Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Armonica LLC
Armonica LLC
26 de novembro, 2025
R$ 59,99
Digital
ADV | Mistério
Nintendo Switch, PC
Desenvolvedora: Armonica LLC
Publicadora: Armonica LLC
Gênero: ADV | Mistério
Data de lançamento: 26 de novembro, 2025
Preço: R$ 59,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Armonica LLC.
Revisão: Davi Dumont Farace
Acompanhando um estudante de literatura, sua colega de curso Emma, e seu professor Martin em uma viagem de estudos para o país fictício de Vendreka, Detective Instinct: Farewell My Beloved conta uma aventura que traça paralelos diretos com romances da Agatha Christie, especialmente “Assassinato no Expresso Oriente” e outras obras da era de ouro das histórias de detetive.
Desaparecimento no trem de volta para Londres

O jogo começa com o protagonista, cujo o nome é escolhido pelo jogador, sendo violentamente acordado em Venbreka por um policial que invadiu erroneamente o seu quarto de hotel achando ser correspondente ao andar em que um assassinato havia ocorrido, onde a vítima teria sido empurrada pela janela.
Após clarificar o mal entendido, o protagonista decide dar uma olhada na cena do crime por curiosidade e acaba encontrando Emma, que também não conseguiu vencer a curiosidade e acabou descendo para dar uma olhada no que havia ocorrido. Contrariando todo o bom senso, o detetive Daltrey, responsável por investigar o assasinato, acaba convidando os dois para o auxiliarem dentro da cena do crime, como se fosse uma espécie de teste para os dois verem como se sairiam bem como detetives.

Detective Instinct não é nem de longe o jogo mais sério do mundo. Ele tem sim uma dose de humor e personagens absurdamente cômicos, mas acredito que esse capítulo inicial pode acabar “enganando” bastante gente considerando que o tom de piada que é apresentado aqui em nenhum momento chega a ficar tão escancarado como é no restante da história. Concluindo o prólogo, que funciona como uma espécie de tutorial das mecânicas principais, o jogo corta então já para dentro do trem onde se passará o restante da história e o mistério principal será de fato apresentado.

Logo de cara, já é estabelecido que o protagonista se encontra um tanto quanto perdido a respeito do tema que deverá escolher para escrever o seu trabalho de conclusão de curso e decide utilizar o tempo da viagem de volta para casa para pensar no tema de seu trabalho. No entanto, Emma e o protagonista acabam se envolvendo no desaparecimento de uma mulher que nenhum dos poucos passageiros a bordo parece ter qualquer lembrança. Dado a natureza desse ambiente, a dupla tem então, os poucos dias que compõem o decorrer da viagem entre os dois países para resolver o caso.
Detective Instinct tem um visual distinto, traçando um paralelo com clássicos adventures de texto. O jogo simula imagens em baixa resolução que dão aquele charme de jogo antigo, especialmente da era do Nintendo DS. Não atoa o jogo tem sido bem recebido em terras nipônicas e tem o japônes como o único outro idioma disponível além do inglês.
Porém, essa inspiração não é simplesmente estética. Ela também é mecânica. O jogo segue aquele clássico formato de visual novel, com caixas de textos e retratos de personagens, com ocasionais CGs pare retratar cenas específicas, além de um menu lateral com diversas ações que podem ser realizadas. Dentre essas ações, o jogador pode consultar a opinião de Emma que está constantemente acompanhando o protagonista, elaborar um pensamento em sua própria cabeça, interagir com personagens na cena e interagir com determinados objetos presentes na cena.

A realidade é mais dura do que parece
Surpreendentemente, o jogo oferece uma quantidade relativamente grande de lore a respeito da situação política entre as duas nações fictícias que sobrepõem a história do jogo, Vendreka e Ganbrika.
Pode não parecer de início, mas toda essa informação é de fato crucial para o entendimento da história, especialmente como justificativa para as ações de cada personagem envolvido no mistério. Talvez essa seja uma das caracteristicas mais interessantes de Detective Instinct: os temas que o jogo aborda em sua narrativa.
O jogo vai tratar diretamente com violência policial e os problemas que imigrantes enfrentam. Sem medo de se aprofundar nesses temas, transformando-os em parte crucial da história, o jogo prova-se como um título bastante corajoso, especialmente considerando situações geopolíticas atuais em que o jogo faz alusão quase direta.

