Desde o seu conceito, jogos sempre tiveram um “oponente”, um obstáculo que fica no caminho do jogador para o objetivo final. Pong (1972) possui um obstáculo na forma do próprio computador, ou de um amigo seu, dificultando a vitória em um jogo simples. Eventualmente, quando os jogos foram ficando mais complexos, esses obstáculos começaram a evoluir e viraram o que nós hoje chamamos de bosses – os típicos chefões.
E claro, com a complexidade que nos permitiu criar os chefões, os jogos passaram a desenvolvê-los de uma maneira mais natural, deixando as histórias, o gameplay e até lutas um verdadeiro desafio para o jogador. Por isso, não seria errado falar que um bom boss apresenta pelo menos um desses três aspectos executado com maestria. No entanto, há ainda um outro fator a ponto de torná-lo icônico: o quão desgraçado ele conseque ser. E isso sem falar da satisfação de pôr um fim àquilo que te prejudicou, seja na história ou em na jogatina.
Com a ajuda de outros 16 membros do NBoy, eu reuni uma lista pessoal do que nós achamos dos “bosses mais satisfatórios de se derrotar”, além dos motivos por trás de nossas escolhas. Foi uma lista um tanto complexa de montar, mas é uma prova de que, quando nos reunimos, até os textos collab que nosso editor-chefe diziam impossíveis, se tornam realidade.
— Ele estava certo, eu tive que vender a minha alma para esse collab funcionar.
Antes de começar, no entanto, fiquem ligados que haverá spoilers dos seguintes jogos abaixo:
- Octopath Traveler II
- Undertale
- Red Dead Redemption / Red Dead Redemption 2
- Persona 5
- Chrono Trigger
- Final Fantasy VII
- Xenoblade Chronicles
- Xenoblade Chronicles X
- The Legend of Zelda: Majora’s Mask
- The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom
- Triangle Strategy
- Street Fighter III
- Batman: Arkham Asylum
- Breath of Fire III
- Mother 3
- Punhos de Repúdio
- Metroid Dread
Portanto, sem mais delongas e partindo para a porradaria, vamos dar início a nossa lista!

• Sugerido por: Vinicius Madeira
Começando a lista pelo boss que me fez pensar na própria. Harvey é um dos vários antagonistas de Octopath Traveler II e o boss final da história de Osvald. Originalmente um colega de campo nos estudos de Osvald, Harvey se revela como vilão no início da história do mesmo quando o pesquisador se encontra acusado de matar a própria esposa e filha em um incêndio – crime esse que foi cometido por Harvey.
Apesar de nossa lista ter vários vilões egoístas ou que cometeram atrocidades por inveja, os crimes de Harvey possuem um peso mais pessoal na narrativa, e nos faz querer ver Osvald seguindo o seu caminho de vingança, mesmo sabendo que a mesma está o consumindo. No entanto, após revelações de que a filha de Osvald, Elena, estava viva e que Harvey ainda estava pronto para sacrificá-la em prol da “Verdadeira Magia”, o nosso foco muda para não apenas destruir Harvey, para também resgatar Elena.
Durante a batalha, Osvald desenvolve sua própria forma da “Verdadeira Magia”, através de seu desejo de salvar Elena, e, em um duelo com dois usuários de versões diferentes de uma magia poderosa, apenas um pode sair vitorioso. É extremamente satisfatório entrar em um combate contra Harvey e vê-lo explodir, incapaz de controlar a magia que buscava a qualquer custo e sendo consumido pela mesma.

