Review | Oppidum

Desenvolvedora: EP Games
Publicadora: EP Games
Gênero: Aventura | Sobrevivência, story-driven
Data de lançamento: 18 de dezembro, 2025
PreçoR$ 129,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC

Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:

Gênero:
Plataformas:

EP Games
EP Games
18 de dezembro, 2025
R$ 129,99
Digital
Aventura | Sobrevivência, story-driven
Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC

Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela EP Games.

Revisão: Manuela Feitosa

Assim como todos os elementos incorporados em narrativas diversas, o escotismo foi sempre retratado, em filmes, livros e jogos, bem diferente da realidade.

Seja Indiana Jones jovem a trote rápido alcançando um trem recheado de animais exóticos ou Russel buscando ajudar um velhinho para conseguir insígnias: a figura do escoteiro verdadeiro não poderia ser mais distinta. Claro, o arquétipo criado ao longo dos anos ainda retém a imagem moral do movimento: crianças atentas, buscando ajudar ao próximo, com um forte vínculo com o meio-ambiente e sempre alerta para servir.

Oppidum, apesar de não ter nada a ver com o escotismo fora a primeira vestimenta do seu personagem, resgata um outro princípio do escotismo muitas vezes esquecido (ou ignorado): o lúdico. Não à toa, o primeiro momento da vida escoteira é representado por analogias de Mogli, o menino lobo, e as figuras adultas são retratados a partir dos personagens do clássico: o sábio Balu, o corajoso e protetor Akela, a atenta Kaa, entre outros. A vida escoteira é, na verdade, impregnada pela imaginação.

Muitas vezes o acampamento se transforma em campo de batalhas noturnas, um mapa assume papel de indicação de tesouros perdidos e uma simples fogueira se transforma em um vínculo real de família criada pelas adversidades, diferenças e esforços. Por isso, não é difícil de acreditar que, em um acampamento qualquer, um grupo de escoteiros é transportado a uma ilha mágica, amaldiçoada por criaturas nefastas que derrubaram uma civilização inteira. Mais crível ainda é o cenário multiplayer, com um game design pautado na cooperação entre diferentes agentes.

Isekai Escoteiro

Antes de colocar as mãos no título, acreditava que o jogo se tratava de um jogo de gerenciamento e exploração, com elementos survival, tomando como base personagens escoteiros. Mas o panorama representou apenas metade da obra. Afinal, o jogo também é um jogo de aventura e ação, fazendo-nos construir armas, combater diferentes tipos de oponentes e salvar uma civilização de um terrível cataclisma. Mas sem pressão.

Oppidum, assim, apresenta-se na estrutura clássica de Isekais: humanos são levados a um mundo novo e são confrontados com as novas adversidades. E aqui há bastante coisa a se fazer: ao montarmos um acampamento, podemos desbloquear inúmeras construções ao coletar recursos em diferentes pontos do mapa. Com uma crafting table simples, podemos contruir equipamentos de extração, quebrar árvores ou pedras, e então construir armaduras e armas mais poderosas.

O jogo, apesar de apresentar um mapa aberto bem grande, pauta-se em uma estrutura de progressão mais linear, com missões que vão nos levando a pontos específicos e nos apresentando a novas mecânicas. Assim, o aspecto mais sandbox do título acaba por se comprometer, com os elementos survival servindo como meios de se chegar ao fim ao invés do fim em si do título.

Por que não tocar na grama?

No Switch 2, via compatibilidade, o visual geral do título é bem agradável. A performance, sem dúvida, é um ponto de muita força: no modo handheld os movimentos são fluídos e a taxa de quadros é bem constante.

As texturas são competentes, com uma tela de caracterização bastante complexa, apesar do visual meio cartunesco já estar um pouco batido. No departamento de cor, porém, o jogo fica um tanto chapado pela predominância do verde: há muita grama, árvore e a própria roupa do nosso personagem é verde. Sem exagero, o título me fez entender a razão pela qual a Nintendo decidiu aposentar a túnica verde de Link em The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

A Hud também é um tanto desorganizada, apesar de existirem opções diversas do quão intrusivo o jogador deseja que o jogo seja. Contudo, ainda há muito texto e muitas informações em tela referentes a armas e itens de uso rápido. Nada que estrague a experiência, claro, mas a Hud simboliza bem o sentimento geral que se tem ao longo do jogo: há muita informação e muito a se fazer, dando uma espécie de sobrecarga na cabeça do jogador.

Não apenas isso, mas o mundo é muito hostil à presença do jogador, mesmo no early game. Apenas como um exemplo: no início da trama, não temos ainda como coletar muitos recursos, e estava limitado a uma espada e um escudo de madeira. Em uma missão bem inicial, precisava enfrentar duas corujas que, vergonhosamente admito, me destruíram algumas dúzias de vezes. Sem exagero.

Quantidade não é sinônimo de qualidade… às vezes

Oppidum não é um título que me desagradou. Mas é bem verdade que não tenha sido atraído com muito entusiasmo à sua proposta. A narrativa simplória não me motivou a continuar a explorar o mundo, e o progresso extremamente linear acompanhado da hostilidade do mundo me desmotivou rapidamente. Caso o jogo focasse em apenas um dos frontes (ou gerenciamento survival, ou ação e aventura), acredito que os devs teriam uma obra de bastante qualidade, mas a forma como o pacote se apresenta sobrecarrega um tanto.

Entretanto, acredito que o jogo pode ser muito bom no multiplayer, modo que não consegui testar ao confeccionar a review. Sua estrutura se assemelha muito a um micro MMO (micro massive é contraditório, mas espero que o leitor perdoe os exageros de estilo). Uma party completa faria do jogo uma experiência divertida, mas sem expectativas de mudar a vida dos jogadores.

Prós:

  • Boa performance no Nintendo Switch 2 via compatibilidade;
  • Aprsenta um mundo lúdico e convidativo.

Contras:

  • Apesar de boa implementação dos elementos de gameplay, o mix sobrecarrega o jogador;
  • Visual monocromático torna o mundo menos interessante de se explorar.

Nota

6,5

Lucas Barreto
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