Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Cradle Games
GameMill Entertainment
10 de outubro, 2025
R$ 296,00
Físico/Digital
Aventura | Quebra-cabeças
Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Desenvolvedora: Cradle Games
Publicadora: GameMill Entertainment
Gênero: Aventura | Quebra-cabeças
Data de lançamento: 10 de outubro, 2025
Preço: R$ 296,00
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela GameMill Entertainment.
Revisão: Manuela Feitosa
2025 marca o aniversário de 75 anos da série Peanuts, e em meados de outubro desse ano a série recebeu Snoopy & The Great Mystery Club, um adventure de mistério onde controlamos Snoopy e ajudamos Charlie Brown e seus amigos a desvendar alguns mistérios que perturbam as crianças do bairro.
Bem-vindos ao grande clube de mistérios

Como um todo, o jogo possui muito mais uma premissa para diversos casos do que uma história com continuidade. Snoopy & The Great Mystery Club é dividido em 4 capítulos, cada um completamente fechado em si mesmo com suas próprias histórias isoladas e que não chegam a conversar entre si — especialmente a última, que se passa em um mapa completamente diferente do restante do jogo.
Em termos de gamplay, o jogo se resume a conversar com personagens realizando favores para cada um deles para avançar na história, coletando pistas para no final desvendar o mistério. Em prol de realizar essas atividades, o jogador na pele de Snoopy pode equipar uma série de habilidades diferentes associadas a roupas que são desbloqueadas ao longo da jornada. Algumas das habilidades que Snoopy pode desbloquear são cavar com uma pá, utilizar um soprador de folhas, detectar objetos de metal com um detector, e claro, identificar pegadas com uma lupa de detetive.
Em suma, é bem óbvio em que momento o jogador deve usar cada habilidade visto que o jogo faz questão de explicar tudo a todo momento. Mas uma característica interessante é que apesar de ser extremamente guiado, o jogo tem aquele pézinho no backtracking de jogos mais abertos, onde ao longo do mapa é possível identificar uma passagem ou um item que não conseguimos pegar por ainda não ter acesso a um set específico de habilidades.

E aqui vai o que é possivelmente onde o jogo peca mais. O jogo pode ser completado em cerca de 5 horas e mesmo com essa duração limitada, ainda consegue ficar bem repetitivo da metade pro final. Além de se limitar a habilidades que já são figurinhas repetidas em tudo quanto é videogame, o jogo é tão guiado que dá aquela sensação de não estar fazendo nada por si só, apenas seguindo instruções de um tutorial o tempo inteiro (o que não é muito divertido).
O jogo também é abundante em minijogos que podem variar entre arremessar bolas de baseball com Charlie Brown, chutar bolas de futebol americano com Patty Pimentinha, criar soluções químicas com Marcie, tocar piano com Schroeder e perseguir o barão vermelho no avião de Snoopy. Todos os minigames são bem simples mas vão ficando progressivamente mais difíceis, mesmo que ainda bem fáceis, sendo esta possívelmente a única progressão de desafio que o jogo possui em sua totalidade.

Seguindo pegadas pela cidade
No que diz respeito a coletáveis, o jogo possui quatro tipos diferentes: Os passarinhos amarelos amigos de Woodstock, Tirinhas de jornal da série que podem ser lidas em pontos específicos no mapa, pirulitos que dão mais chances na hora de dar a resolução do mistério (descrevo essa mecânica mais na frente) e bolinhas de gude que podem ser trocadas por novos trajes de Snoopy que não possuem habilidades e são puramente estéticas.
Nesse quesito o jogo é bem raso, e talvez seria até um pouco melhor sem a maioria desses coletáveis. Talvez faça mais sentido para jogadores mais novos que não possuem tanta habilidade de raciocínio lógico e coordenação motora. Os pirulitos, por exemplo, são recompensas por completar os minigames que a progressão natural da história vai oferecer; o jogador pode obter de 1 a 3 pirulitos dependendo do quão bem ele se saiu no joguinho.
Esses pirulitos podem ser gastos no final de cada capítulo ao falarmos com Sally (irmã de Charlie Brown), onde devemos apresentá-la com todas as pistas que encontramos que estão relacionadas ao mistério em questão. Nessa parte do jogo, o jogador possui 3 chances para selecionar todos os objetos corretamente, e a partir da quarta tentativa o jogador deverá gastar um pirulito para tentar novamente e progredir com o jogo. Dessa forma, o desafio se dá a partir do fato de que também é possível encontrar uma pequena gama de objetos aleatórios que não possuem relação alguma com a investigação, o que torna extremamente fácil distinguir entre quais são os itens úteis.

