Desenvolvedora: ω-Force
Publicadora: Koei Tecmo
Gênero: Ação | Musou
Data de lançamento: 22 de janeiro, 2026
Preço: R$ 339,90
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
ω-Force
Koei Tecmo
22 de janeiro, 2026
R$ 339,90
Físico (Game-Key Card)/Digital
Ação | Musou
Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Koei Tecmo.
Revisão: Davi Dumont Farace
O Romance dos Três Reinos é uma das obras mais influentes e importantes da literatura oriental. Um épico clássico que mistura fatos históricos após a queda da dinastia Han com elementos fictícios, tornando-se um documento histórico de extrema importância. Ainda assim, acredito que no ocidente a obra não é tão tomada em conta, chegando até nós obras derivadas do original, sem estarem muito contextualizadas em nosso imaginário.
Jogar Dynasty Warriors na perspectiva ocidental parece ser o mesmo que jogar Hades sem conhecer Ilíada, Odisséia ou qualquer menção da mitologia grega, ao menos ao meu ver. Não digo que os jogos são ruins ou incompreensíveis, muito pelo contrário, mas é fato que, o conhecimento do contexto é algo que impacta na compreensão geral da obra. O intertexto é muito comum em qualquer artigo da indústria cultural, mas quando falamos de obras intrísecas a culturas específicas, intertexto passa a ser conhecimento comum, e a hipótese de não saber quem diabos é Cao Cao e Liu Bei é tão estranha quanto dizer que nunca se ouviu falar de Jesus Cristo.
Perâmbulos à parte, acredito que é importante destacar tal percepção para indicar que, enquanto redator brasileiro, sem base o suficiente no Romance dos Três Reinos, injustiças serão cometidas na escrita do texto. Apesar de pesquisas, é inevitável uma dose de escorregões ao se discutir a narrativa; tanto o é que escolherei pautar o texto muito mais na experiência do jogo em si do que na essência da narrativa, colocando-a em pauta muito mais pela forma do que pelo conteúdo.
A Origem das Ruínas
Dynasty Warriors: Origins pretende abordar os eventos que antecedem a queda da dinastia Han na China, no século II DC, e que eventualmente levariam ao período denominado Três Reinos.
Desde a revolta dos Turbantes Amarelos, liderado por Zhang Jiao, até a cisão dos diferentes clãs, acompanhamos os eventos históricos se desdobrarem a partir de um herói sem nome nem memórias, porém extremamente habilidoso e advindo de uma facção de guardiões da paz. Ao longo de inúmeras batalhas, alianças são feitas e desfeitas, heróis aparecem no campo de batalha em diferentes lados e o clima político do Império entra em uma espiral de caos, resultando em um dos períodos de maior mortalidade da história da região.

A obra é dividida em cinco capítulos, com a primeira metade focada em apresentar os líderes de cada facção, seus aliados e ideais de construção de Império. Na metade do jogo, o jogador deve escolher um dos líderes para apoiar sua causa, e a partir dessa escolha os caminhos se abrem radicalmente, colocando-nos inclusive em batalhas contra antigos aliados. A progressão narrativa acaba sendo um tanto lenta por conta dos múltiplos eventos e pergonsagens, uma vez que o jogo sempre está apresentando novos nomes e novas interações, mas o poder de escolha traz um grau de complexidade ao título e aumentando em muito seu escopo.
Além da narrativa dos conflitos militares, ainda somos encarregados de buscar as antigas memórias do protagonista. Entendo que o personagem mudo e sem memórias se torna um receptáculo mais adequado ao jogador que pode se unir a qualquer facção, inclusive a de antagonistas da série no passado, mas o trope de amnésia me parece um tanto ultrapassado a essa altura do campeonato. O mistério por trás dos personagens do seu passado, que eventualmente mostram suas presenças, é intrigante, mas pergunto-me se outras escolhas não seriam mais adequadas ao protagonista.
No geral, o loop de gameplay é bem direto: após uma batalha grande, eventos pequenos são desbloqueados no mapa (cenas de suporte, missões secundárias, objetivos gerais de aptidões em armas específicas, etc), e então uma nova batalha é disponibilizada. Vai de jogador a jogador a decisão de priorizar o combate, pulando todas as interações e indo direto para as batalhas; ou de ver tudo, e é nessa segunda opção que vi alguns problemas. Essencialmente, o cast do jogo é exageradamente grande.
Os nomes passam a se misturar em uma massa única, sem personalidades e designs que se destacam muito (fora o cast principal), e as cenas de suporte acabam sendo um tanto genéricas. O ritmo geral das cenas de diálogo (e aqui incluo as cenas das missões principais também) acaba sendo truncado, principalmente pela câmera fixa mostrando um texto longo que poderia ser mais enxuto. Claro, as cutscenes em si são muito bem coreografadas e mais impactantes no geral, mas o grosso das interações se dá em um ritmo bem mais lento que o ideal.

No fim, o enredo é bastante competente, com perdas impactantes e sentidas, mas a narrativa acaba por se diluir em cenas de suporte longas e truncadas. Mas é claro que, quando falamos de Dynasty Warriors, o que importa mesmo é o combate. E especificamente no Switch 2, acredito que haverão dúvidas em relação à performance, então vamos logo à parte que mais importa.
Um exército de um homem só
O gênero musou foi bastante popularizado nos últimos anos graças às interações da Koei com outras franquias. Hyrule Warriors, Fire Emblem Warriors e o excelente Persona 5 Strikers introduziram ao grande público o conceito de jogo 1 vs. 1000; mas acredito que nem todos podem ter experienciado esse tipo de gameplay.
Essencialmente, musou é um tipo de jogo em que controlamos um personagem que enfrenta uma horda de inimigos, com ataques com range o suficiente para afetar uma área expressiva. Os campos de batalha apresentam dois exércitos antagônicos, cada um constituído por bosses e mini-bosses que controlam diversos companions mais fracos. Ao derrotar os oponentes mais fortes, as forças vão diminuindo, até termos vantagem no campo de batalha.