• Sugerido por: Mandow
Um clássico indie moderno (não tão moderno a esse ponto, já que tem mais de 10 anos), é difícil de falar de Undertale sem repetir o que já é dito por muitos; no entanto, um aspecto que é totalmente válido de comentar aqui é a simples satisfação de ver o Flowey, a pedra no sapato da jornada do jogador e Frisk – protagonista do jogo, cair após sua luta. Especialmente quando esta queda em específico foi causada por nada além da própria arrogância da planta, que possuía um poder absoluto em suas mãos, mas se perdeu na “brincadeira”.
Para contexto, após absorver as seis almas humanas já armazenadas no subsolo, Flowey se torna Omega Flowey (que criatividade para nomes, hein, deus da hipermorte?) e começa a torturar tanto o jogador quanto a última criança. Por Flowey possuir mais determinação que Frisk naquele momento, eventos como save e load se tornam algo manipulável por ele, mas que fogem do controle no instante que as seis almas decidem que não querem mais obedecer às vontades de Flowey e se voltam contra seu suposto mestre.
Embora a verdade por trás de Flowey seja um passado bem triste — e que, quando você descobre a verdade por trás dele, o jogo te leve a considerar seguir a rota do Undertale chamada Pacifista Verdadeiro — ainda assim, quem joga pela primeira vez sente muito prazer em derrotar o Omega Flowey. E ironicamente, com exceção de uma mudança de diálogo no final pacifista, você escolher matar ou poupar Flowey no fim de uma rota neutra não resulta em nenhuma consequência para o final em si.
Pobre Flowey…

• Sugerido por: João Costa
O quão horrível um antagonista é pode ser traçado no quão bem escrito seu personagem é. Isso não é uma regra é claro, mas apenas um resultado de escrita de personagens uma vez que você os analisa profundamente. E essa análise profunda nos leva a hipocrisia, teimosia e até mesmo triste queda de um personagem que amamos odiar e odiamos amar: Dutch van der Linde da série Red Dead Redemption.
Líder da “Gangue van der Linde”, Dutch era um anarquista que acreditava em uma utopia selvagem. Mas essa utopia não era para ser, uma vez que os tempos chegaram até mesmo ao teimoso Velho Oeste, mas nunca para o ainda mais teimoso Dutch.
— Suas descendências à loucura e traições fazem com que muitos dos membros de sua gangue escolham sair voluntariamente, e alguns se provando piores que o próprio velho teimoso.
Cronologicamente, Red Dead Redemption 2 se passa antes do primeiro jogo, então analisar essa descendência ao jogar na “ordem cronológica” se torna interessante pois vemos a visão que Dutch tinha do mundo, e o quão satisfatório é encurralar ele no primeiro jogo – e na sequência cronológica do segundo. Entretanto, essa vitória é uma comemoração curta, pois apesar de louco, Dutch era sábio e sabia que, assim que ele saísse, o governo procuraria outro alvo: o protagonista, John.

• Sugerido por: Ivanir Ignacchitti
Persona 5 (e suas expansões, spin-offs e sequências) é um jogo que aborda temas importantes na sociedade atual, problemas de corrupção em elevados níveis que precisam ser expostos. Entre professores que abusam de seus alunos, artistas que cometem plágio com os próprios estudantes ou até a própria yakuza, uma pessoa em especial é responsável pela maior parte dos eventos do jogo: o político corrupto, Masayoshi Shido.
Uma representação do extremismo político e onde o mesmo pode nos levar, Shido é o protagonista central de Persona 5, onde a maioria dos eventos, incluindo a própria situação do protagonista podem ser traçadas de volta ao careca. Você o enfrenta como boss nos últimos capítulos do jogo, em um cruzeiro que reflete o quanto a mente de Shido foi distorcida a respeito de seu papel como político, e também de si mesmo, se imaginando como alguém que seria ouvido como a voz da razão, mas prega apenas um militarismo barato.
Derrotar Shido no jogo é demonstrar que você, e em essência o protagonista, superaram as dificuldades que o poder dele causaram a você de início. Minha única reclamação quanto a luta é que em nenhum momento ela fica mais pessoal, onde apenas Joker enfrenta a sombra de Shido em um determinado ponto da luta. O anime de Persona 5 corrige esse erro e nos traz uma cena interessante onde acontece justamente isso, no entanto.
Como último adendo, a música desta Boss Fight, Rivers in the Desert, é uma excelente companhia para a luta desse tirano. A letra dela, inclusive, reflete a situação atual, com os Ladrões Fantasma “criando um rio em um deserto”, um feito tão impossível quanto parar Shido no meio das eleições onde ele está essencialmente eleito.