As bolinhas de gude ficam espalhadas pelo mapa em locais mais escondidos, às vezes debaixo de um monte de terra ou de folhas. No geral, é tão fácil obter uma grande quantidade delas que ao final do primeiro capítulo, eu já tinha conseguido comprar todas as skins opcionais de Snoopy. Isso acaba quebrando um pouco a economia do jogo, visto que recebemos uma quantidade abundante de recursos que nunca serão de fato necessários, o que é mais estranho ainda pois ocupam espaço na UI principal do jogo o tempo inteiro como se fossem itens muito importantes.
Os coletáveis mais difíceis de encontrar de fato são as tirinhas de Peanuts, que por vezes ficam bem escondidas. Mas de todos os itens, são os únicos que não são úteis para a progressão da história, visto que até as bolinhas de gude são utilizadas em um momento do jogo como moeda de troca.
A turma do Minduim
Os personagens de Peantus sempre foram muito ricos em personalidade e carisma, por mais que suas aparições se resumam a tirinhas curtas de jornal. A tira foi publicada periodicamente desde 1950 a 2000, com cerca de 17000 historinhas publicadas. A maioria delas são simples mas cheias de coração. Durante sua publicação, Schulz não se privou de abordar temas atuais para época, discutindo pelo olhar de crianças questões raciais, direitos das mulheres, etc., o que faz com que seja uma pena que Snoopy & The Great Mystery Club seja tão raso quanto água em um pires.
Em Snoopy & The Great Mystery Club, os diálogos entre os personagens são extremamente utilitaristas. Isto é, pouquíssimo do que é dito a todo momento tem outra função a não ser guiar o jogador de uma pista a outra, do ponto A ao ponto B. O jogo até tenta dar um tanto de personalidade para toda a turma e até faz isso bem, mas não chega a apresentar nada de novo além de ficar referenciando a si mesmo o tempo inteiro com pequenas referências, sem agregar nada a nenhum personagem em momento algum. Em outras palavras, o jogo falha em encontrar a essência da série além do que é puramente estético.

Todo o visual do jogo é inspirando fortemente no filme 3D de 2015, Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme. Acredito que até alguns renders como os retratos dos personagens nas caixas de texto tenham sido reciclados diretamente de lá. O jogo até mesmo mantém alguns aspectos “controversos”, como o único fio de cabelo na testa de Charlie Brown, levando em conta que o “fio” na tirinha é na verdade uma representação minimalista de um tufo de cabelo e não um único fio.
Mas talvez uma das maiores realizações de Snoopy & The Great Mystery Club seja a representação da cidade em que a turminha vive. A árvore comedora de pipas, a barraca de ajuda psiquiátrica da Lucy e até a plantação de abóboras marcam presença no jogo e é tudo tão visualmente lindo. Durante meu momento com o jogo tive algumas ocasiões onde me bateu aquele quentinho no coração ao ver momentos X ou Y da tirinha realizados em 3D e poder me movimentar livremente por eles. Afinal de contas, ninguém é imune ao clássico fanservice.
Peanuts é uma daquelas IPs onde a gente vê em todo lugar além da tirinha original de Charles M. Schulz. A franquia já foi adaptada para o cinema, TV e tudo mais; camisetas em lojas de departamento, canecas, ovos de páscoa, brinquedos, pelúcias, tudo que se pode imaginar é possível encontrar pra comprar em algum lugar de Charlie Brown, Snoopy e sua turma. No entanto, curiosamente, Peanuts nunca foi lá muito grande no âmbito dos videogames. Claro que já houveram sim lançamentos anteriores, mas nunca houveram projetos muito ambiciosos ou interessantes — e bem… até o momento dessa review, continua não havendo.
O bom e velho Charlie Brown

Apesar de visualmente impecável, o jogo é extremamente simples em absolutamente tudo que se propõe a fazer. Talvez por ter uma audiência majoritariamente infantil, o jogo se privou de tomar alguns riscos e optou por entregar o adventure mais sem sal que uma criança que saiba inglês e tenha menos de dois dígitos de idade consiga terminar em um final de semana.
E não tem absolutamente nada de errado em fazer um jogo que crianças possam jogar, se divertir e até mesmo completar. O problema se dá a partir do fato de que o jogo é incapaz de se fazer interessante além das suas capacidades mecânicas como um adventure que também não são lá muito boas. Existem jogos que oferecem um tipo semelhante de gameplay, mas conseguem contornar a mesmice com um texto afiado e situações interessantes, porém certamente não é o caso de Snoopy & The Great Mystery Club.
Prós:
- É muito legal poder explorar os ambientes retratados na tirinha em 3D;
- Visualmente bonito;
- É Peanuts.
Contras:
- Mecânicamente clichê e desinteressante;
- Muito limitado a demográfica infantil;
- Extremamente fácil e repetitivo;
- Enorme potencial desperdiçado.
Nota
6
