, os puzzles são focados em combinar símbolos de naipes de cartas; no 2 temos que fazer ratinhos seguirem o caminho correto pra casa e a soletrar palavras corretamente; no 3 existem vários minigames que desbloqueiam itens especiais, e no 4 a maioria dos puzzles envolvem pianos. Eles são divertidos de completar e trazem momentos interessantes onde os personagens interagem entre si, mas um dos pontos mais fortes do jogo é definitivamente o sistema de batalha.

O sistema de combate é um pouco mais elaborado e sofisticado que o de UNDERTALE. Em DELTARUNE, você controla até três personagens por batalha, cada um tendo habilidades diferentes. Kris possui o ACT, habilidade chave para aqueles que não querem utilizar de violência durante a batalha, enquanto Ralsei e Susie possuem habilidades mágicas com Magic, que consome “TP” (Tension Points). O jogador consegue TP desviando de ataques inimigos ou usando habilidade Defend. Por último, temos a opção de usar itens para curar ou aumentar TP.

Todo inimigo tem um padrão de ataque diferente, o que torna toda batalha interessante e completamente diferente, especialmente porque em batalhas que dois ou três inimigos diferentes atacam, seus ataques se combinam e conseguem harmonizar de uma maneira nada menos do que fascinante. Além disso, um dos pontos mais interessantes e criativos nos jogos do Toby Fox é tentar descobrir como “poupar” o monstro sem ter que matá-lo. Com os ACT de Kris e Magic de Susie e Ralsei, dependendo do monstro o jogador pode flertar, ameaçar, conversar ou até dançar para concluir a batalha com êxito.
Dessa forma, gameplays que seguem um caminho mais pacifista consequentemente possuirão uma variedade maior e mais divertida de diálogos. Isso é um dos muitos traços do jogo que incentivam o jogador a escolher outras estratégias ao invés de só dar dano e matar os monstros, seguindo as mecânicas de UNDERTALE onde cada morte é significante e pode alterar o rumo da história – e sem querer o usar o famoso “não querendo julgar mas já julgando”, se você como jogador quer experienciar uma gameplay repleta de matança e maldade, pelo menos se dê a chance também de conhecer o lado bom da força e jogar sem matar ninguém.
Atingindo uma quantidade especificada de monstros que o jogador salvou ao invés de ter matado, ao final de cada capítulo somos recompensados pelo jogo antes da última batalha final, onde todos os inimigos que foram salvos (que na verdade nunca foram inimigos propriamente ditos, pois esse é o tipo de jogo onde você cultiva afeto e carinho até com quem não está do seu lado) ajudam o jogador sempre de uma maneira diferente e quase que cômica.
O lugar onde choveu

Por fim, seria quase criminoso escrever sobre um jogo feito por Toby Fox e não mencionar a trilha sonora. Ela é incrível em todos os aspectos, o que é de se esperar por ter sido feita pelo Toby. É definitivamente um dos elementos mais fortes de toda a gameplay, tornando-se um dos maiores destaques também por conta dos efeitos sonoros que sempre vem em momentos cômicos e inesperados, fazendo com que o jogador nem sinta falta de dublagem nos personagens. Vale muito a pena ouvir as mais de 150 músicas que o jogo tem por uma segunda vez (ou até mais vezes) depois que o jogo termina.
Entrega tudo que promete
Um prato cheio para quem é fã de UNDERTALE, DELTARUNE é uma experiência que entrega tanta excelência quanto o seu antecessor (se não até mais, se considerarmos a quantidade de conteúdo oferecido), aperfeiçiando as mecânicas de combate e com uma trilha sonora igualmente impecável. É divertido, engraçado, cativante e emocionante.
Apesar de ainda não finalizado, DELTARUNE prende todos os jogadores com sua história repleta de mistérios não resolvidos (como por exemplo o barulho que o telefone faz toda vez que Kris tenta fazer uma ligação no Dark World que assemelha muito o som do Gaster) e Easter Eggs – o capítulo 1 saiu faz quase sete anos e até hoje eu descubro surpresas de itens ou diálogos que eu não fazia ideia que existiam.
Deixando o jogador com um gostinho de quero mais no final que faz qualquer um querer saber o que está por vir, DELTARUNE já conseguiu causar um impacto em milhares de fãs com o jogo nem finalizado ainda. É uma história que conquistou o meu coração e que vai me fazer assistir horas de vídeos sobre teorias no Youtube enquanto espero até o lançamento do próximo capítulo, previsto para 2026.
Prós:
- Personagens cativantes de personalidades únicas e bem elaboradas com um roteiro muito engraçado;
- Trilha sonora atende à todas as expectativas e é impossível não amar;
- Atenção a detalhes em cada mínimo aspecto do jogo, permitindo uma variedade enorme de interações e diálogos diferentes;
- Sistema de batalha que é divertido e nunca fica repetitivo ou cansativo.
Contras:
- O tempo de espera de lançamento de um capítulo para o próximo pode ser muito para algumas pessoas;
- sans.
Nota
10
- Review | Milano’s Odd Job Collection - 08/12/2025
- Review | Undusted: Letters from the Past - 23/10/2025
- Review | and Roger - 08/08/2025