Para tal, o jogo oferece um arsenal bastante complexo. Ao longo da jogatina vamos desbloquando diferentes armas, cada uma com um tipo de jogabilidade diferente e progressões de habilidades diferentes, dano-nos bastante versatilidade no campo. Podemos optar por um estilo mais ágil, bruto, curta distância ou até longa. Mas independentemente da arma escolhida, as ações permanecem as mesmas: temos um botão de ataque fraco e outro para forte, mas inúmeros combos que podem ser depreendidos daí. Além das escolhas ofensivas, também podemos esquivar e defender ataques; sendo que, ao defender no timing certo, conseguimos dar um parry potente que desestabiliza os oponentes.
Há, ainda, algumas habilidades expeciais que são gradualmente carregadas no fluxo de combate. Pontos de bravura liberam skill arts, que podem tanto causar um dano avassalador quanto servir de block a ataques especiais. Já o gage de musou libera o especial em si, que pode facilmente derrubar algumas centenas de oponentes quando bem posicionado. Por último, em batalhas específicas, podemos ainda contar com companions que lutam ao nosso lado. Para eles, existem dois gages possíveis: no primeiro, conseguimos realizar um especial em conjunto, dizimando boa parte da tela, e no segundo conseguimos controlar o personagem, que assume uma postura muito mais de tanque e que serve para dar um dano significativo em uma breve janela de tempo.
Acompanhado de tudo isso, há um sistema bem intuitivo de progressão. Quanto mais utilizamos uma arma, mais proficiência temos nela, e acompanhando pontos de proficiência desbloqueamos, skill trees que nos dão ainda mais habilidades. Parece ser bastante coisa (e de fato é), mas com o jogo na mão tudo se encaixa de forma bem natural, não sendo necessário checar mil menus a cada minuto.

Com um combate bem implementado (a essa altura a Koei tem a fórmula do sucesso de musou decorada de trás para frente), o segredo na verdade está no level design dos mapas. Afinal de contas, nas batalhas, temos que prestar atenção em múltiplos elementos de uma vez só: um aliado está em apuros com um inimigo? Uma base adversária deve ser tomada para evitar novos reforços?
E em Dynasty Warriors: Origins, existe uma camada a mais de desafio: em uma janela de tempo curtíssima, temos de ter atenção às forças colossais que servem como massa. Elas convocam certas ordens especiais que causam muito dano, e somente podem ser paradas caso realizemos ações específicas, desde derrotar determinados inimigos ou até abater 300 ameaças. Por isso que, sem um bom mapa, os múltiplos elementos se tornariam barulho visual.
Porém, do jeito como a Koei conseguiu construir os campos de batalha, tudo consegue ser gradual, legível e priorizado de acordo, mesmo com uma tela pequena como no modo handheld do Switch 2! Meu único ponto em relação à legibilidade é em relação ao tamanho mínusculo das fontes (mesmo na opção maior), mas esse elemento afeta mais as seções narrativas do que os combates em si.

Em minha review de Star Wars Outlaws mencionei que a frase que mais ouviremos na geração do Switch 2 é que temos “enfim um showcase do poderio do novo console”. E acredito que Dynasty Warriors: Origins é mais um desses casos: a performance é fixa em 30 frames, tanto no modo dock quanto no handheld, sem qualquer travadinha como era comum em Age of Calamity no Switch original.
O visual é extremamente detalhado, e nada gritante salta aos olhos, fora texturas nas beiradas da câmera no modo handheld. Inclusive, as screenshots que utilizei no texto não fazem juz ao visual presente na tela. Algo que me impressionou positivamente foi o curto tempo de loading entre fases, algo que chamava muita atenção no início da geração de PlayStation 5 e Xbox Series. Isso, o Switch 2 vem entregando de forma consistente.
Um gostinho do futuro
Recentemente, a série Dynasty Warriors completou 25 anos, e como celebração a Koei irá lançar, em conjunto com a versão do título para o Nintendo Switch 2, uma grande DLC de Dynasty Warriors: Origins para todas as plataformas. Além disso, o remaster de Dynasty Warriors 3 já foi confirmado, apontando para um futuro ainda mais frutífero da série. Retornar às origens é de certa forma preparar o terreno para outras entradas, e após colocar as mãos em Origins, mal posso esperar para o próximo título do gênero.

Mesmo sem conhecimento dos demais jogos da série, esse é o melhor título para conhecer a franquia e o tipo de gameplay, na minha opinião. Existem diversas opções para deixar a experiência mais adequada a novatos, e a narrativa truncada não é o suficiente para ofuscar o brilho do sistema de combate. Na tomada de decisão entre as facções dos Três Reinos, fico na verdade com três saves para conseguir extrair tudo o que o jogo apresenta, entendendo que talvez precise de mais em sequência.
Prós:
- Combate fluido e intuitivo;
- Level design deixa os múltiplos estímulos legíveis e gerenciáveis;
- Trilhas de progressão estimulam a diversidade de gameplay.
Contras:
- Narrativa truncada, com muitos diálogos expositivos;
- Imensa quantidade de personagens os torna menos memoráveis e um tanto genéricos.
Nota
8,5
- Review | DYNASTY WARRIORS: ORIGINS - 16/01/2026
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