• Sugerido por: Matheus De Brito
Possivelmente uma escolha um tanto controversa, no entanto peço que me escutem aqui! Jogar Chrono Trigger às cegas é uma maravilha que nem todos no meio dos JRPGs podem ter, considerando o tanto que esse jogo foi comentado por várias pessoas, mas foi uma alegria que o nosso colega Theus teve.
[ Aviso, não continue se você quiser ter essa experiência ]
Magus de início é introduzido como o arquétipo do “mago maligno” de todo JRPG, sendo o responsável pela morte de heróis, a transformação de Glenn – cujo nome Frog lhe foi dado graças à transformação – e sua obsessão com o Lavos te faz pensar que eles são ligados de forma sombria. Por isso, a primeira luta contra Magus é satisfatória, você acredita que está derrotando um mago maligno que quer destruir o mundo, mesmo a verdade por trás do iceberg é algo maior.
Caso o jogador queira, Magus pode ser enfrentado uma segunda vez, na qual ele é morto pelos membros da party de Chrono após zombar da morte do mesmo. No entanto, essa escolha gera alguns dos finais onde Chrono não é ressuscitado, mesmo que Glenn volte a sua forma normal, não daria para dizer que este é um final feliz.
No fim de tudo, Magus é um “vilão” complexo, e poderíamos entender qualquer um que o ame ou o odeie!

• Sugerido por: Kat Oliveira
Adicionando mais um a lista de “cientistas / pesquisadores do mal” na nossa lista (ironicamente de um outro jogo da Square Enix também), Professor Hojo de Final Fantasy VII é um antagonista central que, apesar de não ser o responsável e antagonista direto de boa parte da história, é indiretamente responsável por alguns dos eventos mais brutais do jogo. Por conta dos remakes estarem “incompletos” na história de FF7, nós apenas abordaremos a cronologia original, espero que entendam.
Hojo é pai biológico de Sephiroth, sendo este um experimento que ele fez com Lucrecia (contra a vontade da mesma, devo adicionar), outra cientista da Shinra que trabalhava em diversos projetos. No entanto, a natureza de Lucrecia como mãe de Sephiroth não era a explicação de seus poderes, já que Hojo não apenas injetou células de JENOVA – uma extraterrestre que Shinra constantemente fazia experimentos com – em Sephiroth, como escondeu este detalhe do coitado, causando sua eventual descendência a loucura.
Portanto, 80% das tragédias de toda a saga Final Fantasy VII, incluindo as extensões de Before Crisis, Crisis Core, Advent Children e Dirge of Cerberus podem ser traçadas de volta a Hojo, mesmo quando este imbecil bate as botas, o legado dele ainda persiste. Por isso, a satisfação de acabar com a raça dele em um combate que se estende por 3 fases não tão longas é enorme, mas ainda assim, não é o suficiente para fazê-lo pagar pelos seus pecados.

• Sugerido por: Marcos Vinícius
Chegando na sugestão do nosso amado editor-chefe, temos uma das primeiras traições da série Xenoblade, e o vilão que se torna o fator motivacional primário da história do primeiro jogo: o humano transformado em máquina, Mumkhar! No início do jogo, Mumkhar nos é apresentado como membro da equipe de Dunban na época que ele ainda usava a Monado, mas o mesmo se desvia do campo de combate para esperar que Dunban caia em batalha e que ele, Mumkhar, retorne para a Colônia 9 como o novo usuário da Monado. O plano dá errado e ele é cercado de Mechons, e o jogo nos faz pensar que ele morreu ali.
No entanto, o que o jogador não sabe ainda, é que Mumkhar não apenas sobreviveu, como teve seu corpo modificado em Mechonis, e agora não só sua vida foi encurtada, como ele também foi capaz de pilotar a terrível máquina que ataca a Colônia 9 no começo do jogo: Metal Face! A revelação de Mumkhar como Metal Face nos é revelada durante os eventos de Valak Mountain, causando a primeira (e única) batalha dele fora do Mechon; e é necessário dizer que, não há satisfação maior que encerrar esse combate e assistir a cutscene do Dunban humilhando o mesmo em habilidades, mesmo tendo perdido a capacidade de mover um dos braços.
Encerrando o ciclo de vingança, no fim… Mumkhar morre sem cerimônia, caindo em Sword Valley, trazendo um fim a Metal Face na mesma região onde Mumkhar morreu como humano. Um tanto catártico, não diria?

