Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Ubisoft Quebec
Ubisoft
2 de dezembro, 2025
R$ 299,99
Digital/Físico (Game-Key Card)
Aventura | Ação
Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Ubisoft Quebec
Publicadora: Ubisoft
Gênero: Aventura | Ação
Data de lançamento: 2 de dezembro, 2025
Preço: R$ 299,99
Formato: Digital/Físico (Game-Key Card)
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Ubisoft.
Revisão: Davi Sousa
O Nintendo Switch 2 vive um estágio interessante na vida de um novo console. Agora que já temos a máquina em mãos, é possível saber as especificações e ter uma ideia do poderio gráfico do console, um tópico que gera muita curiosidade, já que essa é a principal diferença em relação ao seu antecessor. No entanto, por mais que a gente possa ter uma noção do que o console é capaz, ainda ficamos no aguardo do lançamento de jogos potentes que possam realmente desafiar o novo híbrido da Nintendo.
A Ubisoft tem sido a empresa mais empenhada nesse quesito até agora, primeiramente com o lançamento de Star Wars: Outlaws, um game já exclusivo da geração Xbox Series X|S e PlayStation 5, mas que apresentou um desempenho impressionante no Switch 2, até mesmo com ray-tracing no visual do jogo. Agora, a bola da vez é Assassin’s Creed: Shadows. A entrada mais recente na famosa franquia da empresa francesa também promete ser um demonstrativo do poder gráfico da plataforma e informar aos donos do mais novo console da Nintendo se ele será capaz de continuar recebendo novos lançamentos exclusivos dos consoles de mesa mais poderosos do mercado.
Minha experiência com a franquia é relativamente rasa: joguei alguns dos jogos lá da era clássica, como Assasin’s Creed III e Assassin’s Creed IV, mas sei que, durante todo esse período que fiquei ausente, a série se transformou e mecânicas mudaram, e estou curioso para saber em que pé as coisas vão estar aqui, nessa versão dedicada ao Japão Feudal.
Uma direção difusa
O primeiro ponto que gostaria de abordar dentro desta análise, até para guiar você, leitor, é esclarecer que talvez esse texto seja mais um comentário sobre como Assassin’s Creed Shadows se comporta especificamente no Nintendo Switch 2 do que sobre o jogo como um todo. Infelizmente, o recebimento do jogo foi muito próximo do embargo e não tive tempo de avançar o suficiente na campanha para compreender todas as nuances específicas da experiência. Aliás, podemos começar por aqui, sobre a complexidade e a profundidade que o jogo apresenta.

Em relação ao que eu conhecia sobre a franquia, notei logo de cara que há um enfoque bem maior no mundo aberto que está sendo oferecido. Caminhando pela proposta que vem contaminando muitos AAAs, Shadows se apressa em oferecer um mundo recheado de coisas para o jogador fazer: saquear castelos, liberar pontos altos para viagem rápida, orar em santuários que fornecem upgrades, engajar em batalhas que acontecem pelo cenário e muito mais. Consigo entender que exista um esforço real da equipe de desenvolvimento para que o jogo tenha o máximo de recheio, mas, sendo honesto, o resultado prático disso me dá uma certa preguiça.

Acontece que todo o contexto realista e o excesso de enfoque nos detalhes criam um mundo aberto que parece mais proibitivo do que convidativo ao jogador em alguns momentos, dificultando o encontro de pontos de interesse e confundindo qual a funcionalidade de coisas que aparecem no mapa durante a exploração. Tive sorte de o jogo já estar disponível há algum tempo para outras plataformas, e contei com o auxílio de alguns vídeos de guias da internet para entender melhor o funcionamento das coisas. Para todo lado, tem missões e diferentes áreas para explorar, de forma que o conteúdo principal da experiência muitas vezes se perde dentro de todo esse recheio — daí a dificuldade que tive para manter o foco e avançar na campanha.
Para piorar, além das diversas atividades de mundo aberto, ainda existe um sistema de administração de terreno, em que você tem um espaço que funciona como a sua base, para personalizar, fazer upgrades e ir trabalhando para ganhar benefícios ao longo do game. Não é que eu não goste, mas será que um jogo com tanta coisa precisava de mais isso? A impressão que fica é que os desenvolvedores acabaram pecando pelo excesso em alguns pontos.
Entendo que, para muitos que estão acostumados com jogos do mesmo estilo, tudo isso possa parecer natural, mas, para mim, comparado a outros jogos de mundo aberto, ainda penso que a Ubisoft segue um caminho muito maximalista para o desenho dos seus mapas. De todo modo, é importante destacar que o jogo oferece diversas opções que possam auxiliar o jogador, até mesmo um guia que exibe o caminho certo dentro do mapa.

Bom, mas nem só de exploração vive o jogo. Quando o assunto é combate, Shadows conseguiu me agradar muito mais. Na prática, o sistema de combate segue a maré do que outros jogos têm feito, trazendo dinamismo com um sistema de ataques leves e pesados misturado a um sistema de defesa que exige reflexo. O interessante aqui é a quantidade de upgrades e novas habilidades que o jogador pode ir liberando com o avançar da história, dando a sensação que você está mais poderoso conforme progride. Algumas das animações de assassinato são bem brutais, ancoradas na brutalidade real que os duelos de samurais de fato continham.

