Revisão: Manuela Feitosa
Estivemos na gamescom latam 2026, mais nova edição do evento que foi realizado desta vez entre os dias 30 de abril a 3 de maio (com abertura antecipada no dia 29 para imprensa, linha business e portadores do Deluxe Pass). Como já é costumeiro de nossas participações, conseguimos testar vários jogos entre obras já conhecidas e ainda em desenvolvimento, fazer entrevistas, conseguir brindes e ter várias outras oportunidades.
As Quatro Zonas

Como já é tradicional do evento, uma parte muito importante era a variedade de jogos disponíveis para testar e conhecer. Além de obras de algumas empresas parceiras maiores, como a própria Nintendo, e alguns expositores, o evento tem como um de seus pilares o BIG Festival que geralmente dá destaque a jogos indies, sejam eles brasileiros, latinos ou de outras partes do mundo.
Porém, desta vez foi introduzida uma novidade com a elaboração de zonas temáticas para organizar a separação dos jogos, que incluíam também projetos de empresas maiores como a Square Enix e a Arc System Works. Assim, obras com propostas que se alinham a um certo humor ou estilo de narrativa e gameplay ficam agrupados. Além de dar uma identidade mais consolidada a cada setor do evento, o que facilita até mesmo em localizá-los, a sensação é que as escolhas faziam sentido e ajudavam a ter vontade de conhecer melhor as distinções entre as áreas.

Eram quatro zonas temáticas: Hero, Shadow, Open e Neo. Obras da linha Hero contavam com mais elementos de fantasia, aventura e mitologia. As obras aqui eram geralmente mais voltadas à ação frenética e à aventura leve e colorida, contando por exemplo, com demos de Marvel Tokon, Moonlighter 2 e Dragon Quest VII Reimagined. Por outro lado, a linha Shadow já brincava com horror, suspense e mistério, com obras de tendência mais sombria e pesada que combinavam com a coloração roxa da área. Obras aqui incluíam Gretel & Hansel, o estiloso URBANO e Schrödinger’s Call.
A Open Zone era mais pensada em simulação com obras de open-world ou focadas em experimentar com recursos variados, como o roguelike de xadrez Gambonanza ou o gerenciador Tavern Keeper. Por fim, a Neo Zone trouxe obras futuristas com tópicos de ficção científica, cyberpunk e futurista, como The Alters, . A escolha de fazer essas quatro áreas e colocá-las uma em cada canto do evento foi possivelmente o ponto mais alto deste, e um acerto que vale a pena trabalhar em cima para os próximos anos.
Apelo Nostálgico

Um outro detalhe curioso do evento deste ano foi que, fora dos estandes principais de empresas tradicionais do ramo, tivemos algumas outras parceiras trazendo arcades e experiências voltadas à nostalgia. Isso não é estritamente novo, mas foi curioso ver isso em vários locais do evento com acesso irrestrito para o público.
A Seara, que no ano passado trouxe uma air fryer rodando DOOM, desta vez foi patrocinadora de uma área dedicada que ficou intitulada “gamescom latam arcade by Seara”. Entre os jogos, tivemos máquinas de jogos de corrida como Daytona USA, Cruis’n World e Super Bikes, obras esportivas variadas, incluindo hockey e basquete, máquinas de dança como Pump It Up NX Absolute, os tradicionais fliperamas (pinball) e máquinas da SNK e da Capcom. Foi uma área bem movimentada do evento, com pessoas de todas as idades aproveitando as máquinas.

Curiosamente, havia também estandes governamentais, tanto do Ministério da Cultura do Brasil quanto o de São Paulo. Na área do Ministério da Cultura do Brasil, que era um estande todo verde, era possível jogar Super Mario World em um Super Nintendo, além de ter uma área de fotos que simulava um ambiente virtual da época ali do Atari com crocodilos que remetiam a pixel art.
Pokémon Em Dobro

Como já tem sido tradicional, Pokémon em particular teve o seu próprio estande grande, contando com algumas formas diferentes de interação. Em particular, de um lado tínhamos uma área dedicada ao Pokémon GO, em que há estátuas em tamanho real do professor Willow e dos líderes das equipes Instinto, Sabedoria e Valor.
Do outro lado, temos uma área para a realização de duas dinâmicas que dependiam da obtenção de senhas e contavam com filas. Uma delas eram as mesas do TCG, que davam aos jogadores meio baralho (sem escolhas) e contavam com instrutor para explicar as regras básicas durante a partida.

