Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
ω-Force
Bandai Namco
27 de março, 2020
R$ 229,90
Físico/Digital
Ação | Musou
Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5 PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Desenvolvedora: ω-Force
Publicadora: Bandai Namco Entertainment
Gênero: Ação | Musou
Data de lançamento: 20 de março, 2020
Preço: R$ 229,90
Formato: Digital/Físico
Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no PC com cópia fornecida gentilmente pela Bandai Namco.
Revisão: Manuela Feitosa
Desde o ensino fundamental, uma piada que nunca deixavam de contar era o fato que One Piece nunca terminaria. E realmente, até a data que esta review foi escrita, temos mais de 1100 episódios, cerca de 15 filmes e 4 OVAs. Eu sinto até pena de quem pretende começar a assistir isso tudo, pois eu acho que em um mês só, não dá.
Mas enfim, como todo anime popular, é claro que eles devem criar jogos que usam a história como base, para trazer o público dos games ao mundo de One Piece. Será que One Piece: Pirate Warriors 4 consegue nos trazer uma experiência autêntica? É o que iremos saber agora.
Um pesadelo de quem é novato
Logo de cara, eu já devo comentar que se você nunca assistiu ou leu o mangá do One Piece, então Pirate Warriors 4 definitivamente não é a melhor maneira de ver essa história pela primeira vez. Afinal, o jogo mal começa e a gente pula para o arco de Alabaster! Isso é uns 200 capítulos no mangá, ou aproximadamente 90 episódios de anime. Eu também achei uma loucura do quanto que o jogo corta e avança. Tem capítulo do jogo que literalmente só dedica uma fase por arco.

Para dar contexto, quando eu parei de assistir o anime do One Piece, eu estava no arco de Dressrosa. O que, em termos do anime, é mais ou menos o episódio 640–650. Ou seja, eu praticamente não posso entender muito sobre a narrativa após isso, pois as cutscenes são extremamente curtas.
Tá certo que alguns episódios do anime são filler, mas ainda assim, o pacing dessa história é horroroso! Quem é fã da série pode até achar legal que você está talvez vivenciando as batalhas do anime, e talvez esse seja o objetivo do jogo… Mas sério. O fato de que tem certos capítulos que dedicam arcos inteiros para uma ou duas batalhas é algo que não dá pra entender.

As missões também não são lá essas coisas. A maioria delas se classifica como “vá até o local e derrote o inimigo”, com side quests às vezes aparecendo como “Oh não, o Usopp foi atingido pelo comandante da Marinha, vai lá ajudar ele, coitado”. E no final disso tudo você é dado uma nota, e existe até um troféu/achievement que você pode obter ao conseguir a nota S em todas as fases. No total, espere levar aproximadamente 20 horas de jogo para apenas completar as frases, e 40 a 50 horas para conseguir todas as conquistas.
É musou, e nada mais
A gameplay de One Piece: Pirate Warriors é bastante simples de entender. Sério, se você jogou qualquer um dos jogos da franquia Warriors, é fácil pra você se acostumar. Você tem dois botões de ataque e um que faz o personagem pular. Aí você pode fazer combos com esses botões e ir matando centenas de inimigos. Ah, e claro, causar muita destruição, caso você sinta aquela vontade.

Cada personagem pode usar até quatro ataques especiais diferentes, e a medida que você vai completando as fases, é possível aprimorá-las. O tutorial também frisa bastante os combos que você pode fazer com X ou Y enquanto pula com A, e realmente, pude sentir uma grande mudança nos ataques aéreos. Os personagens também podem se transformar no meio da batalha, como, por exemplo, o Luffy, que pode usar as Gears dele, mudando as habilidades. Cada personagem é dividido em quatro categorias: Power, Speed, Technique e uma nova chamada Fly.

O tutorial do jogo não deixa muito claro isso, mas a principal diferença que pude notar em cada tipo foi assim: Personagens com Power podem facilmente dar golpes que jogam o adversário para bem longe. Speed, como seu nome sugere, são ótimos para fazer combos, pois eles conseguem fazer seus ataques bem rapidamente. Technique possui uma espécie de combo especial que meio que coloca todos os inimigos para mais próximo de você. E finalmente, temos o Fly, que sempre fica no ar, e possui um dash infinito, e bem, se dá muito bem em combate aéreo, algo que o Pirate Warriors 4 bate bem nessa tecla, até com os personagens que não são categorizados como Fly.
Honestamente, não há nada de errado em só escolher seu favorito e usar ele para fazer todos os modos que o jogo oferece. Porém, no Log Dramático, que é o modo principal da história, você está limitado a personagens que fazem parte daquele pedaço específico do arco. Tipo, não faz sentido você conseguir jogar com o Ace em Wano por… motivos óbvios. Porém, após terminar essas fases, você pode ir no Log Livre, que deixa você rejogar qualquer fase que você já completou com qualquer personagem. Isso infelizmente não muda praticamente nada, e honestamente eu quase nunca joguei o Log Livre, a não ser se for pra farmar items de certas fases, e realmente, tem personagem que é muito gostosinho de jogar para você facilmente obter items.
Gráficos bem abaixo da média
Normalmente eu não sou de comentar muito nos gráficos de um jogo. Honestamente, eu jogo numa TV de 2018 que mal suporta HDR direito, então não diria que eu sou autoridade nessa área. Mas mesmo assim, eu não poderia deixar de comentar o quão ruim esses gráficos do One Piece Pirate Warriors 4 são. No PC, a Bandai já oferecia gráficos mais detalhados e a habilidade de comportar mais inimigos na tela desde 2020. Mas honestamente, esse jogo azedou como um leite esquecido na geladeira.