• Sugerido por: Angelus Victor
E falar de catártico, vamos dar sequência na série Xenoblade com outro boss que mereceu tudo de mal que aconteceu a ele: Luxaar! Embora eu acredite que Xenoblade X tenha uma escrita de vilões fraca – comparado ao resto da série, ao menos – Luxaar entra em uma categoria a parte, sendo detestável não apenas por conta de sua aparência nojenta, mas também por suas constantes manipulações e impulsos genocidas contra humanos e qualquer um que não seja afiliado aos Ganglion.
Sendo um dos responsáveis por trazer o conflito intergaláctico que causou a destruição da Terra no início do jogo, Luxaar pode ser creditado com uma kill count que chega aos bilhões, feito que nenhum outro vilão dessa lista até agora pode se gabar; embora sua motivação seja a autopreservação, sua determinação de querer exterminar a raça humana, além da constante manipulação que ele comete em raças como os Prone e os Wrothian tornam ele diversas coisas, mas nunca o tornará um vilão com o qual podemos simpatizar.
A sua primeira luta também é a sua última ainda consciente, com a sua arrogância de achar que tem o controle da situação apenas por usar um Skell poderoso, o Vita, e no final, ser destruído junto dessa máquina poderosa. Parafraseando o meu grande amigo Lao Huang:
“Por sua causa, existem apenas 20 milhões de nós agora… Isso me dá 9.98 bilhões de motivos para que eu queira ver você morto!”

• Sugerido por: Patrick Pinheiro
Considerado por muitos o “Zelda mais sombrio”, Majora’s Mask é uma história sobre tristeza, perseverança, luto e múltiplas tragédias. A maior tragédia de todas sendo a lua que, através de uma magia invocada pela titular “Máscara de Majora”, cada dia do jogo se aproxima mais para colidir com a terra de Termina – continente onde se passa este Zelda em específico.
Em Majora’s Mask vemos os efeitos terríveis que a Máscara de Majora teve sobre o povo de Termina, porém, diferente do que eu fiz com os outros vilões, eu gostaria de citar alguns dos maiores pecados que a máscara, no controle do inocente Skull Kid, cometeu:
- Tentativa de homicídio
- Infanticídio de um Deku Scrub
- Envenenamento dos rios florestais
- Congelamento permanente das montanhas
- Auxílio de pirataria e sequestro infantil (ovos de Zora)
- Necromancia de uma terra já outrora devastada por guerra
- Brincou de deus e aprisionou os únicos capazes de proteger Termina
No fim, isso é apenas uma pequena porcentagem do que a máscara fez; e por isso, apesar de sua luta não ser tão satisfatória, sendo até mesmo “patética” por falta de palavras melhores, ela ainda é satisfatória unicamente pela vingança que o jogador devolve em nome de todos no qual a Majora’s Mask torturou. Infelizmente é impossível você salvar todo mundo no espaço de três dias em que o jogo passa, então haverão pontas soltas por Termina quando você encerrar o jogo, e nem todo mundo tem uma conclusão alegre.

• Sugerido por: Manuela Feitosa
Possivelmente outra adição controversa em nossa lista, Ganondorf de Tears of the Kingdom tem muitos fatores que trabalham a seu favor: ele tem uma presença inegável, um design ̶g̶o̶s̶t̶o̶s̶o̶ intimidador e uma voz que, tanto em inglês quanto em japonês, combina com os aspectos citados anteriormente. No entanto, o que essa versão do Ganondorf não possui é uma motivação que faça um sentido fora do vácuo de Tears…
— Sim, eu sei que em japonês a motivação dele é achar que as pessoas estão dependentes dos Zonai e fracas por conta disso. No entanto, isso é quase 1:1 a motivação do Meta Knight em Revenge of the Meta Knight de Kirby Super Star. Quando um vilão sério se parece um vilão de Kirby, não diria que é uma combinação boa na escrita.
Entretanto, sua presença nessa lista é semelhante à inclusão da Majora’s Mask anteriormente; seus feitos durante a Guerra Aprisionadora incluem, mas não se limitam a: traição a um reino ao qual foi jurada lealdade, homicídio em massa e forçar a Zelda a tomar uma atitude drástica como se transformar em um dragão para conseguir restaurar a Espada Mestra que ele destruiu no futuro (para adicionar sal na ferida, ele ainda tem a audácia de fingir ser a Zelda no presente para atrair Link ao Castelo de Hyrule).
Sendo o boss final de Tears of the Kingdom, no entanto, Ganondorf é um desafio por si só, tendo uma mecânica exclusiva de sua luta onde a sua barra de vida só atinge um cap na ponta da tela do Switch, algo que nenhum outro boss tanto em Tears quanto Breath tinham. Isso por si só traz um “cool factor” único a esta Boss Fight, e a torna uma das mais satisfatórias da série Zelda justamente por isso.