A outra dinâmica envolvia uma espécie de gincana, sendo necessário arremessar pokébolas dentro de buracos e acertar o posicionamento dos Pokémon em um jogo da memória. Ao final, é possível escolher uma criatura como seu favorito da lista, usando o passaporte concluído para ganhar o direito de usar uma máquina de garra para tentar extrair algo melhor do que o prêmio de consolação.
Ainda havia uma lojinha no meio do estande entre as duas áreas, tendo várias opções para comprar, especialmente as cartinhas. Curiosamente, no evento, ainda tínhamos uma área voltada para jogar TCGs como Pokémon, Magic e outros, com várias mesas dedicadas e uma outra loja cujo acervo era mais variado por contar com outras linhas de jogos de carta também (Gundam e One Piece).
Um Estande Seguro

Neste ano, a Nintendo trouxe novamente vários jogos, mas, apesar de ter alguns jogos que não estavam em eventos anteriores, não houve de fato nenhuma novidade para o público que não estivesse disponível já no mercado geral. Como em todos os anos, tínhamos um palco de Just Dance e várias obras da empresa, além da distribuição de brindes, como uma ecobag e pôsteres baseados nos jogos.
Entre os jogos de Switch 2 tivemos Pokémon Pokopia, Donkey Kong Bananza e Mario Kart World, enquanto a coletânea Mario Galaxy 1+2, FC26 e Mario Tennis Fever também tiveram destaque. Havia ainda um setor de jogos latino-americanos, com Mullet Madjack, Pancito Merge, Nicktoons and the Dice of Destiny e Hot Wheels Let’s Race: Ultimate Speed.

Além dos jogos, tivemos também momentos em que era possível tirar fotos com Mario, Luigi e Donkey Kong. No geral, o estande se manteve bem cheio como de costume, embora fique a sensação de que a Nintendo se mantém de forma totalmente segura confiando na força da marca em si.

Testando Demos de Indies
Em particular, gostaria de destacar dois indies que tive a oportunidade de jogar com horário marcado no estande da Nuuvem no evento. O primeiro deles foi Realm of Ink, um roguelike de ação com um estilo de arte que remete a pinturas orientais antigas, como o Sumi-e (shuǐmòhuà na China), em que as linhas grossas de preto marcam um belo contraste com os ambientes. A obra já saiu no PC em acesso antecipado, mas seu lançamento completo deve chegar também ao Switch, PS4, PS5 e Xbox Series X|S no dia 26 de maio de 2026.

Desenvolvido pelo Leap Studio, o jogo tinha uma demo bem competente no evento e foi bastante confortável encarar os desafios. Foi possível notar um bom uso de coisas que já são padrões no gênero, como ter de fazer escolhas de como avançar tendo em mente os perigos e recompensas de cada área. Além disso a build da personagem é restrita por só ser possível equipar duas gemas de tinta cujos poderes são combinados, adicionando fatores de dano, habilidades específicas e efeitos especiais. O ritmo de combate também é bem pensado para dar tempo para o jogador reagir rapidamente aos inimigos com seus golpes telegrafados e evitar tomar dano.

O outro jogo que tive oportunidade de explorar foi o Fading Echo, um jogo de ação e aventura da Emeteria que está para ser lançado para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S no terceiro trimestre de 2026. Infelizmente, uma versão de Switch ou Switch 2 não foi anunciada até o momento, e ainda não se sabe se isso vai mudar futuramente.
Pois bem, Fading Echo é uma obra extremamente frenética e bastante recheada de desafios em estilo puzzle. Nossa protagonista acaba se vendo capaz de se transformar em uma espécie esfera de água com vida. Essa mutação é um tanto instável, se modificando de acordo com o ambiente e permitindo obter vários poderes diferentes que são úteis tanto para combater inimigos quanto para a travessia.
Por exemplo, inimigos quentes se solidificam e ficam imóveis e frágeis ao serem atingidos pela água. Poças de um veneno verde enfraquecem oponentes e podem ser usadas também para saltos mais altos. Outra possibilidade é a esfera se tornar névoa, ficando mais ágil, entre muitas outras opções. A demo mostra uma variedade muito fascinante de opções e bons desafios que exigem o entendimento das mecânicas. As cutscenes também são bem curiosas em suas escolhas estéticas de cores surreais.
Fora da Nintendo, algumas coisas a mais

As grandes atrações do evento foram jogos fora do ecossistema Nintendo, como Invincible VS, Marvel Tokon e Phantom Blade Zero. Enquanto Marvel Tokon teve três máquinas bastante requisitadas na área Hero Zone e uma extra reservada para a imprensa, os outros dois tiveram um grande estande dedicado, assim como o Lego Batman: Legacy of the Dark Knight da Warner, que vai sair para vários sistemas incluindo o Switch 2, também teve grande destaque individual no evento com bastante procura e grandes filas.
Também tivemos as tradicionais palestras com vários temas, incluindo a apresentação em primeira mão de um diário de desenvolvimento de Control Resonant durante uma entrevista ao vivo com o diretor Mikael Kasurinen. Porém, assim como a maioria dos grandes jogos de destaque individual do evento, Control Resonant também não tem nenhuma previsão de lançamento em plataformas da Nintendo no momento.
De forma geral, o saldo foi positivo e esperamos ver novamente em anos seguintes como a estrutura irá avançar, se teremos mais obras de grande relevância e destaque do evento saindo em plataformas Nintendo e que tipos de novidade será possível observar lá.