No geral, Detective Instict: Farewell My Beloved é curto, podendo ser finalizado em pouco menos de 5 horas. Esse número pode variar bem pouco considerando que o jogo é bastante guiado e dificilmente alguém ficaria perdido nele, considerando que os personagens fazem questão de deixar bem claro o tempo inteiro para onde o jogador deve ir, com quem falar e o que fazer — isso também se aplica a dificuldade dos puzzles que no geral são bem óbvios. Isso não é necessariamente algo ruim, especialmente para quem já é acostumado com estilos de visual novel com pouco input do jogador. Porém, as vezes o que fica é a impressão que a parte interativa do jogo é muito mais algo estético do que mecânica de fato.
É difícil elaborar sobre jogos tão curtos como Detective Instinct, sem acabar dando spoilers e estragando a experiência do jogador; especialmente em jogos como este, que busca ser bem minimalista em tudo que se propõe a fazer. O jogo por exemplo, oferece uma gama bem limitada de personagens, cenários, batidas narrativas e gameplay. No entanto, o jogo consegue amarrar muito bem tudo que se propõe a fazer. Toda a gama de conteúdo que Detective Instinct oferece ao jogador tem um motivo que pode não parecer claro de início, mas que com certeza voltará a tona em algum momento de maneiras inesperadas, sendo esta uma das melhores caracteristicas de uma história de mistério bem escrita.

Outra prova de como o jogo é bem escrito está no ritmo que a história segue. Seguindo praticamente um formato de série de TV, cada capítulo do jogo oferece uma aventura com objetivos contidos, mas que sempre acabam deixando mais perguntas do que respostas, servindo como gancho para o anterior. No geral, eu diria que Detective Instinct não possui nenhum “episódio ruim” todos têm as suas próprias reviravoltas com momentos dignos de deixar o jogador boquiaberto até o último momento. O que também é bastante impressionante considerando que é muito fácil uma história parecer forçada uma vez que tenta surpreender o jogador o tempo inteiro, especialmente operando com um escopo tão limitado como este.
Como um todo, Detective Instinct é um jogo que me surpreendeu bastante, principalmente em como toda a história é muito bem amarrada e todos os personagens acabam cumprindo um papel significativo mesmo estando pouco envolvidos com o mistério em si. Não só pelo mistério, mas também é muito fácil se importar com todos os personagens e suas tramas individuais, é um jogo que eu quase não consegui deixar de lado até finalizar por completo.
A resolução do crime

Muito além da sua estética clássica, o jogo entrega uma história tocante sobre amores perdidos, conflitos geopolíticos e as consequências naquelas pessoas que são as maiores vítimas dessas questões. Detective Instinct: Farewell My Beloved é uma recomendação bem fácil de dar para qualquer pessoa que tenha interesse em um boa história de investigação, especialmente aqueles que apreciam jogos mais curtos e direto ao ponto, ou quem não tem muita familiaridade com o gênero.
Prós:
- História bem escrita e emocionante;
- Boas reviravoltas o tempo inteiro;
- Ótima sensação de progressão.
Contras:
- Todos os puzzles bem óbvios;
- Jogo guiado demais.
Nota
8,5
- Review | Temirana: The Lucky Princess and the Tragic Knights - 06/01/2026
- Pra cair de boca no Peru: A Visual Novel BL “DRAMAtical Murder re:code” chega ao Nintendo Switch neste Natal - 24/12/2025
- Dispatch está a caminho do Switch 2 e Switch — Aclamada aventura de comédia de super-heróis - 17/12/2025