• Sugerido por: Gabriel Marçal
O que vocês fariam se encontrassem o “CEO do racismo”? Infelizmente essa é uma pergunta 100% hipotética, afinal, o racismo não é uma instituição que possa ter um CEO, ele é algo que humanos desenvolvem a partir de um senso distorcido de querer se sentire superiores a outros de sua mesma espécie.
Porém, no continente de Norzelia, no mundo fictício de Triangle Strategy temos uma instituição onde o racismo não é apenas uma norma, ele é institucionalizado e comercializado! No continente de Hyzante, dominado por uma religião e igrejas igualmente poderosas, nós viemos a ver o hierofante como uma espécie de Papa. No entanto, o hierofante nunca existiu (pelo menos não durante os eventos do jogo), e todas as leis religiosas eram feitas pelo conselheiro do hierofante, Idore Delmira.
Idore é um fanático religioso que busca subjugar o povo Roselle, pessoas de cabelo rosa que são historicamente discriminadas em Norzelia, algo que irrita ainda mais o protagonista Serenoa, cuja noiva Frederica é uma meia-Roselle. Dependendo das múltiplas escolhas que o jogador pode tomar ao longo da história, o fim de Idore pode ser algo a se comemorar, ou um final agridoce, com o fim do racismo de Hyzante, mas a um preço enorme para o grupo de Serenoa.
Então por favor, aos que forem jogar este excelente SRPG, façam as escolhas certas para chutar a bunda desse racista de merda!

• Sugerido e escrito por: Bia Fonseca
[Descrição feita pela nossa incrível redatora, Bia Fonseca]
“Existe toda uma conspiração enorme envolvendo o grupo dos Illuminati, uma sociedade secreta que vem manipulando e se envolvendo em eventos de escala mundial, membros onde você menos espera, incluindo pessoas de muito poder e influência, olhos em todos os lugares… Claro, que estou falando do lore por trás da série Street Fighter, e o líder da tal organização Gill, que por trás das cortinas, foi a força invisível na história até que foi finalmente revelado na trilogia que compõem Street Fighter III. Com certeza há muito em jogo quando você bota em contexto dessa maneira, toda a verdade revelada ao mundo finalmente, quando o mestre supremo se caí…
Mas não é isso que me incentiva a derrotá-lo em 3rd Strike. Gill, o sorvete napolitano de dois sabores usando tanga, tem um truque muito sujo que, 9 a 10 vezes, ele vai usar… e recuperar toda a sua saúde após um árduo Round tentando derrubá-lo, com o tempo limite na sua cabeça. Aah, a satisfação que é ouvir o “K.O.” do narrador, depois dessa partida roubada!”