Uma aula fictícia de história
Apesar das frustrações com a estrutura do mundo aberto de Assassin’s Creed Shadows, confesso que, em narrativa, o jogo me agradou mais. Para começar, o Japão Feudal é um período histórico fascinante.
Acompanhar histórias de samurais do período abre espaço para um tipo de narrativa heroica bem cativante de se acompanhar. Temos aqui dois protagonistas: Naoe e Yasuke. Naoe tem mais tempo de tela e acaba sendo a personagem para o jogador se identificar mais; porém, Yasuke também é fascinante, e foi uma interessante escolha por parte dos desenvolvedores trazer a história de um guerreiro africano que viveu no Japão Feudal.

Como já é recorrente na série, há uma grande mistura entre eventos reais e fictícios, e, como sempre, acho que esse é um dos charmes da série. Nunca vi necessidade de ter 100% de fidelidade histórica, até mesmo porque a premissa de tudo já é um pouco absurda (todo o contexto do Animus que faz parte da série). Os diálogos principais conseguem cativar e manter relativamente a atenção enquanto você assiste; logo de início, gostei bastante da relação de Naoe com o pai e com o jovem Junjiro, que é um garotinho super amigável e que rapidamente se conecta com a protagonista.
Logo de início, há uma preocupação de estabelecer uma história de vingança para a personagem, indicando vilões e abrindo espaço para que o jogador possa seguir os personagens a serem assassinados de maneira não linear. Não dá para garantir que a história estará sempre evoluindo e interessante a todo momento. Como comentei antes, há uma estratégia de game design “maximalista”, então temos aqui o máximo de opções para o jogador, o que acaba reduzindo a possibilidade de uma história linear mais bem ritmada. De todo modo, reforço que, nos momentos mais importantes, o jogo entrega boas cenas que conseguiram capturar a minha atenção.

A versão de Nintendo Switch 2
Já que estou falando das cenas, acho importante falar do visual, não é? Assassin’s Creed Shadows é, de fato, impressionante no Nintendo Switch 2. Talvez seja o primeiro jogo que joguei na plataforma e pensei “Isso jamais rodaria no Switch original desse jeito”. O principal destaque é que a imagem que aparece na tela, quando se joga no modo TV, é bastante nítida, muito diferente dos costumeiros ports borrados que tínhamos no console de 2017. Aqui, a vista dos cenários é realmente deslumbrante, como era o objetivo original dos desenvolvedores nas outras plataformas.

A parte que provavelmente mais gostei de admirar são os cenários naturais, as árvores, as plantações… A densidade desses cenários é realmente impressionante e demonstra a capacidade gráfica do Switch 2. Para não dizer que a imagem é perfeita, talvez o principal indicativo que entregue o fato de o jogo estar rodando em um portátil que gasta pouquíssima energia seja o cabelo dos personagens. Muitas vezes, eles parecem borrados e mal definidos, e isso pode ser percebido em algumas cenas. Longe de ser o fim do mundo, mas é o elemento visual que mais me distraiu.
Mas veja, tudo que estou falando é sobre qualidade de imagem e resolução. Como fica a performance? É aí que a questão fica um pouco mais complicada. A priori, os desenvolvedores prometem uma performance fixada em 30 quadros por segundo, o que, honestamente, é ótimo e bate com o que o jogo estava entregando até certo ponto. Porém, bastou explorar a primeira cidade para que o desempenho caísse drasticamente. Com a quantidade de NPCs em tela e todas as construções super detalhadas, o game sofre para manter o desempenho.

É variável o quanto a queda em quadros por segundo incomoda para cada um; no meu caso, achei que distraiu bastante e, mais do que isso, me fez querer ficar longe das cidades em alguns momentos, evitando que o jogo ficasse menos responsivo e mais “lento”. A situação piora no modo portátil: a nitidez vista na TV é perdida e as quedas de desempenho parecem ainda mais frequentes. É uma pena, porque um dos grandes atrativos do lançamento com certeza é jogar um game desse porte em qualquer lugar; porém, é notável a queda no visual quando se opta por jogar na telinha do Switch 2.
De modo geral, tecnicamente falando, o jogo consegue surpreender e decepcionar. Vale notar que a Ubisoft já está prometendo um patch de atualização em dezembro; a expectativa é que esses problemas de performance possam ser resolvidos ou, pelo menos, mitigados.

É bom mas é melhor esperar
Assassin’s Creed Shadows no Switch 2 parece ser um projeto ainda em desenvolvimento. O port exibe características impressionantes e o essencial da experiência já está ali, o que é muito bom. Porém, pequenos problemas de performance fazem com que seja difícil a recomendação imediata, ainda mais quando vemos que Star Wars: Outlaws melhorou consideravelmente depois de algumas atualizações lançadas. Minha recomendação para os fãs é aguardar atualizações e promoções para apreciar o jogo na melhor versão possível.
É notável que os desenvolvedores da Ubisoft colocaram um esforço considerável no game, tanto no jogo base como nessa versão para Switch 2; porém, ainda há trabalho a ser feito. Para o futuro da franquia, sigo torcendo que a direção de game design que norteia o jogo seja mais focada e menos difusa. O conceito de colocar o jogador em diversos períodos históricos diferentes ainda é fascinante e, com uma melhor execução, pode entregar resultados ainda mais satisfatórios.
Prós:
- História cativante que traz bons personagens e uma inteligente mistura entre ficção e história;
- Visual com nitidez deslumbrante no Nintendo Switch 2 rodando no modo TV;
- Muitas opções de acessibilidade que facilitam o entendimento do jogo.
Contras:
- A proposta de mundo aberto sofre com excesso de informações e opções jogadas em cima do jogador;
- A performance do jogo sofre em trechos mais pesados, principalmente cidades;
- O visual cai de qualidade drasticamente no modo portátil.
Nota
7
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