Quando cheguei em algumas cutscenes do modo história, essas pareciam obviamente um MP4 que foi renderizado a 30 quadros por segundo, e se tem muita ação, parece que a bit rate até cai consideravelmente. Eu mostrei um print para uma amiga minha de um menu do jogo, e juro que a primeira pergunta que ela me fez foi: “Por que os personagens parecem que são feitos de massinha?” Não só isso, mas eu fiz umas pesquisas, e parece que o jogo também não roda muito bem no Nintendo Switch 2. Preciso lembrar vocês que isso é no mesmo console que temos o Hyrule Warriors: Age of Imprisoment, ou seja, claramente faltou otimização.

Muito conteúdo com DLC
One Piece: Pirate Warriors 4 teve bastante DLC lançado ao longo do tempo desde seu lançamento original em 2020. Nós tivemos a chance de jogar Legendary Edition no PC, que inclui o jogo base, além de todos os DLC. Segundo a Bandai Namco, o jogo ainda terá uma atualização em 2026 com mais um pacote de personagens, adicionando mais gente como opção para você jogar.
Um DLC que eu devo dar destaque é o Log Especial, que adiciona três novos modos de jogo. Começando pelas Aventuras de Yamato, baseadas no arco do Wano Country. O objetivo é completar o máximo de missões primárias e secundárias possíveis dentro de 5 minutos. É bom notar que quando o jogo foi lançado originalmente, o arco de Wano tinha acabado de começar.
Devido a isso, a Koei Tecmo teve que usar uma liberdade artística, e criou uma história completamente original. É um modo que até busca trazer um pouco mais que somente derrotar inimigos, mas ele é bem curtinho. Em menos de uma hora você consegue completar todas as fases extras.

Nosso segundo modo são as “Crônicas de Combate do Koby”. Lembra aquele garoto que o Luffy encontra lá no começo do anime, e ele sonhava em ser um membro da Marinha? Bem, essa história se passa com ele mais adulto, e o episódio dele consiste em uma série de missões que você deverá fazer consecutivamente, sem poder se curar entre missões.
É um modo bem difícil por causa dessa condição, especialmente se você não manja muito de musou. Uma vez que você morrer, você deverá começar do primeiro dia, e apesar do jogo ter vários checkpoints que você pode usar para salvar e continuar depois, ainda assim é um modo que chega até a ser bem cansativo, porque não tem quase nada de novo aqui. Na real, isso só mostra o quão “notice me, senpai” o Koby é com o Luffy.

E finalmente, temos Caminho ao Rei dos Piratas. São várias fases com uma série de desafios que podem ser completados, cada um com seu próprio set de regras, que podem variar desde um quiz com perguntas sobre a série One Piece a solo challenges onde você não tem aliados. Porém, completando esses desafios, você ganha uma série de prêmios, como items para dar XP aos seus personagens e Souls, usados para aprimorar os personagens. Talvez esse seja o modo que eu mais gostei, especialmente com o quiz. Claro que o objetivo ainda assim é derrotar os personagens, mas o jeito que eles fizeram esse modo foi bem legal.

Todos esses modos podem ser considerados o endgame do Pirate Warriors 4. Apesar de eles estarem disponíveis logo de primeira assim que você começa o jogo, se você tentar qualquer um deles, irá levar uma bela duma chinelada dos bichos que você enfrenta. Eu tentei jogar o quiz e mal consegui derrotar nem um mob direito. Aí eu percebi que a quest recomenda LV 19 ou acima, ou seja… um personagem de LV 1 obviamente nem triscou neles. (risos)
Um musou que não consegue se destacar
Por mais que eu possa entender que os Warriors games que são licenciados procuram uma audiência bem específica, eu ainda acho que One Piece Warriors 4 é um jogo muito medíocre em ambos os casos: como um musou game que é divertido de jogar, e como uma boa experiência de One Piece, especialmente para o público novato que provavelmente não vai conseguir aproveitar absolutamente nada, e só ficar boiando na história.
Além disso, é um jogo de 2020 que infelizmente não se destaca em meio ao mar de musous que a Koei Tecmo até tem em seu currículo. A franquia Warriors, por ter muitos títulos, ela precisa de alguma coisa pra se destacar, e infelizmente, One Piece Pirate Warriors 4 não é capaz de oferecer isso. Portanto, não posso recomendar esse jogo a não ser que você ache ele por um desconto bem generoso.
Prós:
- Lista variada de personagens para jogar
Contras:
- Requer muito conhecimento da série One Piece para aproveitar;
- Não adiciona nada extra à experiência musou.
Nota
5,5