• Sugerido e escrito por: Antônio Carlos
[Descrição feita pelo nosso incrível editor, Antônio Carlos]
A escolha da Hera Venenosa foi por ela representar muito bem os desafios que tive com esse jogo e a forma que o game aborda os vilões. O mais simples seria colocar todo vilão com uma barra de vida longa e ter um combate contra ele, mas isso deixaria vilões que são humanos comuns com uma força e resistência não condizente com suas capacidades. Os desenvolvedores escolheram ficar mais próximos das limitações dos personagens, Victor Zsasz é derrotado com um golpe que derrota inimigos comuns, a Arlequina é arremessada em uma cela durante uma cena e a Hera Venenosa tem que ficar protegida por uma planta modificada pelo veneno do Bane para ter uma luta digna de um “boss” mostrando que ouve uma preocupação em respeitar a escala de força “real” dos personagens, algo que tende a ser esquecido em jogos que adaptam outras mídias.
O modo que o Batman enfrenta seus inimigos é totalmente diferente da minha maneira de jogar. Sempre fui mais direto ao combate contando com a força bruta dos meus personagens e tive muita dificuldade de me adaptar a certas partes desse jogo principalmente por decidir jogar no modo difícil logo na primeira vez. Os erros que eu cometia tinham uma punição muito maior e os ataques dos inimigos eram menos óbvios. Quando chegou na hera venenosa tudo veio com o dobro de força: por mais que o combate não fosse complicado, ele não dava descanso, sempre precisando esquivar enquanto atira batarangues tornando a luta bem estimulante.

• Sugerido e escrito por: Erick Figueiredo
[Descrição feita pelo nosso incrível redator, Erick Figueiredo]
“Apesar de ter nascido no Super Nintendo, a franquia Breath of Fire começou a se destacar de verdade na era PlayStation. Breath of Fire III, primeiro jogo da série para o console 32-bits, foi memorável não apenas pela sua ótima combinação de sprites 2D com efeitos visuais 3D, como também por introduzir alguns personagens icônicos que davam vida ao seu mundo de jogo.
Entre os vilões, além do retorno da deusa Myria, vilã do primeiro jogo e que aqui teve sua personalidade expandida para muito mais do que uma criatura do caos, também temos a introdução de sub vilões que se tornaram memoráveis graças as suas ações na narrativa. Esse é o caso da dupla Balio e Sunder, dois homens cavalos que são o principal obstáculo de Ryu e seus amigos durante boa parte do arco infância da narrativa.
Introduzidos como os capangas de um poderoso mafioso de Syn City, Balio e Sunder aparecem pela primeira vez logo após Ryu e seus amigos órfãos, Rei e Teepo, serem enganados por um cidadão do vilarejo de McNeil para roubar o dito McNeil. Mesmo sendo crianças, Balio e Sunder não demonstram piedade e além de queimar a casa do trio, ainda os enfrentam e deixam para morrer. Ryu sobrevive ao embate e boa parte do arco infância tem o jovem dragão buscando encontrar seus amigos desaparecidos.
A dupla se depara com Ryu novamente e após descobrir que ele pode se transformar em um dragão, decidem caçá-lo. Balio e Sunder são dois personagens sem escrúpulos que utilizam de força e outros truques sujos, incluindo manter reféns, para conseguir o que querem e ao longo do arco infância, caçam Ryu e seus amigos para utilizá-los para seus próprios planos de fazer dinheiro. Após 2-3 horas tendo que lidar com eles e ver como abusam do pobre garoto dragão, é extremamente gratificante quando Garr, um poderoso guerreiro que Ryu conhece em sua jornada, decide ajudar a combatê-los. Com a força de todos, a dupla é derrotada, mesmo após os cavalos se fundirem e se transformarem em um inimigo ainda mais poderoso. (E baseado no Ultraman, mas vamos fingir que isso não acontece, qualquer coisa para ajudar BoF3 ser relançado)”

• Sugerido por: Pablo Camargo
Com uma sugestão ousada de Mother 3 – ao qual podemos garantir a Nintendo que nosso colega Botão jogou oficialmente pelo NSO japonês, óbvio – que exemplo melhor poderíamos dar a nossa lista se não um personagem canonicamente manipulador, ganancioso e que abusa de animais, Yokuba. Introduzido bem cedo no jogo, Yokuba é um personagem que está direta e indiretamente ligado às tragédias que ocorreram na vida do protagonista do jogo, Lucas, o que dá um motivo genuíno para odiá-lo.
Yokuba é um manipulador e general da Pig Mask Army de Porky, ele esconde sua verdadeira natureza como Magypsie (algo confirmado pelo Itoi) durante o jogo todo, e já cedo demonstra cenas horríveis, como torturar Salsa, o seu macaco ajudante com choques constantes. Como sabemos com eventos recentes, crueldade animal tem o seu preço, e se não tem como nos vingar dele diretamente, pelo menos usar um Drago para fazê-lo voar no estilo Equipe Rocket vai ter que bastar.
A luta de Yokuba não é nada excepcional em termos de mecânicas ou dificuldade, mas entra na lista por justamente ser satisfatório demais bater nesse comerciante safado!

• Sugerido por: Davi Sousa
Eu preciso dizer alguma coisa?

• Sugerido por: Arthur
Embora muitos dos bosses citados estejam aqui por serem pessoas (ou em alguns casos monstros / criaturas) de mau-caráter, há também uns que são só um porre de enfrentar, ao ponto de você esquecer o que te motivou a enfrentar esse obstáculo e só acabar logo com isso. Gyoubu Oniwa de Sekiro: Shadows Die Twice é um pouco dos dois!
Não apenas ele é um dos lacaios mais leais ao Genichiro, o antagonista central da história, como a boss fight dele é uma desnecessariamente agressiva. Para os acostumados com a série Souls-Borne, Sekiro traz uma mudança que muda tudo: o seu foco em parries é indicativo que o jogador precisa bloquear ao invés de desviar. E essa punição de desvios fica ainda mais óbvia em um boss que te ataca rápido, com uma lança que parece ter um alcance que não deveria ter – o que, infelizmente, é meio que a intenção de uma lança.
Ficar dependendo de parries precisos ou bloqueios ainda pode tornar essa luta longa, no entanto, já que o chefão aqui tem duas barras de vida separadas! Mas a satisfação de executar o golpe final e ver a escrita “EXECUÇÃO SHINOBI” subindo na parte superior do jogo é uma alegria que não dá para descrever por completo, já que foi um desafio árduo que VOCÊ superou, seja por paciência ou habilidade.

• Sugerido por: Luiz Estrella
Samus Aran é uma caçadora de recompensas que já enfrentou tudo que é tipo de perigo! A piratas espaciais, supercomputadores em formato de cérebro e a po*&% de um pterossauro que se recusa a morrer, Samus encarou tantos vilões que é difícil acreditar que um de seus maiores – e mais satisfatórios – desafios que tanto ela, quanto o jogador enfrentam, seria um dos “pais” de Samus.
Raven Beak, primeiramente introduzido nas Memórias Chozo de Samus Returns, é o antagonista final de Metroid Dread, sendo o último sobrevivente da Tribo Mawkin dos Chozo. Diferente da pacífica e focada em tecnologia tribo Thoha, os Mawkin eram guerreiros ferozes com costumes mais “bárbaros”, não se limitando apenas à caça em seu planeta, mas também atrás da conquista de outros sistemas.
Ao descobrirmos que Raven Beak é um dos doadores de DNA dos Chozo para que Samus pudesse viver em Zebes, temos uma sensação um pouco mais “íntima” de um inimigo do qual mal havíamos interagido até então; e ao presenciar sua crueldade enquanto ele mata Quiet Robe com um robô remotamente controlado, ou quando é revelado a verdade por trás de sua “personificação” de ADAM, a batalha deixa de ser íntima e se torna pessoal. É um dos momentos onde o jogo mais pede para você abusar das mecânicas de parry e dos constantes desvios de ataques muito poderosos, mas ao mesmo tempo é um clímax cinemático onde vemos a batalha ocorrendo enquanto ZDR está se destruindo lentamente ao fundo.
— E é então, no final da luta, que Samus utiliza seus poderes de mulher loira para encarnar o espírito de Suzane von Richthofen para matar seu segundo pai genético!
Uma batalha após a outra…
Esse texto foi um dos que eu mais me diverti escrevendo, já que as recomendações da nossa equipe não só mostram a diversidade de gostos dos vários redatores como mostram o quão incrível é a forma que aspectos diferentes de personagens diferentes podem moldar num objetivo em comum: encher ele(a) de porrada.
No fundo, espero que vocês tenham gostado deste “artigo”, e caso tenhamos um feedback positivo tanto por leitores quanto por outros redatores e revisores, espero fazer uma segunda parte do mesmo. Embora, pretendo usar um tema um tanto diferente, se possível, mas ainda na mesma vibe que este texto quer passar.
Conto com todos vocês para passarmos desta fase